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A distância entre a ciência e a estupidez

A estupidez politiqueira, da direita à esquerda e vice-versa, não permite diálogo sério sobre a pandemia no Brasil. Poucos se propõem a conversar com equilíbrio sobre problema planetário que chegou a nós. Por isso tanta desinformação intencional ou não.

Para mim, sempre foi óbvio que a grande ameaça não é a letalidade da Covid-19, se comparada à Gripe Espanhola e outras pandemias. Está em questão a falta de estrutura de saúde para suportar levas de infectados. Isso ocorre aqui, nos EUA, Itália, Inglaterra.

Está claro que se houver contaminação em massa, o já esgotado SUS e rede privada implodem. Exemplo: o Tarcísio Maia em Mossoró está montando 20 leitos (10 entraram em utilização ontem). Se mantiver demanda normal, como dividir esse leitos com motociclistas quebrados e pacientes infectados?

Se um imbecil tem tanta certeza que a estupidez é mais sólida do que a ciência, por que defende fim do confinamento social e ao sair às ruas usa máscaras? Se não há temor, por que esconde os pais num quarto e não deixa seus filhos saírem de casa?

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Pico do coronavírus deverá ocorrer entre abril e maio

Ester: perigo real (Foto: divulgação)

Por Carlos Fioravanti (Da Revista Pesquisa Fapesp, para o UOL)

Quando chegou ao Brasil, em fevereiro, o mais recente coronavírus que emergiu na China encontrou uma equipe de pesquisadores preparada, que já trabalhava com o agente causador da dengue, dominava uma técnica de mapeamento genético rápida e não perdeu tempo para mergulhar no sequenciamento das amostras de vírus colhidas dos primeiros pacientes atendidos na cidade de São Paulo.

À frente desse grupo está a médica Ester Sabino, paulistana de 60 anos. Ela faz um alerta:

– Como a transmissão desse vírus é muito rápida e difícil de ser contida, aqui deve ocorrer o mesmo que na Itália e no Reino Unido. É impossível estimar o número de casos, mas temos ainda um mês ou dois antes de a epidemia complicar. O pico deverá ser entre o fim de abril e começo de maio, que é o auge das doenças respiratórias no Brasil. Espero que não junte com o aumento também no número de casos de dengue. Seria uma confusão total.

Mais problemas

Ester é pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IMT-FM-USP) e coordenadora do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Cadde), financiado pelo Medical Research Council, do Reino Unido, e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Para ela, um problema próximo é o próprio atendimento em hospitais.

– O maior problema são os hospitais. Porque podem ser focos de transmissão do vírus. Em Wuhan, na China, muitas pessoas infectadas foram para os hospitais e transmitiram o vírus para outras. Por isso, é importante não ir para o hospital sem necessidade. Não há sistema de saúde do mundo que dê conta de atender muita gente ao mesmo tempo. Muitos morreram na China porque não havia médicos ou respiradores para atender a todos ao mesmo tempo. A maioria das pessoas tem um caso de gripe, que passa em alguns dias. Temos de deixar os hospitais apenas para os casos mais graves.

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TRE/RN cassa deputado estadual, mas ele se mantém no cargo

Do Blog Saulo Vale

O Tribunal Regional Eleitoral do RN (TRE) decidiu hoje, por 5 votos a 2, cassar o mandato do deputado estadual Sandro Pimentel (PSOL).

No entanto, o parlamentar não será afastado.

Sandro Pimentel e Robério Paulino tiveram concorrência interna que agora é questão meramente judicial (Foto: Psol)

Ele permanece no cargo e pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sem assumir o primeiro suplente Robério Paulino (PSOL).

Votaram pela cassação de Sandro, o relator e juiz federal Glauber Alves, o presidente da Corte, Glauber Rêgo, além dos juízes Adriana Magalhães, Érika Paiva e José Dantas de Paiva.

Os votos divergentes foram dos juízes Wlademir Capistrano e Cornélio Alves.

A ação foi movida pelo Ministério Público Eleitoral, que acusa Pimentel de captação ilícita de recursos financeiros na campanha eleitoral de 2018.

Ele foi eleito deputado estadual no ano passado com 19.158 votos.

Nota do Blog Carlos Santos – O ex-dirigente sindical Sandro Pimentel, originário de Ceará-mirim, foi eleito vereador do Natal em 2012 e 2016. Em 2016 teve vitória à Assembleia Legislativa, mas sua diplomação acabou suspensa a pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE/RN), por irregularidades na prestação de contas da campanha. No final de janeiro deste ano, com uma liminar, obteve diplomação e posse com demais eleitos em 1º de fevereiro.

O professor universitário Robério Paulinho foi candidato a governador em 2014, a prefeito do Natal em 2016 e a deputado estadual em 2018, quando obteve 18.550 votos (1,10%). É natural de Nilópolis-RJ. Atualmente, Paulino reside em Londres, na Inglaterra, onde faz pós-doutorado.

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Samba do Arnesto

Por Paulo Linhares

“O Arnesto nos convidô prum samba, ele mora no Brás/ Nóis fumo e não encontremos ninguém/ Nóis vortemo cuma baita duma reiva/ Da outra veiz nóis num vai mais/ Nóis não semos tatu!” Estes versos de Adoniran Barbosa, remetem a uma reflexão sobre os fatores que fizeram Ernesto Fonseca de Araújo, um maluco nada beleza, assumir o comando do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, no governo Bolsonaro.

Diplomata de carreira, Araújo foi sempre tido por seus pares como uma figura exótica, sobretudo, por suas atitudes contraditórias que vão da aceitação de desmedida de posturas ultra direitistas à defesa de Dilma Rousseff, não na condição de presidente da República, mas, na sua atuação de combatente contra a ditadura militar de 1964. E neste caso, para manter uma sinecura na embaixada brasileira em Washington.Mesmo alçado ao posto máximo da carreira diplomática – o de embaixador – Araújo jamais comandou os interesses do Brasil no exterior, sobretudo, as legações situadas em países mais importantes: o famoso “circuito Elisabeth Arden” (Washington-Londres-Paris-Roma). Nem pensar: seria complicadíssimo que Ernesto viesse representar o Brasil, na condição de embaixador, até de  postos diplomáticos brasileiras menos glamourosos mantidos noutros países.

Eleito presidente, Bolsonaro quis mimar o círculo mais empedernidamente crescente do seu ideário direitista no governo, sob os auspícios da “nova política”. Para tanto, escolheu dois dos discípulos do malcriado astrólogo Olavo de Carvalho como ministros de pastas importantes: Ernesto Araújo, para as Relações Exteriores, e o colombiano Ricardo Vélez, para o Ministério da Educação. Essas escolhas causaram não apenas enorme espanto, mas, se transformaram  em fontes de  graves e intermináveis crises políticas.

Aliás, isto sem falar que o cenário da política brasileira se tornou mais carregado com a desnecessária desavença aberta pelo próprio Bolsonaro contra o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, onde tem rolado um forte estresse, com farpas duríssimas de lado a lado. Um verdadeiro ninho de canção, onde ninguém se entende.

No plano externo, passado o triste episódio do beija-mão que Bolsonaro fez com Donald Trump, o próximo destino do presidente brasileiro será Israel. É previsível um rosário de gafes e, sobretudo, o recrudescimento de uma séria crise diplomática com os países de Liga Árabe que poderá trazer prejuízos econômicos imponderáveis para o agronegócio do Brasil. O presidente e seu ministro das relações exteriores resolveram literalmente “cutucar o cão com vara curta”.

Primeiro, quando dão à política exterior brasileira um forte marcador ideológico, na medida em que são nossos parceiros preferenciais aqueles países que, atualmente, têm governo de direita ou de extrema direita. Errado os interesses comerciais e de cooperação em diversos domínios devem balizar as relações internacionais. Segundo, por desprezar parceiros comerciais importantíssimos como os endinheirados países árabes e a grande potência econômica mundial que é a China. No atual momento difícil por que passa a economia brasileira, essa postura pode ser tida, no mínimo, irresponsável, equivocada e contrária aos interesses nacionais. Imitar Trump na condução da política externa brasileira é uma estupidez sem tamanho.

O ministro Ernesto Araújo, superou todas as expectativas ao afirmar, recentemente, que em 31 de março de 1964 não houve um golpe militar, que não considera que tenha havido um “golpe” no país em 1964. Segundo ele, o que houve na ocasião foi um “movimento necessário” para que o país não se tornasse uma “ditadura”, declaração de Araújo que foi dada em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados: “Vossa Excelência me perguntava se eu considero 1964 um golpe. Eu não considero um golpe. Considero que foi um movimento necessário para que o Brasil não se tornasse uma ditadura. Não tenho a menor dúvida disso. Essa é minha leitura da história”. Coisa de doido, isto sim, essa interpretação.

Certamente, o conjunto dos diplomatas brasileiros, que não é composto de petistas ou assemelhados, convive mal com o atual chanceler brasileiro e suas imponderáveis invectivas. Ora, um dos grandes legados da diplomacia brasileira, sob inspiração do Barão do Rio Branco, tem sido a eficiência e a discrição, para quem “um diplomata não serve a um regime e sim ao seu país”. Lição esta não assimilada o chanceler ‘Arnesto’.

Assim, Ernesto Araújo, à frente do Ministério  das Relações Exteriores, tem feito tudo para desprezar essa boa herança de Rio Branco e a tradição de eficiência da diplomacia brasileira ao promover, à sombra do belíssimo Palácio do Itamaraty, um autêntico “samba de criolo doido”,    aumentando mais ainda as dificuldades que enfrenta o não menos confuso e autoconflituoso governo Bolsonaro.

Pior do que a negação do golpe de 1964,  só a afirmativa que fez publicamente em que disse  serem o nazismo e o fascismo resultados de “fenômenos de esquerda”. Enérgumeno até não mais poder, o chanceler de lata – versão empobrecida do “Chanceler de Ferro”, como ficou conhecido o Marechal Otto von Bismarck – talvez tenha antecipado, com esse raciocínio, a chave para interpretação dos historiadores do futuro sobre a presidência de Bolsonaro: se Hitler e Mussolini eram de esquerda, só falta culpar o PT pelo desastre em que poderá transformar-se o atual governo do capitão e seus miquinhos amestrados.

Prefiro as lições  de historiadores do porte de Richard J. Evans,  na sua obra  “A chegada do terceiro reich”, que mostra o perfil ideológico  de Hittler nas profundas de extrema-direita. E Evans não é  petista, mas, festejado professor da University of Cambridge, Inglaterra. Mesmo porque,  “Nóis não semos tatu!”

Paulo Linhares é professor e advogado

Um rei, sem seu cavalo, no estacionamento

“Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!” Eis uma frase célebre de “Ricardo III”, em texto consagrado de William Shakespeare.

Arqueólogos encontraram ossada de Ricardo III no subsolo de um estacionamento na Inglaterra (cidade de Leicester), ano passado. Estudos recentes comprovaram a identificação do monarca que morreu em batalha no ano de 1485.

O cavalo não foi encontrado no estacionamento.

Patético.

Saiba mais sobre esse achado AQUI.