Apaixonado por política, ex-colunista do Correio Braziliense por anos e com passagem por veículos como O Globo, Tribuna da Imprensa, Jornal Brasil, Tribuna do Norte e outros, o jornalista Walter Gomes morreu, aos 82 anos, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Ele deixa para a comunidade um legado de paixão pela profissão e compromisso com a informação.
Gomes era natalense.
Por anos a gente trocou comentários, teve contato, usando os modernos meios virtuais. Sempre interessado na política do RN, falávamos sobre episódios e personagens desse universo.
Que descanse em paz.
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Hélio Fernandes: causa natural (Foto: redes sociais)
Do Folha de São Paulo
Morreu na madrugada desta quarta-feira (10) o jornalista Hélio Fernandes, aos 100 anos, de causas naturais. Ele estava em sua casa, no Rio de Janeiro, ao lado de duas filhas.
Nome importante no jornalismo brasileiro e irmão do escritor Millôr Fernandes, Hélio trabalhou em O Cruzeiro e foi dono do jornal A Tribuna da Imprensa.
O jornalista deixa três filhos, Isabella, Ana Carolina e Bruno, e três netos, Felipe, Leticia e Helio. Dois filhos, Rodolfo Fernandes, que foi diretor de Redação do jornal O Globo, e Hélio Fernandes Filho, morreram em 2011.
Em 1962, Hélio assumiu a Tribuna da Imprensa, fundada por seu amigo Carlos Lacerda, ex-governador do então estado da Guanabara.
Durante o regime militar foi preso e desterrado várias vezes por textos que contrariavam os donos do poder.
Tenho várias situações para narrar, sobre Aluízio Alves, que se fosse vivo faria 90 anos hoje (veja AQUI). Muitas mesmo.
Vou relatar um tantinho assim, o que vem à memória nesse instante.
Em 2001, eu articulei e coordenei lançamento em Mossoró, na Estação das Artes Elizeu Ventania, do seu livro “O que eu não esqueci”. Uma noite inesquecível, registro.
Lançamento do livro “O que eu não esqueci em Mossoró” (Foto: arquivo)
Discursei à apresentação do livro e do autor (se é que era preciso).
Nos bastidores, almoçamos e botamos prosa em dia. Da política local e regional a informações sobre gente do lugar.
Noutra ocasião, em seu apartamento em Natal, quando se falava numa crise de relacionamento entre ele e o irmão Agnelo Alves, de novo botávamos a conversa no ponto. O telefone toca. Era Agnelo. Eu ali, testemunhando o carinho mútuo entre os irmãos.
Crise entre os dois? No fundo nunca parece ter existido. Diferenças, sim. Normal.
Em diversas vezes meu fone tocava, era ele ou Rose Cantídio, antiga seguidora, a lhe passar voz. “Quero saber das novidades; me diga sobre essa situação que vi aqui nos jornais (…)”, cobrava.
Esteve em Mossoró para participar da festa dos 90 anos do falecido governador Dix-sept Rosado, programação organizada pela professora Isaura Amélia Rosado, secretária da Cidadania Municipal, filha do homenageado.
Após o debate do qual fizera parte, pousou à casa do deputado federal Betinho Rosado (irmão de Isaura). Encontramo-nos outra vez. Prometeu ser breve no bate-papo em que eu já estava. Precisava voltar rapidamente para Natal, justificou de antemão.
Mudou os planos quando começamos a mexer em reminiscências da política, desde a disputa municipal de 1948 em Mossoró, vencida por Dix-sept Rosado.
No Rio de Janeiro, Aluízio deputado federal e amigo do genial jornalista Carlos Lacerda, esteve envolvido na criação do jornal Tribuna da Imprensa, em 1949. Era da absoluta confiança do sempre agitado Lacerda.
No livro “Depoimento”, um grosso volume lançado em 1977, com longa entrevista de Carlos Lacerda a uma equipe de feras do jornal “O Estado de São Paulo”, o jornalista e político cita várias vezes o nome de Aluízio. E ratifica que ele, o também jornalista e político, era seu freio na redação.
Quando chegava com seu artigo, à edição do dia seguinte do diário, Carlos Lacerda jogava o texto sobre a mesa e bradava: “Entregue a DBS para dar uma olhada.” DBS era uma sigla criada por ele para Aluízio: “Departamento do Bom Senso”.
Em muitas ocasiões, Aluízio tinha que refazer alguns termos ou simplesmente vetar o material, devido a sua carga explosiva. Carlos, do alto de seu 1,82 de altura, vozeirão e elouquência, um dos homens mais influentes do país, simplesmente aquiescia.
Eis alguns pequenos detalhes que eu não posso esquecer sobre Aluízio Alves.
Nasceu “Última Hora”, romance que venceu o Prêmio Sesc de Literatura em 2017. A publicação conta a história de “Marcos”, um jornalista atormentado entre a militância comunista e o trabalho no jornal que apoia Getúlio Vargas. O autor José Almeida Júnior reconstrói os últimos meses do presidente no governo, antes do suicídio, e a briga entre Samuel Wainer, da Última Hora, e Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa.
Livro foi premiado (Foto: cedida)
O livro será lançado oficialmente pela Editora Record em quatro cidades: 28/11 em São Paulo, 05/12 em Brasília, 07/12 em Belém e 21/12 em Mossoró, no Teatro Municipal Dix-huit Rosado.
Natural de Mossoró, José Almeida Júnior é formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), com pós-graduação em Direito Processual e em Direito Civil. Há dez anos reside em Brasília, onde exerce o cargo de Defensor Público do Distrito Federal.
‘Democrata’ e ditador
“Getúlio Vargas lançou as bases do trabalhismo brasileiro e influenciou o pensamento de esquerda de políticos como Jango, Brizola e Lula. Por outro lado, Vargas perseguiu comunistas e implantou uma ditadura violenta durante o Estado Novo. Tive a curiosidade de compreender o comportamento dos comunistas, que haviam sido perseguidos no Estado Novo, durante o governo democrático Vargas do início dos anos 50”, conta o autor, em entrevista ao blog da editora.
No livro, Almeida Júnior refaz uma das maiores batalhas da imprensa na época, a de Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa, e Wainer. Com o apoio da cadeia de jornais e rádios de Assis Chateaubriand, o Chatô, e de outros magnatas das comunicações, como Roberto Marinho, Lacerda perseguiu o dono da Última Hora até o desfecho final da crise, com o suicídio do presidente. Marcos, que ora se alia a Wainer ora ajuda Lacerda, é o contraponto entre esses personagens tão complexos.
Boa literatura
“Procurei encontrar as contradições em Wainer e Lacerda e explorá-las no ponto de vista de Marcos”, diz o autor.
“Histórico, mas sem qualquer ranço de didatismo, Almeida Júnior consegue, ao mesmo tempo, com enorme competência, reviver uma época e insuflar vida a personagens reais, tornando-os complexos”, assinala o escritor Luiz Luffato, resenhando as 352 páginas de “Última Hora”.
“O romance é lapidar em nos lembrar a história do país sem expor a pesquisa – um bordado que camufla o cerzido e deixa ver apenas o que interessa: a boa literatura, diz a também escritora Andréa del Fuego, na orelha do livro.
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Tenho várias situações para narrar, sobre Aluízio Alves, que se fosse vivo faria 90 anos hoje (veja postagem mais abaixo). Muitas mesmo.
Vou relatar um tantinho assim, o que vem à memória nesse instante.
Em 2001, eu articulei e coordenei lançamento em Mossoró, na Estação das Artes Elizeu Ventania, do seu livro “O que eu não esqueci”. Uma noite inesquecível, registro.
Carlos respeitava "DBS"
Discursei à apresentação do livro e do autor (se é que era preciso).
Nos bastidores, almoçamos e botamos prosa em dia. Da política local e regional a informações sobre gente do lugar.
Noutra ocasião, em seu apartamento em Natal, quando se falava numa crise de relacionamento entre ele e o irmão Agnelo Alves, de novo botávamos a conversa no ponto. O telefone toca. Era Agnelo. Eu ali, testemunhando o carinho mútuo entre os irmãos.
Crise entre os dois? No fundo nunca parece ter existido. Diferenças, sim. Normal.
Em diversas vezes meu fone tocava, era ele ou Rose Cantídio, antiga seguidora, a lhe passar voz. “Quero saber das novidades; me diga sobre essa situação que vi aqui nos jornais (…)”, cobrava.
Esteve em Mossoró para participar da festa dos 90 anos do falecido governador Dix-sept Rosado, programação organizada pela professora Isaura Amélia Rosado, secretária da Cidadania Municipal, filha do homenageado.
Após o debate do qual fizera parte, pousou à casa do deputado federal Betinho Rosado (irmão de Isaura). Encontramo-nos outra vez. Prometeu ser breve no bate-papo em que eu já estava. Precisava voltar rapidamente para Natal, justificou de antemão.
Mudou os planos quando começamos a mexer em reminiscências da política, desde a disputa municipal de 1948 em Mossoró, vencida por Dix-sept Rosado.
No Rio de Janeiro, Aluízio deputado federal e amigo do genial jornalista Carlos Lacerda, esteve envolvido na criação do jornal Tribuna da Imprensa, em 1949. Era da absoluta confiança do sempre agitado Lacerda.
No livro “Depoimento”, um grosso volume lançado em 1977, com longa entrevista de Carlos Lacerda a uma equipe de feras do jornal “O Estado de São Paulo”, o jornalista e político cita várias vezes o nome de Aluízio. E ratifica que ele, o também jornalista e político, era seu freio na redação.
Quando chegava com seu artigo, à edição do dia seguinte do diário, Carlos Lacerda jogava o texto sobre a mesa e bradava: “Entregue a DBS para dar uma olhada.” DBS era uma sigla criada por ele para Aluízio: “Departamento do Bom Senso”.
Em muitas ocasiões, Aluízio tinha que refazer alguns termos ou simplesmente vetar o material, devido a sua carga explosiva. Carlos, do alto de seu 1,82 de altura, vozeirão e elouquência, um dos homens mais influentes do país, simplesmente aquiescia.
Eis alguns pequenos detalhes que eu não posso esquecer sobre Aluízio Alves.