Preciso pesquisar melhor, mas está difícil de encontrar um início de governo mais conturbado e sem rumo como o de Rosalba Ciarlini (DEM).
A crise, que seria financeira, virou descalabro administrativo e agora é também política.
O governo parecia refém do próprio vice, Robinson Faria (PSD). Partiu para o ataque e o esmigalhou com uma série de ações.
Agora, irritado, Robinson reage e ganha vida nova, mesmo que ainda sem um rumo muito claro.
Porém, não se engane: o governo continua à deriva e ainda mais dependente de outras forças. Está em vias de ser ocupado por novos aliados, que podem vir do PMDB e do PR.
Livrar-se de Robinson não tornou o governo mais leve.
Uma sexta-feira que bem poderia ser “13” para Rosalba & Cia.
O secretário Chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Paulo de Tarso Fernandes, pediu demissão do cargo à governadora Rosalba Ciarlini (DEM) na tarde desta sexta-feira (21).
Paulo de Tarso entregou o cargo em solidariedade ao vice-governador Robinson Faria (PSD), que deve romper com a governadora ainda hoje.
O agravamento da crise entre os aliados na campanha de 2010 se deu após demora da chefe do Executivo na nomeação de Robinson para retornar à Secretaria de Recursos Hídricos.
O secretário foi um dos responsáveis pela união e formação da chapa Rosalba/Robinson, no ano passado.
O hiato aberto entre a deputada federal Sandra Rosado (PSB) e a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) – veja postagem abaixo – não é de agora. Parece ter um pretérito mais remoto.
Durante seu discurso no plenário da Câmara de Mossoró, ontem à tarde, no Congresso Municipal do PSB, Wilma nominou e elogiou seguidas vezes a deputada estadual Larissa Rosado (PSB), pré-candidata a prefeito.
Quanto à Sandra, omissão; amnésia seletiva ou esquecimento imperdoável.
As duas eram adversárias políticas até 2005, quando Sandra e seu grupo desembarcaram no PSB e passaram a compor a base de apoio da primeira gestão de Wilma, como governadora.
O Governo do Estado tem dois caminhos como opção, na relação litigiosa com pelo menos seis categorias funcionais, que continuam em greve. São excludentes.
Uma é continuar apostando no confronto, para cansar os grevistas, utilizando táticas de terrorismo psicológico como ameaça de corte de ponto e retenção salarial.
Outra é a saída pela via negociada.
O erário capitaliza-se. Ganha tempo, mesmo que a um alto preço em termos de imagem e para o cidadão, que tem serviços importantes sob comprometimento, como segurança e educação.
O “cabo-de-guerra” também precisa ser visto sob outro ângulo: o “day-after” (dia seguinte).
Como milhares de trabalhadores vão retornar ao trabalho, após essa desgastante convivência inicial com o governo empossado no dia 1º de janeiro deste ano?
Rosalba, na posse, enxuga lágrima. Choro mudou de lado (Foto: Canindé Soares)
Insofismável: o Governo Rosalba Ciarlini (DEM) vive uma crise. Não é apenas financeira, além de administrativa, com inclinação para o descarrilamento político. Temos também uma crise “babélica”, de linguagem. De álibi.
O discurso não se sustenta. Começa de um jeito, passa para outro, pega atalho, dá uma pirueta e forma um oito.
Vejamos uma síntese desse emaranhado de argumentos e hipotéticos sofismas.
De saída, o Governo Rosalba Ciarlini alarmou: avisou que o Estado estava quebrado, por isso não poderia pagar as melhorias salariais a várias categorias de servidores. Era seria a razão. Faltaria dinheiro.
Depois, chegou a informar que o problema mais direto estava relacionado à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Ou seja, admitia pagar, mas num tempo mais adiante, quando houvesse condições em caixa e dentro da obediência à LRF.
Agora, mais recentemente, o principal porta-voz do governo, chefe de Gabinete Civil Paulo de Tarso Fernandes, entra noutra seara. Fala sobre ilegalidade das leis que asseguraram novas remunerações aos servidores.
Mistura deputados da legislatura passada e ex-governadora Wilma de Faria (PSB), numa caldeirada indigesta. Todos teriam sido irresponsáveis, na aprovação de cerca de 15 projetos com essa mesma essência, sem um estudo de impacto na folha de pessoal.
Em resumo: o Estado vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para sustentar a aspiração de simplesmente não pagar. Com ou sem limite prudencial da LRF, quebrado ou superavitário o Estado.
Quer zerar tudo.
Os efeitos colaterais desse comportamento oscilante, intempestivo e que alimenta o confronto, são ainda imprevisíveis.
Como há um fosso, um hiato, que novamente começou a separar sobremodo Estado dos servidores, tudo pode acontecer, em prejuízo ao administrado. Falo sobre o cidadão comum, que precisa de segurança, saúde, educação etc. a contento.
Claro que o Estado não pode arrecadar tão-somente para servir aos seus funcionários. Claro que é necessário uma sobra além do custeio, para investimentos.
Encontrar essa fórmula, pela via do confronto, é quase impossível.
A crise babélica revela que método e mentalidade desse governo são atrasados. Até o momento, apenas bota mais querosene na fogueira, vociferando em vez de falar.
Está ruim? Pode piorar.
O Estado não é a Prefeitura de Mossoró e o Rio Grande do Norte não é Mossoró.
Claro que o atual secretário da Administração e Recursos Humanos do Estado, José Anselmo Carvalho, com formação técnica em direito, além de docência, não pode ser exigido quanto ao melhor trato da coisa política. Mas precisa – mesmo assim – ter cuidado com as palavras.
Sua entrevista hoje ao jornal O Mossoroense, dando versão técnica sobre a suposta crise financeira do Estado, com explicações assentadas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), é comprometedora. Deixa mal, na “fita”, o próprio vice-governador Robinson Faria (PMN).
Na ânsia de defender a tese que transfere culpa para os governos Iberê Ferreira (PSB) e Wilma de Faria (PSB), o secretário manifesta também ser portador da “Síndrome do Retrovisor”. Implica subliminarmente o próprio vice-governador Robinson Faria (PMN).
Afinal de contas, Robinson era presidente da Assembleia Legislativa, no período em que a Casa aprovou uma enxurrada de projetos dispondo sobre melhorias salariais de mais de uma dezena de categorias do serviço público estadual.
Na entrevista, revela, as mensagens enviadas à AL “não tinham” sequer estudo de impacto dos aumentos salariais na folha de pessoal, como reflexo na LRF. “Fiquei para não acreditar, como se diz na linguagem popular”, comentou o secretário.
“As mensagens só tinham uma folha com três parágrafos, sendo um de saudação aos deputados, o segundo (sic) dizia o que era e o terceiro com o fechamento”, citou.
Nota do Blog – Já afirmei e reiterei aqui um raciocínio lógico, que salta aos olhos, mas a passionalidade e a má-fé não deixam a maioria ver: todos os reajustes salariais foram endossados por deputados de oposição e governo, liderados pelo vice-governador. Um de seus principais assessores era o atual secretário-chefe do Gabinete da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), jurista Paulo de Tarso Fernandes .
É um insulto à inteligência alheia vender a ideia de que tudo é culpa de ex-governadores, como se eles tivessem o poder onipotente de decidirem sozinhos.