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Os 40 anos do semiárido como exportador de melão

Por Josivan Barbosa

No próximo dia 01 de setembro o Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte (COEX), que reúne as principais empresas produtoras e exportadoras de frutos tropicais do Polo de Agricultura Irrigada RN – CE, realizará a II Largada da Safra do Melão (veja AQUI). Este evento, juntamente com a Expofruit, representa uma forma de aproximação do produtor com a sociedade e com as demais empresas agregadas ao negócio rural da região.

Antigo complexo industrial da Maisa no semiárido do RN (Foto: reprodução)
Antigo complexo industrial da Maisa no semiárido do RN (Foto: reprodução)

A edição da Largada da Safra do Melão acontece às vésperas de comemorarmos 40 anos de exportação de melão para os países ricos.

A importância da MAISA 

A Mossoró Agroindustrial S/A (MAISA) foi um projeto pioneiro a em todo o país. O projeto chegou a empregar 6 mil funcionários diretos e faturar 60 milhões de dólares num ano.

Com um corpo técnico de engenheiros civis, agrônomos, mecânicos e químicos, além de economistas, administradores etc, chegou a empregar 16 engenheiros agrônomos em seu auge.

A empresa perfurou poços no Calcário Jandaíra com uma vazão média de 19 mil litros de água por hora, viabilizando o cultivo irrigado na região. Houve, também, a perfuração dos chamados poços profundos, que usavam da melhor tecnologia. Cada um deles custava em torno de 1 milhão de dólares. Esses poços, mais modernos, tinham vazão de até 200 mil litros de água por hora.

Estrutura da fábrica de industrialização da castanha de caju (Foto: reprodução)
Estrutura da fábrica de industrialização da castanha de caju (Foto: reprodução)

Em meados da década de 1990, eram bombeados 2 milhões de litros de água/hora no Projeto Maisa.

O total da área irrigada era de 1800 ha. Mas, no total a MAISA contava com cerca de 5 mil ha produtivos.

O financiamento e parcerias com o Banco do Brasil, BNDES, SUDENE e BNB tornou possível a criação desse polo agroindustrial.

As atividades agroindustriais da empresa iniciaram-se no ano de 1968. Foram seus criadores os empresários José Nilson de Sá e Geraldo Rola.

Em 1982, ocorreu a primeira exportação de melão para a Inglaterra.

A produtividade da empresa, em relação ao melão, era elevada quando comparada aos níveis atuais e no início dos anos 90 obteve com a  comercialização para o exterior, aproximadamente, US$  20 milhões/ano, representando 20%  de  toda  exportação  de  frutas  “in  natura”  do  país. Na época, esses números impressionavam, considerando as condições climáticas e da cultura na região de não se acreditar muito nos investimentos na agricultura do semiárido.

Infraestrutura da antiga MAISA

Além da grande extensão territorial da propriedade rural, com mais de 20.000 hectares com poços profundos, packinghouses e estradas vicinais internas (cerca de 300 km), a infraestrutura física do complexo MAISA era composta por fábrica de sucos, fábrica de processamento de castanhas de caju, fábrica de produção de tubos para irrigação, aeroporto privado, centro administrativo e laboratórios de pesquisa.

Nas margens da BR 304 foi construída uma vila residencial com 600 casas para as famílias dos empregados, com escola, centro comunitário, creche, posto de saúde, posto policial, áreas de lazer, pontos comerciais, rede de energia elétrica e sistemas de abastecimento de água e de saneamento.

A MAISA possuía uma serraria para produção das embalagens (paletes) para as frutas, produção de móveis e utensílios.

Além disso, tinha uma fábrica de tubos de polietileno para irrigação com capacidade produtiva de 5,5 milhões de metros de cano por ano, que eram reciclados no próprio local e uma oficina mecânica para manutenção e reparo de toda a frota da MAISA.

A cultura do caju da MAISA

O caju foi uma das primeiras estratégias escolhidas pela empresa por se adaptar bem às condições do Semiárido Nordestino depois de adulto. A área  inicial era de 12 mil ha e cerca de 650 mil plantas.

A época de colheita do caju era vista como uma festa devido a sua grande produtividade.

Com a grande estiagem no período 1979 – 2003 na região, o cajueiro, que ainda não havia atingido a fase adulta, foi praticamente dizimado pela falta d’água.

A agricultura irrigada da MAISA

Após os prejuízos decorrentes da seca com a cultura do caju, a empresa iniciou o plantio de melão, maracujá, melancia, manga, graviola, uva, acerola, sapoti, além de outras frutas com o uso das técnicas de irrigação. A área com o cultivo de melão atingiu 4000 ha por safra. O melão atendia o mercado interno e era exportado para a Europa e os EUA.

O maracujá ocupou uma área de 525 ha com produção média de 18 ton/ha/ano.

A área com manga era de 80 ha e a de acerola chegou a 180 ha.

Beneficiamento dos frutos da MAISA

O suco depois de concentrado, era armazenado em câmaras frias de onde era exportado para diversos países.

A produção de polpa era de 7200 toneladas/ano, no ano de 1995. A produção da época era majoritariamente exportada, o que representava 90%.

Era produzido a cada ano, na época, 385 toneladas de suco de maracujá, 160 toneladas de suco de caju, entre outros sucos.

A produção de castanha de caju foi planejada para atingir uma capacidade de 10 mil toneladas por ano.

Ruínas do Centro Administrativo da Maisa (Foto: reprodução)
Ruínas do Centro Administrativo da Maisa (Foto: reprodução)

A MAISA de hoje

Em 2003, para quitar suas dívidas, a propriedade da empresa foi dividida em três partes. Uma adquirida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e depois transformada em 11 assentamentos. A outra foi comprada por engenheiros agrônomos (ex-funcionários da antiga MAISA), dando lugar a Fazenda Fruta Vida, da Coopyfrutas. E a última foi adquirida por um grupo chamado Gtex, de fabricação de polpas e sucos.

Leia também (com vídeos): Maisa, história de exuberância no campo e um fim que deu frutos;

Leia também: A história de um ícone do campo.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

Morre em Natal o empresário Ênio Sá

Ênio Sá com a filha Adriana Foto: reprodução)
Ênio Sá com a filha Adriana (Foto: reprodução)

Por Eliana Lima (BZNotícias)

Internado desde o dia 29 de novembro do ano passado, no Hospital do Coração, em Natal, para tratar de uma síndrome inflamatória, o empresário Ênio Sá não mais resistiu às complicações da doença e partiu na manhã desta terça-feira (8).

Deixa os filhos Adriana, Ramon, Rômulo, Enzo e Renan.

Ainda não foram definidos velório e sepultamento. Informaremos.

Nosso profundo pesar aos familiares.

Nota do Canal BCS – Ênio era um dos sete filhos do empresário caraubense José Nilson de Sá-Maria Helena, falecido em 15 de dezembro de 2015, aos 92 anos. Seu pai foi um dos criadores da Empresa Industrial Técnica S/A (EIT) e Maisa Agroindustrial, agronegócio pioneiro em termos de fruticultura irrigada no Nordeste. Também era irmão do ex-deputado federal Múcio Sá.

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Morre José Nilson de Sá, 92, um dos criadores da Maisa

Nascido em Mossoró, em 7 de outubro de 1923, o engenheiro norte-riograndense José Nilson de Sá faleceu hoje pela madrugada, em sua residência, em Natal. Tinha 92 anos. Previsão do velório do empresário é para começar a partir de meio-dia no Morada da Paz em Emaús, Parnamirim, onde deverá ser sepultado ao final da tarde.

Nilson: vida empreendedora (Foto: Web)

Ele fundou em 1951 a EIT – Empresa Industrial Técnica Ltda, junto com os sócios Antônio Pessoa Cavalcanti e Daniel Uchoa Bezerra Cavalcanti. Também foi um dos precursores da fruticultura irrigada em escala industrial no país.

A EIT atuou inicialmente na área de pré-moldado, construções aeroportuárias, execução de obras de implantação e pavimentação de estradas, principalmente no RN.

Seis anos após a fundação da EIT, a empresa sediada em Recife foi transferida para Natal e houve a transformação em sociedade anônima. Em 1970, foi feita uma reforma no estatuto da empresa, que, além de alterar a diretoria, ampliou a atuação da empresa, principalmente na área de engenharia pesada, incluindo pavimentação de estradas, terraplanagem, eletrificação, aeroportos, aeroportos e saneamento.

Maisa

Destaque para construção do trecho da Transamazônica – iniciado em Itaituba (PA), com 230Km -; o gasoduto Brasil-Bolívia; construção da Via Costeira e da Rota do Sol (Natal-RN); construção da Avenida Litorânea (São Luís-MA), e a barragem Umari (Upanema-RN).

José Nilson de Sá também foi presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) de 1967 a 1969 e do ABC.

No início dos anos 70, ele fundou ao lado do empresário Geraldo Rola uma legenda da agroindústria nacional, a Maisa, em Mossoró, que apostou na fruticultura irrigada, indo à falência por volta de 2003.

Chegou a ter cerca de sete mil empregados diretos, seis mil dos quais na lavoura, nos anos 80.

Entre outros filhos, era pai do ex-deputado federal Múcio Sá.

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Ex-deputado, mulher e pai são condenados por corrupção

A Justiça Federal do Rio Grande do Norte condenou nove pessoas, envolvidas na chamada “operação sanguessuga”, onde a atuação da Controladoria Geral da União (CGU) revelou, em 2004, em municípios de diferentes regiões do Brasil, a existência de uma suposta organização criminosa que desviava verbas federais destinadas à compra de ambulâncias, medicamentos e materiais médico-hospitalares.

A sentença foi do Juiz Federal Magnus Augusto Costa Delgado, titular da Primeira Vara Federal.

Entre os condenados está o ex-deputado federal Múcio Sá, seu pai José Nilson de Sá (ex-sócio da construtora EIT e da extinta indústria Maisa) e até sua esposa, Aldanisa de Sá.

Eles – segundo o magistrado revela em sua sentença – usavam a entidade “filantrópica” Aproniano Sá para drenagem de dinheiro público, desviado de forma escandalosa, fria e desumana.

Os demais condenados são estes: ANDERSON LUIS BRUSAMARELLO, DARCI JOSÉ VEDOIN, LUIZ ANTÔNIO TREVISAN VEDOIN, ALDA PEREIRA RAMALHO, ADRIANO GURGEL DE SÁ e RAIMUNDO COSTA ITAMAR DE OLIVEIRA.

Todos condenados solidariamente a ressarcirem os cofres públicos em R$ 370.075,16.

Além disso, todos os réus deverão pagar como multa juntos o valor de R$ 739.410,32.

Veja mais detalhes AQUI, com informação da própria Justiça Federal.

Nota do Blog – Ainda tem gente defendendo a criação de mais algum imposto ou “contribuição” compulsória para melhoramento de recursos à Saúde. Precisa?

Não precisa.

Basta que essa récua pare de furtar tanto. Furtem menos que até sobra dinheiro para a Saúde.