Por Carlos Santos
O incidente de desocupação do prédio-sede da Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Finanças (SEPLAN), em Natal, à semana passada (sexta-feira, 22), suscita diversas abordagens.
A “Batalha da Seplan” é mais um ato de enredo em andamento.
Trazemos três ângulos de observações (dos grevistas, da Justiça e do Governo do Estado) que se encadeiam, ao mesmo tempo em que são excludentes pelo episódio em si.
Até então, o movimento grevista do pessoal da Saúde e do professorado da Universidade do Estado do RN (UERN) passava quase despercebido de boa parte da opinião pública.
Do ponto de vista legal, os líderes do movimento erraram na decisão e colocaram em risco a integridade de seus participantes. Sabiam disso; arriscaram.
A Justiça, através do magistrado Bruno Lacerda, assinou o despacho que cabia ao caso. Provavelmente, nenhum outro agiria de forma diferente.
Sob a ótica política, a estratégia foi um sucesso. Os manifestantes ganharam notoriedade como “vítimas’.
Quanto ao Governo Robinson Faria (PSD), mais uma vez errou feio.
Precipitou-se no uso desproporcional da força contra um “Exército de Brancaleone”. Poderia ter produzido uma tragédia.
Assim, deu musculatura e visibilidade aos protestos, até fora do estado. Paralelamente, instigou que outras categorias o façam também, encorpando aquilo que nunca foi – como anunciado – uma “greve geral”.
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Para parecer forte, Robinson Faria de novo deu demonstração de fraqueza. “A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”, aconselhou o general chinês Sun Tzu no clássico “A Arte da Guerra”, que o governador preferiu só folhear.
É um moribundo homiziado na Governadoria.
O movimento grevista ganha sobrevida, na justificativa abstrata de “luta pela dignidade”, mas ainda de bolsos vazios – o que deverá continuar.
Aguardemos os próximos movimentos das peças desse tabuleiro.
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