Por Carlos Duarte
O atual momento de crise, em que se encontra o Brasil, expõe a grande maioria dos municípios a condições de precariedades administrativas que resultam em desempregos, redução de renda e investimentos, violências e, principalmente, falta de credibilidade. O povo se sente enganado e não mais acredita em promessas de políticos e nem no velho sistema de gestão pública e viciado que trava o desenvolvimento econômico. Isso é fato e está bem evidente.
Por isso, este é o momento oportuno para o surgimento de uma nova proposta de gestão que contemple a saída sustentável para o desenvolvimento de Mossoró e que proporcione bem-estar à toda população.
É aí onde mora o perigo!
Em meio ao povo carente e ansioso por algum ‘salvador da pátria’ cria-se o ambiente favorável para os oportunistas de plantão, em nome da democracia. Isso também não quer dizer que não surjam pessoas bem intencionadas, que é a minoria.
Em Mossoró, surgem vários movimentos nesse sentido. O mais expressivo deles é o grupo formado por empresários que tem à frente do comando o Tião da Prest. Inicialmente, fui simpático à ideia, mas, agora, visualizo que aquilo que poderia ser o diferencial começa a tomar os contornos das velhas práticas políticas que sempre levaram esse município ao caos administrativo.
A começar pelo nome do grupo “Mossoró Melhor”, que foi idealizado por um marqueteiro ligado aos tradicionais sistemas políticos da cidade, o tema não traz nada de conceitual e ainda repete o slogan derrotado de uma campanha passada da então candidata Larissa Rosado. Isso revela muita falta de criatividade para quem se propõe mudar essa situação tão difícil em que vivemos.
O grupo dos empresários se lançou na política com o mote de mudança ‘para melhor’, entretanto, não apresentou nenhuma proposta concreta que aponte os reais caminhos dessas tais mudanças. Sequer o rabisco de um planejamento estratégico básico foi apresentado.
Fala-se em contenção de gastos, transparência, mudanças, bem-estar, desenvolvimento, competência, entre outras palavras de efeitos, mas não há um projeto materializado e tudo ainda será ou está sendo discutido. É muito amadorismo para reverter uma situação tão complexa. Torna-se imprescindível estudar Mossoró com profundidade e não se pode arriscar com arranjos imediatistas. O tempo é insuficiente e conspira contra qualquer boa intenção.
Com quem e onde estão sendo discutidas as ideias?
Por enquanto, com os mesmos políticos que ajudaram a levar Mossoró e o RN ao caos a que estamos submetidos. Até os lugares dos encontros são os mesmos: alpendres de Tibau, regado a um bom Whisky e aperitivos deliciosos.
No último sábado, a conversa aconteceu com o ex-deputado federal João Maia (PR) – que já foi secretário de Desenvolvimento Econômico do RN no governo Wilma de Faria; como deputado federal presidiu a comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados; aliou-se ao governo Rosalba Ciarlini; e que foi candidato a vice-governador na chapa de Henrique Alves.
Em sua última eleição para deputado obteve a expressiva votação de mais de seis mil votos, em Mossoró, e sequer voltou para agradecer os que aqui o ajudaram a eleger-se, em 2010. Em toda a vida pública de João Maia, a população mossoroense nunca viu o resultado de suas ações para com o município.
Outro empresário bem sucedido do grupo, Marcelo Rosado Batista, também ocupou o cargo de secretário de Desenvolvimento do RN, mas também não soube conduzir a articulação de projetos de desenvolvimentos significativos para Mossoró.
As entidades de classe que ancoram o grupo de empresários – Acim, Sindivarejo, Sinduscon, CDL, e o próprio comando dos que fazem o “Mossoró Melhor”, sempre foram os financiadores de campanhas dos prefeitos e de políticos que levaram Mossoró ao abismo. Portanto, são coniventes e corresponsáveis com o que está acontecendo agora.
Como falar em mudança se as conversas e entendimentos acontecem nos mesmos ambientes e com as mesmas pessoas que comandam a atual política viciada e as gestões incompetentes de sempre? Como atrair investidores externos?
É necessário transparecer confiança, sair da retórica e apresentar projetos sustentáveis com soluções nítidas para o futuro de Mossoró.
Caso contrário, o ‘Mossoró Melhor’ não sairá do ciclo vicioso em que se meteu. Seu sucesso passará, então a depender do insucesso de seus oponentes.
Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa





