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Donos de partidos não querem concorrência

O lengalenga em torno da criação de novos partidos, no Congresso Nacional, esconde uma razão mais forte do que o aparente zelo por nosso sistema partidário. É fácil de ser entendido.

Os grandes partidos não querem evitar o surgimento de siglas de aluguel, até porque eles se beneficiam desse negócio a cada eleição. A motivação é outra.

O esforço é para que seja mantida uma espécie de “reserva de mercado” partidário.

Ao contrário do que ocorre em democracias avançadas, em que os partidos são fundamentais ao sistema, aglomerando pessoas com a mesma identificação ideológica, interesses, perfís etc., na pátria amada é diferente.

Partido tem dono.

Há algumas décadas, o comum era se proclamar que “fulano pertence a partido tal”. De uns tempos para cá, a regência é outra: “Sicrano é dono do partido.”

Por isso não temos avanço algum no modelo partidário e nossa democracia continua frágil, com poucos personagens pontificando e quase nenhuma boa novidade.

Os donos dos partidos, os grandes partidos, não querem mais concorrência.

Assim se passaram alguns meses no PT…

Uma das várias tendências do PT mossoroense anuncia que avaliza a unidade partidária em torno do nome do reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), professor Josivan Barbosa.

O partido, tudo indica, vai marchar unido à campanha municipal.

Que os anjos da boca mole digam amém!

Bem, mas o tempo consumido nesse lengalenga, nesse quiproquó, numa infindável assembleísmo e discussão de questões periférias, pode fazer muita falta adiante.

Desde o final de setembro do ano passado que o PT concentrou forças e saliva, gastou munição e gastou energias que poderiam ter sido centradas numa minuciosa pré-campanha.

Agora tem que correr atrás do próprio prejuízo que produziu para si.

Os dados estão na mesa. O jogo há muito está sendo jogado.