Arquivo da tag: Newton Navarro

Morre em Natal o poeta Paulo de Tarso Correia de Melo

Paulo de Tarso Correia de Melo: um adeus que não queríamos (Foto: IHGRN/Arquivo)
Paulo de Tarso Correia de Melo: um adeus que não queríamos (Foto: IHGRN/Arquivo)

A cultura e a inteligência potiguar estão mais pobres. Morreu nessa terça-feira (21), o escritor, poeta e professor natalense Paulo de Tarso Correia de Melo, 81. Estava internado com problemas renais, na Casa de Saúde São Lucas, em Natal, vindo a óbito na madrugada de hoje.

Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do RN (IHGRN), ocupou a cadeira nº 175, cujo patrono é Newton Navarro Bilro. Também fazia parte da Academia Norte‑Rio‑Grandense de Letras (ANRL), ocupando a cadeira 21, doo patrono Padre João Maria.

Pedagogo de formação, lecionou durante mais de trinta anos no Departamento de Educação da Universidade Federal do RN (UFRN), de onde era professor aposentado.

Tido como um grande expoente da poesia potiguar, publicou dezenas de livros de poesia, entre o erudito e o popular.

Desde jovem integrou um seleto grupo de intelectuais da cidade, compondo obras que o tornaram um nome significativo da nossa literatura escrita.

Abaixo, um exemplar de seu verbo, que o BCS publicou dia 14 de março de 2012, há mais de 13 anos (veja AQUI):

Rocas-Quintas

Vive no subúrbio, a moradia

alugada, o trabalho extraordinário,

o ônibus, o dia a dia

e a aventura do crediário.

A novela-poesia

ao alcance do salário.

A televisão-fantasia

e a mágica do mobiliário.

Restos de infância e graça:

cinema de bairro, carrossel na praça

e o mar, quatro festa do ano.

Mas o corpo é belo e passa:

frágil alvenaria, perecível massa.

Hoje te amo.

Nota do BCS – Conheci Paulo pelas mãos generosas dos escritores David Leite e Clauder Arcanjo. Lembranças de sua presença no lançamento do meu segundo livro em Natal, em 2011.

Vá em paz, meu caro.

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso Threads AQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

O mundo virou Paris?

Por François Silvestre

Dizia Newton Navarro, pintor de cajus sem travo, poeta de palavras e gestos, que em Paris todos os dias eram Domingo.

Completava aquele verso de Valfran de Queiroz, definindo Paris: “Uma maçã no meio do caminho”.

Pois bem. O mundo virou uma Paris opaca, a negar o apodo de Cidade Luz. Por que essa comparação?

Porque nesse tempo de isolamento, confinamento e distâncias você não sabe que dia é da semana, ao acordar.

Todos os dias são Domingo.

Assim mesmo no singular, posto que são dias igualmente chatos. E o Domingo só é alegre para as crianças. Para os vividos o Domingo é apenas o anúncio da Segunda-Feira.

Agora, nem isso. Porque a Segunda não vem. E da Terça-Feira em diante todos os dias sumiram da lembrança ao amanhecer do dia. E na televisão a novidade é a mesma do dia anterior.

Apelo a Albert Camus, “com tanto sol armazenado na memória como pude apostar no absurdo”?

* Acompanha o blog Coluna da Palavra, de François Silvestre, clicando AQUI.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.