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“Bolsopetismo” de Mossoró é mistura estranha, mas com objetivo claro

Por William Robson

Arte ilustrativa da Origensbio
Arte ilustrativa da Origensbio

É possível pensar o bolsonarismo e o petismo juntos? Não falando exatamente da coligação que ocorre em 85 cidades brasileiras, onde o PT e o PL são aliados. Trata-se de cooperação de dois campos políticos antagônicos, quando a água e o óleo se misturam na pior das hipóteses. Em Mossoró, bolsonaristas e petistas andam de mãos dadas em situações políticas extremamente complexas.

Na cidade, a aliança é denominada de “bolsopetismo” e se manifesta de várias formas. A primeira delas deu-se quando o PT abriu mão de sua candidatura (mesmo com o suporte dos governos federal e estadual) para apoiar um candidato que foi da linha de frente da campanha do arquirrival. O presidente da Câmara, Lawrence Amorim (PSDB), pediu votos para Bolsonaro em 2022, não se identifica com o PT e até afirmou à época:

“Fui prefeito durante seis anos do governo do PT e sei que os municípios tinham muita dificuldade”, relatou em vídeo nas redes sociais, apagado após o acordo. “Os prefeitos estavam de pires na mão em Brasília. Hoje [com Bolsonaro], a realidade é outra, nenhum município tem salários em atraso, porque existe hoje mais Brasil e menos Brasília”.

Quando a governadora Fátima Bezerra (PT) e a deputada estadual Isolda Dantas (PT) apertaram a mão de Lawrence, em junho, selando o enlace, o vídeo desapareceu de suas redes. Outros, no mesmo diapasão, também.

O “bolsopetismo” celebrado irritou parte do petismo mais puro, a exemplo da secretária de Juventude do PT Mossoró, Ana Flávia, demonstrando total contrariedade (veja AQUI). Foi voto vencido. Até mesmo a vereadora Marleide Cunha (PT), feroz lutadora antibolsonarista, encarregou-se de dar um tapa no visual de Lawrence, suavizando suas convicções, a ponto de tentar dobrá-lo delas:

“Essa mentira será desconstruída, porque Lawrence é do time de Lula”, referiu-se em comício, há poucos dias, sem fazer qualquer alusão às recentes posturas do agora aliado.

Bolsonarismo e petismo se unem por conveniência e por fins que fazem ambos se tornarem palatáveis entre si. A rigor, o ex-presidente Bolsonaro tem seu candidato em Mossoró. É o empresário e ex-vereador Genivan Vale (PL). Lula, por sua vez, emerge no horário eleitoral pedindo votos para Lawrence. Parecem candidaturas adversas até perceber-se a patente união.

É o caso das vices de ambos os candidatos, que cumpriram agendas juntas e até recorreram ao “collab”, ferramenta do Instagram que permite a mesma publicação em contas diferentes. A bolsonarista-raiz Nayara Gadelha (PL), vice de Genivan, e a vereadora Carmem Júlia (MDB), vice de Lawrence, são “oponentes” que fazem campanhas unidas (veja AQUI). Ou seja, falam a mesma língua e expõem o projeto bolsopetista em que há apenas um inimigo.

Neste núcleo complexo, o inimigo é o prefeito Allyson Bezerra (UB). A expressão “inimigo” pode ser pesada, porém foi aplicada pelo agrupamento para classificar o gestor atual.

Por outro lado, o campo progressista, do qual o PT mossoroense abriu mão, segue ocupado pelo candidato Victor Hugo (UP). Ele foi o maior destaque do debate da TCM, a ponto de relacionar os candidatos bolsopetistas aos acordos mais distintos: com grupos antagônicos, oligarquias e até mesmo de integrar a gestão que agora criticam por quase sua totalidade.

“Todos aqui são farinha do mesmo saco e se passam por oposição”, afirmou ele.

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Victor lembrou que Genivan é apoiado pela ex-prefeita Rosalba Ciarlini Rosado (PP), e que Lawrence “faz parte de uma família que manda no Alto Oeste há quase 60 anos (…) e querem (sic) também mandar aqui”. Assim, não poderiam propor algo novo.

Por fim, a aliança bolsopetista agora ameniza as falas bolsonaristas de Genivan — antes considerado radical, negacionista e antivacina. E, na mesma trincheira, Lawrence virou a “esperança” lulista. Deu para entender?

Leia também: Qual o peso de Lula e Bolsonaro nas eleições de Mossoró?

William Robson é jornalista e professor. Doutor em Jornalismo (UFSC) e mestre em Estudos da Mídia (UFRN)

*Texto originalmente publicado no jornal/portal Agora RN de Natal.

Genivan e candidatos do seu partido já receberam R$ 3,9 milhões

Arte do Portal do Oeste
Arte do Portal do Oeste

Por Magnos Alves (Portal do Oeste)

Genivan Vale (PL), entre os candidatos a prefeito de Mossoró, e Mazinho da Saci (PL), na extensa lista de candidatos a vereador, lideram em recursos de campanha recebidos através da doação de partidos políticos.

Entre os cinco candidatos a prefeito, Genivan já recebeu R$ 3.900.00,00 do PL. Atual prefeito e candidato à reeleição, Allyson Bezerra (UB) recebeu, até o momento, R$ 2.249.400,00. Victor Hugo (UP) conta apenas com R$ 3.100,00 do Unidade Popular.

De acordo com os dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lawrence Amorim (PSDB) e Irmã Ceição (PRTB) ainda não receberam recursos de seus respectivos partidos, PSDB e PRTB, à disputa majoritária.

Vereadores

Entre os candidatos a vereador, Mazinho da Saci recebeu R$ 200.000,00 do PL e lidera o ranking, seguido de Jailson Nogueira, também do PL, (R$ 150.000,00) e Franklin Robson, do Avante, (R$ 137.400,00).

O PL é o partido que mais despejou dinheiro na campanha eleitoral de Mossoró até o momento. Sete dos 10 candidatos a vereador que mais receberam recursos partidários são da legenda. O Avante tem dois representantes no Top 10 e o PT, um.

Até aqui, o PL destinou R$ 1.249.000,00 para os seus candidatos a vereador em Mossoró.

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