Ah, que vontade de perambular por esse sertão!
Desejo de espiar o verde.
Necessidade de aspirar o “petricor” (aroma que a chuva provoca ao cair no solo seco).
Careço dele, capiau da cidade que um dia planejou morar no mato e por medo, muito medo, resolveu se trancar em casa. Um prisioneiro sem sentença de qualquer doutor-juiz.
Fico a sonhar com o inverno; aquele mesmo que faz o sertanejo sorrir desbragadamente, leva a meninada a se banhar na bica e instiga os bichos a perpetuarem a espécie.
Aquele tempo dos sapos insaciáveis, dos insetos impertinentes, do milho, do feijão, do rio esborrotando.
Da panela de barro, do cheiro de cuscuz!
De uma prosa que parece sem fim no alpendre, até que a comadre grita lá da cozinha: “O comer tá na mesa!”
Tudo bem. A gente vai já.
Antes, vamos aprumar copo para aquela bicada a mais de cana. Só para abrir o apetite. Só.
Ah, que vontade de perambular por esse sertão!
Guimarães Rosa estava certo.
– “Sertão: é dentro da gente”.
* Foto: Gustavo Bettini.
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