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O antijogo

Por Marcelo Alves

Houve um tempo, lá pelo fim da minha adolescência e começo da vida adulta, que eu gostava de fazer apostas no futebol. ABC x América. No finado Castelão/Machadão. Coisa pouca, claro. E quase sempre o meu ABC ganhava. Mesmo assim, essa fase de apostador durou pouco. Acho que por temperamento. Dizem que sou econômico. E não gosto de arriscar nem muito menos de jogar dinheiro no mato.

De toda sorte, acho que um livro, nesse ponto, teve forte influência em mim: “O jogador”, de Fiódor Dostoiévski (1821-1881), de 1867. Trata-se de romance publicado logo após o célebre “Crime e Castigo” (1866). Embora seja um livro curto, escrito rapidamente para que o autor pagasse suas próprias dívidas de jogo, é um texto de maturidade.Casino-Estoril

Uma pequena obra-prima, na minha opinião. E dá para notar que é parcialmente autobiográfico. Dostoiévski esteve se arriscando nas mesas da cidade spa alemã de Baden-Baden (inspiração para o romance). Ele entendia bem – ou mal, a depender do ângulo – dos jogos. E não falo dos Olímpicos, que nos distraem hoje. Falo da roleta e assemelhados.

A trama de “O jogador”, narrada em primeira pessoa pelo protagonista, gira em torno de Alexei Ivanovich, jovem que trabalha como tutor em uma família russa decadente. Alexei apaixona-se pela manipuladora Polina Alexandrovna Praskovja, sobrinha do general patriarca da casa. Ele é introduzido no jogo a pedido dela. Vai ao cassino e ganha dinheiro para a sua amada. E perde-se, ele mesmo, obcecadamente, para ela. Há muitos exploradores em busca do dinheiro de uma tia/avó rica e (supostamente) doente.

Há diversos amantes na vida de Polina. Por amor e por dinheiro. Ganha-se e perde-se fortunas no jogo. Perde-se mais, claro. E, para além do jogo, Alexei perde dinheiro também com as mulheres, com os cavalos, com bebidas, jantares e festas. Alexei torna-se jogador “profissional”. Joga para sobreviver. E para “matar” a compulsão. Coisa viciante e perigosa mesmo. A desgraça chega. Ela vem rolando e a cavalo (com o perdão dos trocadilhos). No final, Alexei tem uma chance de redenção. Será que seu vício vai permitir?

Puxando pela memória, recordo-me de dois episódios meus em cassinos mundo afora. Ambos divertidos, cada um a seu modo.

Em Portugal, há muitos anos, minha mãe colocou na cabeça que queria ir ao Casino Estoril. Não ia jogar, disse. Mas queria conhecer. Fomos em reduzido grupo, solidários. Chegamos, circulamos e, não sei por que cargas d’água, a segurança resolveu nos introduzir num lugar reservado para os jogadores “profissionais”. Acho que foi por causa da minha mãe, já de idade e que parecia “animada”. Era um lugar de grandes apostas. E estava dominado por uma senhora, já idosa, que descobrimos chamar-se “Dona Rosa” e que apostava, concomitantemente, altos valores, em todas as mesas de roleta.

Matutos, quedamos acompanhando a jogadora. O clima era tenso. Ela perdia mais do que ganhava. Muito dinheiro. E tudo ficava mais tenso. Olhamos ao redor, e todos, em todas as mesas, estavam tensos. Ficamos coisa de uma meia hora sufocante. Até que minha mãe disse, decepcionada, seu “mundo” a desabar:

– “Vamos embora. Pensei que um cassino era como nos filmes de James Bond. Glamour. Bebidas chiques. Homens e mulheres bonitas. Essa Dona Rosa é horrível”.

Já recentemente, passei com minha mulher um dia em Baden-Baden. À noite, fomos ao cassino. Fui barrado na entrada. Não estava de paletó e gravata, vestimenta necessária, pelo menos naquele dia, para entrar no estabelecimento.

Li e disseram-me que poderia alugar um traje no local. Desconversei. Usei uma desculpa esotérica. Não tinha de ser. Era o destino. Minha mulher não fez questão. Fomos para o jardim do cassino. Havia uma festa com banda e tudo. Música grátis. E gastamos uns 50 euros com salsichas e cervejas. Pelo que me lembro do final. Acho que li e joguei certo na vida.

E agradeço agora a Dostoiévski e a “O jogador” por não me arriscar nas apostas. Aliás, hoje mais do que nunca, como diz a sábia menina Mafalda, do grande Quino (1932-2020), “viver sem ler é perigoso. Te obriga a crer no que te dizem”.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República e doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL

Apostas eleitorais causam alguns embaraços financeiros

Alerta foi feito na véspera de eleições (Reprodução)

Tem muita gente embaraçada no rescaldo das eleições 2016 em Mossoró.

Aqueles que “engoliram corda” e fizeram aposta em maioria superdimensionada da candidata eleita Rosalba Ciarlini (PP), com base em pesquisa, em “ouvi dizer” ou coisa do gênero, precisam se virar para cobrir compromisso.

Os números de algumas apostas impressionam pelo valor financeiro considerável; outras são até bizarras e administráveis.

Não foi por fata de aviso.

Na postagem ao lado (véspera da eleição de 2 de outubro) em nosso Twitter, com link para nosso Facebook, tentamos alertá-los.

Bem que avisamos!

Veja AQUI o resultado eleitoral da disputa majoritária em Mossoró.

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Compra de votos e aposta são ‘negócios’ de risco

Operação de guerra foi montada para frear tentativa de compra de votos em Mossoró.

Superestrutura rodante, homens, inteligência etc. estão em ação.

Cuidado!

Não aconselho ninguém a fazer aposta sobre campanha de Mossoró, em cima de maioria estelar.

Não “engula corda”.

Mande seu chefe apostar o dele.

Vá por mim.

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Empresário doará ganho de apostas a entidades filantrópicas

O empresário mossoroense Edvaldo Fagundes lança largo sorriso no pós-campanha municipal de Mossoró. Com razão. A empreitada traz-lhe vários dividendos.

Ele acreditou e investiu na candidatura a prefeito da vereadora governista Cláudia Regina (DEM).

Mas o lucro de apostas com várias pessoas, em valores consideráveis (fala-se em mais de R$ 600 mil), não servirá para ampliar seus bens pecuniários. O empresário converterá o ganho num capital social – gesto raro por essas bandas.

O montante obtido será pulverizado entre entidades de reconhecido papel filantrópico, como Lar da Criança Pobre e Associação dos Paes e Amigos dos Excepcionais (APAE).

Nota do Blog – Fantástica decisão.

Já ouvira relatos de outras atitudes desse nível – promovidas sem alardes – do empresário.