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Desvio de recursos federais da educação terá depoimentos

PF fez operação em março (Foto: arquivo)

A Justiça Federal em Mossoró colherá depoimentos amanhã (terça-feira, 05) na fase de instrução relativa à “Operação Tristitia”, provavelmente durante todo o dia.

A operação refere-se a compras de livros, fardamentos e merenda escolar na gestão da ex-prefeita Antônia Luciana (MDB) e envolve também outras figuras da política na cidade de Baraúna e empresários na região.

Foi deflagrada dia 20 de março, com algumas prisões. Os crimes teriam acontecido entre os anos de 2014 e 2016.

Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a municipalidade recebeu transferência de R$ 744 mil, proveniente do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB). Mas desse volume, R$ 440 mil foram desviados.

Leia também: PF encontra R$ 663 mil escondidos em operação no RN.

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Um caminho a seguir com foco nas receitas próprias

Por Gutemberg Dias

Hoje vamos falar sobre as receitas próprias do município de Mossoró. Destaco de antemão que comparada às despesas são poucas, mas que podem garantir um bom fôlego a gestão se forem geridas e utilizadas de forma coerente.

Vale destacar que esse tipo de receita tem sua aplicação em sua grande parte livre, ou seja, pode ser destinada a qualquer atividade do município sem nenhum tipo restrição. Salvo as taxas em relação aos serviços públicos que obrigatoriamente são aplicadas neles próprios, como a taxa de limpeza, contribuição de iluminação e multas de trânsito.

Essas taxas correspondem a uma pequena parcela do montante arrecadado, não chegando a 10% de toda a arrecadação própria.

Alguém tem noção quanto nosso município arrecada com recursos próprios? E o que poderia fazer para melhorar essa arrecadação, sem onerar ainda mais o cidadão?

Vamos, primeiro, entender melhor quais são as principais receitas próprias de um município. Podemos dividi-las em tributárias (Impostos, taxas e contribuições de melhoria), que nesse contexto se enquadram o IPTU, ITR, ITBI, ISS, taxa de limpeza etc; contribuições (Contribuição de Iluminação Pública); transferências constitucionais (FPM, ICMS, IPI, IPVA etc); patrimonial, relacionada à exploração econômica do patrimônio público e; serviços, que decorrem da cobrança de tarifas sobre os serviços públicos (ônibus, mercados, feiras entre outras).

Mossoró no ano de 2015 arrecadou em receitas próprias R$ 198 milhões, já levando em consideração as deduções para formação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB). Obviamente que existe a contrapartida para o financiamento do SUS que leva no mínimo 15% desse montante e a complementação da educação que chega a 5%.

Sendo assim, fazendo os descontos dos 10% das taxas, 15% do SUS e mais 5% da educação, se tem uma redução sobre o montante de 30%, ou seja, o gestor municipal em 2015, teoricamente, teria algo próximo aos R$ 138 milhões para investimento. Só que isso não acontece devido a quase totalidade desse recurso ir para o pagamento da folha.

Por isso, hoje é imprescindível que a gestão da prefeita Rosalba Cialini (PP) comece a pensar em alternativas para aumentar a arrecadação própria. Principalmente, devido à queda constante das transferências como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Uma ela já implementou que foi o aumento do IPTU. Porém, considero que a forma utilizada foi de extrema maldade com os munícipes, mas isso mostra que a equipe econômica dela está se mexendo na cadeira para buscar alternativas para o aumento das receitas.

Particularmente, acredito que para garantir o crescimento sustentado da receita  é preciso criar indicadores e estabelecer metas para os tributos mais relevantes, fazendo uma análise comparativa.

Para tanto, é preciso que a gestão da prefeita foque na gestão fiscal, não criando novos tributos ou sobretaxando os já existentes, mas entendendo como se dá essa arrecadação e como é possível fazê-la ser mais eficiente.

Um ponto importante que precisa ser levado em consideração é a questão da redução dos volumes de recursos sonegados. Vamos pegar o exemplo da maior fonte de arrecadação própria do município no ano de 2015 que foi a participação no Imposto sobre Circulação dos Serviços (ICMS), com R$ 87 milhões.

Se houver, por exemplo, uma parceria do município com o estado para melhorar a eficiência na fiscalização não tenho dúvida que esse número poderia crescer. Assim, como a arrecadação advinda da participação no IPVA que em 2015 foi de R$ 15 milhões. E assim por diante.

Outro exemplo claro é a questão da dívida ativa do município. A Procuradoria que responde por esse setor tem que focar suas ações nas grandes causas e criar um mecanismo mais simples para cobrar dos pequenos devedores, como por exemplo, inscrição no SERASA/SPC. Dessa forma, os processos de maior monta sempre seriam prioridade.

Não tenho a mínima dúvida que se a prefeita Rosalba Cialini orientar bem sua equipe de tributação, bem como, criar mecanismos de controle efetivos dos gastos, ela tem condições nos próximos três anos de reorganizar as finanças sem onerar mais os contribuintes.

Soluções existem, basta pensar e agir para fora do quadrado.

Gutemberg Dias é graduado em geografia, mestre pela UERN e empresário.

Devolução de recursos do Fundeb é pauta de hoje com ministro

Mendonça Filho: encontro hoje (Foto: Arquivo)

Uma comitiva de prefeitos do Rio Grande do Norte se reunirá com o Ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), nesta segunda-feira (30), no Instituto Metrópole Digital, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), às 17h30, para discutir a devolução de verbas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento à Educação (FNDE).

O encontro foi articulado entre o Presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte – FEMURN – Benes Leocádio (PMDB), e o deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN).

Além do presidente da Femurn, dez prefeitos, dois procuradores e o vice-governador do Estado, Fábio Dantas (PCdoB), deverão participar da reunião. No encontro, os gestores irão apresentar ao Ministro as dificuldades que os municípios e o Estado deverão enfrentar caso tenham que devolver à União R$ 192 milhões referentes ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB).

Entenda

No ano de 2015, os municípios repassaram os dados escolares relativo ao Fundeb, receberam a complementação e aplicaram devidamente os recursos.

A União alegava que o Rio Grande do Norte não teria direito a complementação e cobrou os valores aos municípios. A Femurn optou por ajuizar uma ação coletiva para que os municípios não fossem penalizados pelo erro de cálculo da união, e alegou que as prefeituras não agiram por má fé recebendo os recursos e os aplicando corretamente.

O entendimento havia prevalecido para o Supremo Tribunal Federal (STF), até o ministro Marco Aurélio reexaminar o processo no final de 2016.

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Justiça afasta prefeita e determina busca e apreensão

O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria da República de Mossoró, e o Ministério Público Estadual (MPRN), por meio da Promotoria de Justiça da Comarca de Baraúna/RN, com apoio do GARPP (Grupo de Atuação Regional de Defesa do Patrimônio Público) e do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), deflagraram, na manhã desta quinta-feira (1), a “Operação Didática”, voltada à apuração de atos de improbidade administrativa perpetrados no âmbito da Prefeitura de Baraúna.

Luciana é mulher do ex-prefeito Gilson Oliveira, que responde a vários processos (Foto: arquivo)

Na seara federal foi instaurado Inquérito Civil voltado à apuração de irregularidades na gestão de recursos públicos federais repassados ao Município de Baraúna, no exercício 2014, referentes ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e ao Programa de apoio à Manutenção da Educação Infantil (MDS).

Já na esfera estadual, a investigação abrange a decretação de estado de emergência forjado por parte da Prefeitura de Baraúna, utilizado como fundamento para dar ares de regularidade a dispensas de licitação indevidas, bem como o pagamento indevido de serviços de licenciamento de uso e direito de software, os quais não restaram devidamente executados.

Afastamento

Os procedimentos investigatórios deram origem a Ações Civis de Improbidade Administrativa, uma em trâmite perante a 8ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte e duas perante a Vara Única da Comarca de Baraúna/RN. Ambos os Juízos decretaram o afastamento provisório da Prefeita Antônia Luciana da Costa Oliveira (PMDB), tendo o referido juízo estadual autorizado ainda à realização de busca e apreensão nas dependências da Prefeitura Municipal de Baraúna.

Policiais na frente da Prefeitura hoje pela manhã (Foto: cedida)

Foi decretada, por ambos os juízes (Federal e Estadual), a indisponibilidade de bens dos réus, no valor total de R$ 3.121.141,25, sendo R$ 2.756.093,15 bloqueados pelo juiz Federal e R$ 365.048,10 pelo juiz de Comarca de Baraúna.

A Justiça Federal determinou, ainda: a proibição de ingresso e aproximação das dependências da Prefeitura de Baraúna/RN, bem como de contato com integrantes da administração municipal, em relação aos réus pessoas físicas; a proibição de novos empenhos e pagamentos por parte do Município de Baraúna em favor das empresas demandadas.

Polícia e marido

Os mandados de afastamento da prefeita e de busca e apreensão estão sendo cumpridos por Oficiais de Justiça – Federal e Estadual – e por membros do Ministério Público Estadual e servidores, com apoio da Polícia Militar.

Luciana é mulher do ex-prefeito Gilson Oliveira, o “Gilson Professor”, que convive com diversas demandas judiciais e condenações. É velho conhecido dos tribunais.

O vice-prefeito é Édson Barbosa (PV).

Depois traremos mais detalhes sobre o caso. Aguarde.

Veja postagem sobre o assunto que Blog já fizera hoje clicando AQUI.

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Femurn mobiliza prefeitos em defesa de verba do Fundeb

O presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN), Francisco José Júnior (PSD), convoca a todos os prefeitos e prefeitas filiados a assinar autorização contra a devolução do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

A ação objetiva a suspensão da cobrança das complementações recebidas pelos municípios, tendo em vista que as prefeituras repassaram os dados corretos ao Fundo Nacionais de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e o valor recebido foi devidamente aplicado.

“Pedimos a todos os prefeitos para procurarem a sede da FEMURN, a partir desta terça-feira, até a próxima quinta-feira, e assinarem o documento. A assinatura de todos é importante para reforçar ação e evitar que esse prejuízo venha afetar a educação dos nossos municípios.”, destacou Francisco José.

O presidente da FEMURN enfatiza o momento de dificuldade financeira extrema vivenciada pelos municípios e promete ser incansável para ter sucesso nesta ação. “As Prefeituras não aguentam pagar mais esta conta. Os prefeitos e prefeitas estão fazendo malabarismos há meses para honrar os compromissos. A justiça será nossa aliada”, destaca.

Com informações da Femurn.

Prefeituras podem ficar sem repasse do Fundeb

O contingenciamento de recursos anunciado esta semana pelo governo da presidente Dilma Rousseff (PT) atingirá, em cheio, o sistema educacional brasileiro. Isso porque, com a economia “emergencial”, não haverá repasse de complementação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, o conhecido Fundeb.

As prefeituras do RN já teriam sido, inclusive, informadas da decisão. Diante da informação, o deputado federal Rogério Marinho (PSDB) procurou esclarecimentos juntos ao Ministério da Educação.

Segundo o parlamentar, caso o fato realmente seja concretizado, representará uma “quebra do pacto federativo. É uma forma truculenta de se fazer política e um desrespeito aos municípios brasileiros”.

Veja pronunciamento clicando na caixa de vídeo acima.