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Lula exonera ministro denunciado por assédio sexual

Almeida é um dos intelectuais mais festejados do país nos últimos anos (Foto: Brazão/Agência Brasil)
Almeida é um dos intelectuais mais festejados do país nos últimos anos (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu na noite desta sexta-feira (6) exonerar o ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, depois das denúncias de assédio sexual. 

“O presidente considera insustentável a manutenção do ministro no cargo considerando a natureza das acusações de assédio sexual”, informou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em nota.

A Polícia Federal abriu investigação sobre o caso. A Comissão de Ética Pública da Presidência da República também abriu procedimento preliminar para esclarecer os fatos.

“O governo federal reitera seu compromisso com os direitos humanos e reafirma que nenhuma forma de violência contra as mulheres será tolerada”, completou a nota.

Silvio Almeida estava à frente do ministério desde o início de janeiro de 2023. Advogado e professor universitário, ele se projetou como um dos mais importantes intelectuais brasileiros da atualidade ao publicar artigos e livros sobre direito, filosofia, economia política e, principalmente, relações raciais.

Seu livro Racismo Estrutural (2019) foi um dos dez mais vendidos em 2020 e muitos o consideram uma obra imprescindível para se compreender a forma como o racismo está instituído na estrutura social, política e econômica brasileira. Um dos fundadores do Instituto Luiz Gama, Almeida também foi relator, em 2021, da comissão de juristas que a Câmara dos Deputados criou para propor o aperfeiçoamento da legislação de combate ao racismo institucional.

Acusações

As denúncias contra o ministro Silvio Almeida foram tornadas públicas pelo portal de notícias Metrópoles na tarde de quinta-feira (5) e posteriormente confirmadas pela organização Me Too. Sem revelar nomes ou outros detalhes, a entidade afirma que atendeu a mulheres que asseguram ter sido assediadas sexualmente por Almeida.

“Como ocorre frequentemente em casos de violência sexual envolvendo agressores em posições de poder, essas vítimas enfrentam dificuldades em obter apoio institucional para validação de suas denúncias. Diante disso, autorizaram a confirmação do caso para a imprensa”, explicou a Me Too, em nota.

Segundo o site Metrópoles, entre as supostas vítimas de Almeida estaria a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que ainda não se pronunciou publicamente sobre o assunto.

Horas após as denúncias virem a público, Almeida foi chamado a prestar esclarecimentos ao controlador-geral da União, Vinícius Carvalho, e ao advogado-geral da União, Jorge Messias. A Comissão de Ética da Presidência da República decidiu abrir procedimento para apurar as denúncias. A Secretaria de Comunicação Social (Secom) informou, em nota, que “o governo federal reconhece a gravidade das denúncias” e que o caso está sendo tratado com o rigor e a celeridade que situações que envolvem possíveis violências contra as mulheres exigem”. A Polícia Federal (PF) informou hoje que vai investigar as denúncias.

Em nota divulgada pela manhã, o Ministério das Mulheres classificou como “graves” as denúncias contra o ministro e manifestou solidariedade a todas as mulheres “que diariamente quebram silêncios e denunciam situações de assédio e violência”. A pasta ainda reafirmou que nenhuma violência contra a mulher deve ser tolerada e destacou que toda denúncia desta natureza precisa ser investigada, “dando devido crédito à palavra das vítimas”.

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Pouco depois, a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, publicou em sua conta pessoal no Instagram uma foto sua de mãos dadas com Anielle Franco. “Minha solidariedade e apoio a você, minha amiga e colega de Esplanada, neste momento difícil”, escreveu Cida na publicação.

Com informações da Agência Brasil.

Nota do Blog – Se tudo se confirmar, lamentável. Sílvio Almeida é uma referência nacional e internacional na discussão de temas relevantes como racismo. Um intelectual sempre muito equilibrado e de enorme conteúdo. Mas, por favor, por favor, não me venha com discussão paralela e menor sobre baixa no duelo babaquara direita x esquerda. A questão está muito acima dessa idiotia coletiva, que confronta manadas repetidoras de discursos emitidos por seus amos e multiplicadores.

A “novidade” de Isolda Dantas com um ano de atraso

Do Blog William Robson

Fátima, ministra Cida Gonçalves e Isolda, em Natal: outro embaraço que podia ser evitado (Foto: Reprodução)
Fátima, ministra Cida Gonçalves e Isolda, em Natal: outro embaraço que podia ser evitado (Foto: Reprodução)

A deputada estadual Isolda Dantas (PT) foi recepcionar a ministra da Mulher, Aparecida Gonçalves, a Cida Gonçalves, em Natal, esta semana, e anunciou uma novidade. “No mês passado dialogamos diretamente com a ministra em Brasília para garantir esse equipamento tão importante na nossa cidade e agora, no nosso RN, ela confirmou: teremos Casa da Mulher Brasileira em Mossoró e Natal”, disse a parlamentar em suas redes sociais.

Uma obra importante, não fosse um detalhe: o equipamento já fora anunciado há quase dois anos e as obras iniciadas há mais de um.

Apaga, apaga…

Diante disso, uma avalanche de comentários se sucedeu em sua postagem, lembrando que a obra já existe, mas todas as manifestações neste sentido foram devidamente apagadas. Somente as reações positivas foram mantidas.

Com mais de 60% da edificação encaminhada, segundo informou a Secretaria de Infra-estrutura da Prefeitura de Mossoró, ela está localizada nas proximidades do Centro Especializado de Reabilitação, Estrada da Raiz (Santo Antônio). Mossoró foi a primeira cidade do interior do Nordeste a receber a Casa da Mulher Brasileira, a partir de uma parceria entre a gestão municipal e o Governo Federal, por meio do então Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, cuja titular era a ex-ministra Damares Alves, que esteve em Mossoró na ocasião.

O investimento na obra foi orçado em aproximadamente R$ 1,4 milhão.

O Governo do Estado tem ciência desta informação. Representando a governadora Fátima Bezerra, a secretária das Mulheres Juventude e Igualdade Racial, Júlia Arruda, recém empossada, esteve presente na solenidade. Somente a deputada Isolda não sabia desta informação.

Em 13 de agosto de 2021 houve lançamento da pedra fundamental da obra, mas Isolda não lembrava (Foto: Allan Phablo/Arquivo)
Em 13 de agosto de 2021 houve lançamento da pedra fundamental da obra, mas Isolda não lembrava (Foto: Allan Phablo/Arquivo)

Quando Isolda anunciou a “novidade” na última quarta-feira (3), de que Mossoró ganharia uma Casa da Mulher Brasileira, a sua pedra fundamental já havia sido lançada em 13 de agosto de 2021 (veja AQUI). O Governo estava lá representado, corroborando com o momento. As obras iniciaram em 24 de junho de 2022 pela empresa Copagel Empreendimentos Ltda e com financiamento da Caixa.

Isolda tentou, pela segunda, ser protagonista sem combinar com o Governo. Em caso anterior, anunciou forças nacionais para Mossoró, durante os atos violentos de março, quando a estratégia da Secretaria de Segurança Pública já previa contingente para a cidade.

Ao relatar o encontro com a ministra, Isolda deveria ter levado informações sobre o andamento das obras já patrocinadas pelo Governo Federal e solicitar meios e recursos para acelerar o funcionamento do empreendimento. Até porque a deputada acredita na importância deste núcleo.

Projeto importante

Quando estiver em funcionamento, serão oferecidos serviços de atendimento às mulheres em situação de violência, dentre eles, acolhimento e triagem, apoio psicossocial, delegacia especializada, Promotoria de Justiça especializada, Núcleo Especializado da Defensoria Pública, Juizado de Violência Doméstica, alojamento de passagem, brinquedoteca, central de transporte e ações de autonomia econômica.

Obra está 60% construída e deputada poderia ter pedido meios para acelerar trabalho (Foto: Blog William Robson)
Obra está 60% construída e deputada poderia ter pedido meios para acelerar trabalho (Foto: Blog William Robson)

“No espaço, as mulheres também são incentivadas a participar de cursos para alcançar a autonomia financeira, uma ferramenta de apoio para dar independência econômica às vítimas, já que muitas dependem financeiramente do agressor”, informou comunicado do Ministério das Mulheres no período do lançamento da pedra fundamental.

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