O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) liberou um áudio que mostra diálogo entre os vereadores caicoenses Zaqueu Fernandes (PHS) e Raimundo Inácio Filho (MDB), o “Lobão”. A conversa entre ambos mostra tentativa de corrupção com uso de dinheiro e cargos públicos.
O pedido de prisão preventiva ajuizado pelo MPRN, que resultou na “Operação Tubérculo, deflagrada na terça-feira (14), mostra que Zaqueu tinha sido procurado por Lobão para que votasse a favor do prefeito Robson Araújo (PSDB), o “Batata”, na Comissão Especial de Inquérito (CEI) instalada para apurar supostas irregularidades no uso da Contribuição para Custeio dos Serviços de Iluminação Pública (Cosip).
Zaqueu gravou a conversa e entregou ao Ministério Público.
Propina e cargos
No diálogo, Lobão oferece a Zaqueu o valor de R$ 30 mil e até cinco cargos na administração municipal. A oferta é realizada em nome do prefeito. Confira aqui.
A operação do MPRN prendeu nesta terça-feira (14) o prefeito de Caicó, Lobão e ainda um lobista suspeitos. Todos são investigados por corrupção ativa e passiva, associação criminosa, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e dispensa indevida de licitação.
A Operação Tubérculo cumpriu três mandados de prisão, e outros seis mandados de busca e apreensão na cidade seridoense e em Natal.
Além de presos preventivamente, o prefeito Robson de Araújo e o vereador Raimundo Inácio Filho foram afastados dos cargos.
O lobista Edvaldo Pessoa de Farias teve prisão temporária decretada. Servidor fantasma na Assembleia Legislativa (veja AQUI), ele foi exonerado após divulgação do Blog Carlos Santos (veja AQUI).
Na manhã desta quarta-feira (15), a Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) em Natal recebeu três vereadores de Caicó. Eles solicitaram proteção pessoal. Estão temerosos por sua integridade física.
Zaqueu Fernandes Gomes (PHS), Rosângela Maria da Silva (PR) e Frankslâneo Diogo da Silva (PP) fizeram o pedido diretamente ao procurador-geral de Justiça, Eudo Rodrigues Leite, que atendeu aos três.
Zaqueu Fernandes Gomes (PHS), Rosângela Maria da Silva (PR) e Frankslâneo Diogo da Silva (PP) têm medo (Foto: CMC)
A partir de agora, será disponibilizada escolta armada para garantir a segurança dos parlamentares.
O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do MPRN está tomando as providências para efetivação da escolta.
Anteriormente, eles prestaram depoimentos ao Ministério Público do RN (MPRN) que consubstanciaram a “Operação Tubérculo”. Ontem, vieram à tona os desdobramentos em Caicó e Natal.
Denúncia de corrupção na gestão do prefeito Robson Araújo (PSDB), o “Batata”, gerou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal de Caicó. O objetivo da CEI foi apurar distorções na Contribuição para Custeio dos Serviços de Iluminação Pública (COSIP) e eventuais casos de corrupção.
Aguarde a próxima postagem com gravações reveladoras.
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A Operação Tubérculo (veja AQUI) deflagrada nesta terça-feira (14) pelo Ministério Público do RN (MPRN), com prisão de dois políticos caicoenses e um lobista, também investiga o cometimento de crimes de corrupção ativa e passiva na Câmara Municipal de Caicó. Novamente aparecem em cena o prefeito caicoense Robson Araújo (PSDB), o “Batata”, e o vereador Raimundo Inácio Filho (MDB), o “Lobão”.
Vereadores produziram relatório da CEI que investiga prefeito caicoense "Batata" (Foto: 19 de janeiro deste ano, CMC)
Após a deflagração da Operação Blackout pelo MPRN, a Câmara Municipal instaurou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar a responsabilidade de todas as gestões públicas municipais desde a criação da Contribuição para Custeio dos Serviços de Iluminação Pública (COSIP).
Em depoimento, alguns vereadores caicoenses afirmaram ao MPRN que Robson Batata ofereceu o pagamento de R$ 3 mil mensais e ainda cinco cargos na gestão municipal para que votassem a favor dele na CEI.
Propina
Em fevereiro deste ano, a Câmara Municipal recebeu uma denúncia popular que pede a cassação de Robson Batata da Prefeitura.
Agindo a mando de Robson Batata, o vereador Lobão Filho procurou colegas na Câmara e ofereceu R$ 30 mil e cargos na gestão para que votassem contra a cassação do prefeito. Alguns vereadores, em depoimento ao MPRN, confirmam que foram contatados por Lobão Filho e que ele propôs as vantagens indevidas em troca do voto.
Um dos vereadores procurados chegou a gravar conversa em que Lobão lhe faz a proposta de compra de voto por R$ 30 mil e cargos na Prefeitura.
O processo de cassação de Robson Batata na Câmara está suspenso por decisão liminar, mas já se encontra instaurado a partir dos votos de 10 dos 15 membros da Casa Legislativa.
Uma operação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) prendeu nesta terça-feira (14) o prefeito de Caicó, um vereador da cidade e ainda um lobista suspeitos de corrupção ativa e passiva, associação criminosa, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e dispensa indevida de licitação.
"Lobão" e "Batata": problemas (Foto: Web)
A Operação Tubérculo cumpriu três mandados de prisão, e outros seis mandados de busca e apreensão na cidade seridoense e em Natal.
Além de presos preventivamente, o prefeito Robson de Araújo (PSDB), o “Batata”, e o vereador Raimundo Inácio Filho (MDB), o “Lobão”, foram afastados dos cargos.
O lobista Edvaldo Pessoa de Farias teve prisão temporária decretada.
A Operação Tubérculo (referência à batata) é desdobramento das operações Cidade Luz, deflagrada em julho de 2017 e que desvendou um esquema criminoso instalado na Secretaria Municipal de Serviços Urbanos de Natal através da constituição de cartel, entre empresas pernambucanas que prestavam serviços de iluminação pública na cidade; e Blackout, realizada em agosto do mesmo ano e que apurou superfaturamento e pagamento de propina para manutenção do contrato de iluminação pública em Caicó.
Ao todo, 12 promotores de Justiça, 22 servidores do MPRN e 28 policiais militares participaram da operação Tubérculo.
Os gabinetes do prefeito e do vereador foram alvos dos mandados de busca e apreensão. Pelo que foi apurado pelo MPRN, o envolvimento de Robson de Araújo com o esquema fraudulento começou antes mesmo de ser empossado prefeito de Caicó, ainda em novembro de 2016.
Operação Cidade Luz
A investigação sobre a participação do prefeito foi iniciada após os empresários Allan Emannuel Ferreira da Rocha e Felipe Gonçalves de Castro, presos na Operação Cidade Luz, firmarem termo de colaboração premiada com o MPRN. Allan Emannuel e Felipe Gonçalves admitiram e apresentaram provas que negociaram com Robson Batata a continuidade da prestação dos serviços de manutenção da iluminação pública mediante pagamento de propina.
Eles batizaram de “lâmpada” cada pagamento de R$ 1 mil que era efetuado.
Segundo decodifica o MP do RN, o padrão monetário de Batata não é o Real, mas a "Lâmpada" (Reprodução)
Os empresários apresentaram provas que mostram que foi estabelecido até mesmo um cronograma para o repasse da propina. Os empresários, a mando de Robson Batata, também negociaram com o lobista Edvaldo Pessoa de Farias.
Pelo “serviço”, Edvaldo recebia uma “mesada” de R$ 3 mil dos empresários. Para o MPRN, há indícios de que o prefeito Robson Batata recebeu aproximadamente 70 “lâmpadas” pela manutenção de contratos para execução de serviços de iluminação pública com as empresas Real Energy Ltda e Enertec Construções e Serviços Ltda.
Prisões “necessárias
Na decisão pelas prisões preventivas de Robson Batata e Lobão Filho, o desembargador Gilson Barbosa frisa que elas são necessárias por causa do “risco considerável de reiteração de ações delituosas por parte dos investigados”.
Operação Tubérculo começou cedo e cumpriu determinações judiciais até na Prefeitura de Caicó (foto) e outras cidades
Ele entendeu ainda que “caso permaneçam em liberdade, Robson de Araújo e Raimundo Inácio Filho, por se encontrarem nos cargos eletivos, tendo acesso às repartições públicas e em contato com outras pessoas envolvidas, continuarão a delinquir, no intuito de permanecer com os favorecimentos pessoais e na tentativa de obstar a cassação do prefeito”.
Por fim, o desembargador destacou que é “importante não olvidar que podem os detentores dos cargos tentar escamotear as provas dos possíveis ilícitos, com a destruição de documentos, apagando conversas em aparelhos celulares e e-mails, cooptando outras pessoas etc”.
Para decretar a prisão temporária de Edvaldo Farias, o desembargador ressalta que ele agia com o objetivo de cumprir as ordens do prefeito de Caicó, “bem como se locupletar do dinheiro público”.