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Uma legislatura que pode ser a pior

Carlos Santos,

Nauseante acompanhar o noticiário sobre a Câmara Municipal de Mossoró. Nosso parlamento local, com honrosas exceções, virou um armazém de secos e molhados. Para grande parte de seus membros, mercadejar parece ser o único objetivo.

Cumprir as obrigações constitucionais legiferante, e, sobretudo, fiscalizadora, não passa de letra de lei morta. A função julgadora, então, nem se fala. Muitos até que cumprem a função de assessoramento ao Executivo. Mas a que custo? A sociedade mossoroense, num silêncio leniente, sabe qual.

Grande parte dos nossos vereadores, ridicularmente, se recusa até a debater as propostas apresentadas pelo governo que apoiam. Ou não acredita nas propostas ou no governo.

Incrível que não se deem conta da importância do cargo para o qual foram eleitos. Para alguns, mostrar bravura – ou bravata – é ficar discutindo, pelas redes sociais, com blogueiros, jornalistas, eleitores ou quaisquer outras pessoas, num diálogo pedestre que, muitas vezes, apenas revelam o tamanho a que se acostumaram a ter.

Temos, sem sombra de dúvidas, uma das piores legislaturas na história da Câmara Municipal de Mossoró. É minha opinião como eleitor e cidadão. Quiçá, a pior.

Na sua grande maioria, demonstram alienação excessiva, subserviência desmedida, apego demasiado ao poder e desídia para com as funções do cargo.

Pode ser de menos – talvez o seja – mas não ter sessões por falta de quórum revela a importância que os ausentes – muitas vezes de forma reiterada – dão ao Legislativo. Esquecem que são detentores de cargo em que detém um poder, e que estes lhe apresentam como ônus, um dever.

Finalizo com um pedido, sem querer parecer simplista demais: não apequenem nosso Legislativo.

Márcio Alexandre, professor e servidor público

“Educação e Cidadania” estreia neste sábado na FM 98,7

A FM 98.7 – Rádio Cidadania (Mossoró) estreia nesse sábado (26), o programa “Educação e Cidadania”. Iniciativa pretende destacar os fatos, projetos e temas atuais da educação. Irá ao ar das 11h ao meio-dia.

Uma das propostas do programa é debater os grandes temas que envolvem a área. Também se pretende oferecer sugestões de atividades aos professores e abrir espaço para que as escolas apresentem suas experiências exitosas.

Terá entrevistas, informações relacionadas à educação, dicas de saúde, orientações sobre direitos, sugestões de atividades didático-pedagógicas e música. Será apresentado pelo professor e jornalista Márcio Alexandre.

Sindiserpum

O programa inaugural pretende discutir os impactos da Lei 11.738, de julho de 2008, que instituiu o Piso Salarial Profissional Nacional”, a cognominada Lei do Piso, na melhoria da qualidade do ensino.

Serão convidados a secretária municipal da Educação, Iêda Chaves, a presidenta do SINDISERPUM, Marleide Cunha, e dirigente regional do SINTE em Mossoró, professor Rômulo Arnaud.

A cada mês, um tema será escolhido para ser discutido por professores, jornalistas, gestores, sindicalistas, sempre na perspectiva de oferecer aos ouvintes opiniões diferentes que permitam a construção de uma visão crítica sobre o assunto em destaque.

Por uma reflexão sobre o Estado brasileiro

Por Márcio Alexandre

A sociedade brasileira está imersa, nesses tempos hodiernos, numa questão que exige muita reflexão, mas sobre a qual pouca gente reflete. Vivemos sob a égide de um Estado de bem-estar social que age como se Estado mínimo fosse. Que se autoproclama como prestador eficiente de vários serviços simples, complexos e completos, e que está assentado numa realidade, que nos aponta que há serviços simples e complexos, mas nunca prestados em sua completude. Poucas vezes com eficiência.

A explicação para isso é simples: o Estado não se deu conta – ou não quer se aperceber – de uma situação que salta aos olhos: se oferece demais e cumpre de menos. Não há órgão ou entidade governamental que não apresente – ou alegue apresentar – carências. Faltam recursos humanos, técnicos, materiais, para ficar apenas nisso.

Antes de me ater com maior percuciência, à questão principal sobre a qual pretendo discorrer, considero necessário lançar algumas linhas sobre a noção de Estado. Prefacialmente, vamos considerar o conceito construído por Dallari, para quem o Estado deve ser entendido “como a ordem jurídica soberana que tem por fim o bem comum de um povo situado em determinado território” (DALLARI, 2010, pg 44).

Por que essa preocupação? Por que, via de regra, os do povo confundem Estado com governo e daí, essa expressão sempre é atribuída ao governo do Estado. Grande parcela da população ainda não tem um conhecimento mínimo razoável – infelizmente -, que lhe permita compreender o sistema federativo e que neste o Estado brasileiro se reparte em três instâncias: local, estadual e federal. Também não compreende – embora saiba da existência dos três poderes – que embora haja essa tripartição de competências, o poder, emanado pelo povo e exercido por quem esse povo escolhe, é uno.

O próprio Dallari nos alerta que o termo Estado tem sido empregado em “variados sentidos que sem um conceito esclarecedor não se fica sabendo em que sentido ela está sendo usada” (2010, pg 41). Então, para uma compreensão mais acurada da reflexão que proponho, vamos entender o Estado como essa entidade formada por órgãos, instituições e pessoas, e que responde pelo controle e administração da nação. Vencida essa digressão, voltemos à discussão inicial.

Evitando me restringir apenas ao campo da divagação, recorro a alguns exemplos práticos aos quais tenho tido acesso seja na condição de pretenso usuário dos serviços que o Estado oferece – ou deveria oferecer -, ou como participante de eventos nos quais se discuta a prestação de serviços governamentais.

Senão vejamos: a rede municipal de ensino de Mossoró tem uma carência de pelo menos 300 professores. O aparato policial militar aqui baseado tem déficit de 800 policiais. Faltam médicos nas unidades de saúde (municipais e estaduais), professores nas escolas (municipais e estaduais). Há carência de guardas civis, de promotores públicos, de juízes, de técnicos judiciários.

De tudo o que está posto, ficam algumas certezas. A primeira delas: o Estado está falhando. Em menor ou maior grau, em quaisquer de suas instâncias, seus serviços são sempre insuficientes. A segunda delas é que quem governa o Estado, demonstra não estar sequer preocupado com essa realidade. Uma outra certeza é a de que o Estado cobra muito e retribui pouco.

E, se de repente, for o contrário: se o Estado não tem arrecadado à altura do necessário para arcar com suas responsabilidades, que apresente ele essa realidade. Parece não ser essa a questão, pois os governantes não têm reclamado das arrecadações, salvo um ou outro prefeito mais esperto.

E, como corolário, de todas as carências que temos apresentado, vem uma quarta certeza: o Estado está ineficiente, está ausente. Ineficiência e ausência que, estabelecidas amiúde, se configuram em irresponsabilidade.

O aparelhato estatal claudica. Não há órgão, municipal, estadual, distrital ou federal, que não tenha deficiências. As estruturas postas em cada um desses níveis de governo são insuficientes.

O quadro que percebemos parece tão desolador que até mesmo funções mínimas que o Estado deveria desempenhar não acontecem a contento. O Estado não consegue exercer com um mínimo de qualidade nem seu papel de articulador e de mobilizador de pessoas e serviços. Salvo raras exceções.

Nosso intento maior é de iniciar, ainda que de forma incipiente, pequena e acanhada até, uma reflexão sobre que Estado temos e, quem sabe – quimera das quimeras – suscitar pequenas discussões que deságuem na construção de um debate sobre nossa condição de contribuinte que muito paga e nada tem. Ou, quiçá, sobre a condição do nosso Estado, que muito arrecada e nada oferece. O que talvez tenha que oferecer mais do que arrecada. Qual dessas visões prevalece, só um bom debate é capaz de dizer.

É preciso se buscar respostas a alguns questionamentos básicos: que Estado é esse? A que ele se propõe? Que valores propaga? Quem se beneficia com esse modelo estatal? Quem mais sofre com essa lógica? A quem interessa esse estado de coisas? Imperioso que se repense o Estado. Se não mudar, terá valido ao menos como reflexão. Como está, não pode continuar.

DALLARI, Dlamo de Abreu. Os Elementos da Teoria do Estado. 29ª Edição, São Paulo Saraiva: 2010.

LENZA, Pedro. (2012), Direito Constitucional Esquematizado. 16ª. Ed. São Paulo: Saraiva.

Márcio Alexandre é professor, jornalista e servidor público

TRE cria dificuldades e pressiona eleitor mesmo assim

Caro Carlos Santos,

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RN) está alertando (ameaçando) que aquele que não fizer o cadastramento biométrico terá o CPF cancelado, o que impedirá o seu portador de participar de concursos públicos. Já aqueles que são beneficiários do Bolsa Família perderão o benefício.

A questão é a seguinte: o TRE/RN criou um agendamento prévio via Internet. O problema é que o prazo para o cadastramento termina em 4 de abril e desde ontem, 28/1, não há mais horários disponíveis.

A orientação do TRE/RN é que aqueles que não conseguiram fazer o agendamento on line se dirijam à sede do órgão em Mossoró e acampem esperando ser atendidos.

Ora, vamos a um breve raciocínio: se não há mais como se fazer o agendamento é porque não há mais horários disponíveis. Se não há mais horários disponíveis, quem não conseguiu fazer o agendamento vai para lá fazer o quê? Ademais, se houvesse tempo e pessoal disponível para atender, bastaria que se continuassem os agendamentos pela rede mundial de computadores.

Márcio Alexandre – Professor e jornalista

 

Falta de professores prejudica alunos do Estado

Caro Carlos Santos,

Que esperar da educação do nosso Estado? O que esperar de um sistema educacional que não recebe atenção mínima dos governantes? Ou alguém acredita que deixar uma escola com um desfalque de quase metade dos professores é ter a educação como prioridade? Vamos ser diretos.

Na Escola Estadual Francisco Antônio de Medeiros, no bairro Belo Horizonte, não há professor das seguintes disciplinas: Biologia, Sociologia, Química, História e Física. Atentem bem, são 5 componentes curriculares que estão sendo negligenciados. Estamos quase no final do ano letivo e não há docentes para essas “matérias”, prejudicando cerca de 150 estudantes do Ensino Médio.

Será que vão fazer igual ao ano passado, quando em algumas escolas os estudantes concluíram o ano letivo, inclusive com aprovação, sem terem visto uma aula sequer de Língua Portuguesa?

Sou ex-professor de alguns dos alunos que estudam atualmente naquela escola e eles me procuraram aflitos para saber o que pode ser feito para que o Estado tome alguma providência já que a direção daquele estabelecimento de ensino disse que não tinha o que fazer.   Já são mais de dois meses que os estudantes estão sem aulas dessas disciplinas.

Não é demais lembrar que muitos desses alunos estão concluindo o Ensino Médio.

Márcio Alexandre – Professor

Nota do Blog – Lamentável. Um problema que se arrasta de governo a governo, sem solução. Nosso futuro negligenciado.

 

Aquele médico humano, de carne e osso, existe…

Caro Carlos Santos,

Usuário do SUS e cidadão atento aos meus deveres, mas defensor dos meus direitos, tenho sempre feito intervenções em seu Blog. Na maioria das vezes, é verdade, com informações dando conta dos vários problemas que acometem a Saúde em Mossoró.

Por dever de justiça e para que casos como o que vou relatar se repitam, vou fazer o registro de público:

Ontem, 1º de agosto, às 17h, na UPA do Alto de São Manoel, entre os muitos pacientes e profissionais que ali trabalhavam, se destacava a figura do médico Aguinaldo Segundo N. Pereira.

Chamou-me a atenção a forma serena e tranquila com que atendia os pacientes. Mais ainda: a alegria com que desenvolvia o seu ofício. A felicidade com que consultava as pessoas.

Fui informado que o citado médico sequer estava no seu horário de expediente. Havia ido àquela unidade de pronto-atendimento para ver uma escala médica e, observando o elevado número de pessoas que aguardavam atendimento, resolvera oferecer sua contribuição para minimizar a situação.

Caso raro. E que se repita.

Márcio Alexandre – Webleitor, professor, jornalista e servidor público.

Nota do Blog – Meu querido Márcio, você dignifica a atividade jornalística, o nobre ofício da docência, o elevado papel do servidor público e enriquece a raça humana.

Seu relato, como sempre muito seguro, é duplamente bonito: fala do outro lado, o lado bom do serviço público, não se detendo apenas a fazer crítica e resmungar problemas.

E, também, enaltece a figura do médico bom, o profissional do bem, aquela figura que parece um demiurgo, colocado para muitos de nós, simples mortais, como um representante de Deus na terra, em face do seu poder de intervir em favor da vida.

Ah, que venham outros Aguinaldo Segundo… brasileiros, cubanos, marcianos, mas acima de tudo humanos. Gente de carne e osso, gente que se sensibiliza com a dor alheia e não apenas com o “ter”.

P.S – Posso estar enganado, se o estiver, que alguém me informe e aos nossos webleitores, mas creio que esse médico é filho de Aguinaldo Pereira, médico e ex-prefeito de Caraúbas, não?

Professor esvazia nota e argumentos sobre salários

Carlos Santos,

Essa nota do Governo do Estado (Veja AQUI) se enquadra naquela situação em que se fala muito e não se diz nada.

Ora, destacar que é difícil encontrar um parâmetro para analisar se um salário é pequeno ou não soa como balela.

Dizer que o fato de as cargas horárias variarem também não convence.

Se existem Estados que a carga horária é de 20, 25, 30 ou 40 horas, não há dificuldade de se mensurar. Basta fazer uma conta proporcional. Pior ainda é afirmar que em alguns Estados estão embutidas algumas vantagens.

Ora, se estão embutidas e se o professor os recebe, também é salário. No caso do Rio Grande do Norte, com “embutimento” ou não, o salário de um professor em início de carreira é R$ 1.644,00. Ou seja, um embuste, já que é este o único valor recebido.

O problema é que o Estado do Rio Grande do Norte se nega a pagar as vantagens a que cada profissional tem direito. Um exemplo: em qualquer empresa ou nível de governo, os seus funcionários ou servidores são remunerados de acordo com a função que desempenham e seguindo-se o que determina o plano de carreira de cada um. Assim, um funcionário ou servidor de nível médio ganha um determinado salário, o de nível superior outro, o especialista outro, e assim sucessivamente.

No caso do Rio Grande do Norte, os professores que concluíram Especialização não recebem, por parte do Governo do Estado, os 20% de diferença salarial pelo título. Em algumas situações, o Estado os “agrada” com a astronômica quantia de R$ 40,00 a R$ 50,00. Em alguns casos, nem isso.

Façamos a conta: se um professor de nível superior ganha R$ 1.644,00, o Especialista deveria receber no mínimo R$ 322,00 a mais. Ou seja, seu salário deveria ser de R$ 1.996,80.

A meu ver, o Estado do Rio Grande do Norte não deveria se vangloriar por supostamente ter encontrado outros Estados que pagam menos que ele, mas encontrar meios para se equiparar àqueles que pagam mais.

Quando ao parâmetro que o Governo do Estado diz não ser possível utilizar, há um meio simples. Basta comparar com outras profissões de nível superior. A grande maioria tem um piso maior de que o de um professor. E todas, com o devido respeito, com um trabalho menos importante o desenvolvido por um docente.

P.S: Não satisfeito em pagar um salário baixíssimo, o Governo do Estado ainda apronta das suas. Ainda não pagou aos concursados o proporcional de férias referente ao ano passado e ontem, último dia útil do mês, também não havia pago o salário de março.

Há parâmetro para medir incompetência?

Há parâmetro para mensurar falta de respeito?

Será que o Estado do Rio Grande do Norte, ao invés de pagar aos profissionais vai apresentar uma desculpa estapafúrdia, como dizer que em outros Estados o atraso é bem maior?

A que ponto chegamos?

Márcio Alexandre – professor

Professor se queixa de maus-tratos do Estado

Carlos Santos,

A atual administração estadual, que quer se apresentar como modelo para eleger prefeitos em cidades do interior, tem demonstrado uma incompetência desmedida em muitas áreas, principalmente na gestão do seu quadro de pessoal.

Atentem bem: há concursados que, trabalhando desde o início do mês de abril deste ano, ainda não viram a cor do dinheiro. O Governo do Estado vem realizando pagamento a conta gotas, beneficiando alguns poucos a cada mês.

Para que não digam que se trata de invencionice ou uso eleitoreiro de qualquer tipo, informo-lhes para o público em geral, que essa é a minha situação e de muitos outros colegas.

Vejam o absurdo: para não cumprir com a obrigação de realizar o pagamento, o Governo do Estado alega que é preciso se concluir um processo. Imaginem só: 6 meses para desenvolver um processo de admissão de um servidor. É incompetência ou maldade?

No meu caso específico, achando pouca a demora, o Governo do Estado, através de sua Comissão de Acúmulo de Cargos, divulgou parecer informando que tenho dois vínculos no serviço público: o da prefeitura do qual sou servidor concursado desde 2001 e um com a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

Ressalte-se que meu vínculo empregatício com a UERN, estabelecido por meio de contrato provisório, já se desfez desde março do ano passado. E não era permanente como dito no parecer. Já meu vínculo com a prefeitura é permanente. Como professor, a lei garante-me dos vínculos.

Quando questiono sobre a incompetência ou maldade, refiro-me não só ao tempo, mas também à falta de zelo com que se analisa os processos. Vejam só: meu vínculo com a UERN se desfez em 2 de março de 2011, fui convocado pelo Estado em 17 de março de 2012 e mesmo assim o parecer foi de que eu mantinha vínculo com o Estado. Um detalhe: mandei no processo toda a documentação necessária, inclusive cópias da carteira de trabalho constando a rescisão do contrato (inclusive do último). Incompetência ou maldade?

Alguns outros questionamentos: quando assumiu o Governo do Estado, a governadora Rosalba Ciarlini passou 6 meses sem receber seus vencimentos? Seus auxiliares também? A governadora, que tanto diz trabalhar pelo mais humilde, pelo social, que diz querer melhorar a vida das pessoas, sabe das dificuldades para se manter uma família, ainda mais quando o responsável por sua manutenção passa 6 meses sem receber seus salários?

Márcio Alexandre, professor

Nota do Blog – Pior, Márcio, é que essa prática de torturar o concursado não é “privilégio” do Governo Rosalba Ciarlini (DEM). Contratar e pagar meses depois, virou regra, como se fosse algo reto, certo, legalmente constituído.

Educação como prioridade? Não acredito.

Itep está de morte, quase fechando em Mossoró

Caro jornalista Carlos Santos,

A unidade regional do Instituto Técnico –Científico de Polícia (ITEP), sediada em Mossoró, é mais um órgão público estadual a experimentar o descaso da atual administração do Rio Grande do Norte. Está de morte.

O órgão não está emitindo segunda via da Carteira de Identidade (RG) há dias. A falta de estrutura para o recolhimento de corpos e realização de procedimentos (necrópsias, etc) já é de todos conhecida.

Agora, pasmem! Absurdo dos absurdos! A unidade regional do ITEP em Mossoró não dispõe de condições para emitir um atestado de antecedentes criminais.

Quem precisa de tal documento (como eu que me dirigi nesta sexta-feira, 30/03/2011 ao órgão com tal intento), tem que aguardar pelo menos dois dias para recebê-lo. É que as solicitações são enviadas para Natal. Trocando em miúdos, um simples documento, cuja emissão exige apenas um computador com um banco de dados dos cidadãos (o órgão deveria ter, já que emite RG´s, por exemplo) precisa ser enviado a Natal.

No meu caso, que solicitei o documento na tarde desta sexta-feira, somente o receberei terça-feira, 3/4, a partir das 14h.

A visão dos gestores potiguares é tão tacanha que além de não se prepararem para eventual aumento de demanda – casos de concursos como o que está ocorrendo atualmente -, não dotam os órgãos sob sua administração de estrutura mínima para atendimento à população.

Talvez seja muita pretensão de minha parte querer que os administradores que tratam com tanto desprezo quem cuida da vida (médicos, professores), deem alguma atenção a quem lida com a morte. Lamentável.

Márcio Alexandre – Webleitor

Nota do Blog – Meu caro, faça uma lista com ítens que estão funcionando na atual gestão estadual. Além do Fisco, sempre eficiente, não conheço nada mais.

Lamentável. Infelizmente o grupo governista tinha um projeto eleitoral para chegar ao poder, mas não se preparou para administrar o Estado. Lamentável.

Indignação mantém esperança, apesar da escória

Carlos Santos,

A sociedade como um todo parece ter perdido a capacidade de se indignar. E quando alguns poucos têm essa coragem, surgem dois ou três hipócritas, verdadeiros escórias da sociedade, a vociferar contra quem ouse discordar de seus chefes, pajés, babalorixás, ou qualquer coisa que valha.

É por essas e outras que temos uma realidade tão triste. Que qualidade de educação nós temos?

Durante muitos anos, a negligência com a educação foi tão acentuada que não havia sequer vagas nas escolas para todos. E assim, confirmou-se o que Pitágoras já havia alertado: “eduquem-se as crianças e não será preciso castigar os homens”.

Como só tardiamente, essa preocupação surgiu, temos vagas sobrando nas escolas e superlotação nos presídios. Vamos continuar assim: alguns bravos companheiros na luta por seus direitos já tão vilipendiados, e uma grande maioria fingindo que está tudo bem, porque como disse o genebrino Rousseau: “tudo é absurdo, mas nada é chocante, porque todos se acostumam a tudo”.

Graças a Deus, há ainda quem se indigne, apesar de isso desagradar aos poderosos e/ou a seus capachos.

Márcio Alexandre – Professor e jornalista

Nota do Blog – O webleitor em foco comenta a postagem sob o título “Sociedade vaia quem luta por seus direitos” AQUI.

Denunciante reforça perfil de abandono da saúde em Mossoró

Caro Carlos Santos, e demais participantes do debate sobre a denúncia que fiz sobre a falta de atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Liberdade II, em Mossoró (AQUI):

Achei por demais salutar o confronto de ideias, posturas, afirmações e revelações. Sobre as declarações da odontóloga Emiliana Cavalcanti, elas talvez atendam ao meu desejo de dialética enquanto cidadão, mas não satisfazem às minhas necessidades enquanto usuário do Sistema Único de Saúde (SUS).

Nunca fui leviano em quaisquer das atividades que exerci ou exerço, seja como professor, jornalista ou estudante. Jamais incorreria na estultice de tentar induzir um profissional sério como Carlos Santos a erro.

Aliás, seria burrice de minha parte achar que isso seria possível.

Não quis atingir imagem de ninguém (atualmente, infelizmente, vem se criando uma indústria do dano moral, em que tudo é pretexto para se buscar indenização no pretório, embora, ressalte-se, entenda eu que todos devem buscar da melhor forma e da maneira que mais lhe compraz, a reparação ao direito pessoal/patrimonial/moral que julga ter sido ferido).

Mas atentemos: que direito foi desrespeitado do cidadão que, por pelo menos 4 vezes, procurou aquela unidade de saúde e se deparou com o cartaz avisando que não teve/teria fichas a serem distribuídas? Mais: que mecanismos há para controlar/verificar/atestar que um médico que deixou a unidade de saúde sob a alegativa de atender um paciente na casa deste está mesmo nesse atendimento?

Não abro mão do princípio da presunção da inocência nem para quem acho indigno dela, mas como alguns médicos estão sempre trabalhando e a população está sempre sem atendimento, há no mínimo uma conta que não fecha.

Como disse, não foram poucas as vezes em que é exposto o cartaz com o aviso citado. E, tão ruim quanto o não-atendimento, é a falta de informação. Quando há uma justificativa plausível, todos entendem.

A direção da UBS teve/teria coragem de apontar a falta dos médicos quando estes não comparecem à UBS e não têm uma justificativa legal para tal ausência?

Alguém já se perguntou por que as demandas na UPA´s são tão crescentes? Será que é tudo urgência e/ou emergência, ou as pessoas têm ido à UPA porque algumas UBS´s, como a do Liberdade II, estão sempre com algum/alguns médico(s) impedido(s) de prestar atendimento à população?

Para encerrar: o médico que dá plantão na UPA na noite anterior à manhã em que deveria dar expediente na UBS está desincumbido dessa segunda labuta matinal, embora receba por ambas?

P.S: sobre os nomes dos médicos envolvidos ou não na celeuma, não os escolhi, apenas reproduzi o que estava no cartaz que, infelizmente, não apontava o motivo da ausência de quaisquer dos profissionais ausentes ao trabalho naquele dia.

Márcio Alexandre – Professor, jornalista e estudante

Nota do Blog – Ministério Público, por favor entre no caso específico. É possível que muitas das perguntas de Márcio e de outros cidadãos encontrem respostas, em vez do silêncio que não inocenta ou o rugir que não se explica.

Odontóloga rebate denúncia sobre USB do Liberdade II

Ao Sr. Carlos Santos,

Ao ser informada da denúncia envolvendo meu nome, tive o ímpeto de procurar um advogado, mas ponderei e conclui que seria “jogar pérolas aos porcos”.

Porém, fui incentivada a postar algumas considerações. Primeiro aos fatos:

Terça-feira encontrava-me de plantão no Hospital Rafael Fernandes, onde dou assistência a pacientes com doenças infecto contagiosas (aids,tuberculose e outras). Se tivesse ido no dia anterior, teria me encontrado nos dois expedientes, assim como nos outros dias da semana.

Nas regras do seu blog, fala em mediador, mas acho que ele falhou. A notícia está totalmente distorcida, e joga lama no nome de profissionais corretos. As palavras tem uma força descomunal, e como jornalista o sr. deveria ter cuidado com o que publica.

A palavra é como uma flecha depois de desferida não tem volta. Teria sido interessante que os envolvidos tivessem sido escutados, conversar com a direção da unidade, e principalmente saber a opinião do usuário sobre o meu trabalho.

Aproveito a oportunidade para informar que faz aproximadamente 16 anos que o salário do dentista do PSF permanece quase inalterado. Não tenho procuração para defender ninguém, mas para repor a verdade devo informar que o Dr.Glicério encontra-se fazendo um levantamento epidemiológico na periferia da cidade, e só retorna no mês de julho.

Discute-se muito , principalmente no meio jornalístico, sobre liberdade de imprensa, acho que deveriam debater mais sobre RESPONSABILIDADE da imprensa.

Agradeço se publicar meu texto na íntegra, estou absolutamente tranquila pois tenho muito respeito pelo meu trabalho e consciência tranquila.

Dra. Emiliana B. Cavalcanti

Cartaz à mão informa ausência de médicos, listando nomes. Ninguém foi atendido no dia indicado, como denunciado

Nota do Blog – Doutora, boa tarde. As regras do Blog não têm instrumento de aferição de “leviandades”, uma espécie de “leviômetro”. Detecta email falsos e impede o uso de expressões chulas, agressões verbais etc. Basta ler o que elas assinalam.

Outro detalhe: a denúncia foi assinada por alguém que a assumiu de público, com nome e endereço eletrônico, profissão definida, que esteve no local citado, o senhor jornalista Márcio Alexandre.

Ele atestou “in loco”, inclusive com uso de fotografias, que a Unidade Básica de Saúde (USB) do Liberdade II, em Mossoró, não abria nem tinha explicações para o cidadão na terça-feira (14).

O que ele escreveu a esta página (clique AQUI), reforçada por fotografia, reitera que os médicos citados não compareceram ao trabalho. O motivo de cada um, justo ou não, deve ser discutido pelo cidadão e pela prefeitura, seus patrões.

Claro que a senhora não tem o dom da onipresença, para estar em dois lugares ao mesmo tempo. Essa é proeza para poucos “homens de branco”.

A página continua aberta à pluralidade de ideias, ao contraditório e, em momento algum, fez juízo de valor da senhora ou qualquer outro profissional. Se olhar abaixo do texto que foi colocado como “email do webleitor”, não existe qualquer “Nota do Blog” satanizando-a ou a quem quer que seja.  Nenhum tipo de julgamento: favorável ou desfavorável.

Por favor releia o que foi postado, antes de – aí sim – julgar precipitadamente esta página. O denunciante prova que a senhora não compareceu ao trabalho. A senhora confirma o que ele declarou, mas apresenta uma explicação.

A senhora atesta que esteve ausente àquele dia na UBS do Liberdade II, quando em seu próprio texto é informado que trabalhava em outro lugar.

Leviandade desta página?

Quanto ao interesse ou não de recorrer à Justiça, manifestando um direito subjetivo, fique à vontade.

Mas, para o contraditório neste espaço, não é preciso recorrer à Justiça ou qualquer método subalterno. Ele é aberto a todos que consigam dialogar com civilidade, respeitando as diferenças e o direito alheio.

Obrigado pela correspondência. Como não poderia deixar de ser, é publicada na íntegra, de modo documental.

O e-mail do denunciante será passado para sua própria caixa de email. Qualquer queixa adicional, seria bom tratar com o próprio.

É possível que ele tenha muito mais a dissecar sobre atentimento ou falta de atendimento adequado na USB do Liberdade II.

Quanto “às pérolas jogadas aos porcos”, bela figura metafórica, é um julgamento pessoal que merece meu respeito.  Mesmo considerando-o deselegante para uma dama, respeito.

Prefiro continuar tratando-a com fidalguia, mesmo sem conhecê-la. Devo isso a mim e à minha formação, mais do que a qualquer interlocutor, seja de corpo presente ou na infovia.

É isso. E bom trabalho.

Médicos não aparecem para trabalhar em Unidade de Saúde

Carlos Santos, bom-dia.

Mais um exemplo do caos em que se transformou a rede municipal de saúde em Mossoró: a “Unidade Básica de Saúde Bernadete Bezerra de Souza Ramos, do Liberdade II” não teve atendimento de qualquer médico nesta terça-feira, 14 de junho.

Pior: sequer a enfermeira compareceu ao trabalho neste dia.

Cartaz, à porta fechada, comunica abandono

Na UBS, apenas um cartaz feito à mão informa que não haverá (haveria/houve) distribuição de fichas  para os médicos Emiliana, Everaldo e Glicério. Além destes, a UBS também conta com o médico Leonardo.  O único com justificativa plausível para a ausência é Leonardo, cuja mãe encontra-se enferma no Rio de Janeiro. Nos outros casos, não foi informado o porquê da falta. Aliás, não atender aos pacientes é uma atitude corriqueira entre os médicos da UBS, inclusive por parte de Leonardo.

Além de a população não ter o atendimento que precisa e para o qual paga através dos impostos, percebe-se um gasto desnecessário na manutenção da UBS, já que é mantida toda uma estrutura sem que haja aproveitamento.

Além dos recursos materiais também dispêndio de recursos humanos que ficam, em sua grande maioria sem ter o que fazer já que o trabalho destes depende do que os médicos fazem (ou deveriam fazer).  Dinheiro jogado pelo ralo.

Márcio Alexandre – Jornalista e webleitor.