Pablo Aires enfrenta mais problemas em seu gabinete e mandato (Foto: Edilberto Barros)
O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou Inquérito Civil para apurar supostos casos de assédio moral e outras irregularidades, como perseguição e ameaça de demissão, no gabinete do vereador mossoroense Pablo Aires (PSB). O procurador vinculado à Procuradoria Regional do Trabalho da 21ª Região, Afonso de Paula Pinheiro Rocha, assinou a portaria inerente à investigação, sob o número 208.2023.
Além de Aires, a chefe de gabinete Virgínia Torres é envolvida na apuração, “para adoção de eventuais medidas judiciais e extrajudiciais.” A portaria é datada do último dia 13.
O gabinete do parlamentar na Câmara Municipal de Mossoró apresenta alta rotatividade de assessores. Nos últimos meses, cerca de cinco deles acabaram exonerados.
Há cerca de um mês, o vereador esteve envolvido em polêmica com entidade ligada à causa animal (uma de suas bandeiras de luta), gerando profundo desgaste (veja AQUI, AQUI e AQUI), devido sérias denúncias contra ele.
O Outro lado
Através de sua assessoria, o vereador se pronunciou sobre o Inquérito Civil aberto pelo MPT:
O vereador Pablo Aires informa à sociedade, que confia nas Instituições para que os fatos que envolvem seu nome, sejam apurados e a verdade seja estabelecida. O vereador informa ainda que nunca houve e não admite nenhuma prática abusiva em seu gabinete. Sobre a chefia, ele afirma que a função é desempenhada por uma profissional de Gestão de Recursos Humanos, qualificada, com mais de 10 anos de experiência. Para finalizar, o vereador afirma que está à disposição.
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O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (SINDISERPUM) deflagra nessa quarta-feira (18) uma campanha informativa contra prática de assédio moral.
Com peças informativas, orientações e visitações a repartições do município, a diretoria pretende alertar os servidores para que identifiquem e denunciem eventuais casos de assédio moral.
A campanha se estende também a toda a sociedade, tendo em vista que a prática não se restringe aos servidores públicos municipais, alerta o Sindiserpum.
“É uma prática nociva que o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró vai continuar combatendo com veemência e firmeza”, comenta a presidente do Sindiserpum, Eliete Vieira.
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Na próxima quarta-feira (09/08), será realizada uma assembleia geral para dos servidores municipais de Mossoró. É continuidade da assembleia ocorrida hoje pela manhã na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (SINDISERPUM).
Movimentação de hoje ocupou espaços externos do Palácio da Resistência (Foto: cedida)
Os servidores reagem contra reajuste salarial de 3,93% proposto pela gestão Rosalba Ciarlini (PP). Também revelam indignação por não serem recebidos em audiência, apesar de cobranças nesse sentido há mais de dois meses, através de vários ofícios ignorados pelo governo.
Após a assembleia dessa quarta-feira, manifestantes marcharam por artérias da cidade até à sede da prefeitura, o Palácio da Resistência, ocupando sua parte externa com faixas, um caixão preto simbólico da gestão, discursos inflamados, cartazes e presença maciça de servidores.
“Enquanto os servidores amargam uma situação difícil, com falta de segurança no seu local de trabalho, tendo que pagar do seu bolso por serviços básicos para poder trabalhar e no final da carreira receber R$1.400,00, tem marido de secretária recebendo super-salário e outros recebendo robustas gratificações”, denunciou Marleide Cunha – presidente do Sindiserpum.
Ela e os demais manifestantes também acusaram a gestão municipal de assédio moral contra vários servidores.
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Parece que estou no ano de 1964, após o golpe militar, quando dar uma opinião contrária ao sistema era crime, mas estou em pleno século 21, na tão amada Mossoró.
Perguntar sobre o salário e “quando será o pagamento?” virou crime. Os chefes logo dizem: “Por que está perguntando isso? Fui vítima dessa politica.
A empresa a qual pertenço – Sama – pediu para que eu me desligasse, apenas por questionar o pagamento dos salários.
Após repetidos atrasos, que chegam há quase três meses, a grande maioria do corpo clínico das UPAs, mais de cinquenta médicos, resolveu pedir para sair da escala da empresa médica a qual pertencemos, a Sama. É desumano para qualquer trabalhador passar quase 90 dias sem receber.
Pra se ter uma ideia, o mês de setembro foi pago no dia 16\12\15. É fato que estamos passando por um momento de crise econômica nacional, mas passar até três meses e não receber salário…? É crise ou má gestão? Ou será um misto dessas duas variáveis?
Estou aqui dando ênfase a um problema, mas existem vários. Faltam condições dignas de trabalho, além de materiais essenciais para o pleno desenvolvimento do nosso trabalho. Como exemplos básicos podemos citar a falta de fita para o aparelho de aferir glicose capilar e o eletrocardiograma, que constantemente fica “quebrado”.
Quem já precisou de atendimento nas UPAs sabe que é rotineiro a falta deles. Sem contar a ausência de medicamentos básicos.
Até o oxigênio chegou a faltar nas UPAs, recentemente. Queremos, estamos aptos e nascemos para trabalhar em prol da população, mas algumas falhas gerenciais e éticas precisam ser corrigidas. Tais como: calendário de pagamento respeitado; respeito aos profissionais ; fim do assédio moral e da perseguição aos médicos.
Isso precisa ficar bem claro.
Gledson Cavalcante é médico de origem mossoroense
Nota do Blog – Conheço esse rapaz desde a época em que era acadêmico de Medicina. Humanista, consciente do seu papel no mundo, orgulho para sua família e amigos.
Sua coragem desafiadora do status quo e dessa perversa e nebulosa aliança entre Medicina terceirizada e o poder público, merece nosso aplauso.
Também sou funcionaria da Art Service (terceirizada que serve à Prefeitura de Mossoró).
Sou mãe e tenho dois filhos pequenos. Tenho que pagar aluguel, energia, água e comprar alimentos pros meus filhos e hoje o que temos é a falta de respeito desse prefeito. Uma vergonha.
E nós os terceirizados somos os que dão duro no trabalho. E se falarmos em parar, vão logo dizendo que vão colocar para fora.
Quer dizer que temos de trabalhar sem receber e ficarmos calados?
Espero que essa situação se resolva, pois não aguentamos mais essa falta de respeito.
“Ana” (nome fictício. Preservamos a real identidade, para não prejudicá-la, haja vista que sofre assédio moral).
Como se diz na gíria política, quando algum nomeado para cargo comissionado é defenestrado, o todo-poderoso gerente de Serviços Especiais da Petrobras em Mossoró e região, Luiz Antônio Pereira, não é mais titular desse cargo estratégico.
Literalmente, “caiu”. Foi abatido, seria o termo mais correto.
Bacharel em direito e irmão do influente ministro do Emanoel Pereira, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Antônio nunca foi uma unanimidade na empresa e no posto. Foi aboletado na Giroflex por mera intervenção politiqueira na estatal, que na era PT se transformou numa subsidiária de interesses partidários e valhacouto para acomodar amigos do poder.
Ele desembarcou por lá como indicação política. Só. No currículo, praticamente nada. Nenhum vínculo, mínimo que fosse, com a história e foco da Petrobras.
Luiz Antônio Pereira foi comunicado ontem no final da manhã, que estava fora do cargo. Foi pego de surpresa.
Convocou reunião para informar que estava de saída e viu um auditório com rostos impassíveis. Ninguém ladeou-o ou manifestou solidariedade.
Isolado
Balbuciou algumas palavras e em menos de três minutos encerrou sua fala. Percebeu pela própria reação dos presentes, que teria tudo da “tropa” – menos apoio ou manifestação de sentimento de perda.
No cargo desde 2002, Luiz Antônio coleciona uma série de problemas que desaguam na Petrobras, sobretudo com enxurrada de demandas judiciais por assédio moral (veja exemplo AQUI, que este Blog publicou há alguns meses).
Contudo nos intramuros da empresa, há muito mais sendo administrado e camuflado administrativamente, para preservação do “nome” da estatal. Situações “pouco republicanas” estão no cabedal de problemas em apuração.
Substituto
A ordem é evitar escândalos. Bastam os já existentes no plano nacional e o desgaste da Petrobras perante a sociedade regional, devido recuo em investimentos e desempregos no setor.
Um nome saído de Aracaju-SE, deverá ser o substituto de Luiz Antônio Pereira. O engenheiro Mafram (prenome não obtido ainda pelo Blog), funcionário de carreira, está convocado para a tarefa.
O gerente geral Luiz Ferradans, ao lado de outros nomes de proa da Petrobras, esteve ontem em Mossoró. Em tese, apenas para reinauguração do Museu do Petróleo, na Estação das Artes Eliseu Ventania.
A Petrobras em Mossoró precisa passar por profundo reordenamento de métodos e relação com sociedade, servidores e terceirizados. Nos últimos anos, seu conceito desabou de forma proporcional à queda livre de Luiz Antônio Pereira, que se jactava de ser “imexível”.
Desde a última quinta-feira (23) aguardo respostas da Petrobras quanto aos questionamentos referentes ao gerente setorial Luiz Antônio Pereira, irmão do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Emmanoel Pereira.
Sequer me foi dado algum prazo para a resposta, o que não condiz com a prática que tinha no período em que atuei como profissional de comunicação da empresa. Enquanto isso, histórias mal-contadas se multiplicam.
A última, é um texto assinado por empregados da Gerência de Serviços Especiais e encaminhado ao gerente geral Stenio Jayme. O texto tem uma conotação de desagravo, mas com uma inusitada contradição.
Enquanto o primeiro parágrafo trata de estigmatizar o grupo de trabalhadores que apresenta ações na justiça – com ganho de causa – relativas a assédio e direitos aviltados, o segundo confirma os problemas, por exemplo, referentes ao pagamento de horas-extras, que levou a Petrobras a derrotas na justiça por responsabilidade do gerente.
Antes era apenas o PGR e a Assembléia Legislativa que se furtavam a responder meus questionamentos. Agora é a Petrobras, empresa que se apresenta e gosta de cultivar a imagem de transparente, que se omite inclusive de indicar prazo para encaminhar resposta à demanda de imprensa.
Veja AQUI matéria correlata: “Casos de assédio moral inundam Justiça e afetam Petrobras”;
Veja AQUI matéria correlata: “Perseguição e dor banalizam o mal na Petrobras/Mossoró”.
Nota do Blog do Carlos Santos – Tive acesso a milhares de páginas processuais, colhi depoimento de empregados. Também ouvi fontes ligadasa ex-prestadoras de serviço à Petrobras.
O que está vindo à tona é “fichinha”. Posso afirmar sem medo de estar exagerando: tape o nariz. Repito: tape o nariz.
O silêncio da estatal e do gerente Luiz Antônio não é por acaso.
O que deverá ser puxado dos intramuros e submundo tende a ser muito pior do que já é do conhecimento público através desta página, do Blog De Olho no Discurso e nos escaninhos da Justiça Trabalhista e Comum.
O Blog do Carlos Santos publicou matéria sob o título “Casos de assédio moral inundam a Justiça e afetam Petrobras” (veja AQUI) às 19h53 da última quinta-feira (23), em que retratava o ambiente de expoliação da força de trabalho, na gigante estatal brasileira, a partir de Mossoró. Mas há muito mais a ser contado.
Na seara judicial correm diversas ações trabalhistas que pleiteiam reparos pelo escravismo e supostas humilhações deliberadas, encetadas por recalques, sadismo ou má-fé. Ou a simbiose dessas distorções psicossociais.
Há um abundante e crescente número de processos por assédio moral. Um rosário de gente que se queixa de maus-tratos encetados pelo gerente da empresa na região de Mossoró, bacharel em direito Luiz Antônio Pereira.
O gerente Luiz Antônio Pereira parece ter sido pinçado de algum romance de Jorge Amado ou dos autos do Tribunal de Nuremberg. Pode ser descrito como um jagunço/feitor ou alguém que se especializou na “banalidade do mal”. A filósofa Hannah Arendt teria-o como um experimento perfeito à sua tese da insensibilidade burocrática no trato de vidas humanas.
Luiz, relata-se, está sempre com chicote à mão. Parece um déspota esclarecido ou convicto da impunidade, sob a proteção desse orgulho nacional que é a Petrobras – e seus padrinhos graduados.
O Blog teve acesso a dezenas de documentos no campo judicial, dossiês e colheu depoimentos de pessoas que tiveram relações contratuais traumáticas com a Petrobras. O que está para vir à tona merece uma recomendação prévia: tape o nariz.
Hélio Silva (foto de junho de 2011): punido pelo mérito
Abaixo, só para se ter uma ideia da dimensão desse e de outros problemas correlatos, veja trechos de uma entrevista com o petroleiro Hélio Oliveira da Silva, 48, com 30 anos de Petrobras, originário de Pernambuco, considerado um servidor exemplar e de conceito além das fronteiras do país.
Mesmo sob extremo regime laboral, ainda conseguiu o feito de ser aprovado num concorrido vestibular de Medicina na Universidade do Estado do RN (UERN).
O material é colhido do Blog De Olho no Discurso, que desencadeou denúncia de exploração e uso da estatal para empreguismo gracioso. Vale lembrar que Luiz Antônio não é funcionário de carreira da Petrobras, mas foi aboletado no cargo por influência política do seu irmão, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Emmanoel Pereira.
É essa a história de Hélio. Uma história de vitórias, superação e horrores…
Hélio Oliveira da Silva, 48 anos e trinta de Petrobras. Filho de família pobre, cuja pai era carteiro, seu sonho era ser médico. Mas, aos dezoito anos, passou no concurso para a Petrobras. “A proposta salarial era irrecusável”, diz Hélio, .
O sonho de ser médico foi adiado em troca de uma carreira como técnico de perfuração e poços.
“Como Técnico de Perfuração e Poços Sênior, atuo na complexa atividade de Pescaria, Teste de Formação e Testemunhagem, atividades essas desenvolvidas sempre em campo, junto a sondas de perfuração e produção, terrestres e marítimas”, explica. “Sou um técnico multidisciplinar”, conclui.
Hélio trabalha atualmente na Gerência Setorial de Serviços Especiais, na Gerência Geral de Construção de Poços Terrestres, em Mossoró. Ele é uma das vítimas de maior dramaticidade do assédio moral na Petrobras.
Leia sua entrevista a seguir.
– Há quanto tempo você trabalha na Petrobras?
Hélio Silva – Antes de tudo agradeço-lhe a oportunidade, pois falar do problema, ser ouvido é uma forma de aliviar a intensidade dos meus sofrimentos. Trabalho há exatos trinta anos, cinco meses e vinte dias. À época, já tinha metas de vida estabelecida. A principal? Ser Médico. De família pobre, filho de carteiro, com doze irmãos. Passei no concurso da Petrobras aos 18 anos, a proposta salarial era irrecusável. Adiei o meu sonho, mesmo assim trabalhei na companhia com esmero e indiscutível dedicação o que me proporcionou uma carreira vitoriosa. Técnico de Perfuração e Poços Sênior.
E continua: “Como Técnico de Perfuração e Poços Sênior, atuo na complexa atividade de Pescaria, Teste de Formação e Testemunhagem, atividades essas desenvolvidas sempre em campo, junto a sondas de perfuração e produção, terrestres e marítimas. Sou um técnico multidisciplinar”.
HÉLIO SILVA
Trabalhar na Petrobras é ter experiência que nos proporciona um grande patrimônio, não me refiro ao material e sim ao imaterial, já que, não tenho dúvidas e sem demérito a outras empresas, a inteligência brasileira gravita em torno da empresa, há muita gente inteligente e competente trabalhando nela. Razão pela qual a Petrobras é uma companhia vencedora, eu recomendo a qualquer jovem que se esforce para fazer parte de sua equipe. O meu caso de dor e sofrimento é pontual e em nada diminui a empresa, são distorções que ocorrem em qualquer grande instituição, mas que precisam ser corrigidas e combatidas.
– Quando começaram seus problemas na empresa?
Hélio Silva – Sempre fui considerado um profissional exemplar, cheguei a técnico sênior ainda muito jovem, topei na carreira há mais de 15 anos, mesmo assim mantive o entusiasmo. Certo dia, perguntei ao gerente local se era justo trabalhar e sequer ser apontado o meu dia de trabalho. Fui defenestrado, desrespeitado. Comecei a pensar duas coisas que foram determinantes para uma tomada de posição, que culminou com a fase mais difícil da minha vida. Primeiro, o país tem uma lei cruel, injusta e perversa que se chama fator previdenciário, tal lei pela sua fórmula matemática empurra pouco a pouco o aposentado para a mendicância.
Vítima
E continua: “Segundo, como posso trabalhar na maior empresa da America Latina, a quarta maior do mundo em energia, tendo a clareza e observando as injustiças a mim acometidas por ocasião do meu regime extremo de trabalho e a supressão de direitos sociais e trabalhistas que não vinham sendo pagos pela empresa, notadamente a subtração de horas extras (tanto inter quanto extrajornada), ingressei com a ação judicial n.º 100200-86.2011.5.21.0012 (Segunda Vara do Trabalho de Mossoró/RN) para fins de postular os meus respectivos direitos? Aí se iniciou um inequívoco processo orquestrado de perseguição.”
– Você se considera vítima de violência no local de trabalho, aquilo que costumamos chamar de assédio?
Hélio Silva – Indubitavelmente. Poderia citar várias situações além do rigor excessivo aplicado. Darei apenas dois exemplos, cristalinos e elucidativos: Pois bem, no dia 21/12/2011, quarta feira, as 08h20min, dia do embarque, fui convocado para comparecer à sala do gerente local. Aí começou o massacre e a verborragia descontrolada e assim foi dito pelo dirigente: “por causa da ação trabalhista das horas extras eu vou destruir você, vou acabar com você, eu posso tudo, tenho todo poder e faço o que bem entendo e além do mais ai de você se for à faculdade de Medicina fazer provas. A partir de hoje você deve ficar na base de 06h00min as 18h00min. Vou desfazer esta ação porque não vai dá em nada, a Petrobras desmancha a ação com facilidade.”
Hélio continua seu relato: “Coincidentemente era a semana de provas na Uern e fiquei transtornado pela virulência e ameaças que sofri. Ao sair da sala de hostilizações tive uma crise de nervos e de choro presenciado por Sóegima Cristina e Valdenildo. São público e notório que ninguém do sobreaviso nunca foi obrigado a permanecer na base durante 12h, uma vez que o trabalho é eminentemente no campo”.
Ele tem mais a dizer sobre o assédio moral.
“No segundo exemplo, no dia 05/03/2012, em Natal, às 10h20min, houve uma reunião do Gerente Regional com o Sindicato dos Petroleiros para tratar de assuntos relativos a perseguições e agressões nas relações de trabalho. Estava presente o Gerente dos Recursos Humanos. Os diretores sindicais Márcio Dias, José Araújo (Dedé), Pedro Idalino e Belchior, além dos empregados da Petrobras Décio, Hélio, Jaime, Soégima Cristina e Valdenildo. O Gerente Regional reforçou os desatinos do Gerente local, foi extremamente duro e cruel. A angústia que já vinha sofrendo, a depressão devidamente diagnosticada, aumentou com a insensibilidade daquele Gerente e a dor doeu mais forte, saí da reunião em completo desatino porque de dedo em riste e na condição de ser proibido de falar, de forma ríspida e autoritária foi dito: ‘Hélio, você vai ficar no administrativo porque eu quero, e quem vai buscar conhecimento em área que não é de interesse da empresa, eu não tenho compromisso e o ônus é todo do empregado.’” Reconheceu que em toda Petrobras sobrara dinheiro no ano de 2011 e disse textualmente que tinha a missão de lapidar o gerente local.
– O que o assédio sofrido já lhe trouxe de consequências pessoais, profissionais e de saúde?
Hélio Silva – O assédio moral foi devastador em minha vida. Passei, em dezembro, da condição de um feliz e vibrante acadêmico de Medicina para um paciente com necessidades de fazer uso de ansiolíticos e antidepressivos. Já no mês de fevereiro, adoeci gravemente, deixei de freqüentar as aulas, perdi todas as disciplinas. A depressão se acentuou e imuno deprimido, tive a infelicidade de ser acometido de dengue hemorrágica, fui internado na UTI do Hospital Português (Recife-PE), tive uma experiência de morte.
Segundo o entrevistado, sua vida saiu da euforia da aprovação no vestibular, para um inferno: “Os problemas são muitos: sofro de transtorno ansioso-depressivo, severo distúrbio do sono, dores de cabeça dilacerantes, inapetência, perda de peso, diminuição da libido e diminuição da eficácia do sistema imunológico. O que tanto afeta meus amigos e fundamentalmente a minha esposa, meus três filhos é o desinteresse e o isolamento social. Digo, a depressão é malvada, quem já passou por isso sabe muito bem do que estou falando.”
Ele continua o desabafo emocionado: “Reduziram meu salário cerca de 40% e mudaram meu regime de trabalho do campo, onde sou especialista para o administrativo. Tenho sentimento de indignação e ponho minha esperança em Deus e na justiça, que sabiamente não terá dificuldades de equacionar a problemática”.
– E a justiça? O que ela já disse do seu caso?
Hélio Silva – Bem, acredito na justiça do meu país, a minha ação trabalhista tem forte embasamento. O juiz para bem decidir precisa de provas, as minhas são incontroversas, incontestáveis e insofismáveis, não tenho dúvidas disso. Caso ocorra uma análise bem feita, não haverá a mínima dúvida de que trabalhei em regime excessivo, por que não dizer como uma espécie de semi-escravidão. Com sobrecarga de trabalho e com as folgas desrespeitadas, inclusive nas férias. Tudo isto, sem o pagamento devido. Diga-se de passagem que a Petrobras em sua essência não concorda com isto, o problema é localizado, regional.
Paralelamente à demanda trabalhista, Hélio Silva reage à opressão com outro instrumento jurídico. “Estou entrando com uma ação de assédio moral que é de estarrecer e causar espanto em qualquer um pelo puro desrespeito ao acordo coletivo e próprio código de ética da empresa. Repito, confio na justiça, há homens de bem em todos os lugares e o mal será de alguma forma reparado. Em termos de sentença das ações de horas-extras proferidas pela justiça trabalhista, duas dentre as quatro já foram julgadas favoráveis, as outras duas estão em tramitação. Quanto à ação de assédio acredito que ela é de uma clareza solar e assim sendo, espero um posicionamento favorável do magistrado”.
– Há outros colegas em situação semelhante?
Hélio Silva – Sim. Não obstante, não foi apenas eu quem ingressou com a medida judicial em dissertação. Diversos outros colegas, sentindo-se injustiçados com o não pagamento das horas-extras em foco, assumiram a mesma postura e vêm pleiteando judicialmente o pagamento de suas jornadas extraordinárias. Agora, sou o bode expiatório, como sempre acontece na história da humanidade.
Ele cita adiante, o que tem ocorrido a outros empregados da estatal que vende imagem de excelência para o mundo. “Há seis colegas extremamente afetados, todos passam por tratamentos psiquiátricos, diga-se de passagem, com profissionais médicos diferentes. O que não é coincidência são os diagnósticos e o tratamento, uma vez que todos estão tomando medicação com tarja preta (antidepressivos e ansiolíticos). São eles: Décio (depressão crônica e sem avanço com o tratamento); Jaime, Hollanda, Sóegima Cristina e eu.”
– Qual a sua expectativa? O que você espera que possa acontecer nesse caso?
Hélio Silva – Primeiramente a minha maior expectativa é ver a minha saúde ser restabelecida. A mudança do regime de sobreaviso foi para inviabilizar a minha freqüência no curso, que é o sonho da minha infância. Estando em sobreaviso, poderia comparecer em tempo integral na faculdade nos dias que estava de folga. Em regime administrativo sou obrigado a trabalhar todos os dias, justamente nos horários em que se desenvolvem as aulas da Faculdade de Medicina. A inviabilidade de consensualização do horário de trabalho novo com as obrigações do curso é evidente. Dito isto, sonho em poder voltar a estudar Medicina na UERN; ver a justiça erguida e fundamentalmente que práticas perversas como estas não venha ocorrer com nenhum outro trabalhador. Que as gerações futuras na companhia tenham o prazer de dedicar-se com afinco e zelo e por isso ser reconhecida, e não castigada como está sendo no meu caso. Visto que a pior dor é a da alma, a depressão é malvada e insiste em não ir embora justamente porque estou levando uma vida a qual não suporto, pois não há como agüentar ver a minha decência e dignidade serem subtraídas pela arrogância e insensibilidades de uns poucos.
Nota do Blog – O Blog evitou colocar fotos “novas” de Hélio Silva em seu respeito, a familiares e amigos, tamanha a depauperação de imagem (em relação a essa foto antiga postada nesta postagem).
Punido por seus méritos, Hélio não poderia ser punido pelo Blog.