Arquivo da tag: indulgência

Sob a égide da confissão

Por Marcos Pinto

Foto ilustrativa
Foto ilustrativa

Dentre os estados da alma em transe sobressai-se a confissão, arrebanhando palavras em espectros transcendentais. Ninguém é mais fiel à sua própria alma senão quando imerso na sisudez da confissão. Ela, a confissão, rasga o ventre do tempo com seus olhos de lâmina esculpindo palavras, em um esgar tétrico e cúmplice à atroz “mea culpa, mea máxima culpa”.

É incontestável que, até nos silêncios súplices, encontramos os mistérios sagrados e/ou profanos da confissão. O seu inconfundível e inexpugnável contexto sussurra, confidencia segredos, descobertas e, a relíquia de nossos compassos existenciais, traçados em exímia destreza com régua e compasso, fabricados com esmero e sutileza na Escola da Vida.

Um dia alguém disse que “há pessoas que coreografam a despedida em forma de silêncios. Confissões ‘de Luais’ que se eternizam na imprescindível preciosidade de ser visto, conquistado, revisitado.”

Não há dúvidas de que a pior das confissões é aquela moldada pela necessidade de se manter vivo em um ambiente de constantes e imprevisíveis ameaças.

Sempre que me encontro com alguns amigos, que são clérigos, abordo a temática da “confissão individual”, amplamente adotada pela tradicional e respeitável Igreja Católica Apostólica Romana. Confesso-lhe que tal ritual assume e revela contornos de uma beatice piegas, atreladas ao devotado confitente.

Entram em cena os famosos pecados mortais e pecados veniais. Mete-se um pecado venial quando, em matéria leve, não se observa a medida prescrita pela Lei Moral ou quando, em matéria grave, se desobedece à Lei Moral, mas sem pleno conhecimento ou sem total consentimento. Os pecados graves estão elencados em Marcos, 10:18.

Nos primeiros séculos da Igreja Católica a confissão era puramente facultativa, e não havia senão a confissão comunitária. Os cristãos mais fervorosos confessavam suas faltas aos seus irmãos, e esta confissão, exigida somente aos neoconversos. Não era coisa extraordinária, pois que já existia entre cá pagãos.

O Mestre de Saint Gilles perdoava os pecados de todos que se arrependiam, independente da confissão. Saint Gilles foi um Prior franco-flamengo que trabalhou principalmente em Paris, por volta de 1500. São João Crisóstomo recomendava que se confessassem a Deus e não aos homens.

A História revela que nos primórdios do Cristianismo o penitente era obrigado a dar uma moeda ao confessor. No correr dos tempos os padres criaram a obrigação de consciência de deixarem uma parte de seus bens à Igreja, e aqueles que não cumpriam esse dever a igreja se recusava a dar-lhes os Sacramentos Cristãos até a sepultura.

Desde então, a posição de confessar tornou-se extremamente importante e lucrativa, o que deu lugar a mais encarniçada luta entre o Clero Secular e o Clero Regular para a direção da consciência. Praticava-se assim a famosa “venda das indulgências” que significava a venda do perdão dos pecados.

Somente em 1567 a Igreja Católica proibiu a venda das indulgências.

“inté”.

Marcos Pinto é escritor

Para que servem as mãos na marcha eleitoral

luvas,, mãos, manequim,Com certeza não é fácil recomeçar, retomar a estrada, fazer a mesma coisa ou fazer diferente o que sempre foi feito, para alcance de um êxito eleitoral.

Pós-derrota, mais difícil ainda essa marcha.

Por isso, que é tão penoso para alguns políticos encontrar mãos generosas ou indulgentes; mãos que acenam por afinidade, gratidão ou reconhecimento.

O ostracismo é penoso e sua redenção não é apenas vencer ou vencer de novo. É renascer. A remissão dada por muitos para o eleito, na prática é um crédito com saque prefixado.

O próximo ano, outro período de eleições, sobretudo para os que não possuem mandato e buscam a ressuscitação política, o aceno e o aperto de mão serão alentos.

Esperança à vitória.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

À espera do Batman

Rosalba Ciarlini, se dormisse de cabeça para baixo, ainda teria os morcegos como aliados. Quem sabe, até o Batman.

Mas nem isso.

Não existe um único segmento da sociedade civil, universo político ou ambiente institucional no Rio Grande do Norte, que esteja lhe estendendo a mão.

Está só.

Cada discurso que é entonado em sua defesa, coisa raríssima, é muito mais um ato de indulgência e liturgia fúnebre do que ombro solidário.

Esse governo é um cadáver insepulto. Mas nem todos os abutres vão se banquetear agora.

Ah, imprescindível que eu sublinhe: não falo com traço de sadismo.

Tenho compaixão. Esse ocaso não nos faz bem, nem ao meu estado.