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CPI tem outro dia de depoimento confuso e reviravoltas

Do Canal Meio

Para quem diz que a CPI da Pandemia é o novo BBB, ontem foi dia de paredão, com todas as emoções e reviravoltas possíveis. O cabo da PM mineira e representante comercial Luiz Paulo Dominguetti confirmou em depoimento a acusação de que o ex-diretor do Ministério da Saúde Roberto Dias cobrou propina de US$ 1 por dose numa negociação de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca. O negócio seria feito através da empresa americana Davati Medical Suply, da qual Dominguetti diz ser representante informal.

 Luiz Paulo Dominguetti entrou em enrascada com depoimento confuso (Foto: G1)
Luiz Paulo Dominguetti entrou em enrascada com depoimento confuso (Foto: G1)

Ele reafirmou que a proposta de propina foi feita num jantar na presença do coronel da reserva do Exército Marcelo Blanco, segundo de Dias no Ministério, e de uma terceira pessoa, depois identificada como o também coronel Alexandre Martinelli. (Globo)

A confusão começou quando Dominguetti apresentou uma gravação onde o deputado Luis Miranda (DEM-DF) negociava com o representante de fato da Davati, Cristiano Alberto Carvalho, uma compra, segundo o PM, também de vacinas. Miranda e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Roberto Miranda, afirmam ter levado ao presidente Jair Bolsonaro denúncias de irregularidades na importação da vacina indiana Covaxin.

Carvalho entrou em contato com a CPI e desmentiu Dominguetti, e o próprio Miranda apareceu na comissão para dizer que a negociação, feita no ano passado, era de luvas. O celular do depoente foi apreendido para perícia, e senadores chegaram a pedir sua prisão, o que foi negado pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). (G1)

Para o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Dominguetti pode ter sido “plantado” com a finalidade de desviar a atenção da CPI das irregularidades na Covaxin e desacreditar as denúncias dos irmãos Miranda. A expressão para isso é Cavalo de Troia, o falso presente que os gregos deixaram para os troianos cheio de inimigos dentro. (Poder360)

Alvo das acusações do PM/vendedor, o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias negou que tivesse pedido propina, embora confirme o encontro com Dominguetti num restaurante em Brasília. Já o coronel Alexandre Martinelli, identificado ontem pelo PM a partir de uma foto, nega que tenha participado do jantar e fala em ir à Justiça por conta da exposição de sua imagem na CPI. (Folha)

Nota do Blog – Está ficando cada dia mais divertida essa CPI.

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Líder de Bolsonaro teve mulher nomeada após suposta denúncia

Ex-governadora do Paraná Cida Borghetti (PP) , Bolsonaro e o marido, nomeação após suposta denúncia (Foto: Facebook)
Ex-governadora do Paraná Cida Borghetti (PP) , Bolsonaro e o marido, nomeação após suposta denúncia (Foto: Facebook)

Por Thaís Rodrigues (Do Congresso em Foco)

Menos de dois meses depois de dizer, segundo o deputado Luis Miranda, de que um eventual esquema de corrupção na compra de vacina contra covid-19 “era coisa” do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nomeou a esposa do paranaense para o cargo de conselheira de administração de Itaipu.

Bolsonaro publicou a nomeação da ex-governadora do Paraná Cida Borghetti (PP) no dia 6 de maio no Diário Oficial da União (veja AQUI). De acordo com Luis Miranda, a conversa entre ele e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, e o presidente da República ocorreu no dia 20 de março, no Palácio da Alvorada, residência oficial do chefe do Executivo.

O salário de conselheiro da hidrelétrica é de R$ 27 mil para comparecer a reuniões que acontecem de dois em dois meses. Barros alegou, na época, que a nomeação da esposa não se dava pela relação familiar entre os dois, mas pela experiência dela como governadora do Paraná.

Irregularidades

Em depoimento nessa sexta à CPI da Covi, os irmãos Miranda afirmaram que relataram a Bolsonaro que havia irregularidade e pressão indevida na compra da vacina indiana Covaxin. Os dois disseram que o presidente chegou a atribuir a um deputado uma possível participação no caso, mas resistiam a informar o nome dele. Somente na fase final dos depoimentos, após forte pressão de senadores, Luis Miranda confirmou que o parlamentar citado por Bolsonaro era o líder do governo na Câmara.

Página da Itaipu publicou nomeação de Cida (Reprodução do Canal BCS)
Página da Itaipu publicou nomeação de Cida (Reprodução do Canal BCS)

Cida Borghetti substituiu o ex-ministro Carlos Marun (MDB-MS), que ocupava a função desde o governo de Michel Temer. Dois dias antes da reunião relatada por Miranda, Bolsonaro havia recebido o deputado paranaense, que informou, na época, ter tido uma reunião produtiva com o presidente, como destacou o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, que recuperou a sequência dos fatos.

Ex-deputada federal, Cida foi governadora do Paraná por nove meses.

Ela assumiu o cargo em abril de 2018, quando o então governador Beto Richa renunciou para disputar uma vaga no Senado. Cida era vice-governadora e disputou a reeleição, mas foi derrotada pelo atual governador, Ratinho Júnior (PSD).

O imunizante que virou pivô das investigações é do laboratório indiano Bharat Biotech, representada no Brasil pela Precisa Medicamentos. O Ministério da Saúde assinou com essa empresa brasileira um contrato de R$ 1,6 bilhão para aquisição de 20 milhões de doses no dia 25 de fevereiro.

Ricardo se defende

Não participei de nenhuma negociação em relação à compra das vacinas Covaxin. “Não sou esse parlamentar citado”,
A investigação provará isso.
Também não é verdade que eu tenha indicado a servidora Regina Célia como informou o senador Randolfe.
Não tenho relação com esse fatos.

Ricardo Barros (@RicardoBarrosPP)

“Eu sei o que vai acontecer comigo. A senhora sabe que foi o Ricardo Barros que o presidente falou. Foi o Ricardo Barros que o presidente falou”, disse o deputado ao ser questionado pela senadora Simone Tebet (MDB-MS) por volta das 22h.

Em seu Twitter, Ricardo Barros negou qualquer envolvimento com o contrato. A postagem foi feita minutos depois da declaração de Miranda.

Nota do Blog Carlos Santos – Barros foi ministro da Saúde na gestão Michel Temer (MDB-SP), vale lembrar.

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Saída de ministro e escândalo de vacina perturbam governo

Ricardo Salles é um problema que só cresce para o governo (Foto: EBC)
Ricardo Salles é um problema que só cresce para o governo (Foto: EBC)

Do Canal Meio e Blog Carlos Santos

O Governo Bolsonaro teve uma quarta-feira (23) terrível. Um dia para não esquecer e que seus desdobramentos podem ter consequência muito nefastas.

A decisão de exonerar o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles veio, segundo fontes da investigação, porque o governo foi alertado de que uma leva de novas provas contra eles foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) e poderia ‘contaminar o presidente da República. Além disso, o celular do ministro foi aos Estados Unidos para passar pela quebra de senha. Também estaria próxima a chegada, no STF, das quebras de sigilo bancário de Salles e da mãe dele. (Coluna Radar, Veja)

Salles foi substituído por Joaquim Álvaro Pereira Leite, até então secretário da Amazônia e Serviços Ambientais no ministério. A troca não indica mudanças na política ambiental.

Escândalo da vacina

Em entrevista aos repórteres Natália Portinari, Julia Lindner e Thiago Bronzatto, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Fernandes Miranda disse ter se encontrado com o presidente no Palácio da Alvorada no dia 20 de março e mostrado a ele documentos com pedido para pagamento antecipado fora do contrato para importar doses perto do vencimento.

A Covaxin foi a única vacina comprada com um intermediário, a Precisa Medicamentos, e custou R$ 80 por dose, o imunizante mais caro adquirido pelo Brasil. O encontro no Alvorada foi arranjado pelo deputado bolsonarista Luís Miranda (DEM-DF), irmão do servidor, que sustenta as afirmações. Bolsonaro teria dito aos dois que encaminharia o caso à Polícia Federal, mas o diretor-geral à época, Rolando Alexandre de Souza, disse não se lembrar de qualquer pedido nesse sentido. (Globo)

Miranda sustenta que presidente sabia da situação suspeita (Foto: Web)
Miranda sustenta que presidente sabia da situação suspeita (Foto: Web)

O presidente da Câmara, Arthur Lira, afirmou ter aconselhado Luís Miranda a levar a público a história. Até aqui, Lira vinha atuando apenas em favor do presidente. (Poder 360)

Com a denúncia na rua, o governo enfim acionou a PF — contra os denunciantes. Em tom agressivo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, disse que Bolsonaro mandou PF, CGU e MPF investigarem o deputado e seu irmão. “Quero alertar o deputado Luis Miranda de que o que foi feito hoje é no mínimo denunciação caluniosa e isso é crime tipificado no Código Penal”, disse Onyx. “Deputado Luís Miranda, Deus está vendo. Mas o senhor não vai só se entender com Deus, mas com a gente também.” (Estadão)

Miranda reagiu dizendo que pedirá à CPI da Pandemia a prisão do ministro por coação de testemunha. Na sexta-feira, ele e o irmão prestarão depoimento à comissão do Senado. O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pedirá segurança para os dois e seus familiares. (Metrópoles)

O relator da CPI, senador Renan Calheiros, cogita pedir prisão de Onyx por coação de testemunha. (G1)

Durante seu pronunciamento, Onyx negou que o governo já tenha feito algum pagamento à Precisa, mas, como revela Valdo Cruz, o Ministério da Saúde já empenhou (reservou) R$ 1,6 bilhão para a compra da vacina, cujo contrato foi anunciado em fevereiro pelo próprio ministério. (G1)

O ministro também disse que o documento apresentado pelos irmãos Miranda era falso, diferente das duas versões enviadas pela Precisa. A empresa, porém, já havia admitido mais cedo ter enviado uma terceira versão, desmentindo Onyx. (Globo).

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