A professora-doutora, escritora e agitadora cultural Isaura Amélia de Sousa Rosado Maia foi eleita a mais nova imortal da Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANRL). Venceu por 24 votos a 15 a professora-doutora, escritora e jornalista Josimey Costa.
Isaura (centro, em pé) substituirá na Cadeira 32 o ex-governador Geraldo Melo (Foto: cedida)
A eleição aconteceu à noite desta terça-feira (2) em Natal, na sede da ANRL.
Ela ocupará a cadeira 32, que foi do ex-governador, jornalista e escritor Geraldo Melo. Antes, tinha pertencido ao jornalista e escritor João Batista Machado (Machadinho). Seu patrono é escritor Francisco Fausto.
Ele tinha sido eleito dia 11 de novembro do ano passado, quando já lutava contra avanço de câncer terminal.
Isaura Amélia é a primeira mulher a quebrar a linhagem de imortais na 32, em face da vacância ocorrida dia 6 de março último, com a morte de Melo.
Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.
Machadinho era originário de Assu (Foto: autor não identificado)
Por Ney Lopes
Já se disse, que o vencedor na vida é sempre amigo da paz, da boa convivência, da harmonia social.
O símbolo dessa frase foi a vida de João Batista Machado (Machadinho), 78, jornalista, recentemente falecido.
Convivi com ele como repórter nos anos 60.
Quando fui correspondente no RN da Folha de São Paulo (1966 a 1968), ele era do Globo.
Um amigo de longas caminhadas.
Ponto comum nos unia: a origem, na querida terra do Açu, conhecidacomo a “Atenas Norte-Rio-Grandense”, berço do meu pai.
É a segunda cidade mais antiga do Rio Grande do Norte.
Dr. Ezequiel Fonseca (prefeito do Açu na década de 1930, deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa do RN), editou livro, citando 36 poetas naturais de Açu ou, como diria Manuel Bandeira, “nascidos para a vida consciente na terra dos verdes carnaubais”.
A mãe de Machadinho, dona Letícia, era muito amiga da minha avó, Mafalda. Ambas açuenses. Lembro conversas constantes delas, recordando a poesia nativa. Citavam João Lins Caldas, Renato Caldas.
Algumas vezes ouvi de Machadinho depoimentos sobre a sua querida “terra natal”.
Ele citava episódio da história açuense, que desconhecia.
Foi a mítica “Guerra dos Bárbaros”, travadano Açu, entre os anos de 1687 e 1720, envolvendo os indígenas e os conquistadores da Coroa Portuguesa.
Os bastidores da política do RN estão descritos em inúmeros livros publicados por Machadinho, a quem em vida chamava de “Monsenhor”, pelo seu estilo sacerdotal de tratar os amigos.
Escreveu diversos livros, entre eles “Bastidores do poder – memórias de um repórter”, quando se limita a registrar fatos, preservando os personagens citados
Exerceu cargo de confiança em quatro governos: Tarcísio Maia, José Agripino, por dois mandatos, Radir Pereira e Vivaldo Costa.
Sempre foi grato a esses governadores.
Jamais assumiu posições radicais em relação à classe política. Mereceu o respeito de todos os partidos.
Era membro, por merecimento, da Academia Norte-rio-grandense de Letras, desde 2012.
Quando presidi o Parlamento Latino Americano, convidei Machadinho e Salésia, jornalista, sua esposa, para visitarem a instituição em SP.
Lembro, que ao conhecer a estrutura e relações do Parlatino com organismos globais (Parlamentos da América Latina e Caribe, Europeu, Assembleia Parlamentar Euro-Latino Americana, da China, Câmara de Comércio Brasil e Estados Unidos, Rússia (Duma), OEA, ONU, UNICEF, CEPAL, OMC, OMS. OIT, FAO), ele exclamou:
“Se eu escrever no RN, o que estou vendo e sabendo sobre a importância e posição internacional do Parlatino, dirão que estou mentindo, ou querendo lhe elogiar”.
Pedi-lhe que silenciasse, por conhecer a inveja que aquela minha posição já despertava em alguns e até me prejudicava.
Durante toda a sua existência, ostentou o perfil da sinceridade, bom caráter, erudição.
O seu exemplo perdurará na imprensa potiguar e nas letras do RN.
As sinceras condolências neste momento de dor, à sua esposa jornalista Salésia Dantas, os filhos: João Ricardo e Ana Flávia, demais familiares e amigos.
Honras celestiais para Machadinho
Ele merece!
Ney Lopes é jornalista, ex-deputado federal e advogado
O jornalismo do Rio Grande do Norte está de luto, com a morte, na manhã desta quarta-feira, do jornalista João Batista Machado, que ajudou a escrever a história do RN nesses últimos 50 anos.
No tempo que a política estava proibida, o protesto de Machado vinha quando ela definia a sua profissão: “Repórter Político”.
Machado integrava a Acedemia N0rteriograndense de Letras (ANL)
Foi secretário do Governo José Agripino e fez a comunicação do Tribunal de Contas do Estado.
Doença
Machadinho descobriu um câncer agressivo no intestino, que passou a enfrentar e conviver.
Os pulmões também foram atingidos e no último domingo teve diagnóstico de Covid-19, o que agravou seu estado geral da doença.
Ontem, foi para UTI do Hospital do Coração, onde seu organismo não resistiu a batalha final contra essa terrível doença.
Família
Machado tinha 76 anos, deixa a mulher, jornalista Salésia Santas e dois filhos João Ricardo e Ana Flávia.
Nota do Blog Carlos Santos – Outra perda sem reparos. Mais uma baixa na minha coleção de afetos e admirações.
Machadinho tão querido, sempre tão amável. Um lorde nesse meio tão carregado de vilanias e ingratidões. A fidalguia na expressão da palavra.
Visto-me de luto.
Descanse em paz, meu querido.
Veja AQUI perfil de João Batista Machado em texto de Gustavo Sobral.
Acompanhe oBlog Carlos Santos pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.