Arquivo da tag: Chapada do Apodi

O mapa da fruticultura irrigada que caracteriza a Expofruit

Por Josivan Barbosa

Há quase quarenta anos que as áreas irrigadas do Nordeste conseguem inserir seus produtos na cena do comércio internacional.

Esses produtos (frutos tropicais) se concentram em algumas áreas específicas e, entre elas, destacam-se os polos produtores de frutas frescas para a exportação do Nordeste, especificamente, o Polo Petrolina-Juazeiro (PE-BA), localizado na região do Submédio do Rio São Francisco e o Polo de Agricultura Irrigada RN – CE, localizado na Chapada do Apodi, Vale do Rio Jaguaribe (CE), Vale do Açu e regiões circunvizinhas (RN).

O Polo de Agricultura Irrigada RN – CE se caracteriza pela produção de melão e melancia, com cerca de 20 mil hectares destas culturas sendo cultivados a cada temporada.

Expansão da fruticultura irrigada na região tem vários polos (Foto: Canindé Soares)
Expansão da fruticultura irrigada na região tem vários polos (Foto: Canindé Soares)

O Polo também apresenta um forte crescimento da cultura do mamão formosa nas duas últimas décadas e mais recentemente estão aumentando os cultivos com banana (mercado interno) acerola, maracujá, limão tahiti, goiaba e frutos exóticos como pitaya.

Com intuito de facilitar a compreensão do tamanho do negócio rural de frutos tropicais aqui na região sede da Expofruit, separamos a localização das principais empresas da agricultura irrigada do Polo em seis microrregiões a saber:

Microrregião 1:  Grande Maisa (Mossoró – Tibau – icapuí – CE e Aracati – CE) –  Compreendida pela presença das seguintes empresas produtoras de frutos tropicais: Agrícola Famosa (sede,  Fazenda Santa Júlia, Fazenda Flamengo e Fazenda da Nolem – Califórnia e  Fazenda Paulicéia), Bollo Brasil Produção e Comercialização de Frutas Ltda (Sede – Fazenda Santana), Fruta Vida (Fazenda Pedra Preta), Agrícola Bom Jesus (Fazenda Santa Helena), Luso Tropical, Agrocanaã (ambas desativadas no momento), Agrícola Jardim, Agrícola Dinamarca, Brazil Melon (Sede, Fazenda São Romão e Fazenda Mata Fresca), Norfruit, Mata Fresca Produção e Distribuição de Frutas Ltda, Frumel, Renovare,  Agropecuária Vitamais  (Ecofértil) e J. B. de Paiva (EPP – melão).

Micorregião 2:  Compreendia entre os municípios de Jaguaruana, Russas e Itaiçaba: Meri Pobo Agropecuária sede e DISTAR, Agropaulo, J. S. Salute (desativada) e Agrícola Famosa (DISTAR – Distrito Irrigado Tabuleiro de Russas).

Microrregião 3: Compreendida entre os municípios de Baraúna (RN), Quixeré – CE e Limoeiro do Norte (CE): Agrícola Famosa (Fazenda Fruitland, Fazenda Km 60, Fazenda  Macacos e Fazenda Terra Nova), UGBP (Sede), Agropecuária Modelo, Cris Frutas, Frutanor, CK Agronegócio, Interfruit,  Fruta Sollo, Frutacor, Fazenda Frota, W. G. Produção e Distribuição de Frutas Ltda (Fazenda Baraúna e Tomé), Bessa Produção e Distribuição de Frutas Ltda (Sede, Fazenda do Vale do Jaguaribe), Del Mont Fresh Produce (Fazenda Quixeré e DIJA), J. S. Salute (Fazenda Tomé),  Tropical Nordeste e Terra Santa.

Microrregião 4: Compreendida entre os municípios de Tabuleiro do Norte (CE), Apodi (RN) e Felipe Guerra (RN):  Bessa Produção e Distribuição de Frutas Ltda (Fazenda Campos), UGBP (Fazendas Campos e Campos Novos – desativada), Agrícola Famosa (Fazenda Baixa Verde e Fazenda Bevenuto), Angel Agrícola Ltda (Sede), E. W. Empreendimento Agrícola Ltda (Fazenda Sítio do Góis), Mata Fresca Produção e Distribuição de Frutas Ltda (Fazenda BR 405 – Felipe Guerra), Bela Fonte Melon (divisa Apodi – Severiano Melo), Vitamais e Klinger (produtor).

Microrregião 5: Compreendida entre os municípios de Mossoró, Governador Dix-Sept Rosado, Caraúbas e Upanema (RN): Agrosol – JIEM Agrícola e Comercial Ltda, Agropecuária Vitamais  – Ecofértil – (Sítio Santana e Monte Alegre), W. G Fruticultura (RN 117), Renovare Upanema Agroindustrial Ltda, Dinamarca e Agrolemos.

Microrregião 6: Compreendida entre os municípios de Assu, Ipanguaçu, Alto do Rodrigues, Afonso Bezerra, Jandaíra (RN) e Pureza (RN): Del Mont Fresh Produce, Agrícola Salutaris, Itaueira Agropecuária (Fazenda Ipanguaçu), Finoagro (Ex-Finobrasa), CMR Brasil Prod. Com. Hortifrutícola Ltda (Fazenda Tubibal), Bollo Brasil (Fazenda Macau) e Caliman (Pureza – RN), Agrícola Potiguar e Terra Santa.

Como essas empresas ultrapassaram o período da grande seca (2011 – 2017)

Tradicionalmente a agricultura irrigada utiliza a água de irrigação proveniente de três fontes: Aquífero Jandaíra (alto teor de sais com profundidade até cerca de 300 m), Aquífero Açu (profundidade até 1200 m) e as barragens de médio e grande porte.  Devido à extensa área de domínio do aquífero Jandaíra (16 278 km2) e devido também à facilidade de acesso ao recurso hídrico, por ser a Formação Jandaíra aflorante na maior parte do seu domínio (10 298 km2), esse aquífero se reveste de extrema importância para o fornecimento de água para o consumo humano, animal  e para o uso na agricultura irrigada dessa região Semiárida.

As águas do aquífero Jandaíra reduziram-se significativamente a partir do segundo ano de seca (2013) e afetaram os municípios que produziam grandes áreas irrigadas como Baraúna – RN e Quixeré – CE, ambas localizados na divisa desses Estados. As principais culturas que tiveram suas áreas reduzidas em mais de 80% nesses municípios foram banana, mamão formosa, melão e melancia.

As principais barragens de importância para o fornecimento de água para a irrigação da região são, na ordem de capacidade de armazenamento: Castanhão (Nova Jaguaribara/Alto Santo -CE), Armando Ribeiro (Itajá/São Rafael/Assu – RN), Barragem de Santa Cruz (Apodi – RN) e Barragem de Umari (Upanema – RN).

No município de Alto Santo (CE), imediatamente antes desse longo período de estiagem, foi inaugurada a Barragem do Figueiredo, mas até o momento o volume de água armazenado é insignificante.

Ainda em construção, o Rio Grande do Norte possui um reservatório de porte médio, denominado de Barragem de Oiticica (capacidade em torno de 600 milhões de metros cúbicos) localizado no município de Jucurutu.

As águas do aquífero Arenito-Açu (baixo teor de sais e muito usadas para o consumo humano) foram utilizadas a partir da década de 1980 pela MAISA (Mossoró Agroindustrial S. A.), a principal empresa de agricultura irrigada da região até o final do século passado, mas, ultimamente o seu uso estava limitado, em função do custo energético do bombeamento, ao abastecimento do município de Mossoró – RN e de algumas comunidades da Chapada do Apodi.

Assim, com o reduzido fornecimento de água pelas barragens e a redução da água do aquífero Jandaíra em várias localidades tradicionais e o alto custo da água (investimento e custeio) do aquífero Arenito-Açu, as empresas adotaram as seguintes estratégias para continuarem mantendo a sua produção de frutas no Polo de Agricultura Irrigada RN – CE:

Algumas empresas de porte médio e grande, seguindo exemplos de outras que já haviam se instalado no início da década passada, ocuparam áreas por arrendamento ou aquisição, na região compreendida entre as divisas dos municípios de Apodi – RN, Severiano Melo – RN e Tabuleiro do Norte – CE, entre as estradas carroçáveis Transchapadão (ligando Apodi ao Distrito de Olho D`água da Bica) e a Estrada do Arenito (ligando os municípios de Apodi e Severiano Melo ao Distrito de Olho D`água da Bica), via comunidades rurais tradicionais de Campos Velhos e Campos Novos. Nessa região as empresas estão perfurando poços no aquífero Arenito-Açu em baixa profundidade (cerca de 150 a 300 m).

Este é o principal atrativo, ou seja, água de boa qualidade em baixa profundidade. Nessa região há solos mais argilosos, em cima da Chapada do Apodi e solos mais arenosos na região do entorno da Chapada do Apodi.

A principal dificuldade enfrentada pelas empresas nessa região é a necessidade de investimentos em infraestrutura de estradas e rede de alta tensão de energia.

Além disso há, também, necessidade de investimentos em infraestrutura de galpões de embalagens, cercas, instalações fixas de campo, pavimentação no entorno dos galpões de embalagens e áreas de acesso, depósitos e demais instalações fixas de campo.

Algumas empresas de porte médio e grande instalaram unidades produtoras no Vale do Açu, que apesar da dificuldade de água a partir da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, há uma boa perspectiva do uso de água de poços de baixa profundidade construídos no leito do Rio Açu.

As empresas de porte médio localizadas na região da Grande MAISA (Pau Branco, São Romão, Córrego Mossoró, Mata Fresca, Cacimba Funda e comunidades vizinhas) ampliaram as áreas neste entorno e estão cultivando melão e melancia. Esta região é a que apresenta maior capacidade de uso dos poços do aquífero Jandaíra, apesar da tendência do aumento da salinidade dos poços nos períodos de estiagem.

Outras empresas de porte médio da região de Pau Branco, instaladas ao longo da Estrada do Melão, fizeram a opção pelo investimento em poços profundos do Arenito-Açu, com profundidade em torno de 900 a 1000 m. O valor médio investido por poço profundo nessa região ultrapassa R$ 2,5 milhões. Apesar do elevado investimento e do custeio de energia para o bombeamento da água em grande profundidade, os produtores não precisam investir em infraestrutura nova, como é o caso das empresas que mudaram para novas áreas distante 100 a 150 km da sede. Há também a vantagem de mistura de água de baixa salinidade (Arenito-Açu) com água de alta salinidade (aquífero Jandaíra) o que torna mais fácil o cultivo de melão e melancia, sem causar grandes problemas para a cultura e para o solo.

As empresas de pequeno e médio porte arrendaram ou compraram terras na região de Upanema – RN que, apesar da limitada capacidade de áreas, apresenta bom potencial para a perfuração de poços no aquífero Arenito-Açu em baixa profundidade. Esta região cultiva frutas tropicais há mais de 20 anos. Uma grande empresa da região adquiriu áreas na região de Pedro Avelino, Sertão Central do RN, onde passou a utilizar a opção de poços profundos do Arenito-Açu, pois esta região é caraterizada por baixa profundidade dos poços.

Algumas empresas estão tentando se instalar em outras regiões do Semiárido, como o Vale do São Francisco (Petrolina-Juazeiro) e a região de Parnaíba no Piauí.

Há, ainda, uma empresa de grande porte, instalada na região de Jaguaruana-CE, que está construindo um canal de irrigação a partir do Rio Jaguaribe e, ao mesmo tempo, investindo em poços profundos do Arenito-Açu, como forma de enfrentar o desafio de produzir frutas tropicais na Grande Região Jaguaribe-Apodi.

Uma opção foi a região compreendida entre os municípios de Caraúbas e Upanema, onde há boas perspectivas para a perfuração de poços no Arenito-Açu com profundidade em torno de 300 a 400 m. Esta região já havia sido explorada no início da década de 1990 pela antiga Fazenda São João, tradicional empresa de agricultura irrigada da região de Mossoró que foi desativada no início dos anos 2000.

Algumas empresas novas ou que estavam instaladas na microrregião 1, adquiriram áreas na região de Jandaíra, que, apesar, da baixa vazão dos poços, tem sido uma opção nesse período de seca. A exemplo de Jandaíra, algumas empresas também procuraram se instalar nos municípios de Afonso Bezerra e Pedro Avelino, no Sertão Central do RN.

As fruteiras banana, melão e melancia e cultivo do mamão formosa, o qual passou a ter importância destacada nos mercados local, regional, nacional e europeu.

Atualmente, há várias empresas de médio porte instaladas na região de Baraúna, exclusivamente voltadas para a cultura do mamão formosa. Algumas delas trabalham com cultivos próprios e outras trabalham de forma integrada com médios e pequenos produtores.

Houve ainda o caso de uma empresa que adquiriu uma área no Vale do Rio Jaguaribe (Russas), mas que, até o momento não logrou sucesso em razão da falta d`água no leito do rio por limitação do volume da Barragem do Castanhão.

 Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

A revolução da fruticultura irrigada e o papel científico de uma instituição

Por Josivan Barbosa

Faltam menos de 30 dias para a realização da Feira Internacional da Fruticultura Tropical Irrigada (EXPOFRUIT) 2021. Uma questão que vamos precisar explicar para os nossos visitantes é como a região polarizada por Mossoró conseguiu se tornar competitiva no negócio de frutas tropicais ao ponto de conquistar mercados exigentes como o dos EUA e da União Europeia.

O sucesso da nossa agricultura irrigada passa por muitas mãos, mas não podemos esquecer do pioneirismo de empresas como a MAISA, Frunorte, Agro Now, Fazenda São João e o grupo dos japoneses que saiu de São Paulo para Petrolina e depois veio para a região de Baraúna.

Esam, que viria a se transformar na Ufersa, foi referência importante na revolução da fruticultura irrigada (Foto: Web)
Esam, que viria a se transformar na Ufersa, foi referência importante na revolução da fruticultura irrigada (Foto: Web)

Muitas pessoas perguntam quais as razões do sucesso da agricultura irrigada nas microrregiões do Médio Jaguaribe (CE) e Médio Oeste (RN) e outras circunvizinhas. No início dos anos 80, havia apenas uma agroindústria de sucesso na fruticultura, a MAISA (Mossoró Agroindustrial SA) que cultivava caju.

Na microrregião do Vale do Rio Açu (RN), as experiências com a fruticultura estavam apenas se iniciando, pois a região apresentava sérias limitações com água, o que melhorou a partir da inauguração da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves no ano de 1982. Nas microrregiões do Médio Jaguaribe (CE) e Médio Oeste (RN), não havia experiências de êxito ligadas à atividade de produção de frutas irrigadas.

O papel da ESAM

Sem querer atribuir o sucesso unicamente aos esforços da então Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), hoje, Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), é preciso reconhecer que, obrigatoriamente, esta instituição teve importância ímpar no processo.

Em 1979, a direção da antiga Esam conseguiu aprovar, juntamente com mais cinco universidades do Nordeste, que tinham competência instalada na área de Ciências Agrárias (UFC, UFPI, UFRPE e UFPB), um importante projeto de desenvolvimento tecnológico dentro do Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Nordeste (PDCT). A instituição foi contemplada com recursos da ordem de 45 milhões de dólares por um período de cerca de seis anos.

Os recursos eram provenientes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Governo Brasileiro, através do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na proporção de 1:1. Foi o maior projeto da história dessa instituição de ensino superior. Os principais benefícios para o desenvolvimento da nossa instituição foram esses:

  • Contratação de 110 profissionais de nível médio e superior (laboratoristas, engenheiros agrônomos, trabalhadores de campo, motoristas, técnicos de informática e técnicos agrícolas)
  • Construção dos Laboratórios de Água, Solos e Hidráulica
  • Construção da Biblioteca Central Orlando Teixeira
  • Aquisição de inúmeros equipamentos científicos de apoio à pesquisa
  • Ampliação do Laboratório de Sementes
  • Ampliação dos Laboratórios de Alimentos
  • Instalação de módulos demonstrativos de irrigação nos municípios de Touros, João Câmara, Mossoró, Baraúna, Gov. Dix-Sept Rosado, Pau dos Ferros, São Miguel, Zé da Penha e Rafael Fernandes. Os módulos eram instalados em áreas particulares, após rígido trabalho de seleção dos beneficiados feito pelos pesquisadores.

Experimentos da Esam

A instituição instalou experimentos de pesquisa em várias microrregiões do Estado. Cada módulo demonstrativo era composto de uma área irrigada (2 a 4 hectares de fruteiras – banana, mamão, goiaba, graviola e maracujá), apicultura, sequeiro (capim buffel) e caprinos (10 matrizes e um reprodutor).  Após três anos de instalação dos módulos, eram feitas avaliações. A área de sequeiro mostrou-se ineficiente. A única área de sequeiro que revelou bom rendimento para o produtor foi o plantio de abacaxi no município de Touros (RN).

O abacaxi foi testado na área do Sr. José Joventino.  Aquele produtor cultivou o abacaxi com sucesso por vários anos. Em Touros já havia uma experiência de sucesso de um produtor oriundo do município de Sapé (PB). Na época, a região plantava apenas 180 hectares de abacaxi. Após os trabalhos de pesquisa desenvolvidos pelos técnicos da antiga Esam houve um considerável aumento da área cultivada com abacaxi, atingindo o pico de cerca de três mil hectares no início da década de 2000, incluindo os municípios de Ielmo Marinho, Pureza e Touros.

Nas áreas de sequeiro com capim buffel e algaroba não houve registro de nenhum caso de sucesso. A apicultura foi regular e o destaque ficou por conta das áreas irrigadas, nas quais o produtor conseguia excelentes rendimentos. Um bom exemplo de sucesso foi o plantio de bananeira em consórcio com tomate. Uma das culturas que, também, mostrou excelente rendimento foi o mamão formosa. A cultura que se mostrou mais rentável para o produtor foi a banana, seguida de goiaba, graviola, mamão e maracujá. O sistema de irrigação utilizado era o xique-xique (mangueira de polietileno com furos e vazão de 45 – 50 L/h).

Pesquisas de sucesso

O sucesso obtido nos experimentos da Esam com a cultura do mamão, é, em parte, responsável pelo incremento no cultivo desta fruteira nos últimos anos nos Estados do RN e Ceará.  O cultivo do mamão formosa ampliou-se das microrregiões de Mossoró (RN) e, mais especificamente, no município de Baraúna e no Baixo Jaguaribe (CE), incluindo os municípios de Quixeré e Limoeiro do Norte, para as microrregiões do Vale do Açu, Upanema, Apodi, Felipe Guerra, entre outras.

Um dos maiores produtores dessa fruta em Baraúna (RN), era o engenheiro agrônomo Wilson Galdino de Andrade, agrônomo egresso da antiga Esam e, não por coincidência, o técnico executor das pesquisas nos módulos instalados no projeto piloto em 1979.

Na região Agreste (RN), no município de Ceará Mirim, no início dos anos 2000 se instalaram três conceituadas empresas produtoras de mamão papaia (Caliman, Gaia e Batia) cuja produção era predominantemente exportada pelo Porto de Natal para a Europa e Estados Unidos. A agroindústria Caliman chegou a se instalar, também, na região de Baraúna, com infraestrutura para exportar mamão formosa para a Europa.

O mamão Formosa produzido no Polo de Agricultura Irrigada RN – CE possui qualidade diferenciada (formato do fruto, cor e teor de açúcar).

Banana

No caso da banana, as áreas produtoras do Vale do Açu e Chapada do Apodi (Baraúna, Quixeré e Limoeiro do Norte) possuíam antes de 2012 uma área instalada acima de cinco mil hectares. Na primeira predominava o cultivo de bananeira para o mercado externo (Mercosul e Europa) e na segunda o cultivo era direcionado para o  mercado interno. Antes de 2012, somente uma agroindústria (Frutacor) instalada em Quixeré produzia individualmente, 1.200 hectares e mais 600 hectares, terceirizados, de pequenos produtores agregados.

Atualmente, o cultivo de banana para exportação foi reduzido tanto no Vale do Açu quanto na Chapada do Apodi.

No Vale do Açu, os problemas de cheias e ventos provocaram a redução das áreas e na Chapada do Apodi (Limoeiro do Norte) a redução deu-se em função da limitação de água do canal de irrigação do Distrito Irrigado Jaguaribe-Apodi (DIJA). Os problemas hídricos comprometeram a qualidade da banana para o mercado externo e foram responsáveis pelo deslocamento das empresas para áreas.

Outras fruteiras

As outras fruteiras (goiaba e maracujá), como demonstrado nas pesquisas feitas pela Esam começam a ganhar importância na região. A goiaba é uma fruteira muito cultivada em Petrolina (PE), mas os pomares instalados naquela região têm sido dizimados por nematoides.

O maracujazeiro amarelo foi plantado em grande escala, no final da década de 80 pela Maisa, mas devido a alta incidência de pragas, principalmente fusariose, a empresa foi obrigada a erradicar a cultura. No Rio Grande do Norte a cultura do maracujá está em expansão. Há vários cultivos novos instalados nos últimos anos nas microrregiões de Baraúna, Assu e Upanema.

A graviola ainda é pouco cultivada e há poucos plantios nessas microrregiões. O cultivo é direcionado para a produção de polpa para atender ao mercado regional.

Evolução da Agricultura Irrigada

  • Anos 1960 / 70 / 80: Incentivos do Estado para o estabelecimento de grandes empresas produtoras (projeto modernizador), através de crédito subsidiado, investimentos em infraestrutura e projetos de irrigação.
  • Anos 1960 / 70 / 80: Surgimento e desenvolvimento de grandes produtores em Mossoró e no Vale do Açu, com fortes incentivos do Estado através de créditos altamente subsidiados;
  • Anos 1980: início da produção de melão na região, que consegue ótima adaptação, rapidamente disseminando-se entre os grandes produtores;
  • Anos 1980: Chegada à região da tecnologia de fertirrigação por gotejamento, proveniente de Israel, que rapidamente difunde-se entre os produtores locais;
  • Anos 1990: Intensificação do processo de modernização e da integração do Polo ao mercado internacional.
  • Anos 1990: Aumento do número de produtores de médio porte atuando no Polo, utilizando-se da subcontratação para exportação, por intermédio das grandes empresas.
  • Anos 1990: novas exigências de qualidade e padrões produtivos no mercado internacional, através da exigência de certificações para exportação.
  • 2002 / 03: Encerramento das atividades da MAISA, Fazenda São João e FRUNORTE.
  • 2002 / 03: NOLEM passa a ocupar a liderança na produção de melão no Polo.
  • Década de 2000: Através da absorção de conhecimentos oriundo da rede formada pelos diversos agentes que atuavam na atividade nessa região, produtores de médio porte expandem capacidade de exportação direta, reduzindo dependência de subcontratação de grandes empresas.
  • Década de 2000: Expansão dos negócios da Agrícola Famosa.
  • Década de 2000: Atuação conjunta de alguns grupos de produtores de médio porte no intuito de viabilizar a exportação direta.
  • 2008 / 09: Encerramento das atividades da NOLEM e da Del Monte e reposicionamento da Agrícola Famosa como empresa líder na produção e exportação de melão do Polo.
  • Década de 2010: Agrícola Famosa assume a liderança no Polo. Demais exportadores são considerados, em sua grande maioria, de médio porte.
  • 2013: Retorno das exportações de melão e melancia para os Estados Unidos
  • 2020: Liberação comercial para exportação de melão para a China.

Ramal do Salgado

Há poucos dias, o Governo Federal lançou a obra do Ramal Salgado no nosso vizinho Ceará e que será uma ramificação do canal Apodi-Mossoró, última etapa do Projeto de Integração do São Francisco (PISF). O Ramal do Salgado encurtará em cerca de 150 quilômetros a viagem das águas do São Francisco até o açude Castanhão.

O Ramal do Apodi/Salgado é o trecho final do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco e terá 115,3 quilômetros de extensão. A água será transportada por gravidade a partir do Reservatório Caiçara, na Paraíba, até o Reservatório Angicos, já no Rio Grande do Norte. A vazão será de 40 m³ por segundo até o quilômetro 26, de onde deriva o Ramal do Salgado, que levará as águas para o estado do Ceará. Após essa derivação, a vazão será de 20 m³ por segundo.

Ramal do Apodi beneficiará 48 cidades no Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba (Foto: Adalberto Marques/MDR)
Ramal do Apodi beneficiará 48 cidades no Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba (Foto: Adalberto Marques/MDR)

O Salgado é um rio de nascente no Cariri Leste (município do Crato) com vários afluentes na nascente. Do Sul do Ceará o rio segue até o município de Aurora onde é beneficiado com uma barragem e em seguida passa por Icó (beneficiado com uma ponte) e, entre Icó e Orós o rio Salgado entra no Rio Jaguaribe. A partir daí as águas do Rio Salgado passam pelo município de Jaguaribe e seguem para o Castanhão.

A construção do Ramal do Salgado encurta em cerca de 150 km a chegada de água no Rio Jaguaribe em relação ao eixo Norte do projeto original e, assim, reduz também as perdas por infiltração que ocorrem ao longo dessa extensão.

O projeto do Ramal do Salgado

O Trecho III é o Ramal do Salgado que será outra alternativa de entrega de água para o Ceará pelo rio Salgado. Ele é derivado do Trecho IV, o Ramal do Apodi, que é o Trecho que beneficiará a bacia hidrográfica do Apodi/Mossoró onde se situa o seu município. O Ramal do Apodi desenvolve-se próximo à divisa dos estados da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, partindo do reservatório Caiçara, componente do Trecho II do Eixo Norte, localizado no município de São José de Piranhas na Paraíba, e seguindo em direção ao Estado do Rio Grande do Norte.

As obras deste trecho têm uma extensão aproximada de 115,3 km até o ponto de entrega no Açude Público Angicos (em José da Penha-RN), já na bacia do rio Apodi, no Rio Grande do Norte. Sua função se concentra no atendimento da bacia do Rio Apodi, nas suas regiões do Alto, Médio e Baixo Apodi (microrregiões: Serra de São Miguel, Pau dos Ferros, Umarizal, Médio Oeste, Chapada do Apodi e Mossoró), além das demandas difusas distribuídas ao longo do traçado entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte.

O Trecho em questão teve alterações de projeto em relação ao Projeto Básico com mudança da vazão máxima de 20,0 m3/s em toda a sua extensão, para, no trecho inicial, até o km 30,2, transportar no máximo 40,0 m3/s. Desta forma, todas as obras concebidas no Projeto Básico para este trecho inicial do Trecho IV (26,6 km de comprimento) até a tomada de início do canal do Trecho III foram reprojetadas passando a comportar a vazão de 40,0m³/s. Neste ponto, são derivados 20 m3/s para o Trecho III (Ramal do Salgado) e o Ramal do Apodi segue com as dimensões originalmente projetadas para a condução da vazão máxima de 20 m3/s até o final de sua extensão, em seu deságue no Reservatório Angicos.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

Fábricas de cimento dão sinais de retomada econômica

Por Josivan Barbosa

As três fábricas de cimento que estão na Chapada do Apodi (Mossoró, Baraúna e Quixeré) estão vivendo um novo momento em termos de demanda do produto. Alguns produtos da cadeia de materiais de construção têm mostrado forte demanda no país nos últimos três a quatro meses. Aço longo, com destaque para vergalhões, é um exemplo.

Três indústria que produzem cimento estão incrustadas na Chapada do Apodi (Foto: Web)

Outro caso é o de cimento, cujo consumo vem, surpreendentemente, aquecido desde junho. Em setembro, as vendas tiveram aumento de 21,4% ao se comparar com o mesmo mês de 2019.

Dois vetores sustentam essa demanda firme: a autoconstrução, principalmente residencial, e as obras do setor imobiliário. No trimestre julho-setembro vivemos uma explosão de demanda de cimento, cujo início da recuperação se deu a partir de maio, em plena pandemia.

A continuidade da demanda depende de investimentos do Governo Federal em obras que estão paradas ou em novas obras de saneamento. É fundamental que os investimentos em saneamento e a retomada das obras de infraestrutura – que é um fator relevante para a indústria cimenteira – saiam do papel e entrem na esperada agenda de crescimento do país.

Casa Verde Amarela

Outro programa que precisa sair do papel e que pode ser muito importante para a indústria de cimento é o Casa Verde e Amarela. Este programa tem importância muito grande em cidades de porte médio como é o caso de Mossoró onde o déficit habitacional ainda é muito grande. Além de um ciclo consistente em lançamentos imobiliários, é preciso que o programa de habitação popular, Casa Verde Amarela, aconteça de fato. Nos lançamentos imobiliários, há previsão de crescimento de 20% a 30% ao longo deste semestre o que pode tornar a demanda por cimento sustentável nos próximos anos e que possa, inclusive, avançar na contratação de mão obra.

Construção civil

Impulsionado por obras residenciais, o setor de construção civil passou a operar no maior nível desde dezembro de 2017, superando o pré-pandemia. A construção civil sofreu o choque inicial das medidas de isolamento em março, quando recuou 4,6% frente a fevereiro, com ajuste. Em abril, no pior momento, o setor recuou 16,4%. Desde então, o setor cresceu 17,4% em maio, 7,8% em junho e mais 2,7% em julho.

Todos os dados acima são para o país como um todo, mas o município de Mossoró tem mostrado avanços mais significativos com novos empreendimentos e retomada de outros que estavam parados.

Um bom exemplo que justifica o comportamento do setor de construção civil é o comércio de material de construção que está entre os setores que conseguiram manter minimamente suas atividades durante o período de maior isolamento social.

Regularização imobiliária

Substituto do Minha Casa Minha Vida (MCMV) o programa Casa Verde Amarela foi encaminhado via medida provisória ao Congresso em agosto. Sem recursos para subsidiar imóveis à população carente nos moldes do MCMV, dá prioridade à regularização fundiária (para famílias com renda mensal de até R$ 5.000) e à melhoria habitacional (renda de até R$ 2.000). A meta é regularizar 2 milhões de moradias e promover melhorias em 400 mil até 2024. Segundo o IBGE, em 2019, o Brasil tinha 5,1 milhões de domicílios em aglomerados subnormais, isto é, ocupações irregulares, com carência de serviços públicos essenciais.

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, já sinalizou que não há espaço no orçamento do próximo ano para novas contratações no esquema da faixa 1 do MCMV, em que o governo arcava com até 90% do valor do imóvel para famílias com renda de até R$ 1.800/mês.

Com o avanço horizontal da expansão imobiliária irregular em regiões da cidade como o Santa Helena, Comunidade do Fio, Itapetinga e Forno Velho entre outras, o nosso município apresenta grandes desafios para a próxima gestão municipal no tocante a regularização desses imóveis.

Havan

Muitas pessoas têm nos perguntado se a Havan vem mesmo para Mossoró. Acreditamos que sim, mas a sua expansão no país sofreu um retrocesso na semana que passou. A busca da Havan por uma avaliação de mercado de pelo menos R$ 70 bilhões foi decisiva para que a varejista aceitasse a recomendação dos bancos coordenadores e resolvesse adiar seu IPO (venda inicial de ações).

A companhia decidiu suspender a oferta inicial de ações em meio ao aumento da volatilidade na bolsa nas últimas semanas, que praticamente enterrou as chances de a operação sair no preço desejado.

O controlador da Havan, Luciano Hang, que esteve recentemente em Mossoró, não estava disposto a ceder além desse patamar. Quando as conversas sobre o IPO começaram, a empresa tinha a ambição de estrear na B3 valendo R$ 100 bilhões.

Calendário eleitoral

Os parlamentares estão preocupados é com a eleição de seus principais cabos eleitorais, que são os prefeitos e os vereadores de suas regiões. Neste momento de grandes disputas políticas locais, o Ministério da Economia queria que o governo encaminhasse proposta ao Congresso primeiro acabando com o abono salarial aos trabalhadores que ganham até dois salários mínimos e com o seguro-defeso, concedido aos pescadores artesanais na época da desova dos peixes. Depois propuseram a suspensão, por dois anos, da correção dos valores dos benefícios previdenciários, o que resultaria em redução, em termos reais, das aposentadorias e pensões.

Tudo isso recebeu parecer negativo da liderança do Governo para ser discutido agora. Às vésperas de uma eleição, ou se apresenta propostas populares ou não se apresenta nenhuma. Há obviedades que parecem serem esquecidas, às vezes até mesmo por pessoas inteligentes e experientes. As medidas para o ajuste das contas públicas, que são duras, e para viabilizar o programa Renda Cidadã, que exigirão cortes em outras despesas, ficaram para ser discutidas após as eleições.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)

Estradas avançam e abrem caminho para salto na economia

Por Josivan Barbosa

Os assessores de Fátima Bezerra (PT) estão batendo cabeça e não atentam para a mudança de discurso da gestão. Está na hora de mostrar serviço e nada melhor do que aproveitar para inaugurar a primeira etapa da Estrada da Serra do Mel que liga a BR 110 ao Vale do Açu. A Estrada é de excelente padrão e já está no ponto de ser inaugurada.

Falta apenas o acabamento de uma pequena ponte antes do município de Carnaubais. As pessoas que usam a estrada têm verificado a facilidade de deslocamento de Mossoró para a região de Macau e municípios vizinhos. A nova estrada passou a ser uma via preferencial para o transporte de sal das salinas de Macau e região para as empresas de moagem que estão localizadas no Distrito Industrial de Mossoró e em outras regiões da cidade.

Estradas na região têm enorme importância (Foto: arquivo)

Estrada da Serra do Mel II

Uma segunda estrada dentro do município da Serra do Mel foi construída ligando a Vila Brasília à BR 110 (antes da comunidade de Casqueira). Ela precisa ainda ser concluída, mas como está aproveitando um trecho antigo de pavimentação feito pela Petrobrás, o acesso já funciona muito bem para quem deseja se deslocar da Serra do Mel para a região das praias de Morro Pintado, Upanema, Redonda, Cristovão e Ponta do Mel (Areia Branca).

Essa estrada facilita, também, o deslocamento da população de Areia Branca para o Vale do Açu. Nestas épocas de vacas magras, também, já poderia ser inaugurada, pois já está prestando um grande serviço à população da Serra do Mel e de Areia Branca.

Estrada da Serra do Mel III

Uma terceira estrada que liga a sede da Serra do Mel à BR 304, na altura dos assentamentos Quixaba, Cordão de Sombra I e II; também está muito perto de ser concluída. Falta menos de 10 km de pavimentação. Esta estrada tem importância fundamental para escoar a produção de caju da Serra do Mel para os estados vizinhos da Paraíba e Pernambuco. A via é uma reivindicação antiga dos moradores da Serra do Mel que remonta aos tempos da instalação do projeto original de reforma agrária nos anos 70. A estrada é plana, sem curvas e em poucos minutos o cidadão da Serra do Mel se desloca para a BR 304, umas das mais movimentadas do interior do Rio Grande do Norte.

Uma boa alternativa de renda com essa nova estrada pode ser a venda de castanha-de-caju e seus derivados às margens da BR 304, o que pode se transformar numa fonte de emprego e renda para a população local que explora a cultura do caju.

Estrada da Serra do Mel IV

A Estrada da Serra do Mel que liga a BR 110 à BR 406 facilitará o acesso ao Aeroporto de São Gonçalo e se tornará numa opção de escoamento da produção de frutas da região de Jandaíra e Afonso Bezerra para os portos do Ceará. Dependendo da frequência de navios e da época do ano, há necessidade do uso desses portos pelos exportadores de frutas.

Estrada do Arenito

A Bancada Estadual da Agricultura Familiar precisa defender a construção da Estrada do Arenito que liga a comunidade de Soledade em Apodi ao Distrito de Olho D`água da Bica em Tabuleiro do Norte – CE. O trecho do Rio Grande do Norte mede cerca de apenas 20 km. Já há uma articulação para que o Governo do Ceará construa a sua parte. A Estrada do Arenito representaria a principal via de acesso do Vale do Apodi, principal região produtora de frutos tropicais do Rio Grande do Norte, à BR 116 e, por consequência, aos Portos do Pecém e do Mucuripe.

Tanto a Bancada precisa se articular com o Governo do Estado quanto os produtores de frutas precisam mostrar a necessidade da estrada.

Estrada do Arenito II

A Estrada do Arenito servirá, também, para escoar a produção de água mineral e outras águas congêneres do Vale do Apodi para a região Jaguaribana, pois já há várias indústrias de água mineral instaladas nas proximidades dessa estrada.

Outra grande importância econômica da Estrada do Arenito é a facilidade para o transporte de polpa de caju concentrada da região de Apodi e Severiano Melo para as indústrias que estão localizadas no vizinho Ceará e que são os principais clientes dos produtores de caju. Apenas na região de Severiano Melo, a revitalização da cultura do caju já trouxe como resultado mais de 10 mil hectares da cultura em produção ou em fase de instalação.

Estrada do Arenito III

A Estrada do Arenito servirá, também, para escoar a futura produção do Perímetro de Agricultura Irrigada da Chapada do Apodi (PISCA), cujo projeto aguarda uma ação mais protagonista da Bancada Federal desde o ano de 2015. Os investimentos realizados na construção do projeto são volumosos e não se justifica tamanho prejuízo com os recursos públicos.

O projeto do PISCA poderia ser redirecionado para a produção de frutos agroecológicos com ênfase na produção orgânica, em função da grande aceitação desses produtos nos mercados externos da Europa, Estados Unidos e Ásia. Isto anularia o argumento de que o PISCA pode ser uma ameaça ao equilíbrio ambiental da Chapada do Apodi e regiões circunvizinhas.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Seminário discute potencial turístico em município

Acontece a partir das 9h desta sexta-feira (9), o Seminário de Turismo de Felipe Guerra, na Câmara de Vereadores desse município oestano.

Haverá discussão sobre o seu potencial turístico, com a presença de Ana Maria Costa, secretária de Turismo do RN, além da subsecretária Solange Portela, bem como autoridades locais – exemplo do prefeito Haroldo Ferreira.

Caverna do Crote, fotografada por Canindé Soares, é um dos espaços à espera de exploração sustentável em Felipe Guerra

Temas como “A importância do turismo ecológico”, “A inserção do Geoturismo no planejamento do projeto Rota das Cavernas”, “A estrada Pedra de Abelha e sua importância para o turismo na Chapada do Apodi” e “Potencial turístico de Felipe Guerra – cavernas, cachoeiras, olho d’água do Brejo, Castelo de Sinhá Zola e Cidade Baixa” estão na pauta do evento.

Nota do Blog – O turismo ecológico e o turismo de aventura são os grandes potenciais do município, que pode pensar em afinação com governo estadual para criação de um parque municipal voltado à exploração de suas dezenas de cavernas (espeleoturismo), por exemplo. O turismo tem a ver com gastronomia, estradas, condições mínimas para atração de turistas. Felipe Guerra fica a 77,3 quilômetros de Mossoró, em trajeto pela BR-405 em boas condições de pista.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

Prioridades do negócio rural de nossa região

Por Josivan Barbosa

O negócio rural brasileiro tem importância ímpar na geração de postos de trabalho. No fim de 2017, a população ocupada no agronegócio somava 18 milhões de pessoas, ou 19,6% de toda a força de trabalho ocupada no país.

O Semiárido Nordestino, região de atuação direta da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), apresenta excelente potencial para a produção de frutas tropicais e algumas microrregiões, a exemplo do Seridó (RN) e Sertão Central (Quixeramobim) são tradicionais na produção de leite e derivados. Há, também, no Semiárido Nordestino um crescimento da atividade da agricultura familiar, cujos produtos necessitam de avanços no tocante ao controle de qualidade.

O Semiárido Nordestino se destaca ainda na aquicultura (principalmente camarão e tilápia) e na atividade da caprinovinocultura e apicultura.

O Rio Grande do Norte participa das cadeias globais de valor de frutas e do Sistema Agroalimentar Mundial (SAM), destacando-se na exportação de frutas (melão, melancia, banana, manga e mamão, principalmente).

O Rio Grande do Norte integra através da Chapada do Apodi e do Vale do Açu o Polo de Agricultura Irrigada RN-CE, um dos principais polos de produção de frutas do Semiárido. O Estado desenvolve desde o início da década de 80 competência para conquistar a cada década novos mercados e ampliar a participação na balança comercial do país.

Uma análise da situação atual do desenvolvimento do negócio rural do RN e pensando no incremento da agricultura irrigada visando aos mercados externo e interno, recomenda-se como prioridades os seguintes projetos:

Construção de faixas de velocidade lenta ao longo da BR 304 para melhorar o fluxo de veículos pesados para os Portos de Natal, Mucuripe e Pecém e, como consequência, melhorar o fluxo de veículos pequenos.

Ligação da BR 304 a BR 406, com a construção de duas pontes (Macau e Areia Branca) facilitando o escoamento da produção da agricultura irrigada para o porto de Natal e, como consequência, facilitando o fluxo de turistas na Costa Branca.

Reinício do projeto de irrigação Santa Cruz do Apodi com o redirecionamento para um perímetro irrigado de agricultura sustentável (agricultura orgânica, agroecologia, agricultura sintrópica e similar).

Requalificação da área de lazer da Barragem de Santa Cruz visando melhorar o fluxo de turistas da região e, como consequência, atrair a população que trabalha no negócio rural da Chapada do Apodi.

Construção da Estrada do Arenito para beneficiar os produtores da microrregião da Chapada do Apodi (Apodi – Severiano Melo) e arredores, ligando os municípios de Severiano Melo e Apodi ao município de Tabuleiro do Norte (Olho Dágua da Bica), facilitando a ligação com a BR 116 e, consequentemente, com os portos cearenses (Mucuripe e Pecém).

Retomada da construção da Estrada do Melão para beneficiar os produtores das microrregiões da Maisa e de Baraúna, facilitando o escoamento da produção via BR 304 ou via RN 015 (Mossoró-Baraúna), e, como consequência, facilitar o escoamento da produção de derivados da indústria do calcário, já que na região há três fábricas de cimento e inúmeras fábricas de cal.

A estrada do melão terá também um grande benefício para atrair a população do Vale do Jaguaribe para as praias da Costa Branca do RN, notadamente Tibau, Grossos e Areia Branca.

Construção de uma via ligando a BR 110 a RN 117 a altura dos assentamentos Monte Alegre I e II para beneficiar o escoamento da produção das microrregiões de Caraúbas – Upanema – Governador Dix-Sept Rosado.

Instalação da infraestrutura para o funcionamento do Segunda Etapa do DIBA (Distrito Irrigado Baixo-Açu) para ser uma alternativa de expansão de área para os produtores da microrregião do Vale do Açu e região circunvizinha (Afonso Bezerra, Jandaíra, Parazinho e outros).

Requalificação do sistema de poços profundos dos assentamentos da região da grande MAISA como forma de beneficiar os produtores do assentamento mais populoso da nossa região.

Duplicação da RN 015 (Mossoró-Baraúna) facilitando o desenvolvimento da agricultura irrigada, da indústria do calcário e atração da população do Vale do Jaguaribe para o setor de comércio e serviços de Mossoró.

Requalificação da Estrada do Cajueiro, facilitando o acesso à Chapada do Apodi (Limoeiro do Norte e Tabuleiro do Norte).

Integração das águas da Barragem de Santa Cruz com a Lagoa do Apanha Peixe como forma de perenizar a mais tradicional lagoa da região do Apodi – Caraúbas e Felipe Guerra.

Ampliação da área livre de mosca-das-frutas beneficiando os produtores exportadores de frutas que estão produzindo nos municípios de Governador Dix-Sept Rosado, Caraúbas e Severiano Melo.

Construção da Estrada ligando o município de Upanema à BR 304 (Assu) como forma de facilitar o escoamento da produção de frutas de Upanema e Caraúbas pelo Porto de Natal.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

História da nossa agricultura irrigada

Por Josivan Barbosa

Muitos técnicos e muitas pessoas de outros setores produtivos nos perguntam quais as razões do sucesso da Agricultura Irrigada no Polo de Agricultura Irrigada RN-CE (Touros – RN a Limoeiro do Norte – CE).

Não conhecemos a história na íntegra, mas quando eu era aluno de Agronomia, no início dos anos 80, não havia, com exceção da Mossoró Agroindustrial S/A (MAISA) que cultivava caju, agroindústria de sucesso na fruticultura.

No Vale do Rio Açu as experiências com a fruticultura estavam apenas iniciando, pois a região tinha sérias limitações com água, o que melhorou a partir da construção da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves no anos 80. No Vale do Jaguaribe também não havia experiências de êxito ligadas à atividade de produção de frutas irrigadas.

Não queremos atribuir o sucesso unicamente aos esforços da então Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), hoje Universidade Federal do Semiárido (UFERSA), mas obrigatoriamente, esta instituição teve importância ímpar no processo.

História da nossa agricultura irrigada II

Em 1979 a Direção desta IFE conseguiu aprovar, juntamente com mais cinco universidades do Nordeste (UFC, UFPI, UFRPE e UFPB) um importante projeto de desenvolvimento tecnológico dentro do PDCT (Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Nordeste). A Esam, foi contemplada com recursos da ordem de 45 milhões de dólares por um período de cerca de seis anos.

Os recursos eram provenientes do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Governo Brasileiro, através do CNPq na proporção de 1:1. Foi o maior projeto da história dessa instituição de ensino superior. Os principais benefícios do projeto para o desenvolvimento da nossa IFE foram:

  • Contratação de 110 profissionais de nível médio e superior (laboratoristas, engenheiros agrônomos, trabalhadores de campo, motoristas, técnicos de informática e técnicos agrícolas)
  • Construção do Laboratório de Água e Solos
  • Construção da Biblioteca Central Orlando Teixeira
  • Aquisição de inúmeros equipamentos científicos de apoio à pesquisa
  • Ampliação do Laboratório de Sementes
  • Ampliação dos Laboratórios de Alimentos
  • Aquisição de inúmeros veículos de apoio à pesquisa
  • Instalação de módulos demonstrativos de irrigação nos municípios de Touros, João Câmara, Mossoró, Baraúna, Gov. Dix-Sept Rosado, Pau dos Ferros, São Miguel, Zé da Penha e Rafael Fernandes. Os módulos eram instalados em áreas particulares, após rígido trabalho de seleção dos beneficiados feito pelos pesquisadores.

História da nossa agricultura irrigada III

A instituição instalou experimentos de pesquisa em várias microrregiões do Estado. Cada módulo demonstrativo era composto de uma área irrigada (2 a 4 hectares de fruteiras – banana, mamão,  goiaba, graviola e maracujá), apicultura, sequeiro (capim buffel) e caprinos (10 matrizes e um reprodutor). Após três anos de instalação dos módulos, eram feitas avaliações. A área de sequeiro mostrou-se ineficiente. A única área de sequeiro que mostrou bom rendimento para o produtor foi o plantio de abacaxi na região de Touros. O abacaxi foi testado na área do Sr. José Joventino. Até hoje aquele produtor ainda cultiva o abacaxi com sucesso. Na região de Touros já havia uma experiência de um produtor oriundo da região de Sapé – PB.

Na época a região plantava apenas 180 hectares de abacaxi, bem diferente de hoje, cuja área, incluindo os municípios de Ielmo Marinho, Pureza e Touros, já se aproxima de 3000 hectares. Nas áreas de sequeiro com capim buffel e algaroba não houve registro de nenhum caso de sucesso. A apicultura foi regular e o destaque ficou por conta das áreas irrigadas, nas quais o produtor conseguia excelentes rendimentos. Um destes exemplos de sucesso foi o plantio de bananeira em consórcio com tomate. Uma das culturas que, também, mostrou excelente rendimento foi mamão formosa. A cultura que se mostrou mais rentável para o produtor foi a banana, seguida de goiaba, graviola, mamão e maracujá. O sistema de irrigação utilizado era o xique-xique (mangueira de polietileno com furos e vazão de 45 – 50 litros/hora).

História da nossa agricultura irrigada IV

O sucesso obtido nos experimentos da nossa universidade com a cultura do mamão, é, em parte, responsável pelo incremento no cultivo desta fruta nos últimos anos no Estado do RN e regiões circunvizinhas. Somente na região da Chapada do Apodi (Baraúna, Quixeré e Limoeiro do Norte), local onde havia um experimento montado pela universidade, já são cultivados, cerca de, 1600 hectares de mamão formosa. Um dos principais produtores do mamão nesta região é o engenheiro agrônomo formado pela nossa universidade e que na época era o técnico executor das pesquisas nos módulos instalados Wilson Galdino de Andrade.

Além disso, na região Agreste já se instalou, nos últimos cinco anos, três conceituadas empresas produtoras de mamão papaia (Caliman, Gaia e Batia) cuja produção de mamão é predominantemente exportada pelo Porto de Natal para a Europa e Estados Unidos. A agroindústria Caliman já está instalada, também, na região de Baraúna, com infra-estrutura para exportar mamão formosa para a Europa, com boas perspectivas de atingir o mercado americano em curto prazo. O mamão formosa produzido na região de Baraúna possui qualidade superior.

No caso da banana, os Agropólos Mossoró-Açu e Chapada do Apodi (Baraúna, Quixeré e Limoeiro do Norte) possuem uma área instalada acima de 5000 hectares, sendo que no Baixo-Açu predomina o cultivo de banana para o mercado externo (Mercosul e Europa) e na Chapada do Apodi o cultivo da banana é direcionado para o mercado interno. Somente numa agroindústria (Frutacor) instalada naquela  micro-região eram produzidos antes do período de seca 1200 hectares e mais 600 hectares oriundos de pequenos produtores agregados.

História da nossa agricultura irrigada V

As outras fruteiras (goiaba e maracujá), como demonstrado nas pesquisas feitas pela universidade, ainda não possuem significado econômico no Estado do Rio Grande do Norte. A agroindústria (Fazenda Frota) instalada em Quixeré na década passada cultivava uma pequena área com goiaba. A partir dessa experiência, outras empresas instalaram pomares de goiaba.  Esse fruto é muito tradicional na região de Petrolina, mas os pomares instalados naquela região têm sido dizimados por nematóides.

O maracujazeiro amarelo foi plantado em grande escala, no final da década de 80 pela MAISA, mas devido à alta incidência de pragas, principalmente fusariose, a empresa foi obrigada a erradicar a cultura. No Estado do Rio Grande do Norte o maracujá está sendo cultivado em pequena escala na região de Ceará Mirim e em algumas micro-regiões serranas. O maracujá consumido no Estado é oriundo do Espírito Santo e do Ceará (Serra de Tianguá).

Mais recentemente a empresa de capital externo (austríaco e italiano) Meri Pobo Agropecuária, instalada em Jaguaruana – CE, iniciou um audacioso projeto de cultivo de maracujá orgânico. A empresa tem como meta produzir 500 ha de maracujá no Polo de Agricultura Irrigada RN-CE.

A graviola ainda é pouco cultivada na região. Há poucos plantios na micro-região de Baraúna e Quixeré. O cultivo é direcionado para a produção de polpa para atender o mercado regional.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Fruticultura precisa de estrada para escoar produção

Por Josivan Barbosa

O prefeito de Apodi, Alan Silveira (MDB), prometeu apoio à chegada da Brazil Melon na região compreendida entre os municípios de Apodi e Severiano Melo. A empresa firmou uma parceria com a tradicional Fazenda Bela Fonte que está instalada em solos arenosos no entorno da Chapada do Apodi.

O município de Apodi precisa articular com o Governo do Estado a construção do trecho de estrada entre a comunidade de Soledade e a divisa com o CE. Essa via é conhecida como Estrada do Arenito.

Se o governo do RN fizer a sua parte, o Estado do Ceará, com certeza, fará o restante que compreende da divisa do RN até o Distrito de Olho D’água da Bica em Tabuleiro do Norte. A estrada contorna a Chapada do Apodi e passa pela região dos Campos (Campos Novos e Campos Velhos). A Estrada do Arenito beneficiará hoje cerca de 10 empresas de fruticultura que já estão instaladas na região e que precisam escoar a produção pela BR 116 via portos do Ceará (Pecém e Mucuripe).

Brazil Melon

A Empresa Brazil Melon nasceu no início da década passada após o fechamento da Maisa. O seu proprietário, engenheiro agrônomo Francisco Vieira, foi funcionário da MAISA e, a exemplo de outros profissionais do setor, instalou uma pequena empresa no Sítio Jardim (localizado na Estrada do Melão) e hoje a empresa expandiu-se para o Córrego Mossoró, Mata Fresca (Aracati), antigas áreas da Maisa e mais recentemente chegou à região de Apodi-Severiano Melo.

A Brazil Melon traça o mesmo caminho da Agrícola Famosa na busca por novas áreas com disponibilidade de água para a atividade de agricultura irrigada. A parceria com a Bela Fonte, tradicional fazenda da região com cerca de 800 hectares, representa uma boa perspectiva de ampliação da área irrigada. No entorno da Chapada do Apodi (localização da Bela Fonte) há água de boa qualidade do lençol freático Arenito-Açu à baixa profundidade, o que facilita muito a redução do custo da água. Naquela região do entorno da Chapada do Apodi, a água pode ser encontrada em vazão razoável, profundidade de até 300 m, muito diferente da região original da Brazil Melon que pode chegar a 900 m.

São Francisco

O Ministério da Integração Nacional estuda a possibilidade de instalar usinas de geração de energia solar para realizar o bombeio da água no projeto de transposição do rio São Francisco. A tecnologia permitirá a redução de gastos com energia, que respondem por cerca de 80% do custo operacional previsto da transposição, da ordem de R$ 40 milhões por mês.

O canal de integração do São Francisco tem disponível uma faixa de servidão de 200 metros ao longo dos 417 de extensão. A ideia é utilizar esse espaço para a implantação dos parques de energia solar.

Gastos públicos

Gastos públicos em educação, saúde, transporte, saneamento, segurança, etc. podem ser mais eficientes. Tomemos o caso da educação. Gastos mais eficientes em educação significam alunos egressos do sistema com mais conhecimentos e habilidades, a um custo por aluno mais baixo. Como chegar a este resultado?

Estudos de desempenho escolar, mostram ser o resultado de múltiplos fatores. Alguns estão sob o controle do sistema escolar: qualidade e motivação dos professores, qualidade do material didático, currículos, abordagens educacionais.

Mas outras são independentes do sistema escolar: atributos socioeconômicos dos alunos, nível de educação dos pais, renda das famílias, educação pré-escolar, saúde das crianças, interesse dos pais na educação dos filhos, qualidade da alimentação no lar, salubridade das moradias. É um sistema complexo cuja eficiência pode aumentar com medidas bem direcionadas, bem estruturadas (integrando ações de várias secretarias tanto dentro da escola como no meio social dos alunos) e o esforço é contínuo.

Planos de saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) definiu em 10% o limite máximo para os reajustes dos planos individuais e familiares para os próximos 12 meses. Há a possibilidade de que as operadoras apliquem os novos valores de forma retroativa, já que o reajuste autorizado do ano passado – de até 13,55% – era válido até maio deste ano.

Assim que for anunciado, o aumento poderá ser aplicado a todos os planos individuais e familiares contratados a partir de janeiro de 1999. Esses planos representam perto de 20% do mercado de saúde suplementar, algo em torno de 9 milhões de usuários.

Para os planos coletivos ou empresariais, a atualização dos preços é feita livremente, em negociação direta com as operadoras, sem intermediação da ANS.

Ciro

O candidato a presidente Ciro Gomes (PDT) tenta acordo com o DEM para ampliar as suas alianças rumo ao segundo turno. As conversas com o PDT sobre um possível apoio à candidatura presidencial de Ciro Gomes são criticadas por líderes do DEM nos bastidores, dadas as diferenças ideológicas. Três dos principais candidatos da sigla, contudo, podem repetir essa coligação nos Estados, composições que seriam facilitadas por um acordo nacional. No Rio Grande do Norte, o governadorável Carlos Eduardo Alves (PDT), tende a receber apoio do DEM do senador José Agripino Maia.

Carlos Eduardo e Ciro podem ter apoio do DEM (Foto: arquivo)

Em Goiás, o senador Ronaldo Caiado (DEM), que lidera em todas as pesquisas, convidou a deputada Flávia Morais (PDT) para vice. A pedetista disse que o partido quer montar um palanque forte para Ciro no Estado e uma eventual composição nacional facilitaria a aliança local.

No Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) mantem boa relação: deu ao PDT a vaga de vice do candidato à sua sucessão há dois anos e busca o partido para concorrer ao governo.

No Ceará, terra de Ciro, o prefeito de Fortaleza é do PDT e o vice, do DEM. Ambos negociam uma ampla aliança em torno do governador Camilo Santana (PT), aliado da família Gomes.

Tempo de TV

A relação entre as alianças prováveis e a soma do tempo de propaganda gratuita na TV de cada candidato mostra como estão longe da realidade concreta essas conversas exploratórias. Hoje as alianças são feitas buscando ampliar o tempo de tv no qual Geraldo Alckmin (PSDB) está em primeiro lugar, com 5min (aliado ao PSD, DEM, PTB, SD, PRB, PP, PSC).

Em segundo vem Fernando Haddad (PT), com 1min40s, em voo solo.

Em terceiro, Ciro Gomes (PDT), com 1min30s (aliado ao PSB e PCdoB).

Em quarto Jair Bolsonaro (PSL) com 9s em voo solo.

Em quinto Marina Silva (Rede), com 8s também em voo solo.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

A cadeia produtiva do calcário na Chapada do Apodi

Por Josivan Barbosa

A Chapada do Apodi pelo lado cearense localiza-se na porção leste do Estado do Ceará, na fronteira com o Rio Grande do Norte. Os municípios cearenses que possuem áreas de destaque na Chapada do Apodi são: Tabuleiro do Norte, Limoeiro do Norte, Quixeré, Russas e Jaguaruana.

A Chapada do Apodi pelo lado do Rio Grande do Norte apresenta muitos municípios com áreas de destaque, dentre eles: Assu, Mossoró, Upanema, Caraúbas, Felipe Guerra, Apodi, Governador Dix-Sept Rosado e Baraúna. Estes municípios estão situados entre dois grandes vales: o Vale do Rio Açu no Rio Grande do Norte e o Vale do Rio Jaguaribe no Ceará.

Entre estes dois grandes vales situa-se o Vale do Rio Apodi-Mossoró. Estas duas porções de municípios, apesar de, geograficamente, pertencerem a duas unidades da Federação, do ponto de vista econômico apresentam muitas similaridades.

Uma das riquezas econômicas da Chapada do Apodi é a presença do calcário. A indústria do calcário na Chapada do Apodi é um grande consumidor de matérias-primas minerais. Seus diferentes segmentos consomem uma diversidade de substâncias minerais in natura ou beneficiadas, cuja variedade empregada depende dos tipos de produtos e da localização da unidade fabril.

Neste setor verifica-se a convivência de diferentes tipos de estabelecimentos, com características distintas quanto aos níveis de produção, consumo de energia, qualidade dos produtos, índices de produtividade e grau de mecanização.

Dentre os municípios da Chapada do Apodi, Baraúna apresenta hoje a localização mais privilegiada em relação à geração de emprego e renda na indústria do calcário. Além de possuir a mina de calcário da Fábrica de Cimento Mizu (Cimento Mizu), o município de Baraúna encontra-se muito próximo (cerca de 20 km) da Fábrica de Cimento Itapetinga (Cimento Nassau) instalada há quase 40 anos em Mossoró e vizinho à fábrica de Cimento Apodi em processo de instalação no município de Quixeré.

Há, também, previsão de que a Fábrica de Cimento Mizu instale no município de Baraúna uma grande fábrica de argamassa com capacidade para atender à região. A indústria de cal ICAL é outra grande empresa que encontra-se em processo de instalação no município de Baraúna, cujos equipamentos foram importados da China.

A meta é produzir 1200 toneladas de cal diária, utilizando dois fornos com capacidade de estocagem de 5600 toneladas em 14 silos.

A previsão é que a indústria de cal ICAL gere 180 postos de trabalho direto e 800 indiretos.

Outra grande empresa da indústria do calcário que está sendo instalada no município de Baraúna é a Cal Norte e Nordeste (CNN).

Outro fator importante que justifica a situação favorável do município de Baraúna em relação aos postos de trabalho na indústria do calcário é a sua proximidade com várias outras empresas de porte médio já instaladas na Chapada do Apodi ou em processo de instalação, tais como a Okyta Mineração e a Mineração Santa Maria (Quixeré), Calcário do Brasil e Carbomil (Limoeiro do Norte) e Mineração Miliane (Jaguaruana).

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA)

* A convite do Blog, o professor Josivan foi provocado a escrever sobre perspectivas econômicas para a região de Mossoró e Rio Grande do Norte, fomentando debate e apontando caminhos reais para crescimento econômico e desenvolvimento humano.

Outros estudiosos e conhecedores do tema, gente interessada numa discussão elevada, têm igual espaço.

O Blog é um fórum de debates permanentes, em defesa da livre iniciativa, da liberdade de expressão e de um Estado menos perdulário e mais eficiente no atendimento às reais demandas sociais.

Bispos se mobilizam contra desapropriação no Apodi

Os Bispos do Rio Grande do Norte – Dom Matias Patrício de Macêdo, Arcebispo de Natal; Dom Mariano Manzana, Bispo da Diocese de Mossoró; Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz, Bispo de Caicó; e Dom Heitor de Araújo Sales, Arcebispo Emérito de Natal – emitiram uma nota oficial.

Eles manifestam preocupação com projeto de irrigação do DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra a Seca – na  Chapada do Apodi, projeto esse em que consta a desapropriação de mais de 13 mil hectares de terras, ocupadas atualmente por pequenos proprietários que desenvolvem a Agroecologia e da Agricultura Familiar.

Na nota, os Bispos afirmam:

“Neste momento, como pastores do Povo de Deus, que está sob o nosso cuidado pastoral, somos chamados a ser solidários aos agricultores/as familiares da Chapada do Apodi e a sensibilizar o Governo Federal para REVOGAR o Decreto Nº 0-001 de 10 de Junho de 2011 e abrir diálogo na construção de novo projeto com os recursos já disponibilizados no PAC, que seja capaz de integrar a Chapada e Vale do Apodi visando fortalecer a agricultura familiar camponesa de base agroecologica, incluindo todos os assentamentos que estão nesta região”.