Anestesiologistas de Mossoró enviam ao Blog Carlos Santos um contundente manifesto em defesa da profissão, da saúde pública e da vida. Tratam a classe política que deveria cuidar da Saúde como “os piores gestores”, verdadeira escória.
Apesar das dificuldades, da falta de compromisso de quem deveria zelar pela Saúde, garantem zelo à atividade e apoio a quem precisar de seus cuidados.
Leia abaixo:
A saúde será prioridade em Mossoró
“A obstetrícia reflete o grau de civilização e moral de um povo, pois revela o zelo que se tributa à mãe e ao futuro cidadão, finalidade suprema da política social de todos os tempos”.
Agora tudo ficou confuso diante do calote institucional. A Gestão da Saúde de Mossoró é Plena, todavia, a responsabilidade de conduzir a Saúde Pública ao coma é do Estado. O SUS não é Único e nem Universal em Mossoró.
Já pode ser construído um memorial da Saúde Pública de Mossoró. Ao lado de um grande painel iluminado com a frase: “Aqui jaz a saúde pública de Mossoró” com umas fotos: A) Mulher grávida levando um colchonete para deitar na hora do parto; B) um anestesiologista com um escudo para se proteger na hora da explosão; C) Outro anestesiologista com um lamparina para usar na escuridão; D) Alguns remanescentes das gangues que fundaram a Maternidade aguardando novas oportunidades e a foto dos diretores explicando que não houve explosão.
Pela primeira vez em Mossoró as gestantes levam colchões e carrinhos de bebe para uma maternidade. Pela primeira vez uma paciente “ se recupera da anestesia sentada numa cadeira”. Pela primeira vez a parturiente permaneceu a noite toda na sala de cirurgia que se transformou em enfermaria. Tudo isso testemunhado in loco pelo Conselho Regional de Medicina, que deve estar aplaudindo a eficiência da Maternidade.
Não é necessário trazer insulina ou oxigênio.
Algumas gestantes devem ser transferidas para Russas-CE. Uma gestante que se encontra em Mossoró ser removida para Russas, é o maior absurdo. Quem tem condições econômicas vai parir em Natal ou Fortaleza.
Tem alguma alma internada no Hospital da Polícia. Alta rotatividade e eficiência.
A próspera Mossoró não merece esse tipo de gestores (Do Município, do Estado ou da União). O Ministério Público deveria responsabilizar os gestores da Saúde pessoalmente. Nunca dantes percebemos tanto descaso. E não usem o argumento esdrúxulo que a saúde está em crise no Brasil todo. Vivemos aqui, sofremos aqui e pagamentos tributos aqui.
Os anestesiologistas não estão ligados a nenhuma agremiação política. Temos consciência da importância dos atos anestésicos e da necessidade de valorizar o nosso trabalho.
E mesmo diante do comunicado à população, após a nossa reunião de hoje resolvemos que não devemos nos ausentar da emergência do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), temporariamente. O povo merece os piores gestores, a escória da política, mas na hora do infortúnio, do acidente, durante 24 horas haverá um anestesiologista tecnicamente preparado e com as mãos divinas para salvar vidas e adormecer a dor física dos pacientes.
Mas, hoje também tomamos a decisão de reagir diante do calote institucional. Nenhum anestesiologista estará disponível em nenhum hospital de Mossoró para atendimento dos usuários do Sus a partir de 16/08/2014. Os pacientes deverão “ da de garra “ de seus exames e AIH ( autorização de Internamento Hospitalar ) e comparecer a Av. Alberto Maranhão – 1751.
A “ Prefeitura da Gente “ esqueceu de efetuar o pagamento das A I H s ( produção ) de abril, maio, junho e julho, esqueceu de pagar os plantões da C S D Rosado dos meses de fevereiro, março, maio, junho e julho e de dezenas de tomografia e ressonância. Mas, como tudo é possível, pode ser que a saúde tenha se transformado em prioridade agora, na hora do ocaso. Ao escurecer, ao anoitecer, ao apagar das luzes e no final do expediente bancário. E a culpa ainda vai recair sobre os anestesiologistas.
Não pleiteamos nenhum tipo de reajuste. Todavia, sem um novo aditivamento, sem um novo contrato, sem condições técnicas de trabalho ( na Casa de Saúde Dix-sept Rosado-CSDR) e sem o saldo de dívidas justas e possíveis, não temos mais a intenção de prestar este humilde serviço à Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM). Vivemos um período de extrema insegurança jurídica.
Não mantemos vínculos políticos com nenhum partido ou candidato. Lutamos por uma política de valorização do anestesiologista.
Este desrespeito cruel e crônico É proposital. A culpa é do Estado ou do Município?
Não haverá desistência neste lugar de desiguais. Vamos resistir. Recuar, jamais!
Os anestesiologistas de Mossoró
Noite de 15 de Agosto de 2014