Uma imagem do debate desse domingo (16) – veja AQUI – entre os candidatos Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT) tem muita semelhança com outra, mas da campanha municipal de 2016 em Mossoró.
Dois momentos da política, em épocas e contextos diferentes, mas com o deboche em cena (Fotomontagem do Canal BCS)
Nas duas fotos acima, separadas por seis anos, é fácil perceber essa analogia.
Na primeira foto, Lula em pleno debate da Band e outras empresas de mídia, fala no olho a olho com a câmera, enquanto atrás dele o adversário Bolsonaro faz ar de deboche.
Na segunda foto, após o debate do dia 25 de setembro de 2016, promovido pela Inter TV Costa Branca (veja AQUI), o então prefeito Francisco José Júnior (PSD) ironiza com um sorriso travesso a adversária Rosalba Ciarlini (PP), que era entrevistada.
Sobre os desdobramentos da primeira foto só saberemos no dia 30 próximo, data do segundo turno presidencial.
Quanto à segunda, o prefeito desistiu da campanha à reeleição e Rosalba foi eleita pela quarta vez à Prefeitura de Mossoró, com certa facilidade.
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Bolsonaro embaraçou Lula com Petrolão e sobrou na gestão do tempo para manter discurso (Foto: reprodução)Lula conduziu o debate no primeiro bloco e teve ligeira vantagem com o tema da pandemia (Foto: reprodução)
Se houve um vencedor do debate promovido por pool formado pelo portal UOL, o grupo Bandeirantes, a Folha de São Paulo e a TV Cultura, com apoio do Google e YouTube, esse foi Jair Bolsonaro (PL). O evento aconteceu nesse domingo (16), às 20h.
Ah, isso significa que o presidente e candidato à reeleição vai ter uma elevação considerável nas intenções de voto?
Provavelmente, não. Em resumo, não ocorreu nada de grande impacto que provoque ondas concêntricas ao longo dos próximos dias, capaz de desaguar nas urnas em seu favor.
O debate é em essência um teatro. Falas, caras e bocas passam mensagens verbais e não verbais. O conteúdo, de temas relevantes a polêmicos, é parte do enredo. O que cada lado procura é se esquivar do que lhe embaraça, ao mesmo tempo que tenta ‘derrubar’ o adversário num momento único do confronto.
Não houve nocaute, usando-se aqui a linguagem do boxe. Em alguns momentos, sobretudo quando o tema era corrupção e sua relação com ditadores e ditaduras de esquerda, Lula cambaleou nas palavras ou não teve respostas seguras e convincentes. Porém, não desabou.
O temperamento explosivo, carregado de rompantes, que é uma marca de Bolsonaro, foi automodulado. Aproveitou melhor o tempo e até fisicamente intimidou Lula (PT), quando se aproximou dele gracejando e tentando tocá-lo em tom de compadrio. O petista ficou nitidamente incomodado.
Só no primeiro dos três blocos, Lula conduziu o debate e deixou o adversário molestado, ao insistir bastante na questão da pandemia e a postura de Jair Bolsonaro no período,
O escândalo de corrupção na Petrobras, o “Petrolão”, revelou o ex-presidente novamente com dificuldade de se desvencilhar, acuado. Isso já tinha ocorrido em debate no primeiro turno. Bolsonaro disparou série de números bilionários de desvios na Petrobras. Lula não contestou, preferindo falar em quebradeira de empresas e soltado a impressão de que “pode ter havido” tamanho propinoduto.
Pedofilia
Antes, Bolsonaro antecipou-se à esperada menção a vídeo de conotação pedófila que foi viralizado nas redes sociais, o envolvendo diretamente. Empunhou ‘cola’ com resumo de decisão monocrática do ministro Alexandre de Moraes, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e praticamente matou o assunto. Saiu-se bem, pois o despacho do ministro determinou retirada do vídeo do ar e viu como improcedente a acusação feita contra o presidente.
Horas antes do debate, um zunzunzum corrente era de que Jair Bolsonaro estaria muito abatido e poderia nem comparecer ao programa. Motivo: essa polêmica.
No último bloco, Jair Bolsonaro ficou quase 7 minutos contínuos no ar fazendo suas pregações contra Lula e o PT, sem ser contestado. Repetiu o que fala há séculos sobre corrupção, costumes, religião etc. Lula, por sua vez, consumiu todo o tempo tentando dar explicações, sem perceber que o ‘banco de minutos’ das regras do debate era consumido por ele de forma quase inócua.
Será que os indecisos, principal alvo dos dois candidatos, foram alcançados? A interpretação do debate é puramente emocional em se tratando de partidários dos candidatos. O xis da questão é quem está alheio a um e a outro concorrente e como cada marketing usará esses conteúdos pinçados do debate, mas catalisar quem não tem candidato.
A disputa segue tensa, dura e indefinida. O debate não será determinante de nenhum salto desse ou daquele disputante. Vamos aos próximos rounds. Que soe o gongo.
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Ontem no “Agora é tarde”, programa na Band de Danilo Gentili, o Rio Grande do Norte foi citado e infelizmente como piada da polícia do Estado usar estilingue como armar. Ruim para a governadora e prefeita de Natal. Mas pior ainda, para todos os potiguares que se orgulham do seu estado e dos seus políticos!
Augusto Melo (webleitor, em postagem na rede social Facebook)
Nota do Blog – Só um reparo: a prefeita de Natal (Micarla de Sousa-PV) pelo menos dessa vez está inocente. O episódio deriva de uma inspeção do juiz da comarca de São Paulo do Potengi, Peterson Fernandes Braga, ao CDP (Centro de Detenção Provisória) da cidade (72 km de Natal). Ele identificou que agentes penitenciários usavam estilingue (baladeira) como arma.