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Ciclo vicioso do ‘Mossoró Melhor’

Por Carlos Duarte

O atual momento de crise, em que se encontra o Brasil, expõe a grande maioria dos municípios a condições de precariedades administrativas que resultam em desempregos, redução de renda e investimentos, violências e, principalmente, falta de credibilidade. O povo se sente enganado e não mais acredita em promessas de políticos e nem no velho sistema de gestão pública e viciado que trava o desenvolvimento econômico. Isso é fato e está bem evidente.

Por isso, este é o momento oportuno para o surgimento de uma nova proposta de gestão que contemple a saída sustentável para o desenvolvimento de Mossoró e que proporcione bem-estar à toda população.

É aí onde mora o perigo!

Em meio ao povo carente e ansioso por algum ‘salvador da pátria’ cria-se o ambiente favorável para os oportunistas de plantão, em nome da democracia. Isso também não quer dizer que não surjam pessoas bem intencionadas, que é a minoria.

Em Mossoró, surgem vários movimentos nesse sentido. O mais expressivo deles é o grupo formado por empresários que tem à frente do comando o Tião da Prest. Inicialmente, fui simpático à ideia, mas, agora, visualizo que aquilo que poderia ser o diferencial começa a tomar os contornos das velhas práticas políticas que sempre levaram esse município ao caos administrativo.

A começar pelo nome do grupo “Mossoró Melhor”, que foi idealizado por um marqueteiro ligado aos tradicionais sistemas políticos da cidade, o tema não traz nada de conceitual e ainda repete o slogan derrotado de uma campanha passada da então candidata Larissa Rosado. Isso revela muita falta de criatividade para quem se propõe mudar essa situação tão difícil em que vivemos.

O grupo dos empresários se lançou na política com o mote de mudança ‘para melhor’, entretanto, não apresentou nenhuma proposta concreta que aponte os reais caminhos dessas tais mudanças. Sequer o rabisco de um planejamento estratégico básico foi apresentado.

Fala-se em contenção de gastos, transparência, mudanças, bem-estar, desenvolvimento, competência, entre outras palavras de efeitos, mas não há um projeto materializado e tudo ainda será ou está sendo discutido. É muito amadorismo para reverter uma situação tão complexa. Torna-se imprescindível estudar Mossoró com profundidade e não se pode arriscar com arranjos imediatistas. O tempo é insuficiente e conspira contra qualquer boa intenção.

Com quem e onde estão sendo discutidas as ideias?

Por enquanto, com os mesmos políticos que ajudaram a levar Mossoró e o RN ao caos a que estamos submetidos. Até os lugares dos encontros são os mesmos: alpendres de Tibau, regado a um bom Whisky e aperitivos deliciosos.

No último sábado, a conversa aconteceu com o ex-deputado federal João Maia (PR) – que já foi secretário de Desenvolvimento Econômico do RN no governo Wilma de Faria; como deputado federal presidiu a comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados; aliou-se ao governo Rosalba Ciarlini; e que foi candidato a vice-governador na chapa de Henrique Alves.

Em sua última eleição para deputado obteve a expressiva votação de mais de seis mil votos, em Mossoró, e sequer voltou para agradecer os que aqui o ajudaram a eleger-se, em 2010. Em toda a vida pública de João Maia, a população mossoroense nunca viu o resultado de suas ações para com o município.

Outro empresário bem sucedido do grupo, Marcelo Rosado Batista, também ocupou o cargo de secretário de Desenvolvimento do RN, mas também não soube conduzir a articulação de projetos de desenvolvimentos significativos para Mossoró.

As entidades de classe que ancoram o grupo de empresários – Acim, Sindivarejo, Sinduscon, CDL, e o próprio comando dos que fazem o “Mossoró Melhor”, sempre foram os financiadores de campanhas dos prefeitos e de políticos que levaram Mossoró ao abismo. Portanto, são coniventes e corresponsáveis com o que está acontecendo agora.

Como falar em mudança se as conversas e entendimentos acontecem nos mesmos ambientes e com as mesmas pessoas que comandam a atual política viciada e as gestões incompetentes de sempre? Como atrair investidores externos?

É necessário transparecer confiança, sair da retórica e apresentar projetos sustentáveis com soluções nítidas para o futuro de Mossoró.

Caso contrário, o ‘Mossoró Melhor’ não sairá do ciclo vicioso em que se meteu. Seu sucesso passará, então a depender do insucesso de seus oponentes.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

O piloto sumiu

Por Carlos Duarte

A notícia do fechamento do aeroporto de Mossoró (Dix-sept Rosado) por uma determinação da Anac – Agência Nacional de Aviação Civil, no último dia 15 de janeiro, não chega a ser nenhuma novidade.

Aliás, é um fato recorrente, há muitos anos, e sempre motivado pelos mesmos fatores: insegurança; falta de estrutura; e, principalmente, a inexistência de um estudo sério de viabilidade técnica-econômica capaz de atrair investimentos privados para formação de parcerias consistentes.

O que causa surpresa é a nota de repúdio das entidades de classe de Mossoró (Acim, Sindivarejo e CDL), quando, na verdade, também elas são corresponsáveis pelo que está acontecendo no aeroporto de Mossoró e com a atual insustentabilidade do desenvolvimento da economia local.

Essas e outras entidades de classe do setor produtivo de Mossoró, historicamente, têm sido salas contiguas do Palácio da Resistência. São grupos fechados que sempre financiaram as campanhas eleitorais de prefeitos, vereadores, deputados, senadores e até mesmo de governadores. Em troca, ocuparam e/ou indicaram cargos de secretários e de outros escalões.

Ficaram silentes e não apresentaram ao longo do tempo alternativas viáveis, sustentáveis ou projetos para o desenvolvimento e o futuro de Mossoró. Ao contrário, muitas vezes, de pires na mão, ainda mendigam patrocínios do poder público para promoção de seus eventos poucos significativos.

Mesmo quando Mossoró teve expressiva representatividade política no Estado, com deputados (federal e estadual), senador e a governadora Rosalba Ciarlini – que foram eleitos com a ajuda de tais entidades e empresários – os atuais paladinos do desenvolvimento econômico do município não foram capazes de se indignarem, nem de saírem da inércia e da posição de conforto dada pelo compadrio, para lutarem pela viabilidade do aeroporto de Mossoró ou por qualquer outro projeto relevante ao progresso regional.

Nesse ínterim, assistiram (em silêncio) correr pelos ralos vários bilhões de reais dos royalties, da arrecadação de impostos e dos repasses federais, gastos com projetos de fachadas que não deixaram legados para o futuro de Mossoró.

A crise que vivemos hoje no município é potencializada principalmente pela falta de visão dos governantes que essas mesmas entidades apoiaram.

Mossoró precisaria ter decolado bem antes, quando essas entidades estavam a bordo das naves de cores rósea, azul….

Agora, o piloto Sumiu!

O comando está à deriva, sem radar, sem plano de voo e rumo ao desconhecido, procurando desesperadamente uma saída imprevisível.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

A tempestade perfeita e o malvado favorito

Por Carlos Duarte

O atual debate econômico no Brasil está focado num ‘ajuste fiscal’ paliativo e que não retrata a realidade dos fatos. O governo petista de Lula e Dilma insiste em atribuir que o descontrole da economia brasileira teve origem a partir da crise de 2008 – que o Lula classificou de “marolinha”. Esse pensamento é também compartilhado por muitos economistas, alinhados com os interesses e conveniências particulares, mas o desequilíbrio econômico, agravado a partir de 2009, é estrutural e exige soluções eficazes e ações mais severas.

As medidas, até agora adotadas pela equipe econômica da presidente Dilma, apenas alimentam o círculo vicioso dominante e pioram, ainda mais, a situação.

O desequilíbrio estrutural da economia brasileira não é resultado do descontrole de curto prazo, mas, sim, do crescimento das despesas públicas em índices bem maiores que a renda nacional, há décadas, e que se agravou com o governo populista do PT. A concessão de aumento dos benefícios sociais, os gastos exacerbados com a ineficiente administração púbica direta, a corrupção em todos os níveis de governo e o aumento da carga tributária são alguns dos fatores que corroeram os fundamentos macroeconômicos e tornaram a crise aguda.

Enquanto a carga tributária da grande maioria dos países emergentes não passa dos 30% do PIB, o Brasil supera 35% (2014). Nos últimos 23 anos, a renda real do País cresceu 103%, enquanto a receita de impostos cresceu 184%. Nesse mesmo período, 45% da renda nacional foram alocados para financiar os gastos de governo, que teve sua maior aceleração na gestão petista, a partir de 2003, com as transferências previdenciárias, bolsa família e com outros programas sociais. Também, o crescimento da despesa primária, no período, foi 9% do PIB.

Os gastos foram elevados em quase $500 bilhões anuais, entretanto tamanha fortuna não foi minimamente compatível com a melhoria de qualidade das políticas públicas (saúde, educação, segurança…). Os gastos com a Previdência aumentaram 4,3% do PIB.

O cenário fica ainda pior quando assistimos o fim do bônus demográfico e vemos crescer o aumento do número de idosos – que custa o dobro de uma criança na escola – a uma taxa quatro vezes maior do que a de adultos. Essa dinâmica demográfica vem acarretando um aumento do gasto público há mais de uma década e com projeção de aumento do custo previdenciário de 7,14% em 2014 para 7,87% em 2018 e 8,67% em 2030.

Outro ponto que deve ser considerado no agravamento da crise é a vinculação dos gastos da saúde em 15% da Receita Corrente Líquida da União (RCL), paralelamente aos gastos com a educação, que deverão aumentar para 10% do PIB até 2022, conforme determina o Plano Nacional de Educação (PNE).

Apenas os aumentos com Previdência, Saúde e Educação, juntos, representam um acréscimo médio de 0,4% do PIB, a cada ano, sem levar em conta outros impactos de gastos como, por exemplo, salário-mínimo e fator previdenciário.

Nos últimos quatro anos, a receita recorrente do país vem crescendo a uma taxa de 1,5%, enquanto as despesas com os gastos do governo Dilma vem crescendo num ritmo de 5,4% acima da inflação, agravando o desequilíbrio econômico que ora vivemos.

A grave crise econômica que o Brasil enfrenta atualmente é, portanto, uma crise anunciada, resultado de um governo irresponsável que adotou politicas públicas eleitoreiras, concedendo benefícios incompatíveis com a renda nacional, prometendo o que não era possível, enganando o povo com mentiras e adiando o enfrentamento dos problemas urgentes.

Hoje, somos obrigados a pagar a conta do desgoverno do PT, que promove gastos crescentes, baixo crescimento, desemprego, taxa de juros elevadas, inflação alta, entre inúmeras outras mazelas.

Caso não haja uma rápida reversão dessa rota de gastos públicos e a implementação de uma ampla agenda de reformas, o Brasil caminhará a passos largos para uma prolongada estagflação de consequências imprevisíveis.

A tempestade perfeita se completa com a crise politica-institucional, protagonizada por espetaculares escândalos de corrupção, envolvendo principalmente agentes do Executivo e do Legislativo – que agora tem o presidente Cunha como o ‘malvado favorito’ do PSDB, para agir contra a presidente Dilma.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Insustentável Governo Dilma Rousseff

Por Carlos Duarte

A imprensa e a oposição ainda não deram a importância devida à reunião clandestina de Dilma com o presidente do STF, Ricardo Lewandowiski, em Portugal, que teve como principal objetivo montar estratégias para proteger a presidente da Operação Lava Jato, do Eletrolão, das pedaladas fiscais do TCU e do impeachment. A podridão exala em meio à cumplicidade e à politização da Justiça na tentativa de tornar Dilma imune, enquanto o Brasil desce a ladeira, desgovernado.

Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, confirmou a doação de R$ 7,5 milhões do dinheiro sujo do petrolão, depois de ter sido pressionado pelo então tesoureiro da campanha de Dilma, Edinho Silva, hoje ministro.

A investigação aponta que, no mesmo dia, Edinho Silva transferiu alguns milhões de reais para a Polis Propaganda e Marketing, do marqueteiro João Santana, e para as gráficas fantasmas: VTPB, Rede Seg Gráfica e Editora Eireli, que sequer possuem maquinário para imprimir um ‘santinho’.

Há ainda fortes indícios de emissões de notas frias e ocultação de despesas. De acordo com a revista Isto É, as notas registradas no site do TSE apontam inconsistências, duplicações de valores e interrupção de sequencia.

Para animar a semana, a revista Veja detalha mais uma roubalheira articulada pelo PT de Lula e Dilma: o Eletrolão. Trata-se de outra operação criminosa, desta vez, no setor elétrico, em que foram cobradas propinas em troca de contratos, para abastecer os cofres do PT e da campanha de Dilma.

Os operadores do esquema fraudulento foram: o já conhecido João Vaccari Neto, então tesoureiro do PT; e o diretor da Eletrobras Valter Luiz Cardeal, considerado “o homem da Dilma” na estatal – um dos poucos do governo com livre acesso ao gabinete presidencial.

O encontro ‘secreto’ de dois chefes de poderes, no exterior, com o intuito de encontrar uma saída para salvar a pele de um deles, que está metido em suspeitas de desvio de dinheiro público e delicada situação política, permeada por uma crise econômica e gestão pífia, emporcalha ainda mais o governo e trai as instituições e a sociedade brasileira.

Por outro lado, a economia brasileira caminha à deriva, sem comando. A corrosão dos fundamentos macro e microeconômicos esgaçaram a sustentabilidade econômica do Brasil, consequência de uma ‘politica’ desastrosa dos governos Lula-Dilma. Agora, o ajuste nas contas públicas, defendido por Levy, poderá ter meta fiscal flexível – é o que propõe o Ministério do Planejamento.

Em lugar de uma reforma trabalhista, surge mais uma solução paliativa do governo petista: o PPE – Programa de Proteção ao Emprego. Trata-se de outro remendo de ajuda setorial, paternalista, que alimenta grupos de interesses. Será preciso barganhar a boa vontade do governo federal que definirá a misericórdia seletiva pública.

Os princípios econômicos de Dilma e o desespero em salvar a sua pele voltam a assustar o país.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Capital (des)humano do Brasil

Por Carlos Duarte

O Fórum Econômico Mundial divulgou há poucos dias o Relatório Sobre o Capital Humano. Trata-se de um estudo para medir o êxito dos países em adestrar, desenvolver e preparar a sua gente para a vida. Nesse ranking internacional, que revela o grande ativo de cada nação, o Brasil ocupa novamente outra posição vergonhosa: o 78º lugar, entre 124 países.

No quesito desempenho e preparação dos menores de 15 anos, o vexame foi ainda maior e, o Brasil ocupou o 91º lugar. Na prática, o estudo revela que a taxa de sobrevivência do aluno brasileiro, no ensino básico, é muito baixa. Isso significa que não adianta apenas por as crianças nas escolas, é preciso que elas permaneçam e sobrevivam dignamente nelas.

Quando se analisa a posição do Brasil frente aos países da América Latina e Caribe, percebe-se outro vexame: ocupamos o 13º lugar, em matéria de tratamento digno de seu capital humano, ficando atrás de países pobres como El Salvador, Bolívia e Paraguai.

O ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy não é suficiente para tirar o Brasil desta posição vexatória, ao contrário, em meio às incertezas sobre o futuro do Fies, o financiamento estudantil do governo, o cenário tende a ficar ainda mais nebuloso. Até o final de março, o governo Dilma não havia repassado um único real dos R$ 15 bilhões previstos para o financiamento do programa em 2015.

O arrocho põe em risco a sobrevivência de 61 instituições de ensino, que totalizam 65 mil alunos e têm dependência de 70% dos recursos do Fies.

Apesar de o estudo não apontar uma relação direta do crescimento econômico com o ranking do capital humano, deve-se considerar que o sinal vermelho da recessão do Brasil, neste ano, é um componente muito preocupante, diante da previsão de encolhimento da economia em cerca 1,5% do PIB.

Entre as 189 economias monitoradas pelo FMI, o Brasil está entre as 16 que terão o PIB negativo, em 2015. Assim, a incompetência do governo do PT levou a economia brasileira a entrar no Clube de Complexo de Vira-Lata: a Rússia, afetada por sanções e pela queda do preço de petróleo naufraga com seus vizinhos; a Ucrânia, Serra Leoa e Iêmem estão em estado de guerra e de violência política; o Nepal vive a catástrofe dos terremotos; enquanto a Argentina e Venezuela padecem, há anos, da irresponsabilidade de seus governantes.

Para 2016, não há sinais de recuperação do crescimento econômico do Brasil. O último número do Boletim Focus aponta para o consenso de que a economia brasileira corre o risco de ficar, pelo menos, três anos virtualmente parada.

A gestão desastrosa do governo petista (Lula e Dilma) construiu a falsa ideia de crescimento e desenvolvimento, propositalmente para iludir principalmente os menos favorecidos, desconsiderando todos os fundamentos macro e micro econômicos.

Agora, o modelo de enganação petista chegou ao fim de seu ciclo e são muitas as razões para a crise ora instalada: o crescimento do PIB pela via do consumo; políticas anti-cíclicas e de renúncia fiscal; expansão do crédito; juros; câmbio; desindustrialização; balança comercial; retração das commodities; carga tributária excessiva; gastos exacerbados do governo, corrupção corporativa, entre outras.

Se não houver uma rápida mudança na condução da gestão pública brasileira, o péssimo desempenho do Capital Humano, apontado no estudo do Fórum Econômico Mundial, poderá ficar ainda pior. Ou seja, ainda mais desumano.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Governo sem futuro

Por Carlos Duarte

Na última semana, o IBGE divulgou a taxa de desemprego no Brasil, por região, e o resultado apontou o aumento de desempregados em todo o país. Isso já era esperado pelos economistas. A ‘novidade’ se deu por conta que o Rio Grande do Norte assumiu a lanterna do ranking com uma taxa de desemprego de 11,5% – bem acima da média da região Nordeste, que obteve a maior taxa regional (9,6%), e da média da região Sul, que ficou com o menor índice (5,1%).

Para quem acompanha a evolução desse estudo, não ver com surpresa o pífio desempenho do RN, que, há anos, vem perseguindo o último lugar do ranking, alternando-se sempre entre a segunda e terceira piores posições.

Esse resultado do estado potiguar não é um fato isolado e, também, não deve ser simplesmente atribuído ao atual e péssimo cenário da economia nacional.

Trata-se de uma corrosão contínua patrocinada por sucessivas gestões incompetentes, irresponsáveis, corruptas e impregnadas de vícios políticos que travam o progresso, o desenvolvimento e o crescimento de qualquer economia.

O Rio Grande do Norte, por suas potencialidades (petróleo, gás, calcário, minérios, fruticultura, agricultura, sal marinho, turismo, pescado, entre outras) não merece ser governado por essa casta de maus políticos e gestores públicos que, há décadas, se alternam nos poderes constituídos com o objetivo explícito e prioritário de retroalimentarem o círculo vicioso que os perpetuam.

O passado não recomenda e o Estado é sem futuro, se considerarmos que não existe um planejamento plurianual para o desenvolvimento integrado da economia, que possa dar uma dinâmica própria para reversão do atual status no ranking dos indicadores socioeconômicos. Não se deve apenas esperar pela possível melhora da conjuntura nacional, pois os fundamentos micro e macroeconômicos indicam que o atual cenário da crise prevê grandes dificuldades por longo tempo.

Enquanto isso, a situação do RN tende a piorar se não houver urgentemente uma ação efetiva por parte do Governo do Estado no sentido de minimizar seus efeitos.

O que se ver é exatamente o contrário: o governo Robinson Faria, apesar da boa vontade, continua com o pires na mão, sacando dinheiro do fundo previdenciário para completar a folha de pagamento; e as soluções para os problemas que se apresentam são paliativas, pontuais, e sem sustentabilidade em qualquer área de atuação (saúde, educação, segurança, mobilidade…).

Não se enxerga luz ao fim do túnel. Aliás, esse túnel sequer tem luz, pois, há muito tempo, seu caminho é obscuro e sem destino. Pelo que se percebe, até agora, o novo condutor dos norte- rio-grandenses também está levando o seu povo a outro voo cego.

Chega de aventuras. A sociedade anseia por ver o seu caminho iluminado pelo brilhantismo empreendedor de seus governantes.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Maioridade penal e números distorcidos

Por Carlos Duarte

Depois de a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ) ter dado a admissibilidade do texto que envolve a redução da maioridade penal para 16 anos, o assunto tomou conta das discussões em todos os lugares do Brasil, inclusive com repercussões além-fronteiras.

O tema é antigo e a PEC 171, que estava engavetada desde 1993, foi exumada em virtude da crescente escalada da violência, com a clara sensação de impunidade, ter atingido o limite da tolerância.

O assunto é polêmico, divide opiniões, e será mais intenso ainda nos próximos dias. Entretanto, nas últimas semanas, os mais importantes veículos de comunicação do País e quase todos os políticos e ONGs contrários à redução da maioridade penal, incluindo a presidente Dilma, usaram o argumento de que os adolescentes do Brasil comentem menos de 1% dos homicídios. Até o momento, nenhuma das fontes citadas nas noticias confirmou a produção dos dados da “pesquisa”.

Será uma pesquisa fantasma ou será mesmo que os adolescentes brasileiros são os mais tranquilos e bonzinhos do mundo?

Eis alguns dos parâmetros dos países mais desenvolvidos do planeta para efeitos de comparação: nos Estados Unidos os homicídios praticados por menores são 7%; No Canadá 11%; Na Inglaterra 18% dos crimes violentos.

Na prática, 90% dos homicídios no Brasil não têm sequer a identidade dos criminosos revelada, simplesmente, porque a polícia não consegue esclarecer os crimes. Por outro lado, o IBGE diz que os adolescentes entre 15 e 18 anos são 8% da população brasileira.

O cruzamento estatístico dessas informações compara uma estreita faixa etária dos adolescentes com uma ampla faixa etária de adultos maiores de 18 anos. Isso demonstra que os adolescentes são mais violentos, sim, que a média dos cidadãos brasileiros.

Outra informação distorcida, que também circula na mídia e redes sociais, é a de que os adolescentes são 36% das vítimas de homicídios do país. Na verdade, as pesquisas apontam que as causas de morte de adolescentes, que não morreram de causa natural, são 36% de assassinados. O número real é bem menor, se dividirmos em partes iguais, os mortos entre 15 e 17 anos são de 5,4% do total.

O argumento dos opositores à redução da maioridade penal de que os adolescentes no Brasil respondem por uma pequena parte dos crimes e que não são culpados pela violência do país, é mais uma dessas engenharias montadas por setores da sociedade e por grupos políticos com interesses obscuros nesse tema.

É preciso haver mais seriedade nesse tipo de discussão que tanto atormenta a sociedade – que é a verdadeira vítima dessa situação – sem empurrar para debaixo do tapete os motivos reais que resultaram no avanço desenfreado do crime impune; buscar soluções integradas e eficazes que promovam e devolvam o bem-estar das pessoas de bem, punindo com rigor a bandidagem que ora reina tranquilamente em todo o país.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

A saída é o desenvolvimento

Por Carlos Duarte

Na última semana, o governo Robinson Faria (PSD) comemorou com muita euforia os 100 primeiros dias de sua gestão. Na verdade, o que aconteceu neste período foi uma tímida reação focada em cuidados paliativos, embora com boa dose de habilidade política. Na prática, não resgata a credibilidade e nem a sustentabilidade necessárias para reverter o círculo vicioso herdado de governos passados.

A sociedade espera respostas mais céleres e eficazes para crise instalada no estado do RN, com ações mais efetivas, com planejamento e projetos viáveis que devolvam a economia potiguar ao trilho do desenvolvimento. Não cabem mais discursos utópicos à Thomas Morus. O povo anseia por soluções confiáveis e duradouras para resgatar a esperança de dias melhores.

Por essa rota o atual governo não encontrará o caminho do desenvolvimento e do crescimento sustentável e, logo, estará nivelado ao insucesso que se abateu aos seus antecessores. Ninguém de bom senso quer que isso aconteça, novamente.

Portanto, ousar é preciso nos momentos de crises e dificuldades extremas. É preciso buscar saídas inovadoras e oportunidades em meio às adversidades.

O Rio Grande do Norte é um estado que reúne grande diversidade de riquezas minerais (sal, petróleo, gás, eteno, calcário, ferro, tungstênio, etc.), vocação turística com infraestrutura de excelente qualidade instalada, fruticultura, pescados, geração de energia eólica, artesanato, cerâmica, comunidade acadêmica e científica bem qualificada, centro de estudos aeroespacial, localização geográfica privilegiada para exportações, entre inúmeros outros pontos positivos propícios ao desenvolvimento.

Então, por que os governantes não encontram a saída para tamanha crise, que tanto penaliza o sofrido povo norte-rio-grandense?

Simplesmente porque eles não inovam, não ousam, não criam as oportunidades, não atraem os investidores e, ainda, insistem na continuidade de um modelo falido de gestão, incapaz de quebrar a inércia do círculo vicioso que permeia a administração pública, há décadas. Não existem estratégias e planejamentos plurianuais capazes dar sustentabilidade a um projeto de desenvolvimento que inspire confiança aos investidores.

Não há coesão política, nem mesmo jurídica, ou indutores de incentivos que possam seduzir os grandes empreendedores e atrair a infraestrutura necessária.

Uma das saídas seria o governo criar um gabinete gestor de crise (para conter a expansão do círculo vicioso) e outro gabinete gestor de desenvolvimento (para estabelecer o círculo virtuoso do progresso sustentável, planejamento estratégico…).

O RN ainda tem jeito, sim.

Basta ter competência e vontade política para resolver.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Prostração da economia brasileira

Por Carlos Duarte

O ajuste fiscal do governo Dilma, que está em gestação, vem tirando o sossego da presidente e deverá se transformar em mais um tema de grandes discussões e apreensões do Planalto, nos próximos dias. É que, com a popularidade da chefe do executivo em queda livre e com o governo em descrédito, fica difícil a implementação do ajuste na intensidade necessária que economia requer.

O corte recomendado pelos técnicos é da ordem de R$ 80 bilhões de reais. Isso poderá parar o governo e frear ainda mais a economia, levando o Brasil a uma longa e duradoura recessão, o que causa um forte temor ao governo petista.

Por outro lado, se o bloqueio for menor que R$ 60 bilhões não produzirá o efeito esperado na economia, resultando em consequências danosas e imprevisíveis para o país.

O tamanho do ajuste fiscal também dependerá do Congresso Nacional, que fará emendas às Medidas Provisórias e o ápice das discussões vai coincidir com as manifestações marcadas para o próximo dia 15 de abril.

Atualmente, o país vive um de seus piores momentos da história recente: crise na economia, crise de credibilidade, crise das instituições, crise hídrica, crise energética, crise no câmbio, déficit na balança comercial, crise internacional….

Mas, nada disso apareceu repentinamente ou é culpa simplesmente do cenário internacional, como aponta a presidente Dilma Roussef. A irresponsabilidade da politica econômica do governo do PT pavimentou esse caminho de crise que hoje vivemos. A soberba da presidente não a deixa enxergar que os erros de condução de seu governo são a principal causa de tudo.

Ela é incapaz de admitir que a politica por ela adotada foi ineficaz e totalmente inadequada para o enfrentamento das adversidades que o país passou e continua passando, até hoje.

Ao longo de 2014, o superávit primário se transformou em déficit e o Banco Central revelou um buraco nas contas públicas de R$ 344 bilhões (6,7% do PIB). Esse é o maior déficit fiscal desde 1988.

A dívida pública já é superior a 65% do PIB. Em fevereiro, o governo petista teve um gasto extra de R$ 27,2 bilhões na tentativa de conter a alta do dólar (equivalente a um ano de Bolsa Família).

Como o governo Dilma vai encontrar uma saída para crise que ela mesma criou ninguém sabe, ainda. Mas, o que se tem certeza é que os contribuintes e toda a sociedade brasileira já estão pagando a fatura dessa inconsequência.

Promessas não faltaram para colocar o Brasil no trilho do crescimento e do desenvolvimento econômico, principalmente no período de campanha eleitoral. Faltaram, sim, ações coerentes com elas, bom senso, competência de gestão e humildade para reconhecer os erros.

Carlos Duarte é economista, consultor ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Crise de água e o caos anunciado

Por Carlos Duarte

No Dia Mundial da Água, em 2015, o mundo não tem o que comemorar. Sobram preocupações e previsões nada animadoras. No decorrer da semana a ONU divulgou que o planeta pode ter somente 60% da água que precisa em 2030.

Na verdade, esse novo relatório global sobre o desenvolvimento dos recursos hídricos ratifica o caos anunciado de uma crise de água, que já começou a produzir seus efeitos com consequências catastróficas para a humanidade.

Sob o ponto de vista da economia, a água é um pré-requisito importante e um recurso fundamental para o desenvolvimento sustentável, que está se tornando, cada vez, mais escasso. Por sua relevância de demanda e redução de oferta projetada, a água deverá se tornar um bem precioso e muito caro no futuro, dado a sua amplitude em toda cadeia produtiva e na vida cotidiana.

Por isso, a gestão de água deverá delinear novas metas de desenvolvimento sustentável que garantam a proteção dos recursos hídricos como um todo e não, apenas, o acesso à água potável e ao saneamento.

A água potável representa um consumo mundial ínfimo de 2 a 3 litros de água por dia, quando comparada, por exemplo, com a produção de alimentos que exige cerca de três mil litros per capita diariamente. À medida que a população for aumentando, a agricultura deverá produzir mais alimentos, enquanto a indústria e o setor de energia também deverão aumentar a demanda por água. Se nenhuma providência for tomada urgentemente, o suprimento global de água terá um déficit de 40% já em 2030.

O efeito exponencial deverá se agravar até 2050, quando a indústria poderá estar consumindo quatro vezes mais do que o consumo do ano 2000.

Esse cenário aponta que a economia global terá que mudar para formas econômicas que consumam recursos menos intensivamente. Para que isso aconteça é imprescindível que os gestores públicos se sensibilizem com o problema da distribuição hídrica, transferindo as decisões para a alçada de técnicos competentes, especialistas em água ou gestores de recursos hídricos comprometidos com o desenvolvimento sustentável numa articulação com diferentes setores, ministérios e instituições de governo.

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos da Água, “a água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo” (art. 6º); “A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social” (art. 9º).

Atualmente, estima-se que 20% da população mundial não tenha acesso à água limpa e, segundo a UNICEF, cerca de 1400 crianças menores que cinco anos de idade morrem todos os dias em decorrência da falta de água potável, saneamento básico e higiene. O caos já começou.

Carlos Duarte é economista, consultor ambiental e de Negócios. além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

Debate, enriquecedor, anima segmento salineiro

A audiência pública promovida hoje pela Assembleia Legislativa, em seu plenarinho, sobre questões diversas do setor salineiro (Veja AQUI), foi uma das mais produtivas realizadas pela Casa nos últimos tempos. Opinião unânime dos principais interessados: empresariado da área.

Foram dissecados temas diversos que representam gargalos à sobrevivência de uma cultura econômica que existe desde o Brasil Colônia, empregando cerca de 15 mil pessoas e com praticamente 95% a 97% da produção nacional.

Garibaldi participou de evento, assinalando sua importância (Foto: Blog Carlos Santos)

O economista e administrador de empresas Carlos Duarte abriu pronunciamentos, com palestra sobre papel da indústria e crise cíclica. Mostrou caminhos alternativos para uso do sal/águas mães.

“Sal vindo do Chile é isento de tudo e o nosso com todos os impostos,” se queixou Renato Fernandes, empresário do setor e ex-dirigente da Companhia Docas do RN (CODERN). Agradeceu o autor da audiência, deputado Manoel Cunha Neto (PHS), “Souza”, pela iniciativa..

Em sistema de vídeoconferência, falando da Câmara Municipal de Areia Branca, o pequeno produtor salineiro Enilson Fernandes demonstrou preocupação com segmento em Grossos. Citou que umas 10 moagens estão fechadas no município e cerca de 80 pequenos produtores estão em dificuldades.

Inovação

O secretário Orlando Simas, da pasta do Desenvolvimento do Estado, disse que Governo criará Polo Tecnológico e de Inovação para setor.

Antônio Veras, executivo do sal, fez palestra com uso de slides. Reiterou que RN produz 6 mil toneladas/ano. “Se preciso dobrar, poderemos dobrar”, garantiu.

O deputado federal Rogério Marinho (PSDB) defendeu o programa Mais RN, estudo sobre potencial econômico empinado por ele quando era secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, além de novo porto pro RN.

André Horta, titular da pasta da Tributação assegurou que redução de 50% da alíquota do ICMS para o sal estava mantida. Governo Robinson Faria (PSD) acatou pedido apresentado pessoalmente ao governador pelo deputado Souza.

Airton Torres, da Federação das Indústrias do RN (FIERN) e indústria do sal, mostrou problemas para cumprimento de exigências legais. Mas elogiou nova mentalidade de órgãos fiscalizadores.

Colaboração

Alvamar Queiroz, superintendente do Ibama, afirmou que há disposição do órgão em colaborar com setor. “Eu conheço. Tenho ligação com o sal desde a época do deputado federal Antônio Florêncio” (anos 70), contou.

O senador Garibaldi Filho (PMDB) e deputado federal Beto Rosado (PP) sublinharam apoio à luta da indústria. Prometeram se mobilizar em Brasília.

Rondinelli Oliveira, diretor geral do Idema, pronunciou-se. Garantiu empenho do órgão para agilizar licenças. “Estamos trabalhando”, disse.

Edvaldo Fagundes, empresário de peso da indústria do sal, participou do debate. Lamentou que boa parte dos políticos não tenha aparecido. Empresário aplaudiu iniciativa de Souza.

O câmbio na rota de crise brasileira

Por Carlos Duarte

O governo da presidente Dilma continua sua trajetória de sucessivos recordes negativos da economia brasileira. Nesta semana, o dólar fechou em R$ 3,26, com a cotação mais alta do ciclo do governo petista, que começou em 2003. Alta expressiva de 3,36% em um único dia, na sexta-feira 13.

Apesar de o cenário mundial apontar uma valorização da moeda americana em todo o mundo, em virtude da elevação dos juros pelo Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos), o comportamento do câmbio no Brasil demonstra o tamanho da fragilidade de nossa economia.

A “marolinha” do ex-presidente Lula – termo utilizado por ele, quando subestimou os efeitos da crise de 2008 nos Estados Unidos – está se transformando em uma onda gigantesca, causando danos irreparáveis à sociedade brasileira.

Este cenário internacional amplia-se no mercado interno por vários fatores resultantes da incompetência na condução da politica econômica nacional. Um deles é a ausência do Banco Central do Brasil nos negócios de câmbio, quando deveria conter a valorização da moeda americana frente à parcela do movimento especulativo.

A Operação “Lava Jato” – que investiga a Petrobras, e a crise entre o Planalto e o Congresso potencializaram o problema, minimizando os efeitos do ajuste fiscal idealizado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy. Como consequência, as agências de risco intensificam a possibilidade de rebaixamento da nota de crédito do Brasil.

Tudo isso, entre outros inúmeros motivos, levou o Brasil a ocupar, nesta semana, a liderança no ranking dos países que tiveram as maiores perdas de suas moedas ante o dólar. Como parâmetro comparativo, isso significa dizer que a moeda brasileira atingiu níveis de corrosão superiores a Naira – moeda da Nigéria, que atualmente trava um conflito armado com o grupo terrorista Boko Haran; bem como o Rublo Russo – moeda da Rússia, que está em guerra com a Ucrânia e, ainda, sofre os efeitos dos baixos preços do petróleo.

O mais preocupante é que essa situação tende a se agravar, ainda mais, porque não existem ações positivas integradas do governo petista capazes de neutralizar ou minimizar o ciclo vicioso que se instalou na economia brasileira. Desemprego, inflação alta e a recessão caminham juntos, e a passos largos, desenhando um cenário turbulento para nossa economia.

Mais uma vez, a sociedade brasileira vai pagar, com sacrifício, pela crise gerada por esse governo do PT que não teve a lucidez de gerir, sequer, os fundamentos básicos da economia.

Carlos Duarte é economista, consultor ambiental e de Negócios. além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

“Operação Sal Grosso” tem papel emblemático

A “Operação Sal Grosso” (veja postagem mais abaixo), com sua sentença contra vários vereadores e ex-vereadores precisa ser aplaudida. Ministério Público, por exemplo, sobretudo através dos promotores Fábio Thé e Eduardo Medeiros.

Aplauso também para raros setores da imprensa que toparam mexer no tema. A começar pelo semanário Página Certa, de Carlos Duarte.

O semanário Página Certa desencadeou denúncia da Operaçao Sal Grosso, acompanhou o caso e municiou o Ministério Publico. Cumpriu seu papel.

Como a “Operação Impacto”, que apurou denúncias contra vereadores e outras pessoas, em negociatas na Câmara de Natal, esse caso de Mossoró ganha dimensão que é difícil avaliarmos agora. É emblemático.

Quanto aos condenados, o caminho é a defesa dentro da lei.

Não me cabe satanizá-los.

Mas é certo de que nem tudo está perdido.

Diretor de jornal lembra denúncia contra Múcio Sá (bido)

Caro amigo;

Ao ler esta noticia sinto a sensação de impunidade que tanto tem motivado bandidos dessa estirpe. Fui o primeiro jornalista a divulgar e denunciar essa quadrilha com a matéria intitulada “(Sá)bedoria”, veiculada, em 2004, no nosso saudoso e combativo jornal Página Certa.

À época levantamos uma farta documentação, com provas irrefutáveis, e expomos toda logística dos desvios de verbas que envolviam a Fundação Aproniano Sá, com sede fantasma na extinta Maisa. A quantia superava os R$ 6 milhões, além de outros desvios cruzados, através de emendas e notas fiscais frias transacionadas, com membros da quadrilha, através de ONGs e fundações agregadas ao esquema de corrupção.

Ainda está viva na minha memória o modo prepotente e ameaçador, com que recebi na redação do jornal o protagonista e principal suspeito daquela quadrilha, o ex-deputado Múcio Sá – acompanhado de “guarda-costas” intimidadores. Mas, a pressão não foi suficiente para nos intimidar.

Deste então, enquanto a justiça caminhava lentamente para dar essa tardia sentença, o sr. Múcio Sá foi presenteado com cargos de secretário de estado nos governos Vilma de Faria e Iberê Ferreira.

Nesse ínterim, milhares de pessoas foram vitimas anônimas desses bandidos, enquanto eles desfrutavam do bem-estar promovido com o roubo do dinheiro público, destinado à saúde dos mais carentes, além das benesses de governo promovidas por políticos aliados e comprometidos com a súcia.
Lamentavelmente, pô-los atrás das grades é uma possibilidade remota.

Inescrupulosos como são, os membros da corja continuarão a zombar muito de todos, pois sabem que a morosidade da justiça os incentiva para que isso aconteça. As multas e ressarcimentos sentenciados são risíveis e até mesmo estimulantes.

Não dá para acreditar na seriedade de um país, quando os (pequenos) passos da Justiça não acompanham a celeridade de seu desenvolvimento e crescimento.

Um abraço fraterno,

Carlos Duarte – Webleitor e diretor do semanário Página Certa

Nota do Blog – Carlos, participei do projeto “Página Certa” desde o seu primórdio, partilhei das vitórias, agruras e como você, sua esposa Cleílma, fui vítima de umas das mais odiosas perseguições por fazermos jornalismo investigativo, de opinião e dialético.

O caso que envolve Múcio Sá e outros figurões – veja matéria AQUI – foi desencadeado pelo Página Certa, como vários outros que resultaram em procedimentos do Ministério Público, Polícia Federal e até em algumas condenações judiciais.

Um dia vamos ter que escrever a saga do Página Certa, para que seu legado fique à posteridade como prova de que é possível combater o bom combate, mesmo contra essas súcias, gente sem um pingo de pudor ou respeito pelo homem.

Um herói mossoroense (Manoel Duarte)

Por Honório de Medeiros

Um preciso tiro de fuzil ecoou no final de tarde nublado do dia 13 de junho de 1927 e, aproximadamente cem metros além, a bala atingiu o meio-da-testa de um caboclo puxado para o negro aparamentado com a indumentária típica do cangaceiro, prostando-o na terra nua, de barriga para cima, a olhos fixos e vazios voltados para o céu acima, bem ali onde a Avenida Rio Branco cruza a Rua Alfredo Fernandes, onde, na esquina, fica a famosa Igreja de São Vicente cuja imagem, do seu nicho decenal, tudo contemplava.

Era o começo do fim.

No alto da casa do Prefeito Municipal – o líder que começara a epopéia -, no telhado, o atirador viu quando outro cangaceiro, de um trigueiro carregado se aproximou, rastejando e disparando, da vítima, e começou a rapiná-lo, retirando freneticamente, de seus bolsos, munição, dinheiro e jóias. Calmamente, mirou e aguardou.

Pressentindo o perigo iminente o bandido ergueu o tronco elevando os olhos até o telhado da casa cuja frente fora tomada por fardos de algodão prensados para servirem de barreira. Foi apenas um momento, mas foi fatal.

Outro tiro de fuzil ecoou e, no mesmo local onde seu companheiro jazia sem vida o cangaceiro foi atingido.

O violento impacto da bala derrubara-o momentaneamente e desenhara, em seu tórax, uma rosa de sangue. Seus parceiros, paralisados, perplexos, observavam incrédulos. Começou a debandada.

Enquanto os resistentes percebiam que a ameaça fora sustada e o recuo dos cangaceiros era generalizado, o atirador recolhia o fuzil e fitava a cidade no prumo que tinha a Igreja de Nossa Senhora da Conceição como limite. Olhava e pensava.

Ele tinha morto um cangaceiro e ferido mortalmente outro. Não havia dúvida quanto à importância desse fato para a vitória. Mas cangaceiros são vingativos, cangaceiros são ferozes, cangaceiros são cruéis. Cangaceiros são dissimulados e não esquecem nunca, matutava ele com seus botões.

Se ele aceitasse passivamente as homenagens que lhe seriam tributadas a partir daquele momento tudo poderia, no futuro, desandar no gosto amargo causado pela retaliação de algum anônimo, talvez até mesmo em algum parente, como era prática comum na vida cangaceira. Não que fosse medroso. Ao contrário.

Todos quantos lhe conheciam podiam atestar sua coragem e perícia com as armas, que já ficavam lendárias. Mas era melhor se precaver. Era melhor silenciar. Não seria o caso de negar veementemente, por que não era homem para esse tipo de extroversão mentirosa. Mas ia silenciar. Não ia comentar nada.

Duarte, um herói de verdade

O que estava feito, estava feito, e era de acordo com seu temperamento reservado. Se lhe perguntassem, mudaria de assunto. Se comentassem em alguma roda da qual estivesse fazendo parte, sairia de mansinho. Guardaria a verdade consigo, por muito e muito tempo, e a contaria apenas para alguns escolhidos.

Naquele dia banal, muito tempo depois, sozinho com seu neto de dez anos de idade, sentiu vontade de contar aquilo que nunca contara a ninguém. Era uma necessidade da alma, um anseio de perpetuar um feito honroso, um gesto de heroísmo que o mostrava tão diferente dos que tinham fugido em direção ao mar quando os cangaceiros ciscavam nas portas de Mossoró, um gesto que lhe orgulhava por que defendera sua família e sua cidade a um custo alto, que era o de tirar a vida de alguém.

Olhou para o neto e compreendeu que ali estava o interlocutor perfeito. Não questionaria, não interromperia, não esqueceria. Guardaria a lembrança do dia e do relato. Assim sendo começou a lhe contar todo o episódio, detalhe por detalhe.

O neto apenas olhava intensamente e sentia que estava sendo transmitido, para ele, algo muito importante e que somente no futuro seria plenamente entendido. Acalmou sua inquietude de menino. Não desgrudou o olho do seu avô, aquele homem reservado e pouco propenso a confidências.

No final, quando toda a história havia sido contada, compreendeu que devia guardá-la consigo, até mesmo esquecida, por algum tempo. Em um final de tarde tipicamente mossoroense, de muito calor, em um café, o neto se aproximou de uma roda de estudiosos do cangaço e percebeu que discutiam a participação do seu avô na invasão da cidade pelo bando de Lampião. Uns diziam que havia sido ele o autor dos disparos. Outros negavam e apontavam nomes.

Quase oitenta anos haviam se passado do episódio. O neto, agora, era cinqüentão. Sentiu que ali estava o momento certo para contar a história, a sua história, a história do seu avô. Aquela platéia saberia ouvi-lo e entenderia plenamente as razões do silêncio da família.

Contou tudo.

Fechou-se o ciclo.

Dezenas de anos depois já não há mais dúvidas. O atirador postado no alto da casa de Rodolpho Fernandes, o homem que praticamente abortara a invasão lampiônica, o herói entre heróis fora Manoel Duarte. Esta é a verdade, como o sabe sua família e a contou seu neto, Carlos Duarte, jornalista, muitos anos depois, a mim, que registro, aqui, a história, e a Kydelmir Dantas e Paulo de Medeiros Gastão, estes últimos dirigentes da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário do Estado do RN e da Prefeitura do Natal

P.S – Décadas depois desse feito, ele foi homenageado com o nome de um largo à Avenida Rio Branco, além de busto, de frente onde fora sua casa. Mas na construção da chamada “Praça da Convivência” no primeiro governo Fátima Rosado (DEM),  o busto foi retirado.

A peça de bronze foi localizada semanas depois num depósito de ferro velho, pronta para ser derretida. A intervenção de sua família e do então “Jornal Página Certa” fez com que o governo municipal arranjasse um meio de reparar o crime à história e à cultura de Mossoró, doando outro espaço à fixação do busto.