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Taí a “nova” política

Por François Silvestre

Era tudo pra ser novo. E o passado, assim como o diabo, por ser velho, precisava morrer. E foi uma enxurrada de votos. De Bolsonaro aos bolsonaristas, tudo novo. E em novo sendo, tudo brilhantemente limpo.Wilson Witzel, ex-juiz federal, colega de Sérgio Moro e Marcelo Bretas, seria um hiato na vida governamental do Rio de Janeiro. Hiato de pureza, na velha política de corrupção, de longas datas, décadas de patifaria.

Ex-juiz, de dedo no nariz da sociedade, prometia um eldorado de justiça e honestidade. Hoje é afastado por corrupção. Coisa grossa (veja AQUI e foto do portal UOL nessa postagem). Com o mesmo cacoete do Sérgio Cabral, tendo a mulher como cúmplice, e não apenas conge. Bela “nova” política.

O suplente de senador de Flávio BolsonaroPaulo Marinho, informa que sua casa serviu de búnquer da campanha do presidente Bolsonaro para armar ciladas contra adversários e preparar escudos para os seus. Tudo com base em falcatruas já conhecidas e outras programadas. Esses 89 mil na conta da conge do capitão, feito pelo fantasma Queiroz, é pintinho amarelinho no meio desse cipoal. Tudo “nova” política.

O Procurador Deltan Dallagnol, justiceiro de pocilga, incluiu naquelas suas Dez Medidas contra a impunidade o fim da prescrição. Sorte dele que não passou. Agora mesmo, num julgamento de delinquência sua, no Conselho Superior do Ministério Público, o processo foi arquivado por motivo de prescriçãoArguida por ele. O Conselho acatou o pedido de prescrição, mas informou que os delitos foram praticados. O “justiceiro” deixou o rabo preso na saída do chiqueiro. Estuário da “nova” política. O coletivo dessa turma é Ruma. Aquela que fica a feder por trás da moita.

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O vampiro de novembro

Por François Silvestre

Pois é. Em Novembro uma vaga surge na caverna dos morcegos. Essa alegoria é uma brincadeira por semelhança plástica e não pelo comportamento dos membros da Corte. Quando eles vêm em fila, com suas becas talares, na direção da Sala das Sessões do Pleno, parecem enormes e sisudos morcegos.

Já se especula sobre vários candidatos à vaga do Decano, que sai por força da aposentadoria compulsória. O jus-integralista, feição tupiniquim do nosso fascismo, Ives Gandra Martins saiu do sarcófago forense em que repousava para fazer a defesa “jurídica” das estripulias verbais de Bolsonaro. Tudo com a capa de “proteger” a instituição da presidência da república. Papo.

A verdade é que seu filho, Ives Gandra, ministro do Tribunal Superior do Trabalho, novamente é candidato à vaga. Por que novamente? Porque já fora candidato, quando da vaga ocupada por Alexandre de Moraes, indicado por Michel Temer.

Outro candidato é o juiz bíblico Marcelo Bretas. E essa condição é bem forte. O próprio juiz já declarou numa entrevista à televisão que há muito tempo não ler outra coisa além da Bíblia. E usa a Bíblia para fundamentar sentenças, fazendo a ressalva de que só a usa “nos seus textos históricos”. Da literatura em geral, nunca foi leitor. De Direito, estudou o suficiente para passar em concursos.

Da doutrina jurídica, prefere a Bíblia como genérico da medicação. É um forte candidato.

O atual ministro da justiça também é candidato. Nada posso acrescentar sobre ele porque nada sei. Mas substituiu Sérgio Moro, o primeiro e invencível candidato, que foi defenestrado. Tem chance.

Há outros candidatos, cuja condição de “terrivelmente evangélico” pesa mais do que notório saber e reputação ilibada. São muitos.

Porém, um novo nome aparece na ribalta. Augusto Aras, atual procurador Geral da República. Esse nome carrega um peso metafórico nessa história da caverna dos morcegos. Por quê?

Porque o morcego usa uma tática para não espantar sua presa. Ele abana, com a asa, a parte a ser afetada para anestesiá-la, e só depois ferroa. Isto é, abana e ferroa.

Ele apenas inverteu o processo, na relação com o presidente que poderá indicá-lo. Qual seja, ferroou primeiro para abanar depois. Pediu a abertura do inquérito, ferroada. Com isso, sinalizou independência. Agora, faz de tudo para esconder a culpa (dolo) de Bolsonaro.

Fala e age como se advogado de defesa fosse. Tudo para preparar a motivação de arquivamento do inquérito. Abano. Morcego esperto.

Bem. Quem será, não se sabe. Talvez nenhum dos citados. O certo é que será uma única vaga em Novembro. Um satisfeito. E vários ressentidos.

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Equinócio irredento

Por Paulo Linhares

Na sabedoria dos camponeses nordestinos, o dia 19 de março em que homenageiam São José, o pai mortal de Jesus, é balizador decisivo para boa estação chuvosa e, por consequência, boas colheitas. A sabedoria popular, todavia, não é desprovida de cientificidade. O equinócio de outono, acompanhado do fenômeno da superlua, ocorreu neste 20 de março de 2019. Se chuvas ocorrem nesse dia, há uma infalível certeza de ‘bom inverno’.

Desta feita, mal vencido o equinócio de 2019, eis que a Polícia Federal faz cumprir, em São Paulo, mandados de prisão preventiva, expedidos pelo juiz Marcelo Bretas (aquele do olhinho baixo…), do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Wellington Moreira Franco, este também conhecido no submundo da corrupção como “Gato Angorá”.Claro, municiado de informações privilegiadas, o cartel da mídia brasileira revelou, finalmente, as personagens que faltavam nessa ópera bufa cuja cena única era, até agora, a daquele velhinho barbudo, com nome  de intragável crustáceo, que, de rigor, nem deveria estar ali.

Enfim, cenas de uma prisão anunciada: o chefe da quadrilha do MDB vai para o xilindró. Nada a comemorar, mesmo porque tais prisões são apenas de caráter preventivo, sem qualquer culpa formada relativamente aos presos. As repercussões midiáticas  parecem evidentes, no Brasil e no mundo. De repente, aquele juiz de olhinho à Ceveró passa a ocupar o lugar que há bem pouco tempo era do draconiano juiz Sérgio Moro, hoje envergonhado ministro da justiça do capitão Bolsonaro.

Afinal, desde que essa desavergonhada república existe, apenas dois ex-presidentes foram, com ou sem razão encarcerados, como criminosos comuns: Lula, sob o tacão do juiz Moro, e Temer, por decisão do juiz Marcelo Bretas. Sequiosa de ancestral vingança,  brasileiros de classes sociais diversas  exultam. Claro, jamais imaginam como age essa máquina judiciária que, atendendo às pautas de um empoderado ministério público, que pretendem, em conjunto, fazer um redesenho do Brasil que contemple unicamente a sua hegemonia.

O que poucos imaginavam é que, entre a “cutucada e a imediatidade do ‘êpa!”, o desembargador federal Antonio Ivan Athié, do Tribunal Federal da 2ª Região, abrisse a ‘ gaiola’ para libertar Temer, Gato Angorá  e mais outros cinco presos envolvidos na mesma investigação.

Sem entrar no mérito das ‘virtudes’ judicantes do desembargador Atihé, inclusive, vários processos em que foi envolvido na condição de réu, aliás, brilhantemente absolvido em todos eles, sua decisão foi juridicamente irretorquível; julgou corretamente em se tratando de uma prisões preventivas inspiradas não nos requisitos legais incrustados no remendadíssimo Código de Processo Penal, mas, nas motivações midiáticas do juiz Bretas e dos membros da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Com efeito, no aprofundamento da democracia, tais  ‘efeitos de demonstração’ se tornam inevitáveis. Ninguém estaria acima da lei. Assim, sejam quais forem os propósitos dessa guerra surda contra o dragão da maldade da corrupção, a exultante expectativa é a de que a “velha política” seja derrotada.

Será? Parece que não: a armação dos procuradores da República para arrancar 2,5 bilhões de reais da Petrobras para criar uma “Fundação Lava Jato” de cunho  privado fez cair uma pesada e não menos suspeito véu. A ação vigilante da imprensa e das redes sociais evitou fosse concretizada a ministerial falcatrua que, aliás, mereceu até o repúdio de dona Raquel Dodge, procuradora-geral da República do Brasil, que ajuizou uma ação no STF contra isso.

O episódio mostra as vísceras de um velho costume político brasileiro: corruptos são sempre os outros; do outro lado, somente anjos vingadores que cumprem a lei e desejam esvurmar os bulbos infectos da ‘peste vermelha’ que teria assolado o país. Balela, avassaladora hipocrisia política praticada à sombra das instituições democráticas e republicanas que avultam do seio da Constituição, em que a busca da sobrelevação dos interesses populares que traduzem, no máximo, os apetites insaciáveis das corporações que dominam a máquina burocrática do Estado, no Ministério Público, no Judiciário, no aparato de segurança e mesmo nalgumas ‘manchas’ conservadoras do Congresso Nacional. Tudo a muitos anos-luz da ideia-força de radicalização da democracia imaginada por Rosa Luxemburgo.

Com efeito, escarafunchar o passado é fácil; difícil é conviver com o presente e antecipar o futuro. O desiderato, agora, é adular os patrões da Wall Street, a CIA, as insanos arreganhos de Washington e de seu atual contestável Donald Trump, afinal, essas coisas de liberdade, inclusive, a de imprensa, de autonomia e harmonia dos poderes do Estado, o equilíbrio  federativo, são, nos dias que correm, apenas anacrônicos delírios dos “pais fundadores” da pátria  norte-americana que serviram de inspiração a outros povos do mundo, inclusive, o brasileiro.

Esses valores, diante da ressaca conservadora e de fortes pendores autoritários, não passam de frágeis velas ao vento – “candles in the Wind” – que ameaçam o legado das luzes e podem fazer  com que estes trópicos confusos afundem numa nova era de desalento e escuridão.

Afinal, cá para estas bandas, o presidente Bolsonaro já decidiu que ao menos os quartéis, “que nos ensinam antigas lições”, como dizia o poeta Vandré em tempos idos e de triste memória, devem comemorar com ardor o aniversário de 55 anos do ‘movimento’ cívico- militar de 31 de março de 1964.

Ocorrendo isso, tantos brasileiros torturados, mortos e ‘desaparecidos’ sob o tacão do regime militar, jamais poderão dizer “presente”, varridos que estarão sendo para debaixo do perverso tapete da História.

Contudo, estaremos vigilantes. Ave, Anatália de Souza Melo Alves!

Paulo Linhares é professor e advogado

Complexo de inferioridade

Por François Silvestre

É uma manifestação psicossocial do indivíduo que se pretende maior do que acha que é avaliado.

Em se achando maior do que imagina ser visto, expõe-se feito o cururu, que incha para enganar o predador, fazendo-se maior do que realmente é.

O Juiz Marcelo Bretas é um arquétipo dessa condição humana. Feio, sofre com a beleza dos outros. Inculto, esbanja-se em citações alheias. Fanático religioso, usa o credo da sua crença para fundamentar o infundamentável.

Agora, após a auto defenestração de Sérgio Moro da magistratura, negociada com Bolsonaro por uma vaga no Supremo, Bretas decidiu ocupar o vácuo.

E aí destrambelha-se, como sói acontecer com todos os complexados. Vêm à tona os recalques de quem não os trabalhou para resolvê-los.
Mandou algemar o ladrão Sérgio Cabral com algemas dos pés para as mãos, do torço, num espetáculo grotesco.

Por quê? Porque o larápio, perigoso corrupto, mas inofensivo como preso, comentou numa audiência que o juiz Bretas era filho de lojista de bijuterias. Suprema humilhação.

E na tentativa de aparecer como sucessor de Moro, que foi sucessor de Joaquim Barbosa, o arrependido, decreta prisão preventiva na mais escrachada desconsideração definidora desse tipo de prisão.

Nem um juiz de paz, do sertão antigo, cometeria tal aberração. Fruto do complexo de inferioridade.

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De Fufuca e outras fofocas

Por Paulo Linhares

A política brasileira, nesta quadra de atropelos, se apresenta como uma caixa de estonteantes surpresas, para não dizer mesmo que é uma autêntica “caixa de Pandora”; um cenário em que o ridículo de tantos é a constante de todos.

Ora, recentemente a ‘jihad’ da corrupção teve mais um capítulo, justo no Califado de Curitiba, que não deixa de ser caricato: foto publicado com destaque de primeira página da Folha de São Paulo (meninas e meninos  das redes sociais nem imaginam o que isto significava no passado…),  mostra o próprio Califa, Sérgio Moro, ladeado de “otoridades” outras (da magistratura, do MPF, policiais e uns poucos políticos, babões judiciários e puxa-sacos ministeriais) a assistir a estreia do filme Policia Federal – A Lei É para Todos, que tem como vedete a “Operação Lava-Jato”.

Significativa é a cena do também juiz federal Marcelo Bretas, aquele que tem um olho à Cerveró, na sessão inaugural do filme, a oferecer pipoca ao colega Moro.

A imagem, posto que ridícula, é prenhe de significados, a começar pela lembrança da avant-première do filme Triumph Des Willens (O Triunfo da Vontade), de 1934, da cineasta alemã Leni Riefenstahl, com a presença do furher Adolf Hittler em pessoa e de cúpula nazista. Mesmos risos dissimulados dos poderosos, mesmas calvas, assemelhado exagero dos figurinos, idêntico ‘cruento’ de mulheres feias (com o perdão do leitor: como não sei se existe um coletivo de mulheres feias, inventei este…), um hiato de sete décadas.

O filme da cineasta do 3º Reich  mostra o esplendor do complexo industrial-militar da máquina nazista; o filme produzido agora pelas Organizações Globo, através da Globo Filmes, retrata a atuação dessa máquina de moer empresários, políticos, fortunas e reputações, a Operação Lava-Jato, tendo como eixo a Magistratura, o Ministério Público e a Polícia Federal, essa tríade empoderada inicialmente pelos constituintes de 1988 e mantida pela ingenuidade politicamente correta dos ocupantes de todos os poleiros ideológicos.

Estranho é como os senhores do poder gostam desse ‘gênero’ cinematográfico. Vá ver que é um pouco aquele fascínio que só os espelhos despertam… Não entendi mesmo foi a tal pipoca do Dr. Bretas.

Na foto, o califa Dr. Moro, de horripilante gravata vermelha sobre camisa preta, parece não dar atenção para o mimo do colega. Moro sabe das coisa: com pipoca, tudo pode acontecer no escurinho do cinema. Assim, essa cruzada da moralidade pública levada a cabo pelo Judiciário e coadjuvada pelo MP/DPF, contra o ‘Dragão Corrupto da Maldade Petrolona’, ganhou sua expressão cinematográfica, inclusive, com a incorporação de recursos sofisticados e estonteantes efeitos especiais.

Decerto, Hollywood o espera com um reluzente Oscar de “melhor filme estrangeiro”…

Sim, um pioneiro Oscar é o mínimo que os bravos “irmãos do Norte” podem verter de gratidão pelos enormes benefícios que tiveram com a destruição por completo da poderosa indústria pesada da construção civil brasileira, a desarticulação do nosso projeto nuclear (leia-se, do submarino movido a energia nuclear) que tanto dava nos nervos de Washington e, sobretudo, a derrocada da maior empresa petrolífera do planeta, a Petrobras, a única detentora da tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas.

A ‘tchurma’ de Curitiba fez um notável trabalho em matéria de entreguismo, de fazer corar velhos entreguistas do porte de um Roberto Campos, Delfim Netto e outros do mesmo naipe. O mesmo se diga em relação a Hitler e seus asseclas, eficientes em matéria de “solução final”.

E quando pensava-se já ter visto tudo na política brasileira, até cego ver e boi voar, eis que nos surpreende a ascensão à presidência da Câmara dos Deputados do jovem e esfuziante deputado Fufuca! Sim, assim mesmo é o nome parlamentar de André Luiz Carvalho Ribeiro, médico de 28 anos, matriculado no PP do Piauí: F-U-F-U-C-A.

Com essa idade e esse nome seguramente ele não chegou à Câmara Federal com os votos do seu próprio prestígio; como soe acontecer, deve ser ele mais um desses ‘filhotes’ que infestam a representação política brasileira. Com efeito, ele é filho de Francisco Ribeiro Dantas Filho, o Fufuca Dantas(PMDB), prefeito municipal de Alto Alegre do Pindaré (MA). De lascar os tamancos.

A coisa é a seguinte: “seo” Temer foi à China, fazer negócios de Brics e deixou no comando dessa grande nau desgovernada o jovem Rodrigo Maia, presidente da Câmara.

Como o primeiro vice-presidente, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), resolveu acompanhar Temer na vilegiatura chinesa, a condução dos trabalhos legislativos, no momento mais crucial para o governo em razão de importante pauta de matérias a ser votada, ficou a cargo de quem? Do jovem deputado André Fufuca (PP-MA) que, para os íntimos, é apenas “Fufuquinha”, atual segundo vice-presidente  da Câmara dos Deputados. E haja fofoca nos arraiais de Brasília.

Ninguém merece.

Que São Braz, santo ligeiro, mas, nem assim tão cuidadoso, fique alerta com trovões e relâmpagos que poderão causar mais desassossego no Palácio do Planalto. Vixe!

Paulo Linhares é professor e advogado