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Cimento tem vendas no patamar de 2015; queda preocupa para 2022

Indústria demonstração preocupação com setor da construção civil (Foto ilustrativa)
Indústria demonstração preocupação com setor da construção civil (Foto ilustrativa)

As vendas de cimento no Brasil em dezembro somaram 4,8 milhões de toneladas, um crescimento de 1,6% em relação ao mesmo mês de 2020, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Mas ao analisar a venda de cimento por dia útil, onde é considerado o número de dias trabalhados e tem forte influência no consumo, o volume em dezembro foi de 205,5 mil toneladas, queda de 15,6% comparada com o mês anterior.

Com esse resultado, o setor termina 2021 com um total de 64,7 milhões de toneladas de cimento vendidas, um aumento de 6,6% sobre o ano anterior, e volta ao patamar de comercialização de dezembro de 2015.
Os principais indutores do crescimento da atividade foram a continuidade das construções e reformas através da autoconstrução, as obras imobiliárias e uma incipiente retomada de obras de infraestrutura.

Perspectivas sombrias

O setor da construção começa 2022 num cenário bem mais desafiador. A economia está em recessão técnica, a taxa de juros está em ascendência impactando os financiamentos imobiliários, já o poder de compra dos consumidores está diminuindo (a combinação de renda mais baixa e inflação alta é maléfica para a população, que passa a focar suas despesas em bens essenciais como alimentação e vestuário, sobrando menos dinheiro para outras gastos como construção da casa ou reforma).

Se em 2020 a região que mais cresceu foi a Nordeste, impulsionada principalmente pelo auxílio emergencial, em 2021 essa foi aquela com o pior desempenho. A redução do auxílio, tanto em valor quanto em abrangência, impactou diretamente esse resultado. O destaque positivo foi a região sul que teve o maior crescimento, e onde percebemos uma movimentação em construções de infraestrutura, principalmente em rodovias estaduais e pavimento urbano.

Com a reabertura da economia, a renda da população foi redirecionada para outros gastos, diminuindo a alocação em construção e reformas. Serviços como entretenimento e viagens, altamente impactados pela pandemia, voltaram a fazer parte dos dispêndios das famílias e disputar uma parcela da sua renda.

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Indústria do cimento tem 80% de consumo vindos da “autoconstrução”

Com as vendas do 1° semestre mantendo boa performance, a indústria do cimento no Brasil espera para os próximos meses um arrefecimento dos ganhos obtidos até maio, como já apontam os dados de desempenho de junho.

Este quadro se deve, principalmente, em função de uma base de vendas muito fraca no período de janeiro a maio do ano passado. Além disso, o efeito estatístico que favoreceu os percentuais de crescimento da atividade nos primeiros cinco meses deste ano.

Indústria cimenteira enxerga arrefecimento nesse segundo semestre, mas autoconstrução ainda puxando vendas (Foto ilustrativa)
Indústria cimenteira enxerga arrefecimento nesse segundo semestre, mas autoconstrução ainda puxando vendas (Foto ilustrativa)

Em linha com as previsões do Sindicato Nacional da Industria do Cimento (SNIC), o arrasto estatístico passa a partir de junho a impactar negativamente a performance de vendas da commodity. Em junho, comparado com o mesmo mês de 2020, o crescimento foi de 1,7% reduzindo o acumulado para ainda significativos 15,8%.

Autoconstrução

A autoconstrução, reformas (residencial e comercial) ainda em alta e a continuidade de obras do setor imobiliário são as principais razões de demanda do produto. Atualmente, esses vetores de consumo respondem por aproximadamente 80% da destinação do cimento no país e colaboraram com as vendas no mercado interno, que atingiram em junho 5,5 milhões de toneladas.

No acumulado do ano (janeiro a junho) foram vendidas 31,5 milhões de toneladas. Cabe salientar, que o desempenho acumulado até maio de 19,3% passou em junho a 15,8%, uma perda de 3,5% de pontos percentuais, demonstrando uma desaceleração no ritmo de vendas do setor.

Ao se analisar a venda de cimento por dia útil, 236,4 mil toneladas, há uma diminuição de 0,5% sobre maio deste ano e aumento de 1,5% em relação ao mesmo mês de 2020.

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Fábricas de cimento dão sinais de retomada econômica

Por Josivan Barbosa

As três fábricas de cimento que estão na Chapada do Apodi (Mossoró, Baraúna e Quixeré) estão vivendo um novo momento em termos de demanda do produto. Alguns produtos da cadeia de materiais de construção têm mostrado forte demanda no país nos últimos três a quatro meses. Aço longo, com destaque para vergalhões, é um exemplo.

Três indústria que produzem cimento estão incrustadas na Chapada do Apodi (Foto: Web)

Outro caso é o de cimento, cujo consumo vem, surpreendentemente, aquecido desde junho. Em setembro, as vendas tiveram aumento de 21,4% ao se comparar com o mesmo mês de 2019.

Dois vetores sustentam essa demanda firme: a autoconstrução, principalmente residencial, e as obras do setor imobiliário. No trimestre julho-setembro vivemos uma explosão de demanda de cimento, cujo início da recuperação se deu a partir de maio, em plena pandemia.

A continuidade da demanda depende de investimentos do Governo Federal em obras que estão paradas ou em novas obras de saneamento. É fundamental que os investimentos em saneamento e a retomada das obras de infraestrutura – que é um fator relevante para a indústria cimenteira – saiam do papel e entrem na esperada agenda de crescimento do país.

Casa Verde Amarela

Outro programa que precisa sair do papel e que pode ser muito importante para a indústria de cimento é o Casa Verde e Amarela. Este programa tem importância muito grande em cidades de porte médio como é o caso de Mossoró onde o déficit habitacional ainda é muito grande. Além de um ciclo consistente em lançamentos imobiliários, é preciso que o programa de habitação popular, Casa Verde Amarela, aconteça de fato. Nos lançamentos imobiliários, há previsão de crescimento de 20% a 30% ao longo deste semestre o que pode tornar a demanda por cimento sustentável nos próximos anos e que possa, inclusive, avançar na contratação de mão obra.

Construção civil

Impulsionado por obras residenciais, o setor de construção civil passou a operar no maior nível desde dezembro de 2017, superando o pré-pandemia. A construção civil sofreu o choque inicial das medidas de isolamento em março, quando recuou 4,6% frente a fevereiro, com ajuste. Em abril, no pior momento, o setor recuou 16,4%. Desde então, o setor cresceu 17,4% em maio, 7,8% em junho e mais 2,7% em julho.

Todos os dados acima são para o país como um todo, mas o município de Mossoró tem mostrado avanços mais significativos com novos empreendimentos e retomada de outros que estavam parados.

Um bom exemplo que justifica o comportamento do setor de construção civil é o comércio de material de construção que está entre os setores que conseguiram manter minimamente suas atividades durante o período de maior isolamento social.

Regularização imobiliária

Substituto do Minha Casa Minha Vida (MCMV) o programa Casa Verde Amarela foi encaminhado via medida provisória ao Congresso em agosto. Sem recursos para subsidiar imóveis à população carente nos moldes do MCMV, dá prioridade à regularização fundiária (para famílias com renda mensal de até R$ 5.000) e à melhoria habitacional (renda de até R$ 2.000). A meta é regularizar 2 milhões de moradias e promover melhorias em 400 mil até 2024. Segundo o IBGE, em 2019, o Brasil tinha 5,1 milhões de domicílios em aglomerados subnormais, isto é, ocupações irregulares, com carência de serviços públicos essenciais.

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, já sinalizou que não há espaço no orçamento do próximo ano para novas contratações no esquema da faixa 1 do MCMV, em que o governo arcava com até 90% do valor do imóvel para famílias com renda de até R$ 1.800/mês.

Com o avanço horizontal da expansão imobiliária irregular em regiões da cidade como o Santa Helena, Comunidade do Fio, Itapetinga e Forno Velho entre outras, o nosso município apresenta grandes desafios para a próxima gestão municipal no tocante a regularização desses imóveis.

Havan

Muitas pessoas têm nos perguntado se a Havan vem mesmo para Mossoró. Acreditamos que sim, mas a sua expansão no país sofreu um retrocesso na semana que passou. A busca da Havan por uma avaliação de mercado de pelo menos R$ 70 bilhões foi decisiva para que a varejista aceitasse a recomendação dos bancos coordenadores e resolvesse adiar seu IPO (venda inicial de ações).

A companhia decidiu suspender a oferta inicial de ações em meio ao aumento da volatilidade na bolsa nas últimas semanas, que praticamente enterrou as chances de a operação sair no preço desejado.

O controlador da Havan, Luciano Hang, que esteve recentemente em Mossoró, não estava disposto a ceder além desse patamar. Quando as conversas sobre o IPO começaram, a empresa tinha a ambição de estrear na B3 valendo R$ 100 bilhões.

Calendário eleitoral

Os parlamentares estão preocupados é com a eleição de seus principais cabos eleitorais, que são os prefeitos e os vereadores de suas regiões. Neste momento de grandes disputas políticas locais, o Ministério da Economia queria que o governo encaminhasse proposta ao Congresso primeiro acabando com o abono salarial aos trabalhadores que ganham até dois salários mínimos e com o seguro-defeso, concedido aos pescadores artesanais na época da desova dos peixes. Depois propuseram a suspensão, por dois anos, da correção dos valores dos benefícios previdenciários, o que resultaria em redução, em termos reais, das aposentadorias e pensões.

Tudo isso recebeu parecer negativo da liderança do Governo para ser discutido agora. Às vésperas de uma eleição, ou se apresenta propostas populares ou não se apresenta nenhuma. Há obviedades que parecem serem esquecidas, às vezes até mesmo por pessoas inteligentes e experientes. As medidas para o ajuste das contas públicas, que são duras, e para viabilizar o programa Renda Cidadã, que exigirão cortes em outras despesas, ficaram para ser discutidas após as eleições.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)