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O babaca era eu

Por Cid Augusto

Arte ilustrativa com recurso de Inteligência Artificial
Arte ilustrativa com recurso de Inteligência Artificial

Pedalei durante anos, até ser vítima de um assalto na Duodécimo Rosado, à época já uma das ruas mais movimentadas de Mossoró. Depois, ao superar o trauma, caí na Amaro Duarte. Estabaquei-me no chão feito jaca madura. Recentemente, por ordem da minha junta médica – ortopedista, endocrinologista, cardiologista e psiquiatra – matriculei-me na musculação e ressuscitei a bicicleta.

Um dos poucos exercícios físicos com os quais me identifico é o pedal e, mesmo assim, nem tanto. Minha vocação de “mermo-mermo” é o sedentarismo. Sou sedentário convicto e militante desde a infância. Se dependesse de mim, passaria o dia lendo e escrevendo. Aliás, embora cumprindo a obrigação de paciente bem-comportado, ainda não estou convencido da real necessidade de tanto esforço corporal.

No primeiro dia do recomeço, a bike me conduziu por 10 quilômetros. No segundo, cravei 13 em 50 minutos – e aqui não vai qualquer mensagem subliminar como o disco da Xuxa tocado de trás para frente ou a suposta guinada comunista das Havaianas. Poderia ter feito percurso maior, mas preferi não forçar a barra. Lembrei-me de Trupizupe interpretado por Nonato Santos: “Devagar com a ligeireza, que a vagareza se cansa”.

Fiz as duas últimas rotas em vias de Capim Macio e de Ponta Negra, a primeira em um início de noite e a segunda hoje de madrugada. Natal tem ótimas ciclovias, embora várias delas não me tranquilizem nem um pouco, por congregarem, no mesmo espaço, as faixas de ônibus e de bicicletas. O ciclista se sente o próprio Capitão Ahab desafiando uma Moby Dick a cada cinco minutos, no oceano de carros.

Desculpa se a comparação parece antiecológica. Reconheço que as baleias são criaturas inocentes. Elas não criam problemas, a não ser quando provocadas, diferentemente dos ônibus enfurecidos e dos carros e motos inconsequentes, que invadem a “ciclo-bus-faixa” e ultrapassam quase se esfregando em nós, para evidenciar a relação de poder desigual entre o Senhor Volante e o Senhor Pedalante.

“Ok”, “ok”, “ok”, tomo por empréstimo a expressão do grande Afonso Lemos para anunciar que devo testar áreas menos caóticas nos próximos dias. A Via Costeira – entre Ponta Negra e a Ponta do Morcego – parece segura quanto ao risco de atropelamento. Há também a Rota do Sol. Posso ir ao Pium e voltar sem maior sacrifício, suponho. Só temo o vento. Na hora em que esse camarada se lança com as quatro patas nos peitos de um indigitado, parece até que as catracas estão engatadas em marcha a ré.

Qualquer coisa, se eu não aguentar o tranco, peço a Clarisse Tavares que me resgate na estrada, circunstância previsível que me lembra certa viagem que tentei fazer, com um grupo de ciclistas turbinados, de Mossoró a Assú, em Noite de Lua Nova, na contramão da ventania. Antes da metade do caminho, arreguei e pedi ajuda ao repórter fotográfico Luciano Lellys, que logo saiu em meu socorro no Fiat Uno do jornal O Mossoroense.

Para não ficar esperando na BR-304 – passava das 21h e eu ainda estava assustado com o assalto –, continuei pedalando na expectativa de alcançar Zé da Volta. De repente, vi Luciano passar, lépido e fagueiro. Gritei, gesticulei… e nada. Chegando ao posto, a cerca de 40 quilômetros de distância de Mossoró e 30 de Assú, consegui um telefone emprestado e liguei para Lellys, que há tempos acompanhava o comboio do qual eu me separara por falta de preparo físico e de velocidade.

Meu amigo voltou, ajudou-me a arrumar, no bagageiro do carro, a bicicleta que depois vendi a Gilson Cardoso. Arriamos o banco traseiro do Uno e tiramos o pneu dianteiro da bike para caber. Na volta, já na zona urbana, perguntei se o socorrista, ao passar, não havia me visto no acostamento. E ele respondeu: “Não! Eu vi um babaca quase morrendo, pedalando sozinho, e fui embora”. Pois bem, o babaca era eu.

Cid Augusto é jornalista, advogado, professor, poeta e escritor

Ciclista escapa de atropelamento em pista reservada ao esporte

Do Blog Carol Ribeiro

Um homem foi preso por embriaguez na manhã desta sexta-feira (8) na Avenida João da Escóssia, em Mossoró. De acordo com a Polícia, o motorista trafegava em um carro pela faixa exclusiva para pedestres e ciclistas. Um ciclista quase foi atropelado.

O caso aconteceu por volta das 5 horas da manhã e a Guarda Municipal estava no local fazendo a segurança das pessoas que praticavam esporte quando identificaram o homem dirigindo na faixa. “Ao virmos essa situação, fizemos uma abordagem e percebemos que ele havia ingerido bebida alcoólica. Fizemos um teste de alcoolemia que deu positivo, o que configurou crime”, explicou o inspetor Oliveira, agente da Guarda Municipal.

A faixa fica interditada para a circulação de carros e motos a partir das 5 horas da manhã e segue fechada até às 6h30. Durante esse período, parte da Avenida fica disponível para a prática esportiva na cidade.

O homem foi conduzido a Delegacia de Plantão, pagou fiança e deverá responder em liberdade. De acordo com os agentes de trânsito, o ciclista não sofreu nenhuma lesão, não registrou Boletim de Ocorrência e continuou a circular na via.

Nota do BCS – A ocupação de uma faixa nesse horário é muito interessante, sendo um ganho social e esportivo, além de importante à saúde de dezenas e centenas de praticantes de caminhadas, corridas e ciclismo. Não se pode transigir com a estupidez. Reforcemos cuidados e recrudesçamos vigilância. O êxito desse espaço, inclusive, deve estimular que outros sejam habilitados com mesmas normas de segurança, em outras partes da cidade.

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