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Desafios e caminhos para o prefeito eleito Allyson Bezerra

Por Josivan Barbosa

O prefeito eleito de Mossoró Allyson Bezerra (Solidariedade) tem tudo para fazer a diferença na gestão do município de Mossoró pelos próximos quatros anos. Conhece as dificuldades das últimas gestões do nosso município e sabe que com os recursos de ISS, IPTU e FPM não implementarão as mudanças que pregou durante a campanha.

Allyson e Fernandinho, prefeito e vice eleitos no último dia 15, vão assumir prefeitura em janeiro (Foto: divulgação)

A nova gestão que assumirá a partir de janeiro precisa compreender que, primeiro, é necessário formar  equipe com pessoas que possuem experiência na gestão pública para que não precise passar de 12 a 24 meses para implementar novos projetos. Ele precisa compreender que sem novos projetos não fará uma gestão nova. Será mais do mesmo.

Outro fator importante que Allysson Bezerra precisa compreender, é que a implementação de novos projetos precisa contar com o apoio irrestrito do servidor público municipal efetivo e comissionado. No caso dos efetivos precisa conquistar e valorizar simultaneamente desde o servidor de apoio até o doutor. No caso dos comissionados, precisa aproveitar o potencial dos servidores atuais que prestam excelentes serviços nas diferentes secretarias do município.

Há um potencial já instalado que, se desprezado, trará prejuízos ao funcionamento da máquina municipal e, consequentemente, perda na qualidade dos serviços que são oferecidos à população.

Um bom exemplo para Allyson Bezerra

O prefeito Allyson Bezerra não precisa ter medo de implementar as mudanças necessárias para a melhoria da gestão. Um bom exemplo é o que aconteceu com o prefeito de Belo Horizonte (MG), Alexandre Kalil (PSD). Ele foi reeleito no primeiro turno com uma vantagem tão ampla sobre seus adversários que faz com que aliados comecem a repetir seu nome não apenas para a disputa ao governo de Minas Gerais em 2022, mas até como uma alternativa potencial para a disputa presidencial.

Kalil: reeleição por reconhecimento (Foto: PSD)

Ações na área social e a manutenção das contas da prefeitura em ordem ajudaram a construir a imagem de Kalil como prefeito. Mas foi a sua atuação antipática para os empresários durante a pandemia que reforçou sua popularidade. Ele tomou medidas tecnicamente recomendadas e isso provocou ruído com a classe empresarial, mas não perdeu apoio da população.

Kalil já tinha atraído a antipatia de parte dos empresários quando aprovou um plano diretor e nenhum dos empresários da cidade que figuravam entre os maiores doadores das campanhas pelo Brasil deram dinheiro para a campanha de Kalil, mas isto não foi suficiente para afastá-lo do cidadão.

Isso mostra que quando as mudanças são feitas para beneficiar o cidadão, há um reconhecimento por parte do eleitor. Kalil foi reeleito com mais de 63% dos votos válidos.

Em resumo, o prefeito eleito de Mossoró não necessita inventar a roda. Sinceridade, transparência nas contas públicas, diálogo com diferentes ideologias, gestão de qualidade nos serviços públicos e compromisso com a população mais vulnerável sócio-economicamente pode e deve ser o caminho.

O exemplo de Aracati

O prefeito Allyson não precisa ir muito longe para conhecer uma gestão municipal de sucesso em tempos de dificuldades nas contas públicas. Basta levar a sua equipe ao vizinho município de Aracati. Uma gestão de destaque com projetos diferenciados para o município. O prefeito Bismarck Maia (PTB) mostrou sintonia com a representação política Estadual e o Governador do Estado e conseguiu avançar em várias áreas com destaque para a infraestrutura de apoio ao turismo.

Bismarck: mudança de olhar (Foto: Mauri Melo/O Povo/2014)

Um bom exemplo da atuação do prefeito foi a articulação com o Governo do Estado para a construção de uma estrada que liga o município de Aracati, à altura da comunidade de Cacimba Funda (BR 304), com a sede do município de Jaguaruana. Nesta semana tivemos a oportunidade de conhecer esta importante obra para as comunidades de Cacimba Funda, Mata Fresca, Tanque do Lima, Cajazeiras, Canto Verde, Serra Dantas, São José, entre outras.

A Estrada é de excelente qualidade e passa a ligar o município de Jaguaruana com a região praiana de Icapuí e Aracati. A ligação fará com que o município de Jaguaruana passe a desfrutar dos serviços de saúde, educação e outros oferecidos por Mossoró com apenas cerca de 60 minutos entre os dois municípios.

Outro bom exemplo da atuação do prefeito de Bismarck foi a melhoria na infraestrutura de vias da cidade de Aracati e dos acessos às inúmeras praias do município. Há duas Aracati. Uma antes e outra depois de Bismarck.

Atração de empresas

O avanço conseguido pelo prefeito Bismarck Maia está refletindo na atração de grandes grupos empresariais para investimento no município. Exatamente o que Mossoró precisa muito no momento.

Um exemplo bastante significativo desse trabalho do prefeito e sua equipe foi a atração do grupo empresarial de Mossoró A Construtora, que passou a investir em Aracati e que demonstrou muito interesse em parcerias com o município.

Votações traço

As candidaturas de Isolda Dantas (PT) e Cláudia Regina (DEM) se fossem para ser computadas no mundo da química seriam consideradas como tendo concentração de votos especificadas como traço, ou seja, valores considerados desprezíveis na química experimental. O que isso vai representar daqui pra frente e o qual o possível reflexo nas eleições de 2022?

Em primeiro lugar, dificilmente as duas candidaturas poderão colocar os seus nomes no tabuleiro da disputa para a Assembleia Legislativa. Em segundo lugar, dada a importância da cidade de Mossoró para a eleição de governador, o resultado da eleição força uma reanálise por parte da líder maior do PT de como a população de Mossoró está avaliando a qualidade dos serviços públicos oferecidos pelo Governo Estadual.

A hora dessa análise é agora. Se deixar para o ano que vem, pode ser tarde.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)

Agricultura irrigada na terra da Expofruit

Por Josivan Barbosa

A Feira Internacional de Fruticultura Tropical Irrigada (EXPOFRUIT) 2018 é mais uma edição da nossa feira de frutas que iniciou-se em 1993 com o nome de Fenafruit, num projeto audacioso coordenado pelo professor Luiz Soares da Silva, que na ocasião exercia o cargo de presidente da Profrutas.

Nos tópicos abaixo contamos um pouco da história da agricultura irrigada na terra da Expofruit.

O plantio de melão na nossa região começou no final da década de 70 pelas mãos do engenheiro agrônomo Roberto Kikuti e do espanhol Manolo, contratados pela Mossoró Agroindustrial S/A (MAISA) para serem os responsáveis pela logística do caju in natura destinado ao mercado do Sudeste. O Espanhol Manolo plantou algumas sementes de melão trazidas de São Paulo no quintal da sua casa na Vila da Maisa (Agrovila Ângelo Calmon de Sá). O resultado foi um melão de excelente sabor.

Produto se tornou uma marca de exportação e negócio próspero, apesar de muitas dificuldades (Foto: Web)

Devido ao sucesso na qualidade do melão, os dois técnicos levaram uma proposta de plantar melão ao empresário Geraldo Rola, o qual aceitou de imediato. A região da Maisa concentra um grande número de pequenos, médios e grandes produtores de melão e melancia. Muitos dos produtores trabalharam como engenheiros agrônomos na antiga Maisa.

Agricultura irrigada na terra da Expofruit II

A história da nossa agricultura irrigada passa, também, pelos municípios de Governador Dix-Sept Rosado e Caraúbas. Em meados da década de 90 alguns produtores da região experimentaram a cultura do melão em Governador Dix-Sept Rosado. O insucesso do melão em Governador Dix-Sept Rosado foi atribuído aos solos rasos e a alta salinidade da água no segundo semestre do ano.

Nesta mesma época a Fazenda São João experimentou plantar melão no município de Caraúbas. A água naquela microrregião era proveniente do arenito-açu, com poços a uma profundidade de cerca de 500 m. O insucesso da cultura do município de Caraúbas é atribuído a fatores externos à produção. Naquela época o município passava por uma onda de violência, oriunda de sucessivos crimes entre famílias tradicionais da região do Médio Oeste.

Nos últimos anos o melão retornou a ser plantado nesses municípios, agora sob a responsabilidade das empresas WG e Vita Mais.

Agricultura irrigada na terra da Expofruit III

Alguns produtores de melão do Agropólo Mossoró-Açu (como era denominada região) e circunvizinhos tentaram produzir melão na microrregião de Upanema a partir do início dos anos 90. As agroindústrias mais tradicionais que plantaram melão no município de Upanema foram a Fruitland Ltda e a Ferrari Produção e Distribuição de Frutas ltda. O melão produzido em Upanema era de excelente qualidade. Plantava-se o melão tipo amarelo, Pele de Sapo, Orange Flesh e os tipos nobres (Cantaloupe e Gália).

A água daquela microrregião é de excelente qualidade e os poços são de baixa profundidade (80 a 150 m). A vazão dos poços é baixa e os solos são arenosos, com manchas pouco permeáveis, o que dificultava o cultivo em épocas de chuva. O principal problema da cultura do melão no município foi atribuído a insucessos administrativos das empresas ali instaladas. Durante o último período de seca na região (2011-2017) algumas empresas passaram a adquirir áreas em Upanema e a tendência é que o município volte a ser um importante produtor de melão.

Agricultura irrigada na terra da Expofruit IV

A agricultura irrigada na região do Vale do Açu teve início nos primeiros anos da década de 80 quando o engenheiro Agrônomo Dr. Davi Americano implantou as primeiras áreas irrigadas com tomate, melão, manga, cebola e mamão. Dr. Davi implantou no Vale do Açu a agroindústria Agro Know que foi desativada no início da década de 90. Outra grande empresa que se instalou na região do Vale do Açu foi a agroindústria Frunorte Ltda, que passou de seis hectares de melão cultivados no ano de 1986 para 1200 hectares em 1992.

Graças ao sucesso do melão a Frunorte implantou outras culturas nos municípios de Assu e Carnaubais. Além da manga, que chegou a uma área implantada de 460 hectares, a empresa implantou ainda áreas com acerola, pupunha e melancia. Entre outros aspectos inerentes ao setor da agricultura irrigada, o insucesso da Agro Know é atribuído a empréstimos desordenados que o cultivo irrigado não pagava. O insucesso da Frunorte é atribuído a desvalorização cambial que chegou em 1994, quando com um real se comprava 0,88 dólar e a empréstimos desordenados.

A Frunorte era uma empresa inovadora e não media esforços na importação de técnicos e administradores. Possuía um grande escritório na cidade de Assu com 55 funcionários, cuja remuneração dos chefes e chefiados superava em muito a média da cidade. A empresa importava técnicos e tecnologia de Israel e apresentava alta rotatividade dos administradores (chefes de recursos humanos, diretor técnico, diretor administrativo, entre outros) e de engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas. Durante o período da grande seca (2011-2017) algumas empresas produtoras de melão e melancia se instalaram no Vale do Açu e nas regiões circunvizinhas de Afonso Bezerra, Jandaíra e Pedro Avelino.

Área de produção da marca "Melão Mossoró" potencializa produto que tem história no semiárido

Agricultura irrigada na terra da Expofruit V

Atualmente a região da Grande Maisa possui a maior concentração de empresas da agricultura irrigada do Polo de Agricultura Irrigada RN-CE. Tudo começou com o empresário Francisco Camargo que capitaneou a instalação nas microrregiões de Pau Branco e Mata Fresca de várias agroindústrias de melão nas décadas de 80 e 90, entre elas a Viva Agroindustrial, Transeuropa, Brasil Tropical e Alba Agrícola. Outros exemplos nessa microrregião são as agroindústrias Ariza (capitaneada pelo empresário Nóbrega) e Rafitex. A primeira atingiu o auge na produção de melão no ano de 1992 chegando a 300 hectares da cultura na safra.

O insucesso da Ariza é atribuído ao uso de água escassa oriunda de uma lagoa susceptível a concentração de sais no segundo semestre e a proximidade do litoral (ventos fortes com movimentos de areia prejudicavam a cultura). O insucesso da Rafitex, além dos problemas administrativos (não possuía quadro técnico capacitado e experiente) é atribuído a problemas na captação de água de um poço profundo ocasionado por defeitos numa bomba importada dos EUA. A empresa chegou até a contratar, sem sucesso, o serviço de um técnico americano para consertar a bomba.

Agricultura irrigada na terra da Expofruit VI

Nos vizinhos municípios de Grossos e Areia Branca também já experimentou-se a cultura do melão. Em Areia Branca (Ponta do Mel) a empresária Mônica Rosemberg implantou, no início da década de 90, a agroindústria Duna, a qual teve vida útil muito curta, ficando no mercado por apenas três anos. No Município de Grossos, no início dos anos 2000, a agroindústria Fruitland testou, na época da chuvas, o plantio de melão na comunidade rural de Areias Alvas.

Zona azul

O município de Mossoró precisa resolver de uma vez por todas essa polêmica do projeto da Zona Azul. Uma forma simples, moderna e eficiente seria copiar o que está sendo feito em Fortaleza. O Sistema de Zona Azul digital de Fortaleza será mais cômodo aos condutores. A ideia é que faça uma carteira digital no celular.

A medida que o condutor parar na vaga, a obrigação é acionar o aplicativo. Se o usuário ativar o serviço de geolocalização, automaticamente ele nem se preocupa. Caso contrário, ele ativa o aplicativo e usa o crédito no tempo de interesse.

Se o condutor encontrar-se ocupado e o tempo estiver próximo de acabar, ele será notificado pelo sistema e poderá ativar mais tempo.

Quanto às pessoas que não usam celular, haverá pontos fixos de venda digital.

Ao digitar e não constar o pagamento do serviço, o veículo será multado por estacionamento indevido. Não se tem a obrigação de dizer a localização, mas sim de pagar aquele valor pela vaga. A Prefeitura realizou um estudo de tempo de uso de vaga em cada região da cidade. Haverá regiões onde o tempo será maior devido às atividades existentes, como em uma área de instituições de ensino e regiões de grande fluxo de comércio, como no Centro da Cidade.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)