Os “cumpãneros” petistas devem começar a treinar a nova forma de tratamento à governadora Rosalba Ciarlini (DEM), caso ela saia do seu partido.
A ideia da governadora (e seu grupo) é ficar oficialmente ligada a presidente Dilma Rousseff (PT), pavimentando melhor caminho à reeleição.
E os ortodoxos demistas que incensam a “Rosa”, da mesma forma que inversamente satanizam Dilma, devem arrefecer ânimo e se prepararem à convivência com os “cumpãneros”.
É a roda-gigante da política em seu eterno movimento. Muita gente não percebe que ela continua girando, mas insiste em promover inimizades e agressões, sem enxergar que no dia seguinte tudo pode ser diametralmente oposto.
Juscelino Kubistchek já dizia:
– Em política não existe inimigo para sempre nem amigos eternos.
A política de Mossoró ensina em fatos bem contemporâneos, que ser “radical” não é chique.
Juscelino Kubistcheck já dizia que não tinha inimigos para sempre nem amigos eternos…
Política não se faz com cotovelos. Até no MMA (lutas de Artes Marciais Mistas) é feio demais golpe de cotovelo.
Política é uma arte; exercício de soma e não ação de centrífuga.
Quando digo que política é uma ciência, muita gente não entende. Mas é fato. Quem a conhece e a domina, rapidamente faz leitura de qualquer cenário, com base em seus princípios.
No caso do ambiente da sociologia política mossoroense, insultar alguém hoje é correr sério risco de ser seu aliado, constrangido, amanhã.
Hoje faz 27 anos de morte de um brasileiro ilustríssimo, mas que é um ilustre desconhecido à grande maioria dos brasileiros. Lembro de Victor Nunes Leal, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Morreu no dia 17 de maio de 1985, aos 71 anos.
Leal: um brasileiro ilustre
Foi chefe da Casa Civil do presidente Juscelino Kubistcheck, um dos articuladores do nascimento da Universidade de Brasília (UnB), jurista e autor de um livro obrigatório para entendermos um pouco as entranhas e a essência do poder no Brasil: “Coronelismo, enxada e voto”.
Ao lado de “Instituições políticas brasileiras” de Oliveira Vianna; “O povo brasileiro”, de Darcy Ribeiro e “Os donos do Poder” de Raymundo Faoro, vejo sua obra como um título indispensável para quem quer se aprofundar numa aula de Brasil, sob o ângulo da sociologia política e antropologia.
De antemão, assinalo, que essa listagem é resultado de minha afeição pessoal, baseada na aspiração do aprendizado, sem uma conotação científica ou autoridade acadêmica para indicação. Que fique muito claro, pois.
Natural de Carangola, Minas Gerais, Leal é um exemplo de operador do direito que dedicou sua vida ao zelo dos fundamentos da Justiça, num Brasil de profundas desigualdades. Injusto.
Nasceu no dia 11 de novembro de 1914 e morreu no Rio de Janeiro em 17 de maio de 1985.
Entre as muitas histórias que conheço sobre sua vida, existem pelo menos duas passagens especiais. Reproduzo-as aqui, na intenção de ofertar aos meus webleitores uma contribuição ao saber. Uma forma de adicionar elementos à comparação com algumas figuras que temos hoje na atividade pública, que envergonham o Rio Grande do Norte e o país. Argh!
Juscelino e a UnB
Chefe da Casa Civil de Juscelino, Leal vinha o cercando ao lado do educador Darcy Ribeiro, para a criação da Universidade de Brasília (UnB). Outra corrente no governo achava a ideia absurda. Seria um desatino construir uma universidade naquela imensidão de cerrado, na sufocante Brasília.
Numa conversa coloquial com o presidente, enquanto esse fazia a própria barba diante de um espelho, no Palácio do Planalto, Victor Nunes Leal disparou comentário definitivo à decisão. Contou-lhe que Thomas Jefferson, que fora presidente dos Estados Unidos e autor do texto de “declaração de independência” do país, pediu para ser lembrado em seu túmulo, sobretudo por outra realização: a Universidade da Virgínia.
A exigência de Jefferson foi atendida, após seu falecimento com mais de 80 anos de idade. Na lápide de sua sepultura foi inserida essa assertiva: “Pai da Universidade da Virgínia”. A partir daí, Juscelino acelerou providências à materialização do empreendimento.
O advogado
Noutro momento, em 1969, quando estava na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), Leal ouviu pelo rádio (A voz do Brasil) que fora expurgado da corte, cassado por ato institucional do Regime Militar. Ficou sereno. Mas tratou logo de cuidar do seu futuro.
Pediu a um amigo para compor seu escritório de advocacia no Rio de Janeiro. Reiniciaria carreira de advogado. Foi atendido, sem delongas.
Entretanto, o ex-ministro do STF fez uma sugestão em tom de exigência subliminar: que a relação de advogados associados fosse colocada no frontíspício do imóvel em ordem alfabética. Ele sabia que com o prenome iniciado em “V”, estaria situado lá embaixo, sem a pompa do topo. O STF era passado.
Alguns interlocutores perguntam de “corpo presente” e webleitores fazem o mesmo aqui na Web:
– O que você achou do decreto da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), que proíbe manifestações públicas no âmbito do Centro Administrativo?
Olha, sobre o assunto eu já me pronunciei em outras postagens veja AQUI e AQUI.
Creio que o decreto venha a ser derrubado na Justiça, pois tem características de um acinte ao princípio constitucional da “livre manifestação.”
O governo revela uma face antidemocrática, de intolerância e incapacidade de aceitar a crítica e a cobrança. Até hoje, as mobilizações de servidores e estudantes ocorridas no Centro Administrativo, sempre foram pacíficas e civilizadas, tendo apenas o acompanhamento à distância do policiamento.
A governadora poderia se antecipar e revogar a decisão, pois ficaria menos embaraçoso. Admitir um erro é prova de grandeza. O ex-presidente Juscelino Kubistcheck costumava repetir: “Eu não tenho compromisso com o erro”.
Já imaginou se a presidente Dilma mandasse tanger protestos diante do Palácio do Planalto?
Nenhum governador, desde os tempos da reabertura democrática, no início dos anos 80, chegou a tamanho grau de desatino.
Entretanto tem algo ainda mais constrangedor, que surge de forma subliminar, na postura adotada pela governadora: deixa implícito que ela está com medo do povo.
A massa com a qual ela lidava tão bém, até bem poucos meses e de onde tirou a essência de sua vitoriosa carreira política, agora parece lhe incomodar. Péssimo sinal.
Nota do Blog – Prefeita de Mossoró por três vezes, Rosalba enfrentou aglomerações de sem-terra e outras mobilizações escassas diante da prefeitura. Sempre as tratou com diplomacia, elegância e civilidade.