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Oposição pressiona Motta por anistia que beneficia Bolsonaro

Motta teve apoio maciço do plenário para ser eleito (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
Motta chegará sob pressão para tramitação de proposta (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Do Canal Meio e outras fontes

O bolsonarismo tem pressa. Seis dias depois de a Primeira Turma do STF transformar em réus o ex-presidente e outros sete acusados de golpe de Estado, o projeto que anistia os envolvidos no 8 de janeiro virou prioridade nas conversas entre os líderes dos partidos e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Deputados favoráveis à ideia aguardavam o retorno de Motta da viagem de uma semana ao Japão e ao Vietnã, acompanhando o presidente Lula, e devem se reunir com ele hoje para debater a tramitação da proposta (íntegra).

O PL, ao qual Bolsonaro é filiado, é o principal interessado em acelerar o processo, e seu líder na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirma que ao menos mais sete líderes (do União Brasil, Republicanos, PSD, PP, Podemos, Novo e PSDB) se comprometeram com a iniciativa. Cavalcante considera que já tem mais de 300 votos e por isso quer apresentar na quinta-feira um pedido para o texto ser votado em regime de urgência, diretamente no plenário, sem passar pelas comissões. (Poder360)

Para um projeto de lei ser votado, é preciso haver no mínimo 257 deputados na sessão. O texto é aprovado com votos de maioria simples, ou seja, metade dos presentes mais um. Segundo a última atualização do Estadão, que já ouviu 424 dos 513 parlamentares da Casa, há 192 votos a favor da anistia, faltando 65 votos para a maioria absoluta. (Estadão)

O PSD e o PP fazem parte da base do governo Lula e ocupam ministérios. Mas o descontentamento do PSD é grande porque a legenda acredita merecer mais espaço. Já o PP chegou a informar ao PL que mais de 90% de sua bancada endossa a anistia. O PT faz contas e avalia que, se for a plenário, o projeto terá votos para ser aprovado. O texto está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, se nada mudar, terá de ser aprovado lá e em mais cinco comissões antes do plenário. (g1)

Reação

Em resposta à pressão da oposição, a deputada Duda Salabert (PDT-MG) apresentou um PL para proibir a anistia para investigados ou condenados por crimes contra a democracia. A proposta protocolada sugere que o Código Penal vete a concessão de perdão para quem cometer crimes contra as instituições democráticas. Ela alega que a Constituição já tem essa proibição para crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas e terrorismo. “Crimes contra o Estado democrático de direito, dada a gravidade, não devem ser passíveis de anistia.” (O Tempo)

A colunista Camila Bonfim comenta: “Motta sabe que a anistia ainda não vale o preço que custa: pouca adesão de políticos e muito desgaste com o Supremo. Até o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que chegou a pautar temas da ala mais radical, percebeu esse custo e devolveu a proposta à estaca zero. Manter o assunto vivo, ainda que criticando e convocando protestos, acaba ajudando a alimentar o ‘monstro’. Os atos organizados pela esquerda acabaram por reforçar a presença da pauta no debate – tudo que os bolsonaristas radicais mais querem”.

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Delação de Cid detalha venda de joias, trama para golpe e dinheiro vivo

Mauro Cid afirmou que só ele seu mal nos intramuros do poder bolsonarista (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
Mauro Cid afirmou que só ele seu deu mal nos intramuros do poder bolsonarista (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Do Canal Meio e outras fontes

O dia seguinte à denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Jair Bolsonaro (PL) e outros 33 aliados revelou detalhes ainda mais complicados para os envolvidos. A divulgação da delação do tenente-coronel Mauro Cid, que foi ajudante de ordens do ex-presidente, é explosiva.

Mauro Cid disse em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), que todos teriam “se dado bem” e ficado “milionários”, enquanto ele “perdia tudo”. As declarações de Cid aconteceram em depoimento em 22 de março de 2024. (Estado de Minas)

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, derrubou o sigilo do acordo que Cid firmou com a Polícia Federal. Além disso, deu 15 dias para que os 34 denunciados apresentem suas defesas por escrito.

Segundo o ministro, “não há mais necessidade da manutenção desse sigilo, devendo ser garantido aos denunciados e aos seus advogados total e amplo acesso a todos os termos da colaboração premiada”.

Ao firmar a colaboração, Cid indicou quais benefícios pretendia obter, como pena máxima de dois anos de prisão. E se comprometeu, entre outras coisas, a analisar documentos e provas, reconhecer pessoas, prestar depoimentos e auxiliar peritos.

Sobre a tentativa de golpe, disse que participou de reuniões em que militares discutiram uma possível intervenção e confirmou ter recebido do general Braga Netto dinheiro vivo em uma caixa de vinho, no Palácio da Alvorada, para organizar as ações golpistas. Contou que viu o ex-presidente editando a “minuta do golpe” e que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) discordaram sobre qual deveria ser a reação do pai após a derrota nas eleições.

Segundo Cid, Flávio foi contra um golpe de Estado, enquanto Eduardo apoiou a ideia.

Joias e dólares

Sobre as joias sauditas, afirmou que, junto com seu pai, o general Mauro Lourena Cid, repassou US$ 86 mil a Bolsonaro entre 2022 e 2023, após a venda das peças recebidas como presente. “Eu não participei de nenhum planejamento detalhado, de nenhuma ação, meu mundo era o mundo do presidente. O meu mundo era o presidente”, afirmou Cid. (g1)

O STF deve começar a julgar a denúncia entre o fim de março e o começo de abril, relata Letícia Casado. Esse é o prazo para que as partes apresentem suas manifestações e a Corte consiga dar início ao andamento da ação penal. (UOL)

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PGR denuncia Bolsonaro e outras 33 pessoas por tentativa de golpe

Bolsonaro foi denunciado pelo procurador-geral da República, Paulo Bonet (Foto: Adriano Machado/Reuters)
Bolsonaro foi denunciado pelo procurador-geral da União, Paulo Gonet (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Da Exame, G1, CNN e outras fontes

O procurador-geral da União, Paulo Gonet, apresentou nesta terça-feira, 18, uma denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Golpe de Estado e Organização criminosa. Ao todo, 34 pessoas estão denunciadas.

Segundo a PGR, Bolsonaro seria líder da organização criminosa responsável pelos “atos lesivos” à democracia. O órgão também destaca que o objetivo do grupo era mantido por meio de um “projeto autoritário de poder”.

Esta é a primeira vez que Bolsonaro é denunciado criminalmente perante o Supremo Tribunal Federal (STF) desde que se tornou presidente. Assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet, a denúncia foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes.

A acusação representa a etapa mais avançada de uma investigação contra o ex-presidente no STF. Ao longo dos últimos anos, a Polícia Federal concluiu que o político cometeu crimes em ao menos cinco investigações que tramitam no tribunal. Em três delas, Bolsonaro foi indiciado.

A PF concluiu que ex-presidente cometeu crimes e o indiciou na investigação que apura fraude em seu cartão de vacinação, na apuração que mira a venda de joias sauditas presenteadas ao governo e, posteriormente, negociadas nos Estados Unidos, e nesta sobre a trama golpista.

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A denúncia contra o ex-presidente será analisada pela Primeira Turma do STF. O colegiado é presidido pelo ministro Cristiano Zanin, a quem cabe marcar a pauta de julgamentos.

A expectativa é a de que a denúncia seja recebida pelo colegiado e que o ex-presidente se torne réu ainda neste primeiro semestre. Compõem a Primeira Turma os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux Ministro e Flávio Dino.

Saiba mais detalhes clicando AQUI.

PF prende general Braga Netto, ex-vice de Jair Bolsonaro

General Braga Netto recebeu quase um milhão de reais em dois meses (Foto: Marcelo Camargo)
General Braga Netto integrou chapa do ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto: Marcelo Camargo/Arquivo)

A Policia Federal prendeu neste sábado Walter Souza Braga Netto, ex-vice de Bolsonaro na chapa de 2022. Ele é alvo do inquérito do golpe. A PF realiza buscas na casa dele.

Ele foi preso no Rio, em Copacabana. Será entregue ao Comando Militar do Leste e ficará sob custódia do Exército.

Braga Netto é general da reserva do Exército, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa do governo Bolsonaro e candidato a vice na chapa que perdeu a eleição de 2022.

A Polícia Federal indiciou Braga Netto, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-ajudante de ordens tenente-coronel Mauro Cid por tentativa de golpe de Estado.

Na lista, também estão ex-ministros do governo Bolsonaro, ex-comandantes do Exército e da Marinha, militares da ativa e da reserva e ex-assessores do ex-presidente.

De acordo com as investigações, Braga Netto atuou diretamente para financiar ações ilícitas, inclusive dando dinheiro em uma sacola de vinho para os golpistas.

Desde o início da investigação do golpe, a Polícia Federal se depara com o debate sobre se havia elementos suficientes para prender ou não Braga Netto.

Ao longo da apuração, a PF concluiu que Braga Netto era o arquiteto do golpe – que era a principal autoridade por trás do planejamento do golpe- e quem dava respaldo e credibilidade entre os oficiais e comandantes.

Era, nas palavras de um investigador, “a cabeça, o mentor do golpe- mas sob comando de Bolsonaro”.

E tudo sob comando de Jair Bolsonaro. Para a PF, Bolsonaro seria o principal beneficiado, mas a cabeça pensante em relação à operacionalização do golpe, juntos às Forças Armadas, seria Braga Netto.

E essas informações os investigadores acreditam terem alcançado com o avanço da apuração- inclusive, com informações da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Com o material em mãos, a PF decidiu agora que tinha elementos suficientes para prender Braga Netto, como fez neste sábado.

Poderia ter feito antes, mas havia a preocupação de que a data não coincidisse com o 13 de dezembro, data do AI-5, o mais duro dos decretos militares para não soar como provocação a militares.

Veja matéria completa AQUI.

Mobilização em favor de Lula tem participação modesta

O movimento do “Comitê Popular em Defesa da Democracia e do Direito de Lula ser Candidato” em Natal, no dia de hoje (24), acabou juntando número modesto de pessoas.

Manifestantes em Natal cumpriram programação política em defesa do presidente Lula (Foto: Inter TV Cabugi)

A mobilização organizada pela Frente Brasil Popular, do qual faz parte o Partido dos Trabalhadores (PT), empinando o lema “Eleição sem Lula é Fraude”, teve participação de cerca de 200 pessoas, ligadas ao movimento sindical, estudantil e de militância partidária.

Mas porta-vozes do evento informam em redes sociais que teria passado de 500 pessoas.

Fátima Bezerra

Todos acompanharam o julgamento do primeiro processo em segundo grau, em que o ex-presidente Lula da Silva (PT) figura como réu. A decisão à unanimidade (desfavorável) impôs condenação de mais de 12 anos de prisão para ele (veja AQUI).

Em nota divulgada, sob o título “Lutaremos e venceremos”, a senadora e pré-candidata ao governo potiguar, Fátima Bezerra (PT), afirmou após o julgamento de hoje: “Trata-se da continuação do golpe de Estado consumado em agosto de 2016, que sequestrou a soberania do voto popular e impôs uma agenda de perversos retrocessos sociais ao povo brasileiro.”

Mossoró

Em Mossoró, o Comitê Popular em Defesa da Democracia e do Direito de Lula ser Candidato foi mais limitado ainda. A organização fez acampamento em frente à Justiça Federal, sem maior expressividade numérica.

Mossoró teve ocupação de calçada em frente à Justiça Federal, com ínfima presença humana (Foto: Inter TV Costa Branca)

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