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Populismo digital

Por Odemirton Filho

Os líderes são forjados a partir da retórica e das ações que fazem perante o meio no qual exercem influência, sobretudo, política.

Em tempos idos os líderes conseguiam cativar a massa-povo através de discursos inflamados que a inebriava e a conduzia.

Aquele que, no meio político, seduz a massa-povo através de sua retórica e assistencialismo consegue alçar o poder e, muitas vezes, manter-se por muito tempo.

A esse tipo de líder costuma-se nominar populista.

“Populismo é basicamente um “modo” de exercer o poder. Ou seja, dá-se uma importância ao povo, às classes menos favorecidas, cuida-se delas e, assim, conquista-se sua confiança o que permite que se exerça um autoritarismo consentido, uma dominação que não é percebida por quem é dominado”.

De se notar que o populismo pode ser de qualquer viés político-ideológico, seja de direita ou de esquerda. Não importa a tendência, o que vale é seduzir a massa, fazendo-a servil.

Lembremos do Papa Pio XII e a diferença entre povo e massa:

“O povo vive com vida própria, da plenitude da vida dos homens que o compõem, cada um dos quais – em sua própria posição, segundo seu próprio modo – é uma pessoa cônscia de sua própria responsabilidade e de suas próprias convicções”.

“A massa por si mesma é inerte, e não pode ser movida senão por agente extrínseco. Ela espera um impulso que lhe venha de fora, fácil joguete nas mãos de quem quer que lhe explore os instintos e impressões, pronta a seguir, com inconstância, hoje essa, amanhã aquela bandeira”.

Entretanto, no mundo hodierno, uma nova modalidade de populismo tem ganhado força e veio para ficar. Trata-se do populismo digital, construído através das redes sociais.

Nunca se usou tanto as redes sociais para se construir a imagem de um líder. Agora, o populista tem em suas mãos o mundo e pode disseminar suas ideias, conquistando carisma.

Com a ajuda de séquitos que replicam as suas mensagens, incensando sua personalidade e ações, sedimenta-se o nome do populista.

As campanhas eleitorais, no Brasil e alhures, estão sendo marcadas pela guerra de informações, uma vez que todas as classes sociais têm acesso. Hoje, como sabido, a comunicação e as notícias são instantâneas, em tempo real.

Não importa a veracidade das informações que circulam nas redes sociais. O que vale é construir a imagem do populista.

Com efeito, as fake news são a “onda” do momento e os populistas “surfam” nessas “ondas”.

“Assim, o mundo virtual não seria o novo espaço de concentração de poder político, mas sim o mecanismo pelo qual as personalidades mais adaptadas a essa nova ferramenta de representação conseguem concentrar poder político”, diz o professor Emerson U. Cervi.

A construção de um populista se dá através de mecanismos que o credenciam perante à massa. Esta, por seu turno, absorve os ditames de seus líderes. Na realidade são mais que eleitores, são fidedignos seguidores.

Não se questionam as palavras ou ações que o populista espraia nas redes sociais. O que ele diz é lei. E ponto.

O populista valendo-se do alcance do mundo virtual lança as suas ideias e espera a receptividade da massa. Se essa repele a ideia, o líder recua em sua decisão, amoldando-se ao desejo dos seus seguidores.  Joga para a plateia e espera o resultado.

Se a construção de um populista hoje pode ser feita de forma rápida, através das redes sociais, a desconstrução de sua personalidade também é instantânea. Que o digam as notícias falsas.

Portanto, os populistas conseguiram se adaptar aos novos tempos, fazendo-se atual as palavras de Bertolt Brecht:  “infeliz a nação que precisa de heróis”.

Odemirton Filho é professor e oficial de Justiça

Pátria de taipa

Por François Silvestre

Até a lama, no Brasil, é plural. Alcança proa e popa. E corre conforme o curso das margens do rio que tudo arrasta; sobre as quais ninguém diz violentas, como ensinou Bertolt Brecht, e só acusa de violento o próprio rio. Nesse vasto leito há lamas para todos os sentidos.

Em Natal há uma família que tem o sobrenome plural de lama. Os Lamas. Tradicional clã; no mundo empresarial, cultural e esportivo da Cidade. Figuras marcantes da vida de Natal. Nada a ver com as outras lamas.

Nem com a lama da natureza. Talvez com os Lamas do Concelho de Braga, em Portugal. (concelho com “c”, correspondente a município, pá) Que nos leva ao Café Lamas, do Rio de Janeiro.

O texto é sobre dois tipos “especiais” de lama. O primeiro, a lama da natureza, que se faz da mistura de água com barro. A lama necessária e indispensável. Muito mais do que o mito hebraico da criação e nomeação adâmicas.

A mistura de barro e água na feitura da casa de taipa. Não a taipa portuguesa, da feitura ibérica. Refiro-me à moradia do Nordeste, arquitetura ímpar. Sala da frente, corredor estreito, cozinha, quarto de dormir, quarto dos filhos, pequena despensa, e latada na frente.

Armação das paredes com mourões de pereiro, estacas de mororós e varas de marmeleiros. Montado o esqueleto da casa, com as varas entrelaçadas entre as estacas, o jogar da lama de barro, umedecido, ainda meio mole, entre as frestas das varas. De forma que essa mistura feito lama vai ocupando os espaços e tapando os buracos.

São os tijolos que saem das mãos do obreiro, sem ter a forma de tijolos. São mãozadas de lama, em rebolos, que vão virando paredes.

Até que a casa se feche. Vedada e segura. Só aí se faz a latada. De barro batido, no piso, para ser lugar de reunião e festa. Coberta de palha, que pode ser da carnaúba, do catolé, do coqueiro ou até da rama de oiticica. Depende da franquia do lugar. O resto da casa cobre-se com telhas.

Ali se reúnem parentes e vizinhos. Toque de fole ou cantoria de violeiros. Cego Aderaldo inventando Zé pretinho. Pinto do Monteiro desafiando Inácio da Catingueira. Zé Limeira dando à mulher do governador um quilo de merda de raposa numa casca de cana piojota.

É dessa lama que se fazem os açudes. Água e barro também, carregada no lombo de jumentos. Antes dos jumentos serem habitantes abandonados das estradas.

A lama que desce das barragens arrombadas de Mariana, mais antiga cidade de Minas, não é culpa da lama. E sim do lamaçal em que se transforma o Brasil, país de taipa. Sem latada.

A outra lama, pior de todas, é a que escorre fedida nos esgotos do poder. E aí somos nós que viramos jumentos, habitantes e deserdados na vastidão do lamaçal. Não há lavanderia ou lavajato que espante essa lama, feitora da nossa pátria de taipa. Té mais.

François Silvestre é escritor

Semântica de cada tempo

Por François Silvestre

Cinza. É a cor da pintura nova do presente velho tempo. Nada de saudosismo. Nem da surrada fala dos avós, “no meu tempo num era assim”.

Cada tempo, outra fisionomia. Nem o espaço é o mesmo no tempo diferente, mesmo que seja o mesmo lugar não será mais a mesma geografia.

Uma coisa é absolutamente inquestionável: vivemos o tempo sublime da mediocridade. Nível medianamente posto abaixo da linha d’água.

Mediocridade política, intelectual, cultural. Até a honestidade adjetivou-se como “um prêmio” e não uma obrigação natural. E por ela, em seu nome, castas se empanzinam do marajanato mais cínico ante a miserável remuneração do rebanho.

Republicano era o adjetivo de partidos políticos, da semântica latina da coisa pública. Virou prostituição da semântica moderna, onde trampolineiros habituais usam-no para fazer faxina na sujeira dos seus discursos.

Legitimidade era o alicerce da Lei, que precisava legitimar-se para ingressar no estuário da legalidade. Legalidade era consequência, na forma da lei, legitimamente constituída com vistas ao bem público.

Diferentemente do agora, onde o embalo de cada onda ou o interesse de cada segmento produz as leis que lhes interessam. Ou lhes acobertam. Ou atropelam os mesmos interesses dos oponentes. Ou sempre foi assim?

O fascismo vestiu-se de roupagem suave, puritana, inofensiva. Os fascistas modernos não fazem anauê nem desfilam fardados. São macios, “democratas e republicanos”. O seu discurso é irrespondível, pois se agasalha no estuário da hipocrisia do senso comum.

Negociação política virou escracho sem qualquer pudor. Popular virou sinônimo de imbecil. O fórum é a casamata das vaidades ou das vinganças. Onde o processo é mais importante do que a vida ou a liberdade. Superior à Lei.

Pensão era nome de hotel, no interior. Igreja era lugar de orações. Norma, sinônimo de lei. Estado era sociedade organizada. Segurança, direito natural. Escola transmitia Educação. Cultura era alimento do espírito. Ladrão era termo ofensivo. Matar gente era crime.

Ásperos tempos. Talvez não tanto quanto os tempos de Brecht. “Vivi num tempo de guerra, sem sol. Comi minha comida no meio da batalha; vocês não esqueçam esse tempo”.

Num tempo desses dá pra renegar Satanás? No leito de morte, Voltaire recebeu a visita do pároco da sua freguesia. Perguntou o velho padre: “Voltaire, você renega Satanás”? O filósofo respondeu baixinho: “O senhor não acha que essa é uma hora muito inconveniente para fazer inimigos novos”?

Pois bem. Esse é o tempo da “nova” semântica. De conceitos velhos repintados com demão de farsa. Do cinismo engalanado para o festim de Belsazar. A cretinice substituiu a ignorância. Se abrirmos a Caixa de Pandora nem a esperança ficará presa e salva. Voará nas asas escuras de um morcego cego. Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

A palavra de cada tempo

Por François Silvestre

Cinza. É a cor da pintura nova do presente velho tempo. Nada de saudosismo. Nem da surrada fala dos avós, “no meu tempo num era assim”!

Tempo nenhum é igual ao tempo outro. Nem o espaço é o mesmo no tempo diferente, mesmo que seja o mesmo campo não será mais o mesmo lugar.

Mas uma coisa é absolutamente inquestionável: vivemos o tempo sublime da mediocridade. Nível medianamente posto abaixo da linha d’água.

Mediocridade política, intelectual, cultural. Até a honestidade adjetivou-se como “um prêmio” e não uma obrigação natural. E por ela, em seu nome, castas se empanzinam do marajanato mais cínico ante a miserável remuneração do rebanho.

Republicano era o adjetivo de partidos políticos, da semântica latina da coisa pública. Virou prostituição da semântica moderna, onde trampolineiros habituais usam-no para fazer faxina na sujeira dos seus discursos.

Legitimidade era o alicerce da Lei, que precisava legitimar-se para ingressar no estuário da legalidade. Legalidade era consequência, na forma da lei, legitimamente constituída com vistas ao bem público.

Diferentemente do agora, onde o embalo de cada onda ou o interesse de cada segmento produz as leis que lhes interessam. Ou lhes acobertam. Ou atropelam os mesmos interesses dos oponentes.

E o pior: o fascismo vestiu-se de roupagem suave, puritana, inofensiva. Só faz cara feia para “defender a ética”. Os fascistas modernos não fazem anauê nem desfilam fardados. De jeito e maneira, como diria Ti’Orácio. São macios, democratas e republicanos. O seu discurso é irrespondível, pois se agasalha no estuário da hipocrisia do senso comum.

Negociação política virou escracho sem qualquer pudor. Popular virou sinônimo de imbecil. O fórum é a casamata das vaidades ou das vinganças. Onde o processo é mais importante do que a vida ou a liberdade. Superior à Lei.

Pensão era nome de hotel do interior. Igreja era lugar de orações. Norma era sinônimo de lei. Estado era sociedade organizada. Segurança era direito natural. Escola transmitia Educação. Cultura era alimento do espírito. Mentira era exceção.

Ásperos tempos. Talvez não tanto quanto os tempos de Brecht. “Vivi num tempo de guerra, sem sol. Comi minha comida no meio da batalha; vocês não esqueçam esse tempo”.

Num tempo desses dá pra renegar Satanás? No leito de morte, Voltaire recebeu a visita do pároco da sua freguesia. Perguntou o velho padre: “Voltaire, você renega Satanás”? O filósofo respondeu baixinho: “O senhor não acha que essa é uma hora muito inconveniente para fazer inimigos novos”?

Pois bem. Esse é o tempo da “nova” semântica. De conceitos velhos repintados com demão de farsa. Do cinismo engalanado para o festim de Belsazar.

Se abrirmos a Caixa de Pandora nem a esperança ficará presa e salva. Voará nas asas escuras de um morcego cego.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

As lamas de um país de taipa

Por François Silvestre

Igual à Coluna do Novo, no Brasil tudo é plural. Até a lama, que tem alcances vários. E corre conforme o curso das margens do rio que tudo arrasta, sobre as quais ninguém diz violentas, como ensinou Bertolt Brecht, e só acusa de violento o próprio rio. Nesse vasto leito há lamas para todos os sentidos.

Em Natal há uma família que tem o sobrenome plural de lama. Os Lamas. Tradicional clã; no mundo empresarial, cultural e esportivo da Cidade. Figuras marcantes da vida de Natal. Nada a ver com as outras lamas.

Nem com a lama da natureza. Talvez com os Lamas do Concelho de Braga, em Portugal. (concelho com “c”, correspondente a município, pá) Que nos leva ao Café Lamas, do Rio de Janeiro.

O texto é sobre dois tipos “especiais” de lama. O primeiro, a lama da natureza, que se faz da mistura de água com barro. A lama necessária e indispensável. Muito mais do que o mito hebraico da criação e nomeação adâmicas.

A mistura de barro e água na feitura da casa de taipa. Não a taipa portuguesa, da feitura ibérica. Refiro-me à moradia do Nordeste, arquitetura ímpar. Sala da frente, corredor estreito, cozinha, quarto de dormir, quarto dos filhos, pequena despensa, e latada na frente.

Armação das paredes com mourões de pereiro, estacas de mororós e varas de marmeleiros. Montado o esqueleto da casa, com as varas entrelaçadas entre as estacas, o jogar da lama de barro, umedecido, ainda meio mole, entre as frestas das varas. De forma que essa mistura feito lama vai ocupando os espaços e tapando os buracos.

São os tijolos que saem das mãos do obreiro, sem ter a forma de tijolos. São mãozadas de lama, em rebolos, que vão virando paredes.

Até que a casa se feche. Vedada e segura. Só aí se faz a latada. De barro batido, no piso, para ser lugar de reunião e festa. Coberta de palha, que pode ser da carnaúba, do catolé, do coqueiro ou até da rama de oiticica. Depende da franquia do lugar. O resto da casa cobre-se com telhas.

Ali se reúnem parentes e vizinhos. Toque de fole ou cantoria de violeiros. Cego Aderaldo inventando Zé pretinho. Pinto do Monteiro desafiando Inácio da Catingueira. Zé Limeira dando à mulher do governador um quilo de merda de raposa numa casca de cana piojota.

É dessa lama que se fazem os açudes. Água e barro também, carregada no lombo de jumentos. Antes dos jumentos serem habitantes abandonados das estradas.

A lama que desce das barragens arrombadas de Mariana, mais antiga cidade de Minas, não é culpa da lama. E sim do lamaçal em que se transforma o Brasil, país de taipa. Sem latada.

A outra lama, pior de todas, é a que escorre fedida nos esgotos do poder. E aí somos nós que viramos jumentos, habitantes e deserdados na vastidão do lamaçal. Té mais.

François Silvestre é escritor

Campanha ou canelada?

Por François Silvestre

Com certeza o mais desonesto é o que vende o voto. Irmão gêmeo do que compra. Isso é ponto pacífico. A nojeira da compra e venda de voto nada tem a ver com incultura ou despolitização. É ladroagem mesmo. “Cultura” política da ilegitimidade representativa.

Mas este texto quer tratar da briga de foice, que não é desonestidade; aí sim, fruto da despolitização ou má-fé política.  Essa praga que acompanha passo-a-passo nossos intervalos democráticos, como aquele personagem de Marguerite Hadcliffe, n’O Poço da Solidão, cujos passos tinham sempre a confusão a segui-los.

E nesse quadro, o elenco da ignorância política forma-se entre letrados. Ou bem informados. Ou até formadores de opinião. Que não se enquadram na conceituação do analfabetismo político de Bertolt Brecht; ao contrário, são politicamente instruídos.

O quadro referido se forma por uma deformação. Dialética que compõe, entre afirmação e negação, o cenário de uma prática de militância que desserve ao amadurecimento democrático.

Já foi dito, e é verdade, que campanha eleitoral não é uma disputa de grêmio escolar num internato clerical. Claro que não. Nem se pede que seja um concurso de boas maneiras. Ou de hipocrisia e mesuras falsas. Também não.

Porém, “entretanto mas porém”, não precisa ir à fronteira oposta. Transformar a campanha eleitoral numa sarjeta sem limites morais. Seguindo a lição cretina e amoral de que “em política o feio é perder”. A “máxima” foi usada para justificar fraudes; as famosas brejeiras. Mas tem servido para abastecer “estratégias” de marqueteiros, profissionais na arte de vender produtos, como se candidatos fossem sabonetes ou embutidos de carne moída.

E quem acaba sendo moído, em vez da carne, é o eleitor consciente, que não se vendeu; e depois mal lavado, pelo saponáceo bem vendido.

É triste ver formadores de opinião, na mídia, bem articulados, bem informados culturalmente, descerem ao nível de torcedor de futebol, daqueles mais ignorantes; como se a campanha eleitoral fosse uma decisão de torneio de várzea. Mesmo disputada num estádio da Copa, belamente abandonado, entre ex-grandes times.

No Brasil, dada à imprevisibilidade de suas formações, tudo parece ser possível. A ética é tratada como instrumento de propaganda; por partidos, por políticos e até por algumas instituições. Não é um bem natural, como deveria ser. É um medalhão a ser exibido, como se a honestidade fosse um favor. Ou um troféu banhado a hipocrisia.

Ainda bem que as “torcidas organizadas”, dos dois lados, não vão aos debates nem se encontram nos comícios. Se os comícios fossem realizados em conjunto, como as partidas de futebol, certamente os embates seriam sangrentos.

Posto que, no Brasil, país violentíssimo, não se faz revolução, mas se esbanja sangue derramado.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no periódico Novo Jornal.

Fragilidade política e nossa fragilidade como cidadão político

Carlos Santos,

Carlos, fazem alguns anos que tenho observado o cenário político do Rio Grande do Norte na condição de pessoa política que sou – considerado-me política segundo as reflexões do saudoso Bertolt Brecht. Pessoa política, não no campo partidário, mas do cotidiano escolar, das ações sociais de defesa dos direitos humanos, entre outras.

Essa inserção, me possibilitou perceber o quanto era importante se escolher bons representantes políticos. Como servidora pública, me deparei com a fragilidade de alguns representantes, fragilidade esta revelada no desconhecimento de assuntos tão pertinentes ao campo politico e no desinteresse por assuntos públicos.

Hoje, ao observar a atual cenário potiguar, passei a compreender que a fragilidade de alguns representantes está diretamente relacionada a fragilidade politica da população que os tem escolhido.

Os politicos que hoje estão nas ruas, pelo que temos observado nos telejornais e no cotidiano nas casas legislativas, em sua maioria (salvo alguns) não tem representado os interesses da população.

Estes, que antes defendiam uma ideologia partidária, hoje nem isso fazem.

Transitam de palco em palco (comicios), contracenando com atores de “diferentes cores,” promovendo-se afim de conquistar suas “vitorias” eleitorais. Ou seja, a legenda dos partidos, bem como o programa de atuação, são colocados de lado em nome da manutenção do poder, materializando na prática o que tinha nos alertado Maquiavel quando em sua obra “O Principe” afimara que os fins justificam os meios.

Pobre povo que permanece na letárgica inércia da submissão e alienação política.

Aila Almeida – Webleitora e servidora pública.

Perguntas a um homem bom

Por Bertolt Brecht

Avança: ouvimos
dizer que és um homem bom.
Não te deixas comprar, mas o raio
que incendeia a casa, também não
pode ser comprado.

Manténs a tua palavra.
Mas que palavra disseste?
És honesto, dás a tua opinião.
Mas que opinião?
És corajoso.
Mas contra quem?
És sábio.
Mas para quem?
Não tens em conta os teus interesses pessoais.
Que interesses consideras, então?
És um bom amigo.
Mas serás também um bom amigo de gente boa?

Agora escuta: sabemos
que és nosso inimigo. Por isso
vamos encostar-te ao paredão. Mas tendo em conta os teus méritos
e boas qualidades
vamos encostar-te a um bom paredão e matar-te
com uma boa bala de uma boa espingarda e enterrar-te
com uma boa pá na boa terra.

Bertolt Brecht (1898-1956) – Dramaturgo e poeta alemão

O analfabeto político

Por Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Bertolt Brecht (1898-1956) Poeta e dramaturgo alemão