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O salto para a história do inesquecível “Gato Félix” tricolor

Por Carlos Santos

Félix, em defesa pelo Fluminense, 1971, jogando contra o São Paulo, no Morumbi

Meu time de botão está com sério desfalque. Félix morreu. O “Gato Félix”, imortalizado na Seleção Canarinha de 70, morreu de enfisema pulmonar – hoje em São Paulo.

Félix no gol. Assim começava a escalação do Fluminense que eu dava vida no comando de uma palheta manuseada com rara destreza.

Vi-o jogar com olhar encantado e deslumbramento na grande tela; um pouco pela TV.

O “Canal 100”, espécie de jornal que era apresentado antes da exibição de filmes nos cinemas do Brasil, dava um resumo do futebol – principalmente do Rio de Janeiro. Foi ali que o goleiro franzino, de apenas 1,79 – ficava gigantesco diante de mim.

“Papel”, seu apelido, era sóbrio, sem qualquer tipo de salto espalhafatoso e cinematográfico para sair na capa do jornal. Quem viu Castilho jogar, afirma: Félix foi inferior a ele.

Quem se importa com essa observação? Eu vi Félix. Era meu goleiro no botão, inspiração para ser também um “arqueiro”, como se dizia à época.

Sou de uma geração que se encantou com Paulo Vítor nos anos 80 e agora se rende a Diego Cavalieri. Mas foi Félix, no campinho de “Estrelão” (onde o futebol de botão era jogado), que fez minha cabeça para sonhar em um dia ser goleiro.

Nos campos improvisados da Estrada de Ferro ou no gol marcado por duas pedras, em pleno leito da rua, fui um fracasso retumbante. Frangueiro, sem reflexo ou impulsão. Não mereceria uma crônica de Nelson Rodrigues. Não seria Félix; percebi logo.

Com escassa memória que me chega aos dias atuais, fui aquele menino magrinho que viu Félix na Copa de 70, espiando jogos numa TV que ficava sobre o janelão de uma casa à Rua Dr. Francisco Ramalho, Centro de Mossoró. Famílias inteiras afluíam para se converterem em nacionalistas, diante daquela maravilha da tecnologia, em preto e branco.

Eu estava lá, na plateia, parte dos 90 milhões de brasileiros em ação, gritando: “(…) Pra frente, Brasil…”

Era a primeira Copa do Mundo sendo transmitida ao vivo. No gol, Félix. Quem se fixava nele, quando Gérson, Jairzinho, Pelé, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto e Clodoaldo desfilavam imponentes, como deuses do futebol arte?

Que bela ironia o destino me pregou. Estou aqui a descobri-la quando lembro do goleiro tricolor: eu queria ser como “Papel”, no gol do Fluminense.

O papel que me sobrou foi do jornal impresso. Fui sendo sugado diariamente pelo rolo de uma máquina datilográfica, engenhoca que há alguns anos era a fonte de minha produção profissional, uma paixão, uma razão de viver.

No gol, sempre ele. Fica quem é do ramo: O Gato Félix. Para sempre.

Saudações tricolores!

Saiba um pouco mais sobre Félix clicando AQUI.

Carlos Santos é criador e editor do Blog Carlos Santos

*Crônica originalmente publicada no dia 24 de agosto de 2012, nesta página, há quase 13 anos.

O preparo de Richarlison para fazer golaços também fora de campo

Do Correrio Braziliense

A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo no Catar, nesta quinta-feira (24/11), revelou que Richarlison está pronto para fazer da camisa 9 a responsável por mais um título Mundial do Brasil – a última vez foi quando Ronaldo, o fenômeno, usava a nona amarelinha. O atleta foi o artilheiro da partida e dono dos dois gols do jogo, um deles de voleio.

Lance do segundo gol de Richarlison, considerado o mais bonito, até aqui, da Copa do Mundo do Catar (Foto: REUTERS/Kai-Pfaffenbach)
Lance do segundo gol de Richarlison, considerado o mais bonito, até aqui, da Copa do Mundo do Catar (Foto: REUTERS/Kai-Pfaffenbach)

O jogador do time inglês do Tottenham Hotspur, já estava com o nome em alta nas redes sociais por mostrar um preparo diferente antes da copa: com carisma e humor, os vídeos em que aparece com caixas de som com funks e se veste como um cidadão do Catar repercutiram entre os torcedores brasileiros. Por trás do bom humor, Richarlison sustenta um histórico de luta por justiça social e ambiental.

Com cobranças nas redes sociais sobre casos de racismo, violência contra a mulher e degradação ambiental, Richarlison é um dos únicos jogadores da Seleção que se posiciona politicamente, por isso se destaca como um dos jogadores mais politizado do time de Tite.

Capixaba, o camisa 9 cresceu em comunidade de baixa renda, não se esquece do que passou e sabe como usar a fama que conquistou para chamar atenção para problemas que assolam o país. “Isso é parte do que eu sou, de onde eu vim, da minha origem. Não me considero um cara politizado no sentido que alguns tentam colocar, só me conscientizei do que eu posso fazer, até onde a minha voz pode chegar e quem eu quero ajudar”, declarou em uma entrevista ao Ecoa, do Uol, em 2020.

Capixaba, o camisa 9 cresceu em comunidade de baixa renda, não se esquece do que passou e sabe como usar a fama que conquistou para chamar atenção para problemas que assolam o país. “Isso é parte do que eu sou, de onde eu vim, da minha origem. Não me considero um cara politizado no sentido que alguns tentam colocar, só me conscientizei do que eu posso fazer, até onde a minha voz pode chegar e quem eu quero ajudar”, declarou em uma entrevista ao Ecoa, do Uol, em 2020.

João Pedro e George Floyd

Em 2020, o assassinato de João Pedro, morto por estar em uma casa atingida por mais de 70 tiros por policiais que faziam uma ação no Complexo do Salgueiro (RJ), moveu o atleta a discutir racismo nas redes sociais e em entrevistas que deu na época.

“O racismo é um assunto que nós, que viemos da favela, estamos acostumados. Sempre fui tratado de forma diferente. Acompanhei o caso da morte do João Pedro, no qual a polícia deu mais de setenta tiros em sua casa. Poderia ser comigo. Lá atrás, convivi com tiroteios e fui até confundido com traficante”, declarou em entrevista à revista Placar.

Na mesma época, a morte de George Floyd, asfixiado por um policial durante uma abordagem violenta, também esteve no discurso de Richarlison. “Também acompanhei o caso dos Estados Unidos. As pessoas que estão nas ruas estão no direito delas de protestar e pedir justiça. Se estivesse lá, faria o mesmo.”, declarou sobre os protestos que tomaram as ruas dos Estados Unidos após o assassinato de Floyd. Em uma partida entre Everton e Leicester, Richarlison se ajoelhou em apoio aos protestos que ocorriam nos EUA.

Em 2020, nome da Universidade de São Paulo (USP) na luta contra Covid-19 (Reprodução do Canal BCS)
Em 2020, nome da Universidade de São Paulo (USP) na luta contra Covid-19 (Reprodução do Canal BCS)

Luta contra a Covid

Logo que a crise da covid-19 se espalhou pelo Brasil, Richarlison se tornou embaixador de um programa da Universidade de São Paulo (USP) que reunia esforços de pesquisadores para pesquisas e ações da instituição para combater o novo coronavírus. Com o USP Vida, o Pombo convocava outros atletas, pessoas jurídicas e físicas a fazerem doações para fomentar o programa.

“Acho que é hora de valorizarmos e incentivarmos nossos pesquisadores e cientistas e todos que estão lutando nessa batalha. Por isso, tivemos a ideia da campanha e de contribuir com essas pessoas”, disse na época ao jornal da USP. O jogador chegou a doar uma chuteira usada para um leilão da universidade a fim de angariar recursos. O projeto arrecadou, segundo Richarlison, quase R$ 20 milhões para pesquisa e gastos em verbas e materiais.

Em janeiro de 2021, quando a capital do Amazonas viveu a maior crise de saúde pública da história do estado e ficou sem oxigênio para tratar infectados com covid-19, o jogador utilizou o Twitter, onde tem 926 mil seguidores, para aderir à campanha Oxigênio para Manaus.

Meio ambiente

Em 2019, Richarlison viajou ao Pantanal para conhecer o bioma. O contato com o local levou o atleta a se posicionar nas redes no ano seguinte, em 2020, e pedir medidas eficazes das autoridades para combater a série de incêndio que queimou 30% do território do local. A cobrança também foi publicada por ele em uma coluna que ele tinha no site The Players Tribune.

“Quero falar de algo muito importante para mim e que deveria importar para você também. Estou muito triste e preocupado com o que está acontecendo no Pantanal”, escreve. “(…) Olha, não sou político. Não consigo interromper as queimadas sozinho. Mas como jogador da Seleção Brasileira e do Everton, posso ao menos mostrar às pessoas o que está acontecendo. Por isso, postei algumas fotos nas minhas redes sociais em demonstração de apoio ao Pantanal. Não queria apenas me solidarizar com o problema. Era para chamar a atenção das autoridades”, escreveu na coluna.

No mesmo ano, o atleta aproveitou um jogo entre Brasil e Uruguai, na fase das eliminatórias para a Copa do Mundo 2022, para protestar contra o apagão que ocorria no Amapá há 10 dias. “Infelizmente o povo do Amapá não vai poder ver meu gol hoje porque não tem luz há DUAS SEMANAS. Estão vivendo dias muito difíceis e espero que resolvam isso logo. Queria dedicar o gol e a vitória de hoje a todos os amapaenses”, escreveu nas redes sociais.

Em 2022, com o histórico de defesa ambiental, o capixaba foi convidado pela Nike e pela ONG Onçafari a retornar ao Pantanal e conhecer o trabalho da instituição, que alia ecoturismo e pesquisa científica para a preservação da onça-pintada. Na viagem, Richarlison avistou uma onça e decidiu “adotar” o animal, a quem chamou de Acerola.

Respeito à mulher

Richarlison também não tem medo de voltar atrás em apoios dados publicamente, se tiver um bom motivo para isso. Durante o BBB20, reality da TV Globo, o atacante declarou apoio a Felipe Prior, jogador que protagonizou a edição ao se posicionar contra Manu Gavassi.

No entanto, quando um caso de agressão contra uma mulher, feito por Prior, surgiu na imprensa, o atleta retirou o apoio. “Fala, pessoal! Eu não sou juiz, mas também não passo pano pra ninguém. Violência contra a mulher é abominável, não importa quem cometeu e nem porquê, não existe motivo no mundo pra que isso aconteça. Aprendi isso desde cedo”, escreveu.

“Se isso que foi dito sobre o Prior na matéria se confirmar, na humildade, peço desculpas e retiro o apoio que dei a ele nessa última semana no jogo, ainda que não soubesse dessas acusações, igual a todos vocês. Espero que tudo se esclareça logo! Fiquem bem! É noix”, acrescentou.

Solidariedade

Em 2017, Richarlison surpreendeu uma internauta recifense que iniciou uma campanha para arrecadar recursos financeiros para uma cirurgia que o pai, com doença de Parkinson, precisava fazer – o custo do procedimento era de R$ 400 mil. O atleta procurou Laryssa Nogueira para oferecer uma camisa autografada do clube inglês Watford, time em que ele jogava.

“Para quem está conhecendo Richarlison agora, esse aqui é Richarlisson: se ofereceu a me ajudar na campanha que fiz para conseguir uma cirurgia para o meu pai”, disse a jovem no Twitter.

Atleta é catarinense, de origem humilde e destemido também contra ataques feitos às suas posições sociais (Foto: arquivo)
Catarinense, de origem humilde é destemido também contra ataques feitos às suas posições sociais (Foto: arquivo)

Laryssa contou que o camisa 9 é diferenciado porque se ofereceu para ajudar a campanha, sem a recifense pedir. Depois da doação, a menina conseguiu fazer sorteio de outros itens doados e arrecadou mais da metade do valor inicial. A cirurgia foi realizada e o pai, que antes não andava sozinho, trabalha e tem uma vida independente.

Nota do Canal BCS – Acompanha a carreira de Richarlison há bastante tempo, antes de toda essa notoriedade a partir dos gols de ontem (Brasil 2 x 0 Sérvia – veja AQUI). O motivo é afetivo, clubístico, por sua presença marcante, ainda bem mais jovem, pelo meu Fluminense. Diferenciado dentro e fora de campo, além de profundamente humilde, sem estrelismo tão comum aos detentores de super-salários no esporte. Ave, Richarlison!

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Narrador dos bordões consagradores se reencontra com ídolos

Por Guilherme Oliveira e Rodrigo Lois (Globo Esporte)

Ao pisar o gramado do Maracanã, Januário de Oliveira caminha bem devagar com o auxílio da sobrinha e de uma muleta. Aos 79 anos, o famoso narrador, que tem diabetes, já não conta mais com a visão que lhe possibilitou durante décadas transmitir com emoção partidas de futebol.

Januário conversa com Valdeir, Sávio, William e familiares de Ézio no Maracanã, com bordões (Foto Guilherme Oliveira)

No telão do Maracanã, os gols e seus bordões tomam conta do estádio vazio: “cruel, muito cruel”, “é disso que o povo gosta”, “taí o que você queria”.

Enquanto sente à flor da pele a atmosfera do local, outros cinco personagens acompanham todas as reações do narrador a menos de 10 metros de distância.

São ex-jogadores que ficaram eternizados por seus famosos bordões. Sávio, o “anjo louro da Gávea”. Valdeir, o “The Flash”. William, tricampeão carioca pelo Vasco, e, representando o Fluminense, a viúva e o filho do já falecido “Super Ézio”.

– Sempre falo com meu filho, super-herói é para isso. Esse bordão faz parte da nossa vida. Obrigado por ter feito o nome do meu marido ter ficado tão grande – diz Isabela Nogueira, viúva de Ézio, para Januário.

Sávio se emocionou ao rever Januário e conversar com o narrador.

– O senhor é uma pessoa muito especial na vida, na minha carreira. Hoje, de 10 torcedores do Flamengo, os 10 falam o “anjo louro da Gávea”. Isso é muito especial pra mim.

Valdeir adota discurso semelhante no papo com Januário

– Ninguém conhece só o Valdeir, tem que ser o “The Flash”. Isso graças ao mestre Januário.

Em um Maracanã de emoções, Januário afirma:

– Pode ter certeza de que ganhei mais 10 anos de vida com essa homenagem – contou com emoção o inesquecível narrador.

Veja reportagem original clicando AQUI.

Nota do Blog – Chorar? Chorei mesmo. E daí? Estranho que hoje a briga entre falsos torcedores, a torpeza comercial e os craques de araque tomem conta do futebol. Não é saudosismo, não. Sou do tempo da TVE e de Januário de Oliveira, da imortalidade do Super-Ézio. “Cruel, muito cruel”, Januário.

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Morre Carlos Alberto, o capitão do tricampeonato de 1970

Do Globo Esporte.com

A braçadeira de capitão sempre lhe caiu bem. Porte esguio, olhar penetrante, personalidade marcante. Não tinha jogador que não ouvisse com atenção suas observações, seus conselhos ou, na pior das hipóteses, suas broncas. Nem Pelé escapava, e foram  muitas as vezes em que precisou até baixar a cabeça. E foi esse grande capitão que o futebol brasileiro e o mundo perderam nesta terça-feira, aos 72 anos.

Carlos Alberto repetiu o beijo que dera na Jules Rimet em 1970. Ganhou títulos como jogador e técnico (Foto: Gaspar Nóbrega)

Morreu no Rio de Janeiro, vítima de infarto fulminante, Carlos Alberto Torres, atualmente comentarista do SporTV.

Nome e sobrenome de craque. O homem do tricampeonato mundial em 1970, que beijou e levantou a Taça Jules Rimet.

Seja como lateral-direito, onde começou na base do Fluminense, seja como zagueiro, ele sempre desfilou pelos gramados uma classe com a bola nos pés em que não ficava para trás nem para um astro do nível de Franz Beckenbauer. Santos, Botafogo, Flamengo e New York Cosmos tiveram em campo a sua classe.

Era reverenciado no mundo todo pelo seu passado.

Depois, como treinador, o Capita, como era carinhosamente chamado, teve como pontos altos a conquista do Campeonato Brasileiro de 1983, pelo Flamengo, a Copa Conmebol, em 1993, pelo Botafogo, e o Campeonato Carioca pelo Fluminense, em 1984.

Veja matéria completa clicando AQUI.

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Arena acumula 35 milhões de prejuízo desde a inauguração

Por Rodrigo Capelo (Revista Época)

A Arena das Dunas, cuja administração foi concedida pelo governo do Rio Grande do Norte para a OAS por 20 anos, teve seu segundo ano consecutivo no vermelho em 2015. O estádio teve prejuízos operacionais de R$ 16 milhões e R$ 19 milhões, respectivamente, nas duas temporadas desde a inauguração, em 22 de janeiro de 2014.

As receitas chegaram a R$ 6,9 milhões em 2015, mas continuam muito abaixo das despesas, em R$ 23 milhões. O cálculo, aqui, desconsidera os repasses de dinheiro feitos pelo governo potiguar para remunerar a construção do estádio, orçada em R$ 400 milhões.

Arena das Dunas é um 'brinquedo' caríssimo e excludente mantido com dinheiro público dos potiguares (Foto: Canindé Soares)

Ao olhar apenas para receitas e despesas é possível notar a saúde financeira de uma empresa, como a criada pela OAS para administrar a Arena das Dunas, que vai mal. E o cálculo fica muito pior se forem considerados impostos sobre a receita e despesas financeiras, como pagamentos de juros a bancos, ambos negativos.

Quebrada

Com os dois principais times locais na terceira divisão, ABC e América-RN, a Arena das Dunas depende de excursões de clubes da elite para conseguir receita. A maior renda, até hoje, saiu do jogo entre Flamengo e Avaí no Campeonato Brasileiro de 2015, quando a operadora ficou com R$ 439 mil da receita bruta de R$ 1,6 milhão.

O estádio será o palco de Flamengo x Fluminense no próximo domingo (26) e espera superar a renda obtida no ano passado.

A OAS, a quem o governo do Rio Grande do Norte concedeu a Arena por 20 anos, colocou-a à venda no começo de 2015. A construtora entrou em recuperação judicial depois que sua participação em esquemas de corrupção foi evidenciada pela Operação Lava Jato. Quebrada, decidiu vender suas participações em estádios – Arena das Dunas, Arena do Grêmio e 50% da Arena Fonte Nova.

Nota do Blog – O Governo do RN, ou seja, nós, desembolsamos mensalmente cerca de R$ 11,7 milhões para irrigar o Arena das Dunas.

Enquanto isso, falta o básico em hospitais, segurança pública virou um caos e tantas e tantas outras prioridades são ignoradas.

A “bola” do Arena está sendo rateada até hoje com quem?

Fla x Flu poderá acontecer no Arena das Dunas

Do Globo Esporte.com

O Flamengo aguarda aval da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) para transferir o clássico com o Fluminense, do primeiro turno, para a Arena das Dunas, em Natal (RN).

A partida, anteriormente marcada para Brasília, é válida pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro e será disputada dia 26 de junho.

A mudança do Rubro-Negro tem como objetivo minimizar o deslocamento de viagem.

Quatro dias antes do Fla-Flu, o time de Zé Ricardo enfrenta o Santa Cruz, no Arruda, na capital pernambucana.

A distância entre as capitais do Pernambuco e do Rio Grande do Norte é de apenas 286,3 km, em trajeto bem rápido de avião.

P.S – Jogo está confirmado para o Arena das Dunas. Veja AQUI notícia atualizada.

Clássico carioca pelo Brasileirão poderá ocorrer em Natal

De acordo com o repórter Marcos Coelho, da Rádio Transamérica do Rio de Janeiro, o duelo entre Fluminense e Botafogo pelo Brasileirão da Série A, versão 2016, poderá ocorrer na cidade capixaba de Cariacica, no Estádio Kleber Andrade.

Vale lembrar, que a cidade de Natal com o Arena das Dunas, também está na disputa para levar o duelo para a Arena das Dunas.

O jogo será realizado no dia 29, às 16h.

América goleia Fluminense em noite memorável no Maracanã

Por Heilysmar Lima

O América viajou para o Rio de Janeiro levando na bagagem a esperança de reverter o placar de 3 a 0 sofrido na partida de ida, na Arena das Dunas, em Natal. E de forma heroica, o Alvirrubro derrotou, de virada, o Fluminense por 5 a 2, conquistando a vaga às oitavas de final da Copa do Brasil. O confronto foi realizado no Maracanã, na noite desta quarta-feira (13).

Jogadores comemoram o que parecia impossível em jogo memorável (Foto: Dhavid Normando/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Os gols da partida foram marcados por Marcelinho, Max e Alfredo, duas vezes, e Rodrigo Pimpão para os rubros. Fred e Cícero balançaram as redes a favor do time carioca.

A equipe potiguar volta a campo no próximo sábado (16) diante do Icasa, às 16h20, no estádio Romeirão, em Juazeiro do Norte/CE. O duelo será válido pela 16ª rodada da Segundona.

O jogo

Mesmo com a vantagem no placar agregado, o Fluminense começou pressionando. Aos 3 minutos, Bruno fez boa jogada pela direita e cruzou rasteiro para Rafael Sóbis. Antes que o atacante tricolor finalizasse, o volante Márcio Passos afastou para escanteio.

Aos 8 minutos, primeiro lance ofensivo do América. Márcio Passos lançou Arthur Henrique, que foi travado na hora do chute. Apesar da chegada, o time carioca seguiu melhor em campo, dominando as ações. Mas em uma bobeira da defesa, acabou sendo surpreendido.

Aos 16 minutos, a zaga tricolor cortou mal e a bola sobrou para Marcelinho. O camisa 2 do Alvirrubro se livrou da marcação e bateu forte com a perna esquerda. O goleiro Diego Cavalieri nada pode fazer e apenas observou a bola morrer no fundo do gol. Placar aberto a favor do América. 1 a 0 e esperanças renovadas.

Após sofrer o gol, os donos da casa partiram para cima. Aos 23 minutos, Chiquinho arriscou de fora da área, mas o chute saiu fraco, facilitando o trabalho de Fernando Henrique. Dois minutos depois, Bruno cruzou da direita e Cícero, sozinho, cabeceou. O goleiro americano fez mais uma defesa.

Aos 28 minutos, mais uma bola levantada na área potiguar. Carlinhos cruzou da esquerda, Cléber afastou e Cícero pegou a sobra. O jogador dominou no peito, ajeitou e bateu forte. A bola passou por cima da trave. Na sequência, outra jogada pelo lado direito da defesa americana. Carlinhos mandou na área e Cícero subiu mais do que a defesa e mandou pela linha de fundo.

De tanto insistir, o clube carioca conseguiu o empate. Cícero tabelou com Rafael Sóbis e rolou para Fred, dentro da área sem marcação. O camisa 9 do Fluminense dominou e tocou na saída de Fernando Henrique, 1 a 1 no Maracanã.

A igualdade no placar não diminuiu o ímpeto dos cariocas. Aos 33 minutos, após deslize da defesa rubra, Carlinhos rolou para Fred, que chutou forte, mas sem direção. Cedendo apenas o tiro de meta.

A virada do Fluminense veio aos 37 minutos. Fred saiu da área, fez o cruzamento da esquerda para Chiquinho, que desviou para o gol. Fernando Henrique defendeu à queima-roupa. Na sobra, Cícero, sem marcação, balançou a rede americana. 2 a 1 para o tricolor, que apenas administrou os minutos finais da primeira etapa.

Na volta do intervalo, o técnico americano, Oliveira Canindé, promoveu as entradas de Rodrigo Pimpão e Val nos lugares de Jéferson e Tiago Dutra. As mudanças deram resultado. No primeiro ataque, aos 4 minutos, o Alvirrubro chegou ao empate. Max recebeu de Andrezinho, invadiu a área e tocou na saída de Diego Cavalieri.

O Fluminense respondeu aos 8 minutos. Carlinhos avançou pela esquerda, cortou para o meio e bateu para o gol. A bola passou à esquerda de Fernando Henrique, sem perigo.

Aos 14 minutos, Rodrigo Pimpão teve sua primeira participação no jogo. Ele recebeu passe de Max, invadiu a área e bateu cruzado. Diego Cavalieri espalmou para escanteio. Arthur Henrique cobrou e mandou na cabeça de Max, que desviou para fora. Quase a virada do Alvirrubro.

Bem em campo, o clube potiguar seguiu no ataque. Aos 21, Alfredo, em sua primeira disputa, entrou na área e foi travado na hora do chute. O atacante teve outra oportunidade aos 25. Rodrigo Pimpão fez o cruzamento e ele subiu sozinho, mas mandou pela linha de fundo.

O Fluminense tentou responder, mas a zaga americana desarmou a tabela entre Carlinhos e Chiquinho. Aos 29, Bruno Vieira lançou na área e Walter cabeceou para o gol, mas a arbitragem havia marcado falta do atacante do clube carioca.

Apesar dos lances, o América voltou a atacar e dominar o jogo. Aos 30 minutos, Marcelinho lançou para Alfredo, que aproveitou a bobeira do goleiro Diego Cavalieri, driblou e tocou para o gol vazio. Virada da equipe rubra, 3 a 2.

Precisando de mais dois gols, o time potiguar continuou pressionando. Aos 32, Alfredo foi lançado dentro da área e tocou por cima de Diego Cavalieri. O zagueiro Elivelton salvou em cima da linha, mandando para escanteio. Na cobrança, Márcio Passos subiu mais do que a defesa e cabeceou. A bola passou perto da trave.

Sem desistir, o Alvirrubro seguiu no ataque e chegou ao quarto gol com Alfredo. Aos 37 minutos, após cruzamento, Márcio Passos cabeceou na trave e, na sobra, Alfredo empurrou para o gol.

A pressão americana não cessou e no primeiro minuto dos acréscimos veio o gol da classificação. Rodrigo Pimpão aproveitou o vacilo da defesa do Fluminense, roubou a bola e tocou na saída de Diego Cavalieri. Festa potiguar na Arena das Dunas. 5 a 2 e classificação garantida.

Ficha Técnica

Local: Estádio Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Árbitro: Rodrigo Alonso Ferreira (SC)

Cartões amarelos:

Fluminense: Diego Cavalieri, Bruno Vieira, Elivelton, Fabrício e Carlinhos; Valencia, Jean, Cícero, Chiquinho e Rafael Sóbis (Conca); Fred (Walter). Técnico: Cristóvão Borges.

América: Fernando Henrique, Marcelinho, Cléber, Lázaro e Paulo Henrique; Tiago Dutra (Val), Márcio Passos, Andrezinho, Jéferson (Rodrigo Pimpão) e Arthur Henrique; Max (Alfredo). Técnico: Oliveira Canindé.

Nota do Blog – Por isso que o futebol é um esporte diferenciado. Permite o que parece impossível.

O Mecão foi premiado pelo esforço numa noite iluminada e o Fluminense punido pela falta de humildade e autossuficiência.

 

A morte de uma alegria em grená, verde e branco

Um domingo menor para os tricolores de coração. Morreu Assis, o célebre meia-atacante do Fluminense nos anos 80 (veja AQUI).

Ao lado do centroavante Washington, que morreu no final de maio deste ano, construiu uma história épica para os torcedores grená, verde e branco.

Títulos e jogos memoráveis; gols e gols.

Formaram o “Casal 20”, numa analogia com série de TV de muito sucesso na época. Em campo, pareciam um só, tamanha a afinação.

Até entre torcedores de clubes adversários, Assis construiu legião de admiradores e o respeito de incontáveis craques de times contendores.

Que descanse em paz.

Nossos agradecimentos por tantas alegrias!

Só Rindo – Folclore Político

Entre o Fluminense e a Prefeitura

Luiz Jairo e Anízio Júnior enfrentam uma campanha municipal difícil em Upanema. Ambos formam chapa à prefeitura, em contenda que os situa em bloco oposicionista.

São respectivamente candidatos a prefeito e vice-prefeito.

Para Anízio Júnior, o “Juninho”, há uma sobrecarga: paralelamente ele torce e sofre em jogos do seu time-paixão pelo  título de tetracampeão brasileiro de futebol, o Fluminense.

Campanha em andamento, campeonato também… Juninho fica entre a cruz e a espada, o Fluminense e a prefeitura…

Divide-se entre as obrigações da campanha e o impulso passional para ver jogos do Fluzão pela TV, seja lá onde for.

Luiz Jairo, vendo o embaraço do amigo e companheiro de chapa, resolve emparedá-lo numa conversa clara e direta, sem testemunhas:

– Juninho, eu quero lhe fazer uma  pergunta e quero que você me responda com toda sinceridade…

Rosto cerrado, que revela clara tensão, o candidato a vice sente o oxigênio sumir, mas não tergiversa :

– Pode perguntar, Luiz!

– Juninho, o que você deseja mais: a gente ganhar as eleições ou o Fluminense ser campeão…?

Com as mãos empalmadas – comprimindo a própria cabeça, que inclina para baixo, o candidato a vice gagueja e pede clemência:

– Homem, pelo amor de Deus! Deixe de pergunta difícil. Você me bota em cada dificuldade… Você quer acabar comigo?

O importante é que o Fluminense foi tetracampeão e Luiz Jairo e Anízio Júnior, eleitos.

Em dia de Barça e Bayer, lembranças da “Máquina”

Hoje tem Bayern x Barcelona, 15h45, na TV. Jogão. É pela Copa dos Campeões da Europa. Sou Bayer. Gosto dos reds desde o tempo de Beckenbauer, Sepp Maier e Gerd Müller.

No dia 10 de junho de 1975, o Fluminense (A máquina tricolor) venceu o Bayer no Maracanã, em amistoso emblemático.

O Bayer era campeão mundial e considerado o maior time de futebol dos anos 70, com jogadores como Sepp Maier, Beckenbauer, Rummenigge e Gerd Müller (artilheiro da Copa de 1974).

O patético é que o gol da vitória do Fluminense foi contra, quando o artilheiro Müller tentou cortar um chute de Cléber. Fazer contra foi uma raridade na carreira desse goleador.

Veja o vídeo compacto desse jogão, que apontou vitória do Fluzão por 1 x 0.

Os vermelhos escaparam de derrota maior.

Dia de passe milimétrico de Rivelino.

Cafuringa inspirado, com seus dribles pela ponta direita.

Enfim, um jogo memorável entre duas seleções: a “Máquina” tricolor e o esquadrão vermelho alemão.

Escalações:

Fluminense: Félix, Toninho, Silveira, Assis e Marco Antônio; Zé Mário, Cléber e Rivelino; Cafuringa, Paulo César Lima (Manfrini) e Mário Sérgio. Técnico: Carlos Alberto Gomes Parreira.

Bayer de Munique: Sepp Maier, Bernd Durnberger, Hans-Georg Schwarzenbeck e Sepp Weiss; Franz Beckenbauer, Franz Roth, Conny Tortensson e Karl-Heinz Rummenigge; Rainer Zobel, Gerd Müller e Jupp Kapellmann. Técnico: Dettmar Cramer.

Nossos times na Libertadores deste ano

Atlético Mineiro e Coríntians dão sinais de força para conquista da Libertadores.

Dificilmente um brasileiro não será campeão dessa disputa.

Meu Fluzão vive momento de instabilidade, com baixo rendimento de jogadores importantes, contusões previsíveis etc.

Grêmio, instável. Palmeiras não deve avançar muito.

O São Paulo não mantém regularidade.

É o que vejo até o momento dos nossos times na Libertadores.

Nossa festa é tricolor

Tricolor carioca está no alto

O grande Zé Maria Viana organiza carreata do tetra do Flu para domingo (18), após jogo contra o Cruzeiro – transmitido pela TV, direto do Estádio Engenhão (Rio de Janeiro).

Começa na lateral do Estádio Nogueirão, em Mossoró.

Uma delegação que partirá do Soccer Maracanã (Inocoop do Nova Betânia) reforçará a movimentação.

Incalculável multidão de meia-dúzia de apaixonados promete fazer a festa.

dentro com meu “transporte” e camisa grená, verde e branco.

Autoridades municipal e estadual de trânsito, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Federal e Interpol trabalham conjuntamente à interdição de ruas, avenidas, praças, becos, travessas, valas, túneis, pontes, vielas, estradas carroçáveis, espaço aéreo e pontas de calçadas.

Marinha, Exército, Aeronáutica, tropas internacionais da ONU e Otan também formam força-tarefa à garantia da soberania tricolor nessa avalanche humana e motorizada, que será comparada à tomada da Normandia na 2ª Guerra Mundial.

Na terra, mar e ar… a festa é tricolor.

Avante, tetracampeões brasileiros (2012)!

Todos os corações de um tetra tricolor

Adotei uma comemoração contida, mas nem por isso desprovida de emoção. O tetracampeonato brasileiro de futebol do Fluminense, conquistado com antecipação, ontem, com 3 x 2 no Palmeiras (em Presidente Prudente, SP), foi demais!

Em 2010, no tri, a manguaça emendou da noite de domingo (5 de dezembro) à madrugada do dia 6 em Mossoró. Inesquecível.

Agora, outro “porre” de alegria, vendo o jogo em Natal. Sóbrio.

O título chega com números arrasadores e incontestáveis para o campeão tricolor. Um campeão com autoridade.

E é bom frisarmos que ainda faltam três partidas:

– Melhor ataque (59 gols, por enquanto);
– Melhor defesa (28 gols sofridos);
– Melhor goleiro (Diego Cavalieri);
– Artilheiro da competição (Fred, 19 gols, por enquanto);
– Maior saldo de gols (31);
– Maior número de vitórias (22, por enquanto);
– Maior número de vitórias fora de casa (11, por enquanto);
– Menor número de derrotas (3);
– Maior pontuação de toda era de pontos corridos com 20 clubes (76, por enquanto);
– Maior aproveitamento de pontos (72,4 pontos percentuais dos disputados até o momento);
– Invicto contra times paulistas e cariocas no Brasileirão 2012…

Ufa!!

Esta é uma postagem eminentemente pessoal, assinalo. Foge um pouco ao espírito plural da página, admito. Mas é um “excesso” a que me permito, com a compreensão do webleitor.

Veja AQUI a ficha técnica de todos os jogos (com escalação, fotos e reportagem sobre as partidas).

Cenas de uma tensão tricolor

Últimos minutos do jogo Fluminense 2 x 1 Coritiba no Estádio do Engenhão, quinta-feira (25).

Como tem sido comum, vejo o futebol na casa do amigo José Maria Viana. Tensão entre os quatro tricolores presentes.

Fico de pé. Prevejo o ocaso.

O odontólogo Marconi Cavalcanti ajoelha-se com mãos postas, empalmadas uma na outra  (kk!)!

O vereador e vice-prefeito eleito de Upanema, Anízio Júnior (PR), “Juninho”, atraca-se a um volumoso rádio e resmunga palavras ininteligíveis (palavrões etc.).

“Zé” Maria derruba copo com cerveja, esbraveja contra tudo e todos. Falta-lhe fôlego, sobra manguaça. Agita os braços; parece que vai alçar voo com seu corpinho cevado.

Fim de jogo.

Mas a tensão continua…

O salto para a história do inesquecível “Gato Félix” tricolor

Meu time de botão está com sério desfalque. Félix morreu. O “Gato Félix”, imortalizado na Seleção Canarinha de 70, morreu de enfisema pulmonar – hoje em São Paulo.

Félix, em defesa pelo Fluminense, 1971, jogando contra o São Paulo, no Morumbi

Félix no gol. Assim começava a escalação do Fluminense que eu dava vida no comando de uma palheta manuseada com rara destreza.

Vi-o jogar com olhar encantado e deslumbramento na grande tela; um pouco pela TV.

O “Canal 100”, espécie de jornal que era apresentado antes da exibição de filmes nos cinemas do Brasil, dava um resumo do futebol – principalmente do Rio de Janeiro. Foi ali que o goleiro franzino, de apenas 1,79 – ficava gigantesco diante de mim.

“Papel”, seu apelido, era sóbrio, sem qualquer tipo de salto espalhafatoso e cinematográfico para sair na capa do jornal. Quem viu Castilho jogar, afirma: Félix foi inferior a ele.

Quem se importa com essa observação? Eu vi Félix. Era meu goleiro no botão, inspiração para ser também um “arqueiro”, como se dizia à época.

Sou de uma geração que se encantou com Paulo Vítor nos anos 80 e agora se rende a Diego Cavalieri. Mas foi Félix, no campinho de “Estrelão” (onde o futebol de botão era jogado), que fez minha cabeça para sonhar em um dia ser goleiro.

Nos campos improvisados da Estrada de Ferro ou no gol marcado por duas pedras, em pleno leito da rua, fui um fracasso retumbante. Frangueiro, sem reflexo ou impulsão. Não mereceria uma crônica de Nelson Rodrigues. Não seria Félix; percebi logo.

Com escassa memória que me chega aos dias atuais, fui aquele menino magrinho que viu Félix na Copa de 70, espiando jogos numa TV que ficava sobre o janelão de uma casa à Rua Dr. Francisco Ramalho, Centro de Mossoró. Famílias inteiras afluíam para se converterem em nacionalistas, diante daquela maravilha da tecnologia, em preto e branco.

Eu estava lá, na plateia, parte dos 90 milhões de brasileiros em ação, gritando: “(…) Pra frente, Brasil…”

Era a primeira Copa do Mundo sendo transmitida ao vivo. No gol, Félix. Quem se fixava nele, quando Gérson, Jairzinho, Pelé, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto e Clodoaldo desfilavam imponentes, como deuses do futebol arte?

Que bela ironia o destino me pregou. Estou aqui a descobri-la quando lembro do goleiro tricolor: eu queria ser como “Papel”, no gol do Fluminense.

O papel que me sobrou foi do jornal impresso. Fui sendo sugado diariamente pelo rolo de uma máquina datilográfica, engenhoca que há alguns anos era a fonte de minha produção profissional, uma paixão, uma razão de viver.

No gol, sempre ele. Fica quem é do ramo: O Gato Félix. Para sempre.

Saudações tricolores!

Saiba um pouco mais sobre Félix clicando AQUI.

ABC leva a melhor sobre o América em Goianinha

O ABC levou a melhor no primeiro jogo da decisão do 1º turno do Campeonato Estadual de Futebol do RN, versão 2012. Ganhou do América por 0 x 1, hoje à noite.

O jogo foi em Goianinha.

O time alvinegro fez 1 x 0 ainda no primeiro tempo, com Alisson. O alvirrubro não conseguiu reverter a situação e terá que vencer o adversário no domingo próximo, no Frasqueirão, por pelo menos dois gols de diferença, para ser campeão.

Pelo Campeonato Carioca, o Fluminense empatou em 1 x 1 com o Botafogo e o venceu por 4 x 3 nos pênaltis, garantindo passaporte para a final do 1º turno da competição, contra o Vasco, no próximo domingo.

O goleiro Diego Cavalieri defendeu pênaltis de Lucas e Loco Abreu e Jefferson, do Botafogo, impediu cobrança em gol do meia Jean.

No tempo normal, Elkeson fez 1 x 0 para o Botafogo e Leandro Euzébio empatou.

Minha “dopamina” nesta terça-feira e à eternidade

Bom-dia, webleitor. Saúde e paz.

Dessa janela virtual desejo paz de criança dormindo, para enfeitar o dia e a noite dos que quero bem; respeito às diferenças e silêncio aos que são indiferentes ou insensíveis.

Meu primeiro olhar, contudo, é pro meu eu, num necessário mergulho em busca do autoconhecimento.

E como bem diz uma antiga música de Dominguinhos/Manduka, “quem me levará sou eu”.

Amém!

Minha “dopamina” são meus filhos; da mesma forma meus amigos. Inclua aí meu Fluminense; o amor de uma mulher que quer amar e ser amada.

A natureza que lá fora brota com a chuva ou é tocada pelo sol. A palavra impressa em livro, de Hannah Arendt a Machado de Assis. A música que diz muito ou apenas mexe com o corpo.

Minha “dopamina” é mais do que um neurotransmissor, quando estou em meu ofício laboral.

Por isso sou feliz.

Feliz “quesó”.

Uma paixão grená, verde e branco

No estádio, no rádio, no Canal 100, na TV... uma paixão também de mãe

“Futebol não é coisa pra mulher”. Ouço há tempos essa afirmação. Nem a enxurrada delas nos estádios, sempre muito produzidas, melhorou o jeito machista com que a maioria de nós as enxerga.

A picardia masculina ainda exagera nas piadas, no desdém. E ninguém invente de perguntá-las sobre regras. Podem confundir com outra regra: a biológica, do seu ciclo mestrual. “Impedimento?” Nossa Senhora. Deixa pra lá.

Paixão do brasileiro, como não associar o futebol à mulher, outra paixão, mesmo que muitos assim não pensem? Ou gostem. Por favor, sem maldades novamente. É apenas uma observação óbvia, sem preconceito.

A “maria-chuteira” também não é um subproduto do meio. É uma versão pro meio, da profissão mais antiga do mundo, com outra roupagem. Só isso.

E a carne é fraca, reconheçamos. Com ou sem chuteiras.

A bola, rechonchuda, seduz os dois gêneros: homens e mulheres parecem tocados por sua esférica forma de se insinuar; folgosa, escapa das mãos espalmadas do goleiro, faz dançar o zagueiro cintura dura; beija a rede como se fosse a única.

Encanta.

Histórias eu tenho muitas para contar. De jogos inesquecíveis, para desabar de alegria. Tem aqueles que nem é bom falar. Não carece, por magoar muito. Reabrem feridas. Mutilam a alma.

Outras tantas são de encher os olhos de emoção; eriçam os pelos. Com direito a crônicas de Nelson Rodrigues e Armando Nogueira, além da narração de Januário de Oliveira, sempre “cruel, muito cruel!” Para ser mais enfático: “Sinistro!”

Podem ser aquelas feitas na imaginação, passada pelo rádio colado ao ouvido e que ecoava em forma de vinheta, numa apresentação dispensável: “Waldir Amaral…” E ele lá, todo prosa a matar no peito e emendar: “…Deixa comigo!” O Maracanã desabava num “aaahhh!!!” A gente, mesmo distante, sentindo-o tremer aos pés.

Tem muitas que estão gravadas à memória desse menino-velho, aboletado na cadeira do cinema para ver o “Canal 100”,  com a trilha “na cadência do samba” (tan, tan, tan, tan, tan… que bonito é!!), letra de Luiz Bandeira em arranjo de Waldir Calmon. No telão, a revista da semana e o show de imagens em superclose.

Nossos ídolos enormes, quase saltando sobre nós. O “v” da vitória de Mickey; punhos cerrados de Rivelino. Eis o “Gato Félix” em mais uma bola despachada para escanteio… a galera em delírio. A narração grave e cavernosa de Luiz Jatobá reporta o que parece ser meu campo imaginário. Eu, o próprio craque. Vago sonhando.

Tricolor! Alguma dúvida?

Dona Maria José Bezerra, também. Vou contar a mais recente dela.

Ex-vereadora em Upanema, essa mulher de fibra, mãe de uma prole honrada e referência familiar em sua cidade,  morde os lábios e comprime uma mão contra a outra. Ansiosa, espera o filho Anízio Júnior, o “Juninho de Mãinha”, como é carinhosamente conhecido, lhe trazer o resultado do jogo Fluminense x Atlético-GO.

– Ganhamos de 3 x 2, mãinha – desmancha-se Juninho.

Alívio. Ela pode desacelerar e respirar em paz.

O jogo seria reprisado pelo canal por assinatura do qual a família é assinante. Só aí ela, prestes a completar 73 anos, teria coragem de ver a partida épica do seu “Fluzão”, tranquilamente. Contudo não é bem assim que acontece.

Com o placar adverso até os 36 minutos do segundo tempo, os rubro-negros do Atlético impondo 0 x 2, dona Maria José vira-se, tensa, com olhar melancólico e terno para o filho e confessa-lhe seu desapontamento diante da informação passada. Sente-se lograda:

– Meu filho, você me enganou. A gente está perdendo!

– Espere, tenha paciência; eu não lhe enganei, não – defende-se.

Em oito minutos finais, o Fluminense vira para 3 x 2. Em salto da cadeira, emocionada como se assistisse o jogo ao vivo, em pleno Engenhão, ela exclama à exaltação da paixão tricolor. Humilde, ainda, no perdão por desconfiar do seu time e do rebento: “Meu filho, que coisa maravilhosa! Nós ganhamos!”

Maravilhosas histórias. Outras tantas. Dela mesma, dona Maria José. De coragem.

Coragem para desembarcar no Rio de Janeiro e aguentar 90 minutos de Fluminense 1 x 0 Guarani, em dezembro de 2010. Ao lado de um filho e sobrinho, suportou bravamente mais essa provação. O título foi uma benção.

Seu marido, Anízio, ainda bem jovem em sua Upanema, em sítio distante da área urbana, todo final de semana ia para a cidade. No retorno, os sobrinhos que o tratavam por “Didi”, lhe perguntavam o destino naqueles dias de ausência. “Fui jogar pelo Fluminense,” respondia-lhes serenamente, com pinta de um “Príncipe etíope”, elegância tricolor nos gramados.

Inocentes, crédulos, os meninos idolatravam mais ainda o tio, que eles acreditavam realmente jogar no Fluminense, pois ouviam seu nome, narrado em som estridente do rádio enorme posto à sala da casa humilde, “santuário” de uma paixão.

Talvez – lá em cima, noutra dimensão, seu Anízio já tenha se explicado ao verdadeiro Didi, criador da “folha-seca”. Tudo não passou de uma brincadeira inocente.  “Indivíduo competente”, diria Waldir Amaral.

Seu Didi, o de Upanema, concordaria sem pestanejar, envolto numa camisa grená, verde e branco.