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A um voto de condenação, Bolsonaro teme mofar na Papuda

Jair Bolsonaro tem condenação como certa (Foto: Mateus Bonomi/AFP)
Jair Bolsonaro tem condenação como certa (Foto: Mateus Bonomi/AFP)

Do Canal Meio e outras fontes

O ex-presidente Jair Bolsonaro está a um voto de ser condenado no julgamento da ação penal que investiga a trama golpista na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal. Nesta terça-feira, os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino votaram pela condenação do ex-presidente e dos outros sete réus que integram o que ficou conhecido como o núcleo crucial da tentativa de golpe de Estado. Para os dois ministros, o ex-presidente Jair Bolsonaro é o líder de uma organização criminosa que atentou contra a democracia e o Estado Democrático de Direito para se manter no poder.

Os ministros ainda entenderam que o ex-presidente utilizou órgãos do governo para desacreditar o sistema eleitoral brasileiro. Alexandre de Moraes leu seu voto por cerca de cinco horas e foi duro com Bolsonaro. “Jair Bolsonaro planejou, atuou e teve o domínio de forma direta e efetiva dos atos executórios”, disse o ministro-relator.

Flávio Dino acompanhou Moraes, mas divergiu sobre a responsabilidade dos réus. Ao contrário de Alexandre de Moraes, Dino defendeu que Alexandre Ramagem, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira não tiveram participação tão efetiva quanto os demais e, por isso, merecem penas menores. (g1)

Voto de Fux

O ministro Luiz Fux será o primeiro a votar na retomada do julgamento na manhã desta quarta-feira (10). A expectativa é que o ministro apresente um voto divergente daquele apresentado pelo ministro-relator, Alexandre de Moraes. Nesta terça, ainda no início da leitura do voto de Moraes, Fux deixou claro que deve votar de maneira contrária em questões preliminares do julgamento, ou seja, aquelas que não têm a ver com se os réus são culpados ou não. Luiz Fux divergiu dos outros ministros da 1ª Turma a respeito da competência do julgamento. Para ele, Bolsonaro deveria ser julgado pelos 11 ministros do STF no plenário e não em uma das duas turmas do Supremo. (CNN Brasil)

Bolsonaro na Papuda

Os votos de Alexandre de Moraes e Flávio Dino não surpreenderam a defesa dos réus, que dão como certa a condenação dos acusados de planejar e executar uma tentativa de golpe de Estado, tendo como líder o ex-presidente Jair Bolsonaro. A defesa do ex-presidente disse discordar dos votos, mas que pretende respeitar a decisão do STF. Bolsonaro acompanhou o julgamento de casa e, segundo aliados próximos ao ex-presidente, seu maior medo é ser enviado para o complexo penal da Papuda, em Brasília, onde uma cela já está sendo preparada para recebê-lo.

De acordo com interlocutores de Bolsonaro, o ex-presidente teme morrer na prisão por falta de atendimento médico adequado. Já a cúpula militar fez chegar ao STF que não gostaria que Bolsonaro fosse preso em um quartel, como alguns dos aliados do ex-presidente esperam em caso de condenação. (Folha)

Arrogância dos EUA

Já nos Estados Unidos, a Casa Branca manteve o tom belicoso contra o Brasil. Segundo a porta-voz da Presidência dos EUA, Karoline Leavitt, Donald Trump “não tem medo de usar o poder econômico e militar para proteger a liberdade de expressão em todo o mundo”. A declaração foi dada após um repórter questionar qual a posição da Casa Branca diante do julgamento de Jair Bolsonaro. Leavitt ainda afirmou que os acontecimentos políticos no Brasil são uma prioridade para o governo americano. (Globo)

Joel Pinheiro da Fonseca: “O ponto forte do voto de Moraes é a visão de conjunto amparada em diversas evidências pontuais. Bolsonaro estava no centro de tudo isso. Alegar que ele não sabia de nada, quando se reunia com os demais participantes e defendeu a proposta do golpe junto a generais, beira o absurdo.” (Folha)

PGR pede reforço na vigilância para evitar fuga de Bolsonaro

Familiares e pessoas próximos veem condenação como certa; PF está vigilante (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Familiares e pessoas próximos veem condenação como certa; PF está vigilante (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Do Canal Meio e outras fontes

A poucos dias do início do julgamento que pode condenar Jair Bolsonaro (PL) a mais de 40 anos de prisão, a Procuradoria-Geral da República (PGR) aceitou o pedido feito pela Polícia Federal de aumento na vigilância da casa do ex-presidente para evitar uma tentativa de fuga. Em um relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF solicitou autorização para que houvesse “reforço urgente e imediato do policiamento ostensivo e discreto nas imediações do endereço residencial de Jair Messias Bolsonaro, bem como a manutenção e constante checagem do sistema de monitoramento eletrônico”.

A PGR se manifestou, recomendando que a polícia “destaque equipes de prontidão em tempo integral para que se efetue o monitoramento em tempo real das medidas de cautela adotadas”. No pedido, a PF afirmou ter informações sobre “um perigo concreto” de que Bolsonaro possa tentar se refugiar na Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

A PF fez questão de frisar que a representação americana está a apenas 10 minutos de carro da casa do ex-presidente. Apesar disso, há pouca expectativa de que o PGR, Paulo Gonet, recomende que a prisão domiciliar de Bolsonaro seja convertida em preventiva, com o ex-presidente sendo enviado para uma cela na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. (CNN Brasil)

Condenação certa

O entorno de Bolsonaro dá como certa sua condenação no processo sobre tentativa de golpe de Estado. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que a última esperança dos bolsonaristas é que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, consiga intervir no julgamento da ação penal. “O Trump é a única saída que nós temos, não temos outra.” (g1)

Bolsonaro, por sua vez, tem feito chegar a seus aliados que deseja estar presente nos quatro dias que estão reservados na 1ª Turma do STF para seu julgamento. De acordo com interlocutores, a ideia de comparecer é demonstrar força e refutar a percepção de que estaria acuado diante da previsão de condenação. (Folha)

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Governo Trump ataca Moraes e julgamento de Bolsonaro pode ir a 2026

Christopher Laudau, vice-secretário do departamento de Estado dos Estados Unidos (Foto: Reprodução do X)
Christopher Landau, vice-secretário do departamento de Estado dos Estados Unidos (Foto: Reprodução do X)

Do Canal Meio e outras fontes

O governo americano voltou a atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Desta vez, o autor da postagem original — republicada em português pela conta da embaixada americana no X — foi o vice-secretário do Departamento de Estado dos EUA, Christopher Landau.

De acordo com ele, Alexandre de Moraes “destruiu a histórica relação de proximidade entre o Brasil e os Estados Unidos”. O texto ainda afirma que Moraes concentra “poderes ditatoriais” no Brasil. O Itamaraty reagiu com uma nota, afirmando que viu na postagem “um ataque frontal à soberania” brasileira. (BBC Brasil)

Julgamento pode se prolongar

Elio Gaspari: “São fortes os sinais de que o ministro Luiz Fux vá pedir vistas no julgamento da trama golpista. É improvável que o julgamento de Bolsonaro termine em setembro e é possível que ele entre pelos primeiros meses de 2026”. (Folha)

Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, deve se encontrar na quarta-feira com representantes da Casa Branca, em Washington, segundo seus aliados. Em seu grupo, cresce a percepção de que Gilmar Mendes, decano do STF, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, serão as próximas autoridades sancionadas pelos Estados Unidos. (Globo)

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Jurista se preocupa com legitimidade do julgamento de Bolsonaro

Em entrevista à revista Fórum, o jurista Pedro Serrano comenta sobre o que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deveria fazer para garantir a legitimidade do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Serrano é cauteloso. Em sua ótica, é preciso priorizar o respeito ao direito, à legalidade.

– É importante que ele seja inquestionavelmente legítimo – alerta.

E tem mais: por tudo que viu da denúncia, depoimentos, “tem que inocentar o Bolsonaro.”

Ele faz referência à denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente e outros 33 aliados. Segundo a PGR, Bolsonaro seria líder da organização criminosa responsável pelos “atos lesivos” à democracia. O órgão também destaca que o objetivo do grupo era mantido por meio de um “projeto autoritário de poder” (veja AQUI).

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Defende que o processo seja enviado para o plenário do STF, prevendo que com certeza existirá grande reação nacional e internacional numa eventual condenação.

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O julgamento de Bolsonaro

Por Ney Lopesjulgamento

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE.

Está inelegível por oito anos, salvo se houver reforma da decisão no STF, que é muito difícil.

A decisão tira o ex-presidente das urnas por 8 anos, mas não retira nem suspende os seus direitos políticos.

Ele ainda poderá, por exemplo, votar nas eleições e participar de organização partidária.

O lema que adoto no jornalismo é a “informação com opinião”.

Por isso, não me omitirei de opinar, destacando por oportuno, ter o maior respeito pela justiça brasileira. Apenas exerço o direito ao contraditório.

Opino como jornalista e advogado, porque como disse o mestre Evandro Lins e Silva “Eu tenho o vício da defesa da liberdade. Não escolho causas ou pessoas para defender alguém“. Não importa que seja Lula ou Bolsonaro o injustiçado.

Rui Barbosa deixou para a posteridade, o ensinamento, de que “o advogado nunca deverá recusar a defesa de alguém por mais execrável que pareça o crime cometido ou a acusação que lhe pesa sobre os ombros. Não se pode negar o direito nem mesmo aos adversários”.

Na minha história de vida sei o que é a dor profunda da injustiça política.

Bolsonaro – Sempre critiquei o destempero verbal e as posições agressivas, que o ex-presidente adotava.

Não somava. Sempre dividia, em razão do seu temperamento impulsivo.

Todavia, após a divulgação das acusações contra Bolsonaro, nunca acreditei que ele fosse condenado a “pena máxima” da inelegibilidade.

A lei – E era simples o raciocínio: tratando-se de infrações eleitorais, a jurisprudência sempre exigiu, que os atos praticados pelo acusado, resultassem em prejuízo para o pleito eleitoral.

Não concordo com as expressões usadas pelo ex-presidente, em conflito com a justiça.

Julgo inoportuna a reunião promovida com os embaixadores.

Todavia, a Lei de Inelegibilidade (Lei Complementar nº 64/1990 — alterada pela Lei da Ficha Limpa) – não contempla a exacerbação verbal como causa de punição automática.

Reunião – Ademais, a reunião com os embaixadores não teve gravidade suficiente para desequilibrar as eleições, em relação aos demais candidatos.

A reunião foi pública, constou da agenda do presidente, com várias autoridades convidadas.

A TV oficial transmitiu por ser rotina dar conhecimento a opinião pública dos atos presidenciais.

A pena – Cabe citar Von Liszt, quando diz que “a pena justa será somente a pena necessária”.

E quando o direito entrar em conflito com a justiça, o caminho será aplicar a justiça.

A dosimetria da pena, aplicada por analogia ao direito eleitoral, é o ato de maior importância ao aplicador do Direito.

Consiste  em adequar a fixação da pena à personalidade do acusado, para evitar o excesso judicial.

O gênio de Chaplin define essa responsabilidade do juiz, quando ele diz: Juízes, não sois máquinas! Homens é o que sois!”(Charles Chaplin, em “O Último Discurso“).

A culpabilidade, sobretudo para aplicar a pena máxima de inelegibilidade, deveria levar em conta o índice de reprovação dos atos praticados e os prejuízos reais e concretos deles decorrentes.

Prejuízo eleitoral- As agravantes possuem um rol taxativo e não podem ser subjetivas, sem evidencia material, apenas para prejudicar o réu.

Quanto ao alegado abuso de poder de parte do ex-presidente, deve ser direcionado ao resultado prático almejado pelo candidato, ou seja, se acumulou votos, ou ainda, concorreu para o “não-voto” no oponente.

Críticas – Nenhuma dessas hipóteses ocorreu na reunião do Planalto com embaixadores.

Foram abordados temas delicados, com críticas veementes, visando o aprimoramento eleitoral.

A eventual inconsistência de fundamento nessas críticas, com o devido respeito, não configuram crime eleitoral.

Câncer –Independente dos julgamentos futuros, o Brasil está numa trilha perigosa em relação a atividade político-eleitoral.

O abuso do poder político e econômico concentra-se mais nas eleições estaduais e a justiça eleitoral, infelizmente, não tem dado prova de punição.

Há vários casos no país.

Os abusos e cooptações à custa de dinheiro público terminam caindo no esquecimento, o que se transforma em câncer para a democracia.

Ódio e ressentimento – Entretanto, desde o impeachment do presidente Collor tem se revelado uma prática usual afastar ou punir ex-presidentes da República.

Parece até uma reversão de ódios e ressentimentos, de quem por ter sido punido, quer dar o troco no adversário.

Uma lástima que isso aconteça, porque em nada aprimora a democracia brasileira.

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal