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MDB ou PSD pode ser destino do PSDB de Styvenson Valentim

Senador fez mudança ainda não compreendida por seu eleitor padrão (Foto: Arquivo)
Senador fez mudança ainda não compreendida por seu eleitor padrão (Foto: Arquivo)

No universo de discussão sobre o destino do PSDB nacional, setores de sua cúpula defendem uma volta às origens. O partido nasceu da “costela” do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o MDB do período da ditadura e, no que se transformou, hoje: uma legenda “guarda-chuva”, à esquerda ou à direita, depende da ocasião.

Outra corrente quer sua fusão com o Partido Democrático Social (PSD) de Gilberto Kassab. A sigla foi a que mais cresceu nas eleições do ano passado, com 891 prefeitos eleitos no Brasil (veja AQUI). Pela primeira vez, em 36 anos, que o MDB não foi o primeiro colocado.

Filiado ao PSDB dia 1º último (veja AQUI), depois de sair do Podemos, o senador potiguar Styvenson Valentim tem essas perspectivas pela frente. Nenhuma é animadora e de identificação com seu perfil ideológico.

A polêmica de hoje, de estar num partido adversário do governo Lula (PT) no plano nacional e que é, assim, unha e carne, com o PT da governadora Fátima Bezerra, promete causar ainda mais polêmica. Seu eleitor padrão está inquieto.

O senador precisa sair logo desse emaranhado de dúvidas, especialmente em sua casa – o RN.

Como nasceu o PSDB? – Fundado em 1988 e registrado definitivamente em 1989, surgiu a partir de uma cisão do PMDB que mesclava a social-democracia e o liberalismo econômico e social. Nomes como Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e Franco Montoro puxaram o racha e a formação do “Partido dos Tucanos.”

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Bruno Covas, prefeito de São Paulo, morre aos 41 anos

Bruno Covas com o filho Tomás durante o festival Lollapalooza, em 2019 (Foto Celso Tavares-G1)
Bruno Covas com o filho Tomás durante o festival Lollapalooza, em 2019 (Foto Celso Tavares-G1)

O prefeito licenciado de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), morreu às 8h20 deste domingo (16) aos 41 anos, em São Paulo, informou a prefeitura, em nota. Desde 2019, ele lutava contra um câncer no sistema digestivo com metástase nos ossos e no fígado. Ele deixa o filho Tomás, de 15 anos.

Covas estava internado no Hospital Sírio-Libanês, no Centro da capital paulista, desde 2 de maio, quando se licenciou da prefeitura. Na sexta-feira (14), ele teve uma piora no quadro de saúde e a equipe médica informou que seu quadro havia se tornado irreversível.

Nas últimas horas de vida, o prefeito recebeu sedativos e analgésicos para não sentir dores.

Familiares e amigos de Covas permaneceram no hospital desde que os médicos informaram que seu quadro de saúde era irreversível.

Unção dos enfermos

Na noite de sexta (14), um padre chegou a fazer a unção dos enfermos, um sacramento católico. Durante a noite de sábado (15), representantes de diversas religiões participaram do ato ecumênico na porta do hospital, que durou 30 minutos e terminou com a oração Pai Nosso.

Covas teve o câncer diagnosticado em outubro de 2019, após ser internado com uma infeção na pele chamada erisipela. O tumor regrediu, mas, neste ano, novos nódulos foram encontrados no fígado, na coluna e na bacia.

É o primeiro prefeito da cidade de São Paulo a morrer durante o mandato. Ricardo Nunes (MDB), o vice que hoje é prefeito em exercício, irá assumir definitivamente o cargo.

Neto favorito

Nascido em Santos, no litoral paulista, em 7 abril de 1980, Covas era filho de Pedro Lopes, engenheiro da Autoridade Portuária de Santos, e Renata Covas, a única filha mulher de Mário Covas e Lila.

Era o neto favorito de Mário Covas, que foi prefeito da capital na década de 1980 e governador do estado entre 1995 e 2001.

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De bicos rotos e asas partidas

Por Paulo Linhares

Quando no início da década de 1980  um seleto grupo de antigos componentes do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) resolveu deixar a sigla para fundar um partido mais de centro-esquerda, não fisiológico, moderno e bem próximo da Social-Democracia europeia – que estava no poder em vários países daquele continente -, abriu-se uma nova e positiva possibilidade de uma superação definitiva, sobretudo, do patrimonialismo que há séculos pautava a política brasileira, ademais de um enorme rosário de questões correlatas e dependentes, como os tantos vícios do sistema eleitoral então vigente, uma pesada herança que remonta à manipulação que as oligarquias costumavam fazer, a exemplo da política do “Café com Leite” com que São Paulo e Minas Gerais mantinham um rígido controle da Presidência da República, com a eleição alternada da paulistas e mineiros, na época da chamada “República Velha” (1889-1930).

Posto que reivindicassem a condição de representantes da Social Democracia aqui nos trópicos, foi inevitável concorrer com outras siglas que por aqui surgiram no mesmo período – o da reforma partidária ocorrida nos estertores da ditadura militar – com perfis ideológicos assemelhados, como o fortíssimo Partido Democrático Trabalhista (PDT), fundado por Leonel Brizola, a refundação do Partido Socialista Brasileiro (PSB) tendo com uma das figuras de proa o lendário político nordestino Miguel Arrais e mesmo o Partido dos Trabalhadores (PT), que nasceu ligado às alas mais à esquerda do movimento socialista-democrático europeu.

Entretanto, pela qualidade das lideranças que fundaram o PSDB (Mario Covas, Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, José Richa, entre outros), a sigla surgiu com grande densidade política, a despeito do fracasso nas urnas da candidatura de Mário Covas, na eleição presidencial de 1989, quando todas as grandes lideranças  políticas brasileiras foram derrotadas pelo até então obscuro ex-governador alagoano, Fernando Collor de Mello. Na eleição seguinte, em 1994, foi eleito presidente da República o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, mandato que seria renovado em 1998.

Os oito anos de FHC frente à presidência foram marcados pelo abandono das teses da social-democracia e pela aproximação com o modelo neoliberal da primeira-ministra britânica Margareth Thatcher e, no flanco interno, celebrou alianças com as mesmas forças políticas conservadoras que apoiaram a ditadura militar, num crescendo de descaracterização política que permitiu a retumbante eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, com início de um ciclo de governos petistas que duraria doze anos.

Em suma, o PSDB disputou e perdeu as quatro últimas eleições presidenciais. Foi o inconformismo  com essas derrotas que levou ao impeachment de Dilma Rousseff e lançou o país numa das maiores crises políticas de sua História.

Neste momento, o ninho dos tucanos está desarrumado, muito em função das estrepolias do senador mineiro Aécio Neves, seu presidente nacional. A briga interna dos tucanos, todavia, não se limita à indicação da candidatura para o pleito presidencial de 2018: a presidência nacional do PSDB tem sido alvo de renhida disputa. Com efeito, após a revelação de grave episódio que envolveu o senador Aécio Neves em caso de corrupção, sua permanência à frente do partido tornou-se inviável e desgastante, sobretudo, após o seu afastamento do exercício do mandato, por decisão do STF.

Aécio se afastou do cago e indicou o senador Tasso Jereissati para assumir interinamente a presidência do PSDB. Posteriormente, Jereissati defendeu a renúncia de Aécio Neves do cargo de presidente nacional da sigla e foi mais além ao propor, também,  a desfiliação daquele. Foi a gota d’água. Retornando ao mandato senatorial, Neves se sentiu forte o suficiente para reassumir a presidência tucana para novamente se licenciar do cargo, colocando em seu lugar o ex-governador paulista Alberto Goldman. Essa briga ainda vai render, pois o senador Jereissati é forte candidato à presidência do PSDB na eleição a ser realizada a curto prazo e, se eleito, talvez Aécio tenha que buscar um outro ninho.

Neste período que antecede o pleito presidencial de 2018, paradoxalmente, os tucanos do PSDB estão com a casa desarrumada, sobretudo, pelas dificuldades políticas vividas por suas principais lideranças: o octogenário FHC está fora da disputa, por problemas de saúde; os senadores Aécio Neves e José Serra perderam essa condição, também, em razão de graves acusações de participação em esquemas de corrupção; remanescem as figuras do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e do prefeito da capital paulista, João Dória, que travam uma renhida luta interna pela indicação partidária, contudo, ambos aparecem com posições muito tímidas nas pesquisas de opinião até agora realizadas, sendo quase certo que  vencedor da disputa no ninho tucano dificilmente emplacará uma vitória na corrida presidencial de 2018.

Claro, embora o ex-presidente Lula mantenha uma boa dianteira nessas pesquisas, onde ganharia a eleição presidencial em quaisquer dos cenários simulados, a sua candidatura igualmente enfrenta enormes dificuldades por ser réu em vários processos da Lava Jato, tornando incerta a sua condição de elegibilidade. Isso, porém, em nada beneficiaria o candidato peessedebista, seja Alckmin ou Dória, o que escapar da briga interna, desse ninho de cancões, ou melhor, de tucanos.

Em suma, não sendo Lula candidato é possível a eleição de alguém nos mesmos moldes de Collor, no pleito de 1989, todavia, dificilmente  isso recairia em candidato do PSDB: poderá chegar ao Planalto Marina Silva, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes ou até o narigudo global Luciano Hulk, menos um tucano de asas partidas e bico roto, o que projeta um cenário que não favorece à ideia de uma urgente e necessária superação da crise político-institucional que asfixia o Brasil nestes albores de 2018.

Aguardemos.

Paulo Linhares é advogado e escritor

A democracia que nos cabe nesse latifúndio

Por Carlos Santos

“O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado.” (Albert Einstein)

Chegou o grande dia. Espero que com ódios aplacados, paixões vigiadas e interesses menores em segundo plano. Nossa imberbe democracia ou simulacro – ainda – de democracia nos oferta novos poderes.

Temos o poder de botar e tirar representantes no Legislativo e Executivo.

Temos o poder de mudar de canal ou continuar com a mesma “tela” diante de si.

Temos o poder de outorgar a outras pessoas a primazia de nos representar, na gestão da coisa pública, na busca do que é um primado desse modelo de sistema político: o bem-estar social.

Recorro a um dos políticos mais destacados deste país, Mário Covas (governador de São Paulo, falecido em 2001), para manifestar neste espaço virtual a minha crença no ser humano e na sua capacidade de transformar a vida de outros pela boa ação coletiva, dever de consciência e ousadia:

– Sou, por formação e por índole, um homem que fundamentalmente crê. Desejo morrer réu do crime da boa-fé, antes que portador do pecado da desconfiança.

Conheci este país ainda menino, imerso no regime militar.

Compenetrado, diante do Pavilhão Nacional, envolto na disciplina de Organização Social e Política Brasileira (OSPB), inebriado com o futebol, tocado pela propaganda ufanista e a música de  Dom e Ravel (…Este é um país que vai pra frente…), eu vivia no melhor dos mundos.

“Eles”, os donos do poder, em verde-oliva, diziam que não havia meio-termo para os que pensavam diferente no pindorama brasileiro: “ame-o ou deixe-o”. Muitos foram trucidados e mortos; houve quem preferisse fugir.

Cresci, deparei-me com o Brasil real. A descoberta de um Brasil que não existia nos livros escolares, nem aparecia nas revistas e na TV ainda em preto e branco, ou na Voz do Brasil. Um Brasil para poucos, pela exploração de muitos.

Descobri-me como indivíduo político, cidadão e cresci como gente puxado pelo jornalismo. Tem sido minha razão de viver, compreendendo que meu analfabetismo político e o alheamento às coisas da vida pública são terrenos férteis à nova dominação despótica.

Não vivemos num “admirável mundo novo”, mas melhoramos como nação, país e gente. Daqui, dessa lonjura, é fácil perceber que ainda estamos distantes do ideal.

Claro que nos falta muito. Falta a parte que nos cabe nesse latifúndio com tanta injustiça social, intolerância e impunidade.

Cumpramos nosso papel, não apenas votando. Fundamental a vigilância, o controle social e a participação cidadã nas questões que dizem respeito ao nosso cotidiano e ao futuro de nossos filhos.

“A vida é combate”, repito Gonçaves Dias no célebre poema Juca-Pirama.

Gládio à mão; à luta.

A inspiração de Mário Covas para a “Rosa” acuada

“Sou, por formação e por índole, um homem que fundamentalmente crê. Desejo morrer réu do crime da boa-fé, antes que portador do pecado da desconfiança.” (Mário Covas).

Covas (óculos), com Ulisses Guimarães, na Câmara Federal

Em diversas ocasiões, este ano, em pleno exercício do seu governo à frente do Estado, a ex-prefeita mossoroense (três vezes) Rosalba Ciarlini (DEM) sentiu-se acuada e mudou agenda em Mossoró. O Medo, o temor de hostilidades, a fez recuar.

A situação é inusitada para Rosalba. Acostumada ao aplauso natural ou a saudação laboratorial das claques, agora conhece o outro lado da manifestação popular, orquestrada ou não. Mas como o incenso, também legítima.

A vaia é tão democrática quanto o aplauso. Diz-se que é o aplauso dos descontentes.

Ela alcançou em sua terra natal consideráveis índices de aprovação administrativa e, em duas eleições mais recentes, ao Senado (2006) e ao  Governo do Estado (2010), obteve votações consagradoras no município.  A “Rosa”, epíteto político que seu marketing adesivou no inconsciente popular, está com dificuldade de administrar essa nova realidade.

Esse momento da governadora nos remete a 1º de junho de 2000. A cidade é São Paulo (SP). Governador do Estado, Mário Covas (PSDB) enfrenta incendiária greve dos professores e por volta de 15h50 minutos resolve entrar pela porta da frente no prédio-sede da Secretaria Estadual da Educação.

– Ninguém vai impedir o governador de entrar em uma secretaria de Estado pela porta da frente – avisou através de sua assessoria.

Tensões

Covas, pela ousadia, considerada provocativa por setores mais exaltados da mobilização, acabou duramente atacado pelos grevistas. Registra-se que chegou a ponto de sofrer sopapos físicos e ser alvo de objetos como latas de refrigerante,  paus e até pedras.  Causaram-lhe escoriações na testa e pequeno corte nos lábios. Mas sobreviveu.

As greves ocorridas e ainda resistentes em confronto com o atual governo no Rio Grande do Norte, nem de longe se assemelham a essa atmosfera paulista, há mais de 11 anos. Em escassos  momentos ocorreram tensões mais extremadas, como no caso da paralisação da Polícia Civil.

Em relação ao professorado da Universidade do Estado do RN (UERN), último foco de greves no serviço público estadual, neste 2011, tem ocorrido programações políticas que cumprem as exigências da civilidade. Uma exceção, sem dúvidas, foi a ocupação do Teatro Municipal Dix-huit Rosado, há poucas semanas, durante evento do jornal Correio da Tarde, em que a governadora foi homenageada (mas faltou). Arroubo evitável.

Louvação, de campanha, ganha outro formato

Rosalba teve que encarar manifestantes, em março, quando visitava o Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM). Foi vaiada durante o “Chuva de Bala no país de Mossoró”. Evitou ainda comparecer a abertura da Feira do Bode, mas nem assim seus representantes deixaram de ser vaiados. O mesmo ocorreu na 7a Feira do Livro.

A governadora precisa mudar de comportamento. Esgueirando-se, demonstra fraqueza. Favor não confundir com fragilidade.

E em relação à Rosalba, não deve faltar o respeito à mulher, mãe, esposa e à autoridade legalmente constituída, legitimamente entronizada no cargo. Qualquer excesso coletivo ou individual descaracteriza a seriedade da mobilização funcional, via sindicatos.

A covardia não inspira respeito. Nem admiração.