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“Ninguém”, o vice de Allyson Bezerra

Imagem reprodução do site Pinterest
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Caiu mesmo no esquecimento a curiosidade sobre quem será o vice do pré-candidato à reeleição à Prefeitura de Mossoró, prefeito Allyson Bezerra (UB).

Nem os repórteres indagam-no mais sobre o assunto, em entrevistas. Para boa parcela dos munícipes, vale mais esperar pelo apoteótico “Pingo da Mei Dia.”

E na oposição, alguns ex-aliados que ambicionavam o posto, hoje têm outra preocupação: vê-lo afastado do cargo, para não serem obrigados a enfrentá-lo nas urnas.

Quem será o vice? Pouco importa no momento.

Se tudo ocorrer como anunciado e repetido há vários meses pelo prefeito, o assunto só será objetivamente tratado após o Mossoró Cidade Junina (MCJ) 2024, coisa aí de julho ou até comecinho de agosto.

Por que a pressão, hein?

Mas, vamos lá: e hoje, quem seria o nome favorito ou mais forte ao posto?

“Ninguém.”

Recorro à Odisseia, poema grego milenar de Homero, para ser relativamente claro na voz do personagem central, Ulisses, no retorno à sua casa. Em diálogo astucioso com o gigante caolho Polifemo, que queria devorá-lo e a seus guerreiros, ele se identifica com um codinome criado àquela hora:

“Eu me chamo Ninguém, Ninguém me chamam vizinhos e parentes.”

No devido tempo o vice terá sua identidade aclarada.

Algum favorito?

“Ninguém!”

O gigante pigmeu

Por François Silvestre

Imenso na geografia, na vastidão da natureza, na cultura popular, o Brasil é um pigmeu político. Grandioso na arte. E rico nos folguedos. Mais ou menos no esporte, menos que mais no futebol. Tudo contido na vastidão de uma infinita teia de hipocrisia.

Historicamente duvidoso, juridicamente inseguro, socialmente injusto, culturalmente abandonado.

Até a democracia, no Brasil, ganhou contornos que desmerecem os clássicos conceitos de liberdade e justiça.

Eleições livres? Sim e não. Livres na forma da Lei. No aparato formal, na lisura da apuração. Não se nega.

Mas a liberdade é muito mais do que isso. Eleição realmente livre não se atrela ao poder econômico. Não depende de quem detém o poder, principalmente nos municípios, onde a dependência da população é quase insuperável.

Há exceções? Sim. Porém, o raciocínio analítico sustenta-se na regra. Mesmo reconhecendo as exceções.

E é com o arrazoado do excepcional que temos visto e lido todo tipo de constatação sobre o resultado dos pleitos. Das constatações pueris aos argumentos mais fronteiriços da asneira. Quem legisla sobre eleições não consegue vencê-las sem o abuso econômico. E o pior, sem corrupção.

Uma coisa é certa: O Brasil vive um dos seus momentos históricos de maior pobreza doutrinária. Aqui a palavra pobreza sai do campo da exceção generosa para a regra generalizada. E a pobreza é doutrinária porque as ideologias vigentes e praticantes são estuários da estupidez.

Pobreza política, institucional, social, econômica. Saímos de uma vasta mentira de inclusão social. Esmola sob a farsa dessa “generosidade”, que era apenas um projeto de poder. No processo de esmolar, só o doador se sai bem. Pois faz a catarse de consciência e aquieta o necessitado

Quando cessa o efeito da esmola, o “status quo” anterior retorna com mais violência e mais pobreza. Cessa o efeito, renasce a causa.

Abstenção, voto branco ou nulo, conscientemente, tem a força da contestação. Infelizmente, num país nivelado pela mediocridade de cidadania, fica difícil aquilatar o nível dessa consciência.

O voto obrigatório é uma demonstração de que nem os políticos nem a Justiça Eleitoral confiam no próprio taco. Na Democracia respeitável, o voto é direito e não dever.

Mediocridade política e institucional; na vida pública e privada, onde o que é privado se locupleta na teta pública, e o que é público se completa na privada. Com todos os sentidos.

A Petrobrás foi assaltada com uma brutalidade que a corrupção superou a si mesma. Caiu o mito da eficiência privada, com a constatação da roubalheira praticada por grandes empresas, cooptadas pelo poder público larápio.

No Brasil, até os banqueiros recebem esmola pública. Em bilhões, é verdade, mas esmola. Não é dinheiro ganho com trabalho ou produção.

É esse o nosso tempo. Sem segurança, sem saúde, sem educação. Sobra a ideologia da estultice e da mediocridade!

Té mais.

François Silvestre é escritor