Arquivo da tag: Cena Urbana (Vicente Serejo)

A tarefa do secretário da Fazenda, sob encomenda da chefe

Boneca "reina" imponente em Morro Branco, com tesoura à mão (Tribuna do Norte)
“Rosa Mão-de-tesoura” nasceu em 2013 e posou em frente à residência oficial do governo (Foto: Arquivo)

Por Vicente Serejo, Cena Urbana (Tribuna do Norte)

De uma raposa ao ouvir a entrevista do secretário da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, sobre a crise financeira do Estado:

– “Quando auxiliar dá as más notícias cumpre tarefa”.

Nota do BCS – Mais claro, impossível.

O sindicalismo faz de conta que não sabe, preferindo desviar a atenção com ataques ao próprio secretário, em vez da governadora Fátima Bezerra (PT).

O peleguismo nunca esteve tão em alta no RN Sem Sorte.

Só acredito na seriedade dessa turma quando for lançada a boneca “Fatoca” (Fátima, aquela que conta potocas).

Ou será que apenas os ex-governadores Rosalba Ciarlini (PP) e Robinson Faria (PL) mereciam esse modelo de crítica?

O Sindicato dos Servidores da Saúde Pública Estadual (SINDSAÚDE-RN) levou "Bonitinho" para a chuva (Foto: redes sociais)
Robinson Faria foi tratado como o “Bonitinho” nos protestos do sindicalismo (Foto: Arquivo)

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Aluízio, o semeador

Por Vicente Serejo (Coluna Cena Urbana/Tribuna do Norte)

Os olhos das gerações jovens enxergam em Aluízio Alves só o político e o jornalista, mas é nos olhos temperados pelo tempo que esse homem se ergue por inteiro. O político lutou com o poder e o jornalista com a palavra. Ele sabia que a política e a palavra se completam, e que ambas são poderosas como armas de conquista. Tão poderosas que esconderam na memória coletiva a grandeza de um personagem que foi um grande semeador na história intelectual da província.

Peças do Memorial Aluízio Alves (Foto: Reprodução)
Peças do Memorial Aluízio Alves (Foto: Reprodução)

O pequeno jornal datilografado na máquina do seu pai, com as notícias da sua aldeia, a Angicos do fim dos anos trinta, logo ficou pequeno para caber seu talento precoce. Em outubro de 1940, aos 19 anos, é convidado a fazer uma conferência na Semana de Cristo Rei, em Angicos. Ao invés de um simples discurso, escreve um verdadeiro ensaio voltado para retratar não só os traços religiosos, mas a visão inovadora do panorama social, cultural e econômico do seu povo.

Poderia ter sido algo episódico, nascido da sua forte vocação política. Não foi. E tanto não foi que no mesmo ano de 1940 retira da gaveta seu primeiro livro: Angicos, edições Pongetti, Rio, sua revelação de semeador. E cria a ‘Biblioteca de História Norte-Riograndense’, a primeira coleção planejada para cumprir, com um pioneirismo inédito no Estado, um amplo conjunto de visões planejadas para que retratassem a história do Estado nos diversos ângulos e percepções.

Convidou José Augusto Bezerra de Medeiros a escrever o título inaugurador: ‘Famílias Seridoenses’. Seu livro ‘Angicos’ foi o segundo título e ‘Mossoró’, de Vingt-un Rosado, o terceiro. Manoel Dantas escreveu ‘Homens de Outrora’ e Adauto Câmara biografou Nísia Floresta. José Augusto ampliou com ‘Seridó’ e ‘O sal na economia norte-riograndense’. Com um detalhe: as obras eram subscritas por autores e leitores, garantindo a independência da coleção.

Eleito deputado constituinte em 1946, a tintura épica da palavra política começa a vencer o lírico da expressão literária. Mas, nos anos sessenta, já governador, retorna às velhas e boas raízes, e lança a ‘Coleção Jorge Fernandes’, reveladora de nomes como Dorian Gray, Sanderson Negreiros, Miriam Coeli, Celso da Silveira, Augusto Severo Neto – com projeto gráfico moderno – dimensões iguais, capas e manchas impressas padronizadas, numa grande e bela semeadura.

Foi Aluízio que sugeriu a Câmara Cascudo uma nova ‘História do Rio Grande do Norte’, nos anos quarenta, e que seria lançada em 1955, com apoio do então governador Sylvio Pedroza. A Eloy de Souza, sugeriu as ‘Memórias’. E fez outras sugestões que o tempo realizou.

Fascinado pela palavra, fundou esta TN há 73 anos e realizou um governo inovador que a História preserva como marco revolucionário. Só os pensadores são bons semeadores e vivem além do seu tempo.

Vicente Serejo é jornalista e escritor