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Tião e Jorge fecham ciclo após sonho de uma ‘Mossoró Melhor’

Nomes vitoriosos, com história de empreendedorismo e de vida que daria um belo filme motivacional, Tião Couto (PL) e Jorge do Rosário (PL) parecem ter fechado no ano de 2020 um ciclo curto e, de insucessos, na atividade político-partidária. Pelo visto, não são do ramo.

A derrota de Rosário como candidato a vice-prefeito da prefeita Rosalba Ciarlini (PP) e a ausência quase absoluta de Tião, dessa campanha, dizem muito da complexidade da política.

Os dois ascenderam em pouco mais de 35 anos ao topo empresarial em Mossoró e RN, atuando em múltiplos negócios, mas em especial nos ramos do petróleo (Tião) e construção civil (Jorge). Em 2015, ao lado dos empresários Michelson Frota e Marcelo Rosado (nome sempre descartado pela elite de poder rosadista), decidiram que era hora de entrar na política diretamente.

Construíram um projeto para mudança de paradigmas na gestão pública e nos costumes políticos em Mossoró, tendo como base a experiência vitoriosa na atividade produtiva e suas vidas em si. Nasceu o movimento “Mossoró Melhor” e a chapa Tião-Jorge (veja AQUI), a prefeito e vice em 2016.

Tião e Jorge, biografias vencedoras, que não se adaptaram ao ambiente movediço da política partidária (Foto: arquivo)

Desacreditados até no meio empresarial, de onde emergiam, chegaram à campanha municipal de 2016 como azarões. Entretanto, assustaram na reta final a ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP), que conseguiu vencê-los apesar de certa apreensão (veja AQUI). Mas, ficou plantada a semente. Ficou o gostinho de quero mais. Sim, era possível avançar e vencer adiante.

Porém, a partir daí, uma sucessão de erros estratégicos, péssimas escolhas e más companhias políticas levaram eles para uma descapitalização continuada dos ativos conquistados em 2016.

O ano de 2020 pode ser mesmo o fim, sobretudo pelo desestímulo que parece ter desabado sobre ambos. Tião, antes de deflagrado o processo eleitoral, avisou que não seria candidato a nada (veja AQUI). Jorge, depois do resultado das urnas, onde sua presença numa chapa favorita e dada como “imbatível”, não se confirmou, já pode pedir música no ‘Fantástico’ (quadro de programa de TV, em que jogador de futebol pede música após marcar três gols numa única partida): são três derrotas em três eleições consecutivas, no espaço de quatro anos.

Campanha de 2018 desenhou 2020

Tião (na ocasião no PSDB) e Jorge saíram das eleições de 2016 com um altíssimo capital eleitoral: 51.990 (39,39%) votos, perdendo apenas para a chapa vitoriosa de Rosalba-Nayara Gadelha (PP). Àquele tempo já se falava que com certeza chegariam às eleições estaduais de 2018 e em seguida, 2020, com fôlego e maior bagagem a vitórias.

Porém, muito do que se contabiliza nesse ano de 2020 em relação a ambos, pode ser entendido pelo o que fizeram num passado recente: em 2018.

Jorge tinha uma candidatura a deputado estadual encaminhada ao êxito. Pesquisas apontavam que seu desempenho em Mossoró acabaria por alavancá-lo à Assembleia Legislativa. Todavia, a partir do momento em que Tião inesperada e isoladamente decidiu ser candidato a vice na chapa do governador Robinson Faria (PSD), decretou a derrota do amigo. E ele próprio, passou vexame ao ser apenas o quarto colocado em votos em Mossoró, na garupa do governador.

O segundo turno acabou tendo Fátima Bezerra (PT)-Antenor Roberto (PCdoB) x Carlos Eduardo Alves-Kadu Ciarlini (PP), com a eleição da petista e seu companheiro de chapa (veja AQUI).

Tião recolheu-se e ficou equidistante da contenda municipal desse ano, enquanto Jorge acreditou que saindo do campo da oposição, onde era um nome valorizado na na soma de qualquer chapa, poderia ser vice-prefeito governista sem dificuldades. Outra vez a dupla errou nas avaliações e posições.

Mudança de opinião, piruetas com as palavras

Em 2018, Tião foi vice de Robinson após descartar sua própria candidatura à Câmara Federal veja AQUI, antecipando que não via nenhum dos candidatos a governador em condições de ter seu apoio. “São os mesmos grupos, as mesmas famílias e pessoas que há muitos anos são os grandes responsáveis pela calamidade que o Rio Grande do Norte vive hoje e agora querem se apresentar como solução para os problemas que eles criaram”, disse Tião Couto, em encontro do PR (Hoje PL), em Natal, dia 7 de julho daquele ano.

No dia 5 de agosto, menos de um mês depois, Tião era anunciado vice de Robinson, candidato à reeleição (veja AQUI).

Esse ano, Jorge é quem fez pirueta com o que tinha dito. Depois de criticar Rosalba num passado recente, topou ser vice dela, numa cooptação que tentou desmentir inicialmente (veja AQUI) e não convenceu ninguém, até se consumar o ato (veja AQUI e AQUI). Outra vez foi vice, posto que não aceitava na oposição, onde de verdade estavam seus votos. Mudou de lado e chegou ao palanque da “Rosa” sem acrescentar nada. Foi punido pelo eleitor.

Jorge e Rosalba: o certo que deu errado (Reprodução BCS)

A vitória do deputado estadual Allyson Bezerra (Solidariedade) a prefeito, derrotando o ‘mito’ Rosalba Ciarlini, consagra uma tendência do eleitor que as pesquisas quantitativas e qualitativas mostravam há muitos e muitos meses. A maioria não queria mais Rosalba e os Rosados. Estavam à espera de quem pudesse galvanizar essa expectativa.

Tião e Jorge poderiam ter sido esses nomes em 2020, prefeito e vice “em férias”, mas implodiram bem antes. Allyson soube compreender e trabalhar essa aspiração, com senso de oportunidade e talento à política.

Ativo frágil

Tratássemos do “voto” pela ótica das Ciências Econômicas, poderíamos afirmar com segurança que é o caso típico de um “ativo” frágil. Seria uma “moeda” flutuante, sujeita às volatilidades de riscos, conforme o momento ou externalidades referentes às eleições e à dinâmica da própria política.

O capital-voto dos dois empresários desmanchou-se em pouquíssimo tempo. Em 2018, já tinha encolhido drasticamente. Agora, já são devedores.

Eles não conseguiram sobreviver à raposice de alguns, à própria inabilidade e ao ambiente movediço da política de Mossoró e do RN (Leia também: O perigo do efeito Orloff no futuro de TiãoTião caminha à disputa estadual desconectado da realidade e Êeee, Tião.

Leia também: Voto se revela um ativo de alto risco na política de Mossoró.

O que o futuro reserva para Tião e Jorge em termos políticos? Mais do que pretensões pessoais e reordenamento de um grupo que nunca passou deles dois, é preciso se aquilatar a importância de ambos e da iniciativa do Mossoró Melhor para a própria política local.

Dois vencedores saíram do quadrado, da zona de conforto, deram a cara a tapas e colocaram em risco biografias vitoriosas atuando numa arena que só conheciam como satélites, de fora ou como colaboradores.

Abriram caminho para que se redesenhasse e se constituísse uma nova configuração de forças na política mossoroense, com reflexos no jogo de poder estadual.

Mas, isso é tema para outras e outras postagens adiante. É material primário para os estudiosos da ciência política, da sociologia, da história de Mossoró, lá na frente. Essa é uma contribuição residual que ofertamos à academia e ao futuro.

Análise das eleições 2020

* Essa postagem é a terceira de uma série que estamos produzindo sobre as eleições 2020. Veja as anteriores:

Leia tambémPolarização continua, apesar de números mostrarem que não;

Leia também: Álvaro é prefeito por ‘voto de segurança’; Natal repete prudência.

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O perigo do ‘Efeito Orloff’ no futuro de Tião

Francisco pensou que votos fossem dele; Tião deve pensar diferente (Foto: arquivo)

Até aqui, o ex-candidato a prefeito de Mossoró Tião Couto (PSDB) não sinalizou qual será seu futuro político, em se tratando de eleições 2018.

Deputado estadual?

Deputado federal?

Senado?

Vice-governador?

Coisa nenhuma?

Façam suas apostas.

Importante que o imberbe político aprenda com a história recente da política em Mossoró, na figura do ex-prefeito Francisco José Júnior (PSD).

Eleito à Prefeitura em pleito suplementar em 4 de maio de 2014, com mais de 68 mil votos, dois anos e cinco anos depois sequer teve condições de sustentar candidatura à reeleição. Desistiu da postulação em plena campanha, por falta de votos, por inexistência de apoio popular.

“Francisco” não entendeu, como o Blog o alertou pouco depois das eleições de 2014 (veja AQUI), que aquela montanha de votos não lhe pertencia. Era um ativo político volátil, sujeito a muitas variáveis.

Novo prefeito ganha para dividir história ou confirmar os Rosado“, apontava o título da matéria analítica.

Em 2016, o prefeito Francisco José Júnior deve ter lembrado, tardiamente, do que lhe foi antecipado.

Recordando o slogan de uma antiga propaganda de vodca, que gerou o chamado “Efeito Orloff”, é bom alertar: “Eu sou você amanhã”.

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Rosalba se aproxima de recorde como pior gestora do país

A governadora Rosalba Ciarlini (DEM) está próxima de alcançar ou até mesmo superar uma marca considerada inimaginável em termos de administração pública no Rio Grande do Norte e até país: superar em reprovação a ex-prefeita natalense Micarla de Sousa (ex-PV). Duvida? Não duvide.

O Ibope ouviu 805 pessoas em Natal entre os dias 15 e 17 de outubro do ano passado. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o número TRE/RN: 00238/2012.

Rosalba e Micarla: colegas, aliadas e semelhantes

Ainda de acordo com o Ibope, 91% dos entrevistados classificam a administração da prefeita Micarla de Sousa ruim ou péssima. Isso mesmo: ruim ou péssima! Já 7% dos ouvidos avaliaram o governo municipal como regular. Para 1%, a administração é boa ou ótima. E 1% não sabe ou não respondeu.

Rosalba

No mesmo levantamento, 59% dos entrevistados disseram que o Governo Rosalba Ciarlini (DEM) era ruim ou péssimo. Outros 31% ressaltaram que a administração estadual regular; 8% disseram que é bom ou ótimo; e 3% não sabem ou não responderam.

A diretora nacional do Ibope, Márcia Cavallari, afirmou que a desaprovação da prefeita Micarla de Sousa (PV), que chegou a quase 92%, é recorde em toda história do instituto. Ela afirmou que nunca nenhum gestor havia alcançado tão índice em pesquisa feita pelo instituto.

“Não temos nenhuma pesquisa de avaliação de prefeitos pior do que a que verificamos na pesquisa de Natal”, disse Márcia.

O que os números da nova pesquisa do Instituto Consult revelam, numa parceria com a Band TV de Natal, divulgados ontem, é que o desempenho negativo de Rosalba pode rapidamente levá-la ao patamar alcançado por Micarla, sua aliada e a quem apoiou à prefeitura em 2010.

Micarla empalmou índices em torno de 90% de rejeição no final de 2011, terceiro ano de administração (veja boxe abaixo). Depois teve oscilações pequenas para baixo até ganhar a fama nacional como pior administradora do país em todos os tempos.

REPROVAÇÃO AO GOVERNO MICARLA EM PESQUISAS:

– Dezembro de 2011 – 90.20%
– Fevereiro de 2012 – 91,60%
– Março de 2012 – 88,60%
– Maio de 2012 – 87,80%
– Junho de 2012 – 92,3%.

Com Rosalba, os números começam a ser proporcionalmente mais “generosos”, do ponto de vista negativo. E como parece ser ainda mais desatinada que a ex-prefeita, nas relações institucionais e políticas, sem qualquer diálogo com a sociedade, o estrago pode ser bem maior adiante.

De outubro de 2011 para cá, a reprovação de Rosalba e seu Governo cresceu 24,45 pontos percentuais. Seu “desabamento” ocorre a uma média de 2,71% por mês. Se seguir nessa “pisada”, em mais quatro meses, a um ano de terminar sua administração, já terá empatado ou ultrapassado a colega Micarla em repulsa popular.

Como se avizinha uma debandada de apoios estratégicos do PMDB e PR (sempre eles) e recrudescimento das relações com outros poderes e servidores, não se pode esperar muita coisa de uma gestão que desembarcou na Governadoria prometendo “fazer acontecer”.

Rosalba não tem qualquer credibilidade perante a opinião pública e classe política. As promessas de mudanças, reconstrução e novos rumos para o Rio Grande do Norte se volatizaram dia após dia.

República de Mossoró

Bateu de frente com tudo e com todos. Não sobrou quase ninguém na “corte”, além daquela sua entourage da “República de Mossoró” e parasitas do poder, que estão sempre por perto – independentemente de quem seja o inquilino da Governadoria e Residência Oficial.

Só um milagre a garantirá até o final no cargo e um natural projeto de reeleição é tão sólido quanto sua palavra, que virou risco n´água.

Protestos de "Fora, Rosalba" não poupam sequer Mossoró

Para agravar sua vida, ainda responde a processo na esfera eleitoral, por sua intensa intervenção na campanha municipal de Mossoró no ano passado. Pode se tornar inelegível em 2012 e por oito anos, caso seja condenada.

Enfim, não é fácil o presente e o futuro de Rosalba. Micarla sabe bem o que é isso.

Em meio ao seu estresse, a governadora deve se lembrar de uma antiga propaganda que virou bordão na política: “Eu sou você amanhã!” Era o tal do “Efeito Orloff.”

O futuro já chegou.