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A nova logística de exportação da Agrícola Famosa

Por Josivan Barbosa

Em tempos de entraves logísticos, com pandemia e guerra na Ucrânia, a Agrícola Famosa decidiu gastar alguns milhões de dólares a mais para garantir a entrega de seus melões e melancias na Europa. A maior exportadora de frutas do país assinou contrato com a GreenSea, joint venture entre Seatrade e Green Reefers na área de fretamento com navios frigoríficos para escoar seus produtos a partir deste mês, início da safra.

Navio frigorífico é reforço à logística de grupo já com nova produção (Foto ilustrativa)
Navio frigorífico é reforço à logística de grupo já com nova produção (Foto ilustrativa)

O contrato elevará os custos de transporte da Famosa em cerca de 30%, mas deverá garantir a entrega das frutas aos clientes no prazo certo e em boas condições.

O primeiro navio frigorífico da GreenSea deverá partir do Ceará na “semana 35” do ano-calendário regular – ou seja, entre 29 de agosto e 4 de setembro. O serviço será semanal e se estenderá até a “semana 8” de 2023.

A modalidade de frete transportará entre 30% e 35% das exportações totais da Famosa. O restante, cerca de 250 contêineres por semana, continuará a ser enviado à Europa pela CMA CGM, com a qual a Famosa mantém contratos há 25 anos e sobre a qual ela não tem queixas.

Os números para a safra 2022/23

A Agrícola Famosa conta com 30 mil hectares na região Nordeste do país, sendo 10 mil agricultáveis, e produz cerca de 200 mil toneladas de frutas por safra. No ano passado, a empresa faturou R$ 920 milhões, acima das expectativas iniciais da administração central, que projetava cerca de R$ 820 milhões, e dos R$ 720 milhões de 2020.

Além disso, a Melon&Co, empresa criada pela Famosa em agosto do ano passado para atuar no Reino Unido, faturou 50 milhões de libras (cerca de R$ 315 milhões) em seu primeiro ano de atividade. Essa companhia comercializa frutas brasileiras, da América Central e da Espanha. 

Uma nova variedade de abacaxi

A Del Mont Fresh Produce maior empresa produtora de abacaxi do mundo e com presença no Polo de Agricultura Irrigada RN – CE acaba de lançar a variedade de abacaxi Original. A empresa que se destacou no comércio mundial de abacaxi pela variedade MD2 que foi registrada como Del Monte Gold® Extra Sweet continua na mesma visão e lança agora a variedade A Original. Essa variedade tem frutos com casca verde e polpa dourada, suculenta e um bom equilíbrio na relação açúcar/ácido.

A exemplo da MD2, esta variedade foi desenvolvida na Costa Rica e não se faz uso de reguladores de maturação, como por exemplo o etefon, muito usado nas agroindústrias de abacaxi.

China, Índia e EUA: principais produtores de frutas e hortaliças

China, Índia e Estados Unidos sem mantêm como líderes mundiais na produção de frutas e hortaliças. Veja na Tabela abaixo os principais produtores.

Posição País Produção (mi ton)
1 China 709
2 Índia 208
3 EUA 66,5
4 Turquia 52
5 Brasil 45
6 México 36
7 Rússia 35,6
8 Espanha 32

 Fonte: FEPEX/FAO

Novos negócios do Grupo Telles em Jaguaruana

O grupo cearense Telles, que atua em distribuição de combustíveis, fabricação de embalagens e água mineral, vai entrar no ramo de energia renovável com investimento de R$ 200 milhões em um parque solar de até 50 MW no município de Jaguaruana (CE).

Sede do Grupo Telles: novos investimentos (Foto: Web)
Sede do Grupo Telles: novos investimentos (Foto: Web)

O investimento será feito com recursos próprios da família controladora, que embolsou R$ 900 milhões com a venda da cachaça Ypióca para a multinacional Diageo, há dez anos.

Nos dez anos que sucederam a venda da Ypióca, o grupo Telles fez investimentos constantes nos negócios que eram satélites da marca de cachaça.

No momento, o grupo está fazendo cotação de preços das placas solares no mercado. A previsão é de que o parque entre em operação em 2025.

A empresa possui uma usina de etanol no Rio Grande do Norte  – Ceará Mirim que poderá ser vendida.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

Plano Mais Brasil gera controvérsia quando à Saúde e Educação

Por Josivan Barbosa

Entre as propostas do Plano Mais Brasil está a unificação dos pisos de 25% da receita tributária em educação e de 12% para saúde, no caso dos Estados. Os pisos não devem ser alterados, mas unificados para 37% da receita, com livre destinação entre as duas áreas, desde que cumprido esse mínimo conjunto.

Nem todos os Estados são favoráveis à unificação dos mínimos. O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), colocou-se contrário à proposta de reunir os mínimos e também a de incluir os inativos na contabilização das despesas com saúde e educação.

Presidente Jair Bolsonaro entregou propostas no último dia 5 (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

O Plano Mais Brasil apresentado por Paulo Guedes, Ministro da Economia do Governo Jair Bolsonaro (PSL), com o propósito declarado de impedir novas crises das contas públicas nacionais, como a verificada na crise econômica de 2014, trazendo estabilidade fiscal à União e aos entes subnacionais.

No último dia 5 de novembro, o Governo Jair Bolsonaro fez a apresentação ao Congresso Nacional das três PEC’s que compõem esse programa. Veja mais detalhes clicando AQUI.

Naturágua no RN

A empresa Naturágua, pertencente ao grupo Telles (ex-dono da ypioca) deve-se instalar no Rio Grande do Norte. A empresa é uma das três do grupo que tem um faturamento para 2020 previsto de R$ 440 milhões.

A Naturágua já fez um investimento de R$ 50 milhões na cidade de Horizonte e com o investimento no RN estima que produzirá 800 mil litros de água por dia.

Empréstimos

Caso o Governo do RN faça a opção por um novo empréstimo junto aos bancos oficiais terá grande dificuldade.

Com a proposta de suspender a concessão de aval da União para operações de crédito de Estados e municípios, exceto as realizadas por organismos internacionais, a equipe econômica quer impedir que governos estaduais e municipais com elevado gasto com pessoal continuem tendo acesso à garantia do Tesouro por terem selo de bom pagador (ratings A e B). A medida integra o pacote Mais Brasil lançado durante a semana.

Nos últimos anos, a equipe econômica já tem restringido a concessão de aval do Tesouro Nacional para Estados e municípios. Neste ano, por exemplo, o limite de crédito para o setor público em operação de crédito interno com garantia da União é de R$ 13,5 bilhões, sendo que foi consumido apenas R$ 1,694 bilhão até 30 de outubro, ou seja, apenas 12,6%.

`Bode na sala`

Um aspecto polêmico da PEC do pacto federativo diz respeito ao destino de municípios pequenos, com até 5 mil habitantes e com a arrecadação própria inferior a 10% das receitas. Esses municípios terão até o dia 30 de junho de 2023 para comprovar a sustentabilidade financeira. Caso contrário, serão, a partir de 2025, incorporados a municípios vizinhos.

A medida já está sendo destacada como um “bode na sala” a ser retirado nas negociações políticas em torno da PEC do Pacto Federativo.

Educação em prática

Educação em prática é o novo programa do MEC, mesmo sem saber o futuro do Future-se. O programa pretende estimular as universidades para que ofereçam atividades em tempo integral a alunos dos ensinos fundamental e médio. A ideia é que, em troca de oferecer estrutura e disponibilizar professores, a faculdade ganhe pontos no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Universidades públicas e privadas poderão aderir.

As universidades só poderão participar se estiverem acima da nota mínima de qualidade. Mas os parâmetros ainda serão definidos.

Lei Kandir

Os produtores exportadores de frutas do Semiárido e do Polo de Agricultura Irrigada RN – CE estão preocupados com a possibilidade de uma reviravolta na Lei Kandir.

A possível revogação do benefício para o setor permanece no radar das principais lideranças, embora posicionamentos recentes indiquem que a agropecuária deverá ser poupada no caso do fim da Lei Kandir.

A extinção desse benefício na cadeia produtiva de frutos tropicais destinados à exportação pode representar um retrocesso sem precedentes nas exportações. O Brasil pode perder a competitividade de preços para países como México, Peru e vários da América Central.

ICMS atrasado

Ainda no primeiro ano de mandato, novos governadores já estudam programas de parcelamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Em alguns, o programa deve ser oferecido em breve, para ajudar a fechar as contas do primeiro ano de governo.

Nesta semana quem aderiu foi o Estado de São Paulo. A tendência é que outros façam o mesmo.

Lixo urbano

De todo o lixo coletado em 2018 no país, 59,5% tiveram destinação correta, em aterros sanitários. O índice não teve avanço significativo desde 2013. O restante do lixo tem dois destinos, ambos irregulares: o aterro controlado (23%), que minimiza os impactos ambientais, mas ainda provoca contaminação; e o lixão (17,5%), que é basicamente o descarte indiscriminado.

Um dos problemas centrais do segmento de resíduos sólidos é que, ao contrário do de água e esgoto, as operações dependem do orçamento público e há raros casos de cobrança de taxas ou tarifas.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)