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De Fufuca e outras fofocas

Por Paulo Linhares

A política brasileira, nesta quadra de atropelos, se apresenta como uma caixa de estonteantes surpresas, para não dizer mesmo que é uma autêntica “caixa de Pandora”; um cenário em que o ridículo de tantos é a constante de todos.

Ora, recentemente a ‘jihad’ da corrupção teve mais um capítulo, justo no Califado de Curitiba, que não deixa de ser caricato: foto publicado com destaque de primeira página da Folha de São Paulo (meninas e meninos  das redes sociais nem imaginam o que isto significava no passado…),  mostra o próprio Califa, Sérgio Moro, ladeado de “otoridades” outras (da magistratura, do MPF, policiais e uns poucos políticos, babões judiciários e puxa-sacos ministeriais) a assistir a estreia do filme Policia Federal – A Lei É para Todos, que tem como vedete a “Operação Lava-Jato”.

Significativa é a cena do também juiz federal Marcelo Bretas, aquele que tem um olho à Cerveró, na sessão inaugural do filme, a oferecer pipoca ao colega Moro.

A imagem, posto que ridícula, é prenhe de significados, a começar pela lembrança da avant-première do filme Triumph Des Willens (O Triunfo da Vontade), de 1934, da cineasta alemã Leni Riefenstahl, com a presença do furher Adolf Hittler em pessoa e de cúpula nazista. Mesmos risos dissimulados dos poderosos, mesmas calvas, assemelhado exagero dos figurinos, idêntico ‘cruento’ de mulheres feias (com o perdão do leitor: como não sei se existe um coletivo de mulheres feias, inventei este…), um hiato de sete décadas.

O filme da cineasta do 3º Reich  mostra o esplendor do complexo industrial-militar da máquina nazista; o filme produzido agora pelas Organizações Globo, através da Globo Filmes, retrata a atuação dessa máquina de moer empresários, políticos, fortunas e reputações, a Operação Lava-Jato, tendo como eixo a Magistratura, o Ministério Público e a Polícia Federal, essa tríade empoderada inicialmente pelos constituintes de 1988 e mantida pela ingenuidade politicamente correta dos ocupantes de todos os poleiros ideológicos.

Estranho é como os senhores do poder gostam desse ‘gênero’ cinematográfico. Vá ver que é um pouco aquele fascínio que só os espelhos despertam… Não entendi mesmo foi a tal pipoca do Dr. Bretas.

Na foto, o califa Dr. Moro, de horripilante gravata vermelha sobre camisa preta, parece não dar atenção para o mimo do colega. Moro sabe das coisa: com pipoca, tudo pode acontecer no escurinho do cinema. Assim, essa cruzada da moralidade pública levada a cabo pelo Judiciário e coadjuvada pelo MP/DPF, contra o ‘Dragão Corrupto da Maldade Petrolona’, ganhou sua expressão cinematográfica, inclusive, com a incorporação de recursos sofisticados e estonteantes efeitos especiais.

Decerto, Hollywood o espera com um reluzente Oscar de “melhor filme estrangeiro”…

Sim, um pioneiro Oscar é o mínimo que os bravos “irmãos do Norte” podem verter de gratidão pelos enormes benefícios que tiveram com a destruição por completo da poderosa indústria pesada da construção civil brasileira, a desarticulação do nosso projeto nuclear (leia-se, do submarino movido a energia nuclear) que tanto dava nos nervos de Washington e, sobretudo, a derrocada da maior empresa petrolífera do planeta, a Petrobras, a única detentora da tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas.

A ‘tchurma’ de Curitiba fez um notável trabalho em matéria de entreguismo, de fazer corar velhos entreguistas do porte de um Roberto Campos, Delfim Netto e outros do mesmo naipe. O mesmo se diga em relação a Hitler e seus asseclas, eficientes em matéria de “solução final”.

E quando pensava-se já ter visto tudo na política brasileira, até cego ver e boi voar, eis que nos surpreende a ascensão à presidência da Câmara dos Deputados do jovem e esfuziante deputado Fufuca! Sim, assim mesmo é o nome parlamentar de André Luiz Carvalho Ribeiro, médico de 28 anos, matriculado no PP do Piauí: F-U-F-U-C-A.

Com essa idade e esse nome seguramente ele não chegou à Câmara Federal com os votos do seu próprio prestígio; como soe acontecer, deve ser ele mais um desses ‘filhotes’ que infestam a representação política brasileira. Com efeito, ele é filho de Francisco Ribeiro Dantas Filho, o Fufuca Dantas(PMDB), prefeito municipal de Alto Alegre do Pindaré (MA). De lascar os tamancos.

A coisa é a seguinte: “seo” Temer foi à China, fazer negócios de Brics e deixou no comando dessa grande nau desgovernada o jovem Rodrigo Maia, presidente da Câmara.

Como o primeiro vice-presidente, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), resolveu acompanhar Temer na vilegiatura chinesa, a condução dos trabalhos legislativos, no momento mais crucial para o governo em razão de importante pauta de matérias a ser votada, ficou a cargo de quem? Do jovem deputado André Fufuca (PP-MA) que, para os íntimos, é apenas “Fufuquinha”, atual segundo vice-presidente  da Câmara dos Deputados. E haja fofoca nos arraiais de Brasília.

Ninguém merece.

Que São Braz, santo ligeiro, mas, nem assim tão cuidadoso, fique alerta com trovões e relâmpagos que poderão causar mais desassossego no Palácio do Planalto. Vixe!

Paulo Linhares é professor e advogado

MPF pede absolvição de Lula e anulação de delação de Delcídio

Do Congresso em Foco

O Ministério Público Federal (MPF) pediu hoje (1º) à Justiça Federal a absolvição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do banqueiro André Esteves no processo que apura a suposta tentativa do ex-presidente de obstruir o andamento da Operação Lava Jato.

No mesmo pedido, o procurador responsável pelo caso também pede a suspensão dos benefícios concedidos com base na delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral.

Nas alegações enviadas ao juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal em Brasília, responsável pelo caso,  o procurador da República Ivan Cláudio Marx concluiu que não há provas de que Lula e Esteves participaram dos supostos crimes imputados pelo ex-senador nos depoimentos de delação.

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Lula, Delcídio do Amaral e outros cinco viram réus

Do portal G1

O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público e transformou em réus o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), o ex-chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, o banqueiro André Esteves, o advogado Édson Ribeiro, o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai.

LEIA A ÍNTEGRA DA DECISÃO

Eles são acusados de tentar obstruir a Justiça comprando o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, um dos delatores do esquema de corrupção que atuava na estatal do petróleo.

É a primeira vez que Lula vira réu na Lava Jato. Por meio de nota, os advogados do ex-presidente da República afirmaram que o petista já esclareceu, em depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR), que ele “jamais interferiu ou tentou interferir em depoimentos relativos à Lava Jato”.

Ainda de acordo com os defensores de Lula, “a acusação se baseia exclusivamente em delação premiada de réu confesso e sem credibilidade, que fez acordo com o Ministério Público Federal para ser transferido para prisão domiciliar” (leia ao final desta reportagem a íntegra da nota divulgada pela defesa do ex-presidente).

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Delação mostra envolvimento de Dilma e FHC com Petrobras

Do Congresso em Foco

O ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró envolveu a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em sua delação premiada. Em depoimento aos investigadores da Operação Lava Jato, Cerveró rebateu a versão da petista e afirmou que Dilma sabia de todos os detalhes da negociação da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que causou prejuízo bilionário à Petrobras.

Dilma saberia de negociações (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Disse, ainda, acreditar que a presidente tinha conhecimento de que o esquema de corrupção na companhia abastecia políticos do PT.

Cerveró também contou ter presenciado irregularidade na estatal na gestão de Fernando Henrique: a contratação de uma empresa ligada a Paulo Henrique Cardoso, filho do tucano, por “orientação do então presidente da Petrobras Philipe Reichstul, por volta de 2000”.

Dilma e Pasadena

O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribuna Federal, retirou o sigilo dos depoimentos do ex-diretor. Com o acordo, Cerveró vai deixar a prisão nos próximos dias e devolver mais de R$ 18 milhões obtidos como propina.

Segundo ele, Dilma tinha todas as informações sobre a refinaria de Pasadena e acompanhava de perto os assuntos referentes à Petrobras e que conhecia com detalhes todos os negócios da empresa. Cerveró ressaltou, no entanto, que nunca ouviu falar que a petista tenha pedido propina.

“Que o declarante supõe que Dilma Rousseff sabia que políticos do Partido dos Trabalhadores recebiam propina oriunda da Petrobras; que, no entanto, o declarante nunca tratou diretamente com Dilma Rousseff sobre o repasse de propina, seja para ela, seja para políticos, seja para o Partido dos Trabalhadores. Que o declarante não tem conhecimento de que Dilma Rousseff tenha solicitado, na Petrobras, recursos para ela, para políticos ou para o Partido dos Trabalhadores”, diz a delação.

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Nota do Blog – Essas quadrilhas que se digladiam em Brasília são de altíssima periculosidade.

Acredito piamento em Cerveró. De mãos postas e olhos rútilos.

Lula é denunciado por tentar embaraçar investigações

Do Congresso em Foco

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusa o ex-presidente Lula de ter exercido “papel central” numa trama para impedir e embaraçar “investigação criminal que envolve organização criminosa”. No caso, para tentar evitar que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró fizesse acordo de delação premiada.

A acusação está na denúncia feita pelo procurador-geral contra o petista ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A informação foi divulgada pelo Jornal Nacional, da “TV Globo”, nessa quarta-feira (18).

A conclusão é baseada na delação do ex-senador cassado Delcídio do Amaral (MS) e de seu ex-chefe de gabinete Diogo Ferreira. Segundo a Procuradoria, há indícios de que os dois se juntaram a Lula e aos empresários José Carlos Bumlai e Maurício Bumlai para tentar comprar o silêncio de Cerveró. A PGR aponta José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente e preso um dia antes de Delcídio, como financiador da operação, estimada em R$ 250 mil.

Por meio do Instituto Lula, o petista disse que jamais tentou interferir em decisões de Cerveró ou qualquer outro assunto relacionado à Lava Jato.

Na denúncia, Janot pede a condenação de Lula, Delcídio, Bumlai, Diego e do banqueiro André Santos Esteves e do advogado Edson de Siqueira Ribeiro, que representava Cerveró, por obstrução à Justiça.

Veja íntegra da reportagem clicando AQUI.

Procuradoria-Geral pede para investigar membros do STJ

Por Sylvio Costa (Do Congresso em Foco)

Rumores sobre a participação de membros do Poder Judiciário nos esquemas ilegais desmascarados pela Operação Lava Jato tornaram-se intensos desde que veio a público a delação premiada do ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral (MS).

Delcídio disse que a nomeação do ex-procurador da República e ex-desembargador federal Marcelo Navarro Ribeiro Dantas (originário do RN) para o cargo de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ocorreu com o fim expresso de obstruir as investigações da Lava Jato. Segundo o ex-senador, cassado na semana que passou, Navarro foi nomeado por força de uma verdadeira conspiração judicial, envolvendo a presidente afastada Dilma Rousseff, o então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Francisco Cândido de Melo Falcão Neto.

O principal objetivo da operação: tirar da cadeia o empresário Marcelo Odebrecht, do Grupo Odebrecht, e o principal executivo do grupo Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, ambos presos preventivamente em Curitiba pela força-tarefa comandada pelo juiz Sérgio Moro.

Toda a imprensa brasileira também publicou que, em razão da delação de Delcídio, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot,pediria investigação de Dilma, Cardozo e Navarro. Informou ainda que o inquérito proposto ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Janot tem outro alvo poderoso, o ex-presidente Lula. No último caso, pelo que já é de conhecimento público, em razão da denúncia de que o líder máximo petista foi o verdadeiro mentor da manobra destinada a calar, mediante corrupção, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

Marcelo Navarro: nome originário do RN é exposto à execração (Foto: STJ)

Definidos o contexto e os principais personagens da trama, aqui começam as novidades, apresentadas com exclusividade pelo Congresso em Foco:

1) O pedido de abertura de inquérito tramita no STF como procedimento “oculto”, formalizado por Rodrigo Janot no último dia 27, conforme comprova imagem destacada nesta reportagem.

“Oculto” é o processo que sequer entra para os registros oficiais da instituição, publicados no portal do Supremo, dado o sigilo que o envolve.

2) Na peça, a Procuradoria-Geral da República (PGR) deixa clara a necessidade de investigar Navarro e o próprio presidente do STJ, ministro Francisco Falcão (que no documento chega a aparecer, incorretamente, como Joaquim Falcão, confusão feita com o nome de celebrado jurista do Rio de Janeiro).

Com o pedido ao Supremo para apurar fatos expressamente atribuídos a Falcão e Navarro, mergulha definitivamente nas águas sulfurosas da Lava Jato o único poder (o  Judiciário, claro) que até então vinha se mantendo à margem da crise política, econômica e moral que engolfou o Executivo e o Legislativo – seja pela ação de Moro, seja pela ação do STF, a despeito de eventuais críticas a excessos cometidos por ambos.

(ENTRE AQUI PARA VER O DOCUMENTO ORIGINAL)

3) A PGR levou bastante a sério as informações de Delcídio sobre a ação dos personagens citados. “Trata-se de testemunho direto, de visu e de auditu, com indicação precisa de tempo, local e interlocutores. Não há recurso ao rumor nem ao ouvir dizer”. Acrescenta que o ex-líder do governo extrato da sua agenda oficial e a relação de telefonemas recebidos de Navarro, para confirmar seus encontros com Dilma (que nega ter tratado com o ex-senador da questão) e Navarro.

De acordo com o ex-senador, sob as ordens de Dilma, ele próprio ficou de negociar com Navarro enquanto o ex-ministro Cardozo teve tratativas com Francisco Falcão para fechar a nomeação do ministro e sua indicação para a 5a Turma do STJ, onde eram julgados os recursos referentes à Lava Jato.

Documento oculto (Reprodução)

4) A PGR constata, no documento, que houve “interlocução densa” entre Delcídio e Navarro e que o depoimento prestado por Diogo Ferreira Rodrigues, assessor do ex-senador, “se harmoniza perfeitamente com o do congressista e veicula pormenores das tratativas anteriores à nomeação de Marcelo Navarro Ribeiro Dantas.

Com efeito, como você pode verificar no original, Diogo fornece detalhes até agora desconhecidos sobre o tema, além de mensagens trocadas pelo celular com Navarro, que não deixam dúvidas quanto ao fato de que Delcídio, na condição de líder do governo Dilma, participou ativamente dos entendimentos para viabilizar a aprovação do seu nome pelo Senado.

Os personagens

Esta reportagem não tem a pretensão de esclarecer todos os fatos relativos ao enredo aqui descrito, mas é fundamental levar em conta o apito que toca cada um dos personagens (pessoas ou instituições) abaixo indicados:

Supremo Tribunal Federal (STF) – é a única corte judicial brasileira com poder para mandar para a prisão autoridades que estão no topo da cadeia de poder nacional, tais como presidente e vice-presidente da República, ministros de Estado, ministros de tribunais superiores e parlamentares federais.

Superior Tribunal de Justiça (STJ) – formada por 33 ministros, é a segunda corte judicial mais importante do Brasil. É a última instância para o julgamento de todas as ações que não envolvam matéria constitucional controversa (hipótese em que a palavra final é do STF) ou assuntos da alçada de tribunais específicos (como o Tribunal Superior Eleitoral, para questões eleitorais, e o Tribunal Superior do Trabalho, para questões trabalhistas). É o tribunal competente para processar e julgar crimes cometidos por governadores, desembargadores estaduais e outras autoridades com foro privilegiado.

Procuradoria-Geral da República (PGR) – é a instituição encarregada de apurar e denunciar crimes contra autoridades com foro no Supremo. Seu chefe, o procurador-geral da República, também é a principal autoridade do Ministério Público da União (MPU), que é constituído por quatro “braços”. Os três primeiros têm como escopo atividades já evidenciadas pelos seus nomes: Ministério Público do Trabalho, Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e Ministério Público Militar.

Implicados

Todas as demais questões são da órbita do Ministério Público Federal (MPF). O pedido do procurador-geral é para a primeira fase de um processo criminal no Supremo, que é a do inquérito. Nessa etapa, reúnem-se elementos de provas para a formação de culpa (ou não) dos envolvidos, abrindo assim espaço para o momento seguinte, que é a apresentação da denúncia. Os implicados só se tornam réus depois que a denúncia é aceita pelo STF.

Francisco Falcão, presidente do STJ – os assinantes da Revista Congresso em Foco sabem mais a seu respeito do que a grande maioria das pessoas que se julgam bem informadas. Em reportagem publicada em junho de 2015, mostramos os laços políticos entre Falcão e a cúpula do PMDB no Senado. A reportagem revelou que senadores peemedebistas como Romero Jucá (atual ministro do Planejamento), Vital do Rêgo (atual ministro do Tribunal de Contas da União, TCU) e Eunício Oliveira (líder do partido na Casa) apresentaram emendas para retirar R$ 175 milhões de outras áreas federais em favor do plano de saúde do STJ, cujo conselho deliberativo Falcão comandou por cinco anos. Auditoria constatou várias irregularidades no plano de saúde.

O ministro, que completará 64 anos no próximo dia 30, é pernambucano e é filho do falecido ex-ministro do STF Djaci Falcão.

Marcelo Navarro – Mestre e doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), tem 53 anos. Foi promotor de justiça no Rio Grande do Norte, seu estado natal, e depois procurador da República e desembargador federal, lotado no Tribunal Regional Federal da 5a Região. Tomou posse como ministro do STJ em 30 de setembro de 2015. Na 5a Turma do STJ, substituiu o ministro Newton Trisotto na relatoria das questões relativas à Lava Jato. Em 24 de novembro e em 3 de dezembro de 2015, respectivamente, votou (como relator) favoravelmente a habeas corpus que beneficiaria Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo – nomes, não custa lembrar, ligados às duas mais poderosas empreiteiras do país. Seu voto foi isolado e vencido. A repercussão o levou a abandonar a relatoria de processos relativos à Lava Jato.

Congresso em Foco manteve contato, ao longo deste domingo (15), com a assessoria de comunicação do STJ, que disse não ter conseguido localizar Falcão e Navarro. Sem a manifestação dos dois ministros sobre os fatos aqui reportados, fiquemos com nota divulgada pelo ministro Marcelo Navarro em março, quando a revista IstoÉ divulgou em primeira mão a delação de Delcídio:

“Em relação à reportagem publicada hoje pela revista IstoÉ ― e repercutida por vários veículos da mídia e nas redes sociais ―, com supostas declarações do Senador Delcídio do Amaral, algumas das quais pertinentes a meu nome, tenho a esclarecer que, na época em que postulei ingresso no Superior Tribunal de Justiça estive, como é de praxe, com inúmeras autoridades dos três Poderes da República, inclusive com o referido parlamentar, que era então o Líder do Governo no Senado. Jamais, porém, com nenhuma delas tive conversa do teor apontado nessa matéria. Os contatos que mantive foram para me apresentar e expor minha trajetória profissional em todas as funções que exerci: Professor de Direito, Advogado, Promotor de Justiça, Procurador da República e Desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Nunca me comprometi a nada, se viesse a ser indicado. Minha conduta como relator do caso conhecido como Lavajato o comprova: em mais de duas dezenas de processos dali decorrentes, não concedi sequer um habeas corpus monocraticamente, quando poderia tê-lo feito. Nos apenas seis processos em que me posicionei pela concessão da soltura, com base em fundamentação absolutamente jurídica, levei-os ao Colegiado que integro (5ª Turma do STJ). Voto vencido, passei a relatoria adiante, e não apenas naqueles processos específicos: levantei questão de ordem, com apoio em dispositivo do Regimento Interno da Corte, para repassar também os outros feitos conexos, oriundos da mesma operação. Tenho a consciência limpa e uma história de vida que fala por mim.”

Lobista poderá entregar cúpula do PMDB

Da Folha de São Paulo

Apontado com operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras, o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, indicou para integrantes do Ministério Público Federal que pode entregar informações sobre a suposta participação de três figuras de peso do partido nos desvios de recursos da estatal.

Folha apurou que ele citou os nomes do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), do ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (RN), e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ).

Fernando Baiano foi preso na Operação Lava Jato e pode abrir o "bocão" (Foto: Folha)

O lobista também adiantou que tem como fornecer mais elementos sobre o papel de Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras, no esquema.

Embora não tenha detalhado a atuação de trio peemedebista ou de Cerveró, Baiano adiantou que pode contribuir com informações novas. Essa é a condição imposta pelos investigadores para fechar o acordo, que garantiria ao lobista penas atenuadas pelos crimes que cometeu.

As conversas com Baiano começaram há cerca de um mês, em Curitiba, onde o lobista está preso numa cela da Superintendência da Polícia Federal desde novembro de 2014. Só na última semana, ele teve dois encontros com os procuradores.

Apesar de não ter assinado os termos da delação, o que deve ser feito na próxima semana, o acordo está praticamente fechado, segundo fontes ligadas à Policia Federal e à defesa do lobista.

Os maiores entraves aconteceram devido ao tempo de prisão. A defesa queria que, com a colaboração, Baiano saísse imediatamente da cadeia, mas a Procuradoria não cedeu. O mais provável é que ele saia apenas em novembro.

Baiano também tentou a negociar morar fora do Brasil, já que sua mulher tem cidadania americana. O argumento do operador era que gostaria de reconstruir a vida no exterior com a família. Novamente o Ministério Público vetou o pedido.

Procurados

Cunha, Renan e Cerveró já são alvo da Lava Jato. Cunha foi denunciado ao STF (Supremo Tribunal Federal) na semana passada por corrupção e lavagem de dinheiro. Cerveró já foi condenado, também por corrupção e lavagem de dinheiro. Renan é alvo de inquérito em curso no STF.

Procurados, Renan e Henrique Alves informaram que não iriam se pronunciar. O advogado de Eduardo Cunha não retornou os contatos feitos pela reportagem. A assessoria do PMBD afirmou que jamais autorizou quem quer que seja a se apresentar como operador da legenda.

Já Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró, disse que informações colhidas em delações premiadas de suspeitos presos em Curitiba não têm qualquer credibilidade. De acordo com ele, esses personagens sofrem terror psicológico e só aceitam falar para se verem livres da carceragem da PF.

Questionado sobre a possibilidade de o ex-diretor da Petrobras se tornar delator, Ribeiro disse que “não haverá delação premiada.

Segundo a Folha apurou, no entanto, a defesa de Cerveró preparou um material volumoso, com 25 anexos, e até o filho do ex-diretor vem acompanhando as reuniões com a Procuradoria. Mesmo assim, as conversas não evoluem, já que os procuradores consideram insuficiente o que ele vem relatando.

O executivo comoveu os companheiros da carceragem por passar a madrugada de quinta ( 27) chorando ao receber a notícia de que sua negociação não estava indo bem. Cerveró recebe todas as semanas a assistência de um psiquiatra.