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Um tempo bem ali, no Grande Alto de São Manoel

Por Odemirton Filho 

Não, não se trata de descrever as características do bairro que leva o nome desta crônica. Trata-se, tão somente, de resgatar lembranças da juventude. De um tempo bom. Lembranças de uma cidade tranquila, que ainda respirava o ar do interior.

A avenida presidente Dutra sempre foi movimentada. Em tempos passados não existiam a avenida Leste Oeste e a do Alto da Conceição que, atualmente, dão acesso ao bairro. Não havia lombadas, assim era comum ocorrer acidentes de trânsito, inclusive com vítimas. Noite na avenida presidente dutra, Posto Imperial

Sem dúvida muitos usaram a avenida presidente Dutra aprendendo a dirigir. Se a pessoa soubesse conduzir o veículo entre pedestres, carros, motocicletas, bicicletas e carroças estaria apta para “tirar” a carteira de habilitação. Bateu saudade do meu Fiat 147 com um som roadstar.

Na minha época de mocidade o Posto Imperial foi palco de muitas festas. Como a grana era mais curta, fazíamos uma cota entre os amigos para comprar um litro de rum montilla e beber com coca cola. Tomar uísque Teachers não era pra qualquer um, no máximo um “Odete”. Ô ressaca!

As festas na AABB e ACDP eram de primeira. Por ser Mossoró uma cidade pequena não havia opções, por isso encontrávamos quase todos os amigos e conhecidos por lá.

Terminávamos à farra resenhando na lanchonete de Zecão. Às vezes, íamos lanchar em Alberto do Big Burg ou em Dedé do Sandubar, que ficavam localizados em outros bairros da cidade.

Tinham, também, os jogos escolares no ginásio da AABB. A galera dos colégios ficava com os nervos à flor da pele. Quando jogavam o Abel Coelho e o Diocesano os alunos se exaltavam.

Lembro-me, ainda, da Sorveteria do Juarez que ficava ao lado do antigo Supermercado Pague Menos. À época fez muito sucesso. Ainda sinto o sabor do sorvete de chocolate.

E os ônibus de Belmont? Aqui ou acolá ficavam no “prego”. Para quem usava o transporte público era peleja medonha. Ainda bem que existiam as velhas caronas na subida da ponte.

E o Ferrão? O Paraíso? O leitor, talvez, guarde bons momentos na memória. Mas é melhor deixar quieto né?

São lembranças do grande Alto de São Manoel “das antigas”. De um tempo bom pra danado.

“Até parece que foi ontem minha mocidade”, diria o saudoso rapaz latino-americano.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Morre “Seu Lopinho”, personagem do bairro 12 anos

Acabo de saber do falecimento de “Seu Lopinho”, velho comerciante do bairro 12 anos (Mossoró), com mercearia na esquina da rua Princesa Isabel com a Felipe Camarão.

Sei que faleceu hoje – 8 horas – e será sepultado amanhã, também 8 horas.

Seu corpo está sendo velado em sua casa mesmo, à Rua Princesa Isabel, pertinho do endereço de seu antigo comércio.

Seu Lopinho é de minha mais primária infância. Estava regularmente em sua mercearia para comprar “os pão d´água” ou doce, “carolina” e ponche de maracujá, sobretudo às tardes, finalzinho de tarde.

Canelas secas, passadas largas, cabelos finos esvoaçantes. A corrida me deixava ofegante e ansioso para consumir as delícias postas no balcão de madeiras rudes, vidros às vezes embaciados, prateleiras toscas em paredes gastas.

Existe uma cena que se repetiu inúmeras vezes aos meus olhos. Ele, corpulento, bigode espesso, óculos em armação grossa, cabelos densos e escorridos, sempre sério, chacoalhava a garrafa de suco com boca no fundo do copo. Assim, o líquido se espalhava.

Eu, mordendo os lábios, ficava ali… pronto a sorver aquela manjar, geladinho.

Bons tempos