Arquivo da tag: Wilton Monteiro

Veja lista de denunciados pelo MPF e papel de cada um

A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra os ex-deputados federais Laíre Rosado (PSB) e Sandra Rosado (PSB), além da ex-deputada estadual Larissa Rosado (PSB) – veja postagem mais abaixo ou clicando AQUI -, descreve minuciosamente o que seria o esquema de desvio de milhões de reais de recursos federais, da Saúde, que eles estariam envolvidos.

Apamim/Dix-sept rosado está sob intervenção há mais de um ano (Foto: reprodução Web)

Emendas orçamentárias federais eram destinadas à Saúde, via Fundação Vingt Rosado e Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância em Mossoró (APAMIM), controlados por esse grupo. A partir daí, os recursos ‘sumiam’ – barra o MPF.

A propósito, há mais de um ano que a Apamim está sob intervenção, com uma junta interventora a administrando.

Levantou-se suspeita à época de que mais de R$ 12 milhões teriam sido desviados da Apamim, entidade mantenedora da Casa de Saúde Dix-sept Rosado e Maternidade Almeida Castro.

Abaixo, veja o que o MPF resume sobre o papel de cada um e mais outros denunciados:

1) Sandra Rosado: usou de seu prestígio e poder enquanto deputada federal para direcionar recursos que sabia que seriam desviados por seu marido e genro, realizando emendas ao orçamento da União com o intuito de beneficiar a Fundação Vingt Rosado.

2) Laíre Rosado Filho: mentor intelectual do esquema criminoso, beneficiou-se diretamente com recursos desviados do convênio nº 743/2004, além de também estar ligado às pessoas de Manuel do Nascimento e Anderson Brusamarello, que também atuaram como seus assessores parlamentares na época em que era Deputado Federal. As provas produzidas na investigação demonstram ainda que parte dos recursos desviados do Convênio nº 1276/2005 teve como destino suas contas bancárias, sempre após passar por uma série de operações financeiras que tinham como objetivo lavar o dinheiro fruto de peculato.

3) Larissa Rosado: recebeu transferências de seu assessor José do Patrocínio Bezerra, logo após este ter recebido em sua conta os recursos do Convênio nº 743/2004, repartidos entre os investigados, com claro intuito de mascarar que o real destino do proveito financeiro. Ressalte-se, ainda, o depoimento de Edmilson de Oliveira Bezerra, o qual indica que o depósito de R$ 7.500,00 (sete mil e quinhentos reais) feito pela SG Distribuidora em favor de sua empresa, Fernandes e Bezerra LTDA, destinou-se ao pagamento de despesas de campanha da então candidata Larissa Rosado.

4) Francisco de Andrade Silva Filho: na condição de presidente da Fundação Vingt Rosado, assinou os Convênio nº 743/2004 e 1276/2005, assinou documentos dos procedimentos licitatórios contrafeitos e os referentes à execução do Convênio. Ainda, foi favorecido por quatro depósitos realizados diretamente na sua conta nas sessões de atendimento bancário e pelo depósito de R$ 3 mil, realizado em favor da empresa Cifrao Factoring Fomento Comercial LTDA, para pagamento de suas despesas pessoais. Deve responder, portanto, pelo crime do art. 89 da Lei nº 8.666/93 e pelo crime de peculato (art. 312, CP). Além disso, por ter falsificado os documentos para fraudar a prestação de contas dos Convênios, deve responder também pelo delito previsto nos arts. 304 c/c 299, CP.

5) Maria Melo Forte Cavalcante: na condição de procuradora da SG Distribuidora, assinou, em nome da empresa, a Ata de Abertura e Recebimento das Propostas nos Convites nº 001 e 002/20042, e foi responsável por assinar a guia de saque no valor de R$ 89.658,00 em 01.10.2004, que antecedeu as operações bancárias, igualmente feitas por ela, para contas contas de laranjas e de membros da família Rosado. Casada com de Francisco Wallacy Monteiro Cavalcante, sócio da SG Distribuidora, também denunciado pelo MPF.

6) Maria Goreti Melo Freitas Martins: na condição de responsável pela empresa SG Distribuidora, forneceu documentos da empresa para integrar procedimentos licitatórios simulados, bem como assinou propostas, emitiu notas ficais e foi responsável pela assinatura da guia de saque contra recibo no valor de R$ 85.299, valor este integralmente sacado em espécie após ser repassado pela Fundação Vingt Rosado.

7) Claudio Montenegro Coelho de Albuquerque: na condição de proprietário da empresa Diprofarma Distribuidora de Produtos Farmaceuticos LTDA, foi beneficiário direto de parte dos recursos do Convênio 1276/2005, fornecendo documentos da empresa para integrar procedimento licitatório contrafeito, devendo responder pelo crime de licitação previsto no art. 89 da LLC. Além disso, por ter falsificado os documentos para fraudar a prestação de contas dos Convênios, deve responder também pelo delito previsto nos arts. 304 c/c 299, CP.

8) Francisco Wilton Cavalcante Monteiro: foi um dos principais empresários envolvidos no esquema. Além de possuir relação de parentesco com diversos sócios das empresas que figuraram como vencedoras ou participantes dos procedimentos licitatórios simulados no Convênio nº 743/2004, é proprietário da empresa F Wilton Cavalcante que, após a licitação fictícia do Convênio nº 1276/2005, adjudicou objeto no valor de R$ 923.940.

Wilton: envolvido (Foto: reprodução)

9) Damião Cavalcante Maia: é proprietário das empresas DM Farma LTDA e DC Farma LTDA e esposo da proprietária de Maria Alves de Sousa Cavalcante (também denunciada), proprietária da M A DE SOUSA CAVALCANTE ME, tendo adjudicado, através das duas últimas, os objetos dos Convites nº 003 e 004/2004, recebendo o total de R$ 180.000,00 (cento e oitenta mil reais). Ele participou da montagem dos quatro convites decorrentes do Convênio nº 743/2004, constando, ainda, como participante da Concorrência nº 001/2005, embora tenha afirmado não recordar-se de tal fato. Por tal fato, é denunciado pelo delito do art. 89 da Lei nº 8.666/93. Além disso, por ter falsificado os documentos para fraudar a prestação de contas dos Convênios, deve responder também pelo delito previsto nos arts. 304 c/c 299, CP.

10) Manuel Alves do Nascimento Filho: foi responsável pela maior parte da execução das operações que resultaram na lavagem do dinheiro desviado do Convênio nº 743/2004. As contas da Apamim, por sua vez, foram utilizadas em complexa engenharia financeira para desviar recursos do Convênio nº 1726/2005, sendo detectado fluxo inexplicável de capitais para as contas dele, por meio do qual era promovido o branqueamento do recurso. Além disso, oficiou como presidente da CPL nos quatro Convites relacionados ao Convênio nº 743/20044, sendo agraciado com depósitos em sua conta após o repasse dos recursos a todas as empresas que se sagraram “vencedoras” em tais certames.

11) José do Patrocínio Bezerra: atuou na associação criminosa na medida em que forneceu sua conta bancária para receber recursos desviados do Convênio nº 743/2004 e promover o seu branqueamento, tendo sido favorecido por três depósitos, nos valores de R$ 800; R$ 3 mil; e R$ 6.750, totalizando R$ 10.550,00 (dez mil, quinhentos e cinquenta reais), posteriormente transferidos para a conta dos membros da família Rosado.

12) Anderson Luis Brusamarello e sua esposa Suane Costa Brusamarello: ao atuar na associação criminosa, mantiveram disponível a conta da empresa Suane C Brusamarello para receber recursos desviados do Convênio nº 743/2004 e promover o seu branqueamento, recebendo o total de R$ 36 mil, incidindo também no crime de lavagem de dinheiro.

Com informações do MPF.

Tenha notícias de bastidores, mais ágeis, em nosso Twitter, clicando AQUI.

A derrota de um dos últimos coroneis do RN

O município de Rodolfo Fernandes – região Oeste do Rio Grande do Norte, a 390 quilômetros de Natal – experimentou nas eleições deste ano o que talvez seja o fim de uma era: o reinado quase onipotente de um dos últimos coroneis da política potiguar.

O octogenário ex-prefeito Chiquinho Germano não conseguiu retomar o controle da prefeitura. Foi derrotado nas urnas, como vice de Wilton Monteiro (Lilico), do PSD.

Ele foi vencido por outro parente, primo de Lilito, Monteiro Neto (PR).

O candidato governista Monteiro Neto obteve 58,02% dos votos (2.309), contra 41,98 (1.671) de Lilito.

Monteiro foi apoiado pela prefeita e sobrinha de Chiquinho Germano, Maria Bernadete de Queiroz (DEM). Ela teve a eleição em 2008 sob as bençãos de Chiquinho, mas rompeu para imprimir identidade própria à administração.

Com o racha, eis novo confronto entre parentes neste 2012.

Chiquinho Germano é uma legenda política. Desde a criação do município em 1962, participou de 12 eleições e ganhou 11. Foi eleito prefeito em 1962, 1982, 1992, 2000 e 2004. Nas demais eleições, os vencedores tiveram seu apoio.

Nota do Blog – Uma vez, em bate-papo que virou entrevista, no início dos anos 2000, em sua casa de praia em Tibau, Chiquinho Germano relatou-me parte de sua história política e confessou: só tinha em seu elenco de disputas em Rodolfo Fernandes, uma derrota para o grupo do ex-governador Aluízio Alves.