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Esperança

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa com uso de Inteligência Artificial do BCS
Arte ilustrativa com uso de Inteligência Artificial do BCS

Os primeiros versos de um poema de Mario Quintana dizem assim: “lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano vive uma louca chamada Esperança”…

Terminamos mais um ano. Aos trancos e barrancos? Talvez. Mas terminamos. Começaremos uma nova jornada. Jornada de lutas, alegrias e tristezas. A vida é essa eterna batalha, e precisamos estar preparados.

O que nos espera? Sei lá! Só Deus sabe. Contudo, temos que estar firmes e fortes pra o que der e vier. Cada um tem os seus problemas, suas lutas e objetivos. “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

Em um mundo tão cheio de guerras, onde se matam milhares de pessoas em razão da irracionalidade e ganância de uns poucos, inocentes padecem. Não é de hoje que o homem se digladia, é de sempre, e sempre será. Sem esquecer da fome, da miséria e das doenças, mundo afora.

No Brasil dividido entre a direita e a esquerda, os problemas e o radicalismo político-ideológico continuarão. As promessas descumpridas, a roubalheira nos quatro cantos do país, o velho compadrio, o toma lá, dá cá, também.

Nas famílias, e todas se parecem, só mudam de endereço, as picuinhas e as desavenças acontecerão. Relacionamentos são difíceis, é da natureza humana. Sentimentos menores, infelizmente, fazem parte da alma do homem.

Entretanto, apesar dos pesares, não devemos desesperançar. A vida é uma mistura de emoções, há bons e maus momentos. Estamos vivos, vivos! E isso é motivo para agradecer. Peçamos a Deus saúde pra enfrentar a vida, peçamos ao bom Deus amor no coração.

Agradeçamos pelo ano de 2024; e esperemos que o ano de 2025 seja um dos melhores de nossas vidas, pois “a sabedoria humana está nessas palavras: esperar e ter esperança”.

Na inspiradora reflexão do cardeal José Tolentino de Mendonça: “a esperança mantém-nos vivos. Não nos permite viver macerados pelo desânimo, absorvidos pela desilusão, derrubados pela força da morte. Compreender que a esperança floresce no instante é experimentar o perfume do eterno”.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

“Sem esperança, tudo está perdido”

Por Zildenice Guedes

Divulgação da editora Sextante
Divulgação da editora Sextante

O ano de 2023 está se despedindo, e acredito que para muitos, é um misto de sentimentos. Afinal, as sensações são muitas, encerrar ciclos, iniciar outros, refazer planos, rever metas e objetivos que foram ou não alcançados, dentre tantas outras questões que essa época do ano nos provoca.

Acredito que há um sentimento que de diferentes formas, alcança muitos de nós seres humanos, a necessidade de renovar a Esperança. E embora, reconheço, pareça que essa possibilidade ou sentimento esteja tão distante em decorrência de tantos fatos e circunstâncias (as guerras que estão acontecendo nesse momento em diversos lugares do mundo; a falta de compromisso ético e político com a vida humana e de outras espécies; a desigualdade social, dentre tantas outras), reconheço também, que esse sentimento nos persegue ao longo da nossa história humana na terra. E ele se cruza também com as experiências vivenciadas pelas outras espécies. E na verdade, trata-se do nosso instinto de sobrevivência que sempre tenta agarrar-se a alguma coisa, ou a algo que está além do nosso entendimento.

Pois bem, gostaria de convidá-los a conhecer a obra de Jane Goodall “O livro da Esperança”. Confesso que adquiri o livro influenciada pela minha formação em Ciências Ambientais, afinal, conhecer a biografia de uma mulher que há mais de meio século trabalha pela preservação e conservação da natureza, pelo respeito e defesa das outras espécies, já eram motivos suficientes que me fizeram adquirir a obra.

ACONTECE, que “O livro da Esperança” está para além, muito além do que eu mesma poderia imaginar. Trata-se de uma mulher brilhante como cientista, ativista ambiental referência para as atuais e futuras gerações, e inspiradora de uma forma muito singular, para que possamos entender que cada um de nós temos um propósito para estar aqui, nesse lugar em que estamos, fazendo a diferença e nos agarrando ao sentimento de que a vida vale a pena quando a dedicamos a uma causa em que acreditamos e isso tem um poder transformador.

O livro foi escrito a partir do diálogo entre Jane e Douglas Abrams. Eles o iniciaram antes da pandemia, e alguns eventos inesperados marcaram esses encontros, alguns presenciais, outros remotos, e que envolveram perda de pessoas queridas para ambos.

Então, o livro é um passeio pela trajetória de Jane, sua vida familiar, seu início como pesquisadora na África para observar os primeiros chimpanzés, o apoio da sua mãe e do seu primeiro orientador (ambos foram os primeiros a acreditar no sonho de Jane e a apoiarem incondicionalmente), as perdas dolorosas que ela sofreu e o quanto todas as suas experiências com os humanos e as outras espécies, a tornaram mais humana, mais convicta de que há um propósito maior para estarmos no planeta, e sermos parte dele.

Atualmente, Jane tem 89 anos e anda pelo mundo contando sua história, influenciando jovens e outras gerações ao redor do mundo para que acreditem que o planeta Terra é a nossa casa. O ser humano é capaz de grandes feitos transformadores, e por isso a regeneração do planeta conta com o compromisso e senso de responsabilidade de cada um.

Então, se está procurando um livro para lhe inspirar, para provocar em você os melhores sentimentos, para emocionar, para pensar em não desistir do que você acredita, leia e conheça a grandiosa Jane Goodall.  Essa mulher é uma lenda que está viva e jamais será apagada.

Zildenice Guedes é professora-doutora em Ciências Sociais e pós doutoranda em Ciências Ambientais

A felicidade existe

Por Inácio Augusto de Almeida 

Peço caldo de cana e pastel. Enquanto espero, lembro-me de quando meu pai me levava para comer pastel com refresco de maracujá numa lanchonete que ficava próxima à Farmácia dos Pobres. pastel

Olho a rua e na calçada a passar uma mulher com um barrigão enorme e uma gigantesca expressão de felicidade estampada no rosto. Certamente estava perto de ser mamãe.

Penso nos grupos que lutam pela legalização do aborto sempre apoiados por religiosos e políticos descompromissados com os princípios da fé cristã.

São os Herodes modernos, sempre vistos comemorando o aumento geométrico do número de suas INDEFESAS vítimas.

São os que matam pelo prazer de matar.

Em bandos se organizam para acobertar seus indefensáveis crimes. Crimes que passam a chamar de DIREITOS SEXUAIS REPRODUTIVOS. Rotulam pomposamente o mais indefensável de todos os crimes.

Covardes, atuam sempre em conjunto, tal qual hienas, e contam com total apoio de uma imprensa mantida pelos compromissados apenas com o interesse econômico.

E com o apoio de religiosos negacionistas dos ensinamentos que juraram propagar com o sacrifício da própria vida, se necessário for.

Por ambição, esquecem as promessas e rasgam as juras.  E se dedicam de corpo e alma a uma luta contra princípios que jamais poderiam atacar.

Para isto tentam amortecer as suas consciências com as mais esfarrapadas desculpas.

Antes argumentavam que o mundo não conseguiria alimentar tantas bocas e matar, para evitar a explosão demográfica, era preciso. Pintavam um mundo superpopuloso, cheio de doentes e famintos, nos descrevendo cenas que faziam o inferno parecer o paraíso.

Foram desmentidos pelo tempo.  E esta falácia genocida não serve hoje nem para piada de mau gosto.

A produção de alimentos explodiu, a evolução da medicina aumentou a expectativa de vida, a engenharia deu um salto e moradias, construídas em série, existem para todos.

Se muitos passam fome, carecem de remédios e não têm moradias, a culpa é da pior praga que continua existindo e não é combatida com firmeza.

A CORRUPÇÃO.

Uma voz grita dentro da minha cabeça e mostra a grande verdade. Nenhuma criança pede para nascer e, muito menos, para morrer.

Reflito.

E quanto mais reflito mais fico sem entender um religioso falar de amor ao semelhante e defender o assassinato de criancinhas ainda no ventre materno. Fazem isto para ato seguinte distribuir o corpo de Cristo junto com bençãos mil.

E tudo isto dentro da CASA DE DEUS.

Casa que estão esvaziando porque o verdadeiro POVO DE DEUS condena esta conduta que faz lembrar os campos de DACHAU e de AUSCHWITZ.

Fico buscando uma música mais linda do que o choro de um recém-nascido acompanhado daquele movimento de pernas a lembrar um balé celestial.

Não encontro.

A quem interessa o fim da espécie humana?

Na garapeira da Alberto Maranhão, mesma rua da Igreja de São Vicente, igreja que serviu de trincheira para enfrentar o bandido Lampião e seu bando de assassinos, sou desperto destes pensamentos pela chegada dos pastéis quentinhos e do caldo de caldo de cana geladinho.

Não consigo deixar de continuar mergulhado nestes pensamentos e esqueço o pastel e o caldo de cana. Prossigo na busca de razões para justificar tanto ódio a criancinhas ainda em formação, sem condições sequer de defender o seu direito à vida.

Na rua a mulher gestante passou tão alegre, feliz, certamente sonhando um futuro venturoso para o filho carregado na barriga, irradiou tanta felicidade e fez a todos feliz.

Enquanto isto, infelizes tramam a morte de inocentes em nome de uma modernidade idiota e geradora de remorsos quando o outono da vida chegar.

O pastel esfriou. O caldo de cana continua doce e a vida mais bela.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

Por que profissão esperança

Por Inácio Augusto de Almeida 

Quem não já ouviu a expressão BRASILEIRO, PROFISSÃO ESPERANÇA?

Esta frase é do cronista Antônio Maria, que além de cronista era jornalista, locutor esportivo, compositor e boêmio. a-esperanca-de-dias-melhores

De Antônio Maria temos MANHÂ DE CARNAVAL, VALSA DE UMA CIDADE, SUAS MÃOS e inúmeros outros sucessos, gravados por Maysa, Nora Ney, Miltinho, Roberto Carlos, Júlio Iglesias e centenas de cantores famosos.

Falar das crônicas de Antônio Maria é desnecessário.

NINGUÉM ME AMA, sua composição de maior sucesso, nasceu num momento que o poeta/cronista sentia-se deprimido e cansado da vida. Antônio Maria tinha deixado Fortaleza e tentava o Rio de Janeiro. Sobrevivia como jornalista. Para ganhar um larjan, como gostava de dizer, passou a escrever uma crônica diária para o jornal. Sucesso tão grande que a tiragem do jornal aumentou, já que as crônicas atraíram uma legião de leitores, jovens na sua maioria, que não liam jornal, mas encantados com a forma simples como o cronista dizia as verdades da vida, sem uso de textos rebuscados, passaram a leitores cativos.

Num destes dias em que o amargo da vida era mais forte, alguém lhe perguntou o nome e a profissão. Antônio, sem pensar, disse:

Antônio Maria,

Brasileiro, profissão esperança.

E assim nasceu o BRASILEIRO, PROFISSÃO ESPERANÇA.

Nestas três palavras o poeta/cronista definiu a nossa alma.

O que nós, brasileiros, somos sem esperança?

Mesmo sabendo de mais um ano de seca o nordestino planta cheio de esperança. Por mais que a realidade grite que não, o brasileiro, animado pela esperança, sua verdadeira profissão, insiste e persiste.

Sabedor de toda injustiça social, o brasileiro, cheio de esperança, sua verdadeira profissão, acredita em mudanças, mesmo que a realidade grite que tudo continuará na mesmice de sempre.

Ter esperança é continuar mesmo quando tudo grita para desistir. É não abandonar a caminhada, por mais tirana que seja a estrada.

Ter esperança é muito diferente de ser otimista.

Otimista soma os fatores com os quais contará para alcançar o objetivo.

Antônio Maria não disse BRASILEIRO, PROFISSÃO OTIMISTA.

Poucos cronistas souberam tão bem usar as palavras como Antônio Maria.

Os otimistas conseguem realizações vistas por muitos como impossíveis.

Os brasileiros, profissão esperança, vão além.

Ir em cima de um caminhão, em busca de numa terra distante encontrar uma oportunidade, não é coisa de otimista.

Acreditar no triunfo do bem contra o mal num sistema corrompido, não é coisa de otimista.

A lamentar que muitos confundam esperança com loucura.

Muito obrigado, Antônio Maria.

Inácio Augusto de Almeida é escrito e Jornalista

Esperança

Por Inácio Augusto de Almeida

Não permitas jamais que a solidão

Por menor que seja o momento

De ti tome conta

E te leve ao sofrimento

De molhar teus olhos

Por quem não te ama

 

E sempre sempre continues a sorrir

Mesmo que teus lábios resistam

Franzidos pela dor da chaga invisível

Que dilacera teu coração

E enche de sofrimento a tua alma

Já tão cansada e vazia

 

Porque em ti existe a certeza

Que teus olhos voltarão a brilhar

Teus lábios tornarão a sorrir

Pois bem longe ou bem perto

Em algum lugar

Alguém gosta de ti

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor