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Lênin – Quase um século de sua morte

Lênin, Vladimir LêninPor Honório de Medeiros

Estou pensando em Lênin, o genocida, cuja morte completa 97 anos.

Michiko Kakutani, prêmio Pulitzer de 1998, crítica literária do “The New York Times”, por mais de quarenta anos, em A Morte da Verdade (Notas Sobre a Mentira na Era Trump), conta que Steve Bannon, estrategista e conselheiro de Trump, certa vez descreveu a si mesmo como um “leninista”.

O mesmo Bannon, ainda segundo Kakutani, teria dito o seguinte:

– “Lênin queria destruir o Estado, e esse também é o meu objetivo. Quero acabar com tudo e destruir todo o establishment de hoje em dia.”

Lênin deve estar rindo muito em alguma das grelhas do inferno, apesar das dores. Ele é o patrono dessa maré de pós-verdade que se tornou praticamente hegemônica nos dias atuais, calcada no uso da retórica violenta, incendiária, em promessas simplórias e desconstrução da verdade, tudo potencializado pela internet.

O fundador da URSS explicou, certa vez, que sua retórica era calculada para provocar o ódio, a aversão e o desprezo, não para convencer, mas para desmobilizar o adversário, não para corrigir o erro do inimigo, mas para destruí-lo.

Quem quiser ler um pouco mais, está em “Report to the Fifth Congresso of the R.S.D.L.P. on the St. Petersburg Split of the Party Tribunal Ensuing Therefrom”, segundo Kakutani. Pois é.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

Bucha de canhão

Por Honório de Medeiros

Os inocentes úteis urram galvanizados enquanto a caravana dos donos do Poder de esquerda ou direita passa. São bucha de canhão para quem os manipula.

Esquerda ou Direita têm o mesmo propósito: a destruição do Estado.

Os donos da Esquerda por ambicionarem o Poder enquanto defendem, para os inocentes úteis, que vão construir o Paraíso sobre os escombros dessa destruição.

Socialistas selvagens.

Os donos da Direita por ambicionarem o Poder enquanto defendem, para os inocentes úteis, que todos serão ricos sobre os escombros dessa destruição.

Capitalistas selvagens.

Tanto uns quanto os outros querem o mesmo, acham que os fins justificam os meios, usam praticamente as mesmas táticas e estratégias, e somente diferem naquilo que prometem para quando chegarem ao Poder.

São totalitários.

Michiko Kakutani, prêmio Pulitzer de 1998, crítica literária do “The New York Times”, por mais de quarenta anos, em A Morte da Verdade (Notas Sobre a Mentira na Era Trump), conta que Steve Bannon, estrategista e conselheiro de Trump, certa vez descreveu a si mesmo como um “leninista”.

O mesmo Bannon, ainda segundo Kakutani, teria dito o seguinte: “Lênin queria destruir o Estado, e esse também é o meu objetivo. Quero acabar com tudo e destruir todo o establishment de hoje em dia.”

Lênin deve estar rindo muito em alguma das grelhas do inferno, apesar das dores.

Ele é o patrono dessa maré de pós-verdade que se tornou praticamente hegemônica nos dias atuais, calcada no uso da retórica violenta, incendiária, em promessas simplórias e desconstrução da verdade, tudo potencializado pela internet.

O fundador da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) explicou, certa vez, que sua retórica era calculada para provocar o ódio, a aversão e o desprezo, não para convencer, mas para desmobilizar o adversário, não para corrigir o erro do inimigo, mas para destruí-lo.

Quem quiser ler um pouco mais, está em “Report to the Fifth Congresso of the R.S.D.L.P. on the St. Petersburg Split of the Party Tribunal Ensuing Therefrom”, segundo Kakutani.

Pois é.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

O “ismo” que deforma

Por François Silvestre

O fanatismo é o sarampo da inteligência. Lênin dizia que o esquerdismo era a doença infantil do comunismo. A revolução de 1917, que pariu a União Soviética, desaguou no fundamentalismo stalinista. Uma praga que só serviu ao capitalismo, presenteando-o indevidamente com a bandeira das liberdades fundamentais.

O fanatismo antissemita produziu o holocausto, que de tão violentamente brutal, dispensa comentário. O seu antípoda, o sionismo, tem praticado intolerância e violência a dificultar a implantação do Estado palestino.

Tudo com base em interesses do poder e da economia, onde deuses e religiões, mitos e seitas justificam tudo. E nessa seara tudo é poder e dinheiro. O ser humano, se é que há, fica na rabeira da fila.

Os tiranos não são fanáticos. Fanáticos são os seus seguidores. Os idiotas que se imolam para manter viva a violência fundamentalista. Seja no poder de tiranias de Estado ou de grupos dispersos, onde a estultice fabrica tragédias.

Os chefes ou “líderes”, no fundamentalismo”, agem como os traficantes de droga. Traficam, vendem, mas não usam. O uso fica para os viciados. Nenhum líder fundamentalista se veste  de bombas para explodir junto com suas vítimas. Isso é tarefa dos estúpidos, reduzidos à condição de esterco pensante. Terrorista e torturador são excrementos, que nem pra adubo servem.

A palavra não é só resultado do processo adâmico. Ela tem a força da bomba ou a fraqueza do lodo.

Poucas palavras têm a força da edificação que habita o substantivo “fundamento” e o adjetivo “fundamental”. Pois bem; basta uma desinência para desmoralizá-los.

Há um sufixo prostituto que deforma a semântica dos fundamentos. É o “ismo”. Quando se agrega a uma palavra dificilmente lhe preserva a dignidade originária. Vírus semântico. É o caso do fundamentalismo.

O fundamentalismo está espalhado em todo o mundo. À espreita em cada canto, angariando adeptos e recrutando idiotas.

No Brasil, onde tudo tem um toque de hipocrisia, há formas disfarçadas de fundamentalismo. Basta ver os blogs e twitters durante a última campanha eleitoral. Nos dois lados.

Sem falar no fundamentalismo “ético”, da cretinice que inverte o princípio da presunção de inocência, ao transformar acusação em julgamento. Todo moralista carrega escondido no íntimo da sua alma penada um matulão de “defeitos”, que lhe motivam ira ou preconceito.

Sartre dizia que o inferno eram os outros. Assim também ocorre nas discussões políticas que embalam as redes sócias: fanático é quem discorda de você.

Há também que se levar em conta uma realidade que sai do campo político e vai desaguar nos mananciais da antropologia.

Não somos ainda a Humanidade. Somos o elo intermediário entre os ancestrais de onde viemos e a Humanidade que há de vir. Somos pré-humanos. De tecnologia evoluída e humanidade embotada. Tribais da barbárie, intelectualmente desnutridos.

A Humanidade corre o risco de nunca existir, pois depende da nossa sobrevivência para nos suceder. Ao nos destruirmos impediremos seu nascimento. Té mais.

François Silvestre é escritor

A reinvenção do óbvio

Por Paulo Linhares

É incrível a capacidade que tem a elite brasileira, os donos do poder e seus serviçais, de dizer a mesma coisa de modos diferentes, isso quando não parte para reinventar até o que não pode (nem deve) ser reinventado. Na maioria das vezes, a solução está em reescrever simplesmente algum rótulo e manter o mesmo conteúdo.

Mais ou menos nos limites da receita ‘revolucionária’ dos conservadores de todos os matizes saída da mente taciturna de Tancredi Falconieri,  personagem do escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa, na obra-prima Il Gattopardo (O leopardo): “Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi” (“tudo deve mudar para que tudo fique como está”, numa tradução livre).

Às vezes até, no mundo da política, é preciso dar “um passo à frente e dois passos atrás”, como definiu pragmaticamente o líder russo Vladimir  Lênin, para definir aqueles recuos necessários ao processo da acumulação de forças.

Foi isso que se fez recentemente na Comissão de Reforma Política, da Câmara Federal, quando os deputados que a compõem decidiram extirpar a excrescência que é a coligação partidária nas eleições parlamentares, um reclamo dos mais antigos de grande parcela dos estudiosos do Direito Eleitoral brasileiro. E foram além do permitiria o bom senso republicano.

Como até agora era regra vigente, a coligação traduzia a falência do sistema partidário na medida em que infundia vigor político àquelas agremiações partidárias sem maior representatividade social, os tais “partidos nanicos”( ou nanopartidos, como dizemos) cujas existências servem unicamente aos propósitos de serem legendas de aluguel para benefício financeiro de seus ‘donos’.

Nas eleições parlamentares, os nanopartidos sempre foram balcões para venda de legendas a candidatos inexpressivos ou para negociatas que envolveriam tempos ínfimos de propaganda eleitoral nas mídias eletrônicas, algo sempre atraente para os grandes partidos, sobretudo nas eleições majoritárias: quanto maior a ‘sopa de letrinhas’ montada por um candidato a prefeito, governador ou presidente da República, mais espaço abiscoitavam no “horário eleitoral” transmitido obrigatoriamente pelas emissoras de rádio e televisão.

Isto resultava, quase sempre, nas eleições de candidatos que sem as tais coligações jamais conseguiriam ocupar cadeiras nos parlamentos municipais, estaduais ou no Congresso Nacional. Assim, na sombra desse engenhoso ardil legal, pessoas têm sido eleitas para relevantes cargos políticos sem o bafejo na necessária legitimidade representativa.

Com efeito, as coligações não passam de alianças eleitorais que os partidos fazem entre si para aumentar suas chances de obter resultados positivos nas urnas, como se vê do artigo 6º, da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1996): “É facultado aos partidos políticos, dentro da mesma circunscrição, celebrar coligações para eleição majoritária, proporcional ou para ambas, podendo, neste último caso, formar-se mais de uma coligação para a eleição proporcional dentre os partidos que integram a coligação para o pleito majoritário.” É bem certo que sua existência se justifica nos pleitos majoritários para prefeito, governador e presidente da República e até de senador, jamais nas eleições proporcionais para deputado (estadual, distrital e federal).

O mais grave é que a coligação sempre reunia candidatos e partidos sem qualquer afinidade política e ideológica, ademais desse arranjo ter “a duração da rosa de Malherbe”: finda a eleição deixa de existir e cada partido segue seu rumo político, o que resulta em enorme déficit de legitimidade na representação política, além de enfraquecer os partidos.

Assim, depois de sobreviver a inúmeras reformas políticas a coligação tem um ponto final, ao menos com esse nome e as características afiguradas na Lei nº 9.504/1996. A inventividade sem limites dos nossos deputados federais, todavia, pariu outro monstrengo que nada mais é que a velha coligação vestida de nova roupagem: a federação partidária. E que diabos é isso?

Na explicação extraída do informativo da Câmara dos Deputados a tal federação é o sistema que “permite que os partidos com maior afinidade ideológica e programática se unam para atuar de maneira uniforme em todo o País e, ao mesmo tempo, contribui para que os pequenos partidos ultrapassem a cláusula de barreira.”

“Ela funciona como uma forma de agremiação partidária, formada até quatro meses antes das eleições. Durante três anos, eles deixarão de atuar como partidos isolados e passarão a agir como se fossem um único partido.”

“Hoje um partido pode se coligar com outro para uma eleição e desfazer a união logo em seguida. As coligações na eleições majoritárias (para prefeito, governador, senador e presidente da República) continuarão a valer.”

A roda girou, girou e voltou para o mesmíssimo lugar. Em suma, ‘leopardamente’, é mudar para deixar tudo com antes. E permanecerem intocados os interesses de uma elite política pervertida, atrasada e não menos impatriótica que sabe o óbvio: tanto faz bater na cabeça como em cima do chapéu que a cobre.

Coisas deste Brasilsão desembestado de ladeira a baixo.

Paulo Linhares é professor e advogado