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Prefeitura e sindicato voltam a se reunir; impasse continua

A Prefeitura de Mossoró e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (SINDISERPUM) voltaram a se reunir, nesta terça-feira (7). Foi o terceiro encontro em um período de menos de 30 dias, entre as partes, mesmo com greve deflagrada pela entidade dia 23 último. Ocorreu no Salão de Grandes atos do Palácio da Resistência.

Allyson (de costas) presidiu reunião ocorrida no Salão de Grandes atos do Palácio da Resistência (Foto: Célio Duarte)
Allyson (de costas) presidiu reunião ocorrida no Salão de Grandes atos do Palácio da Resistência (Foto: Célio Duarte)

Em discussão, pautas relativas à educação, com 11 pontos, como o Piso Nacional do Magistério 2023. Na reunião, conduzida pelo prefeito Allyson Bezerra(Solidariedade), a gestão assegurou que existem vários avanços para os professores da Rede Municipal de Ensino.

Na questão nuclear do piso, o governo reiterou sua posição em reunião anterior, apontando já pagar esse direito além do estabelecido por lei, além de demonstrar em Nota Técnica (veja AQUI) já apresentada, a impossibilidade financeiro-orçamentária do município arcar com a demanda.

Veja abaixo a íntegra de resposta do governo municipal ao Sindiserpum:

Ofício n° 123/2023 – GP
Mossoró/RN, 07 de março de 2023.

A Sua Senhoria, Senhora
Eliete Vieira da Silva
Presidente do Sindiserpum

Assunto: Resposta à Pauta de Reivindicações apresentada pelo Sindiserpum na área da educação.

Senhora Presidente,

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindeserpum) protocolou Ofício endereçado a este Gabinete apresentando pauta de reivindicações com onze pontos. Diante disso passamos a deliberar acerca de cada um deles quanto a sua viabilidade de atendimento:

Ponto 1. Gestão Democrática com eleições diretas para diretores;

Entendemos e defendemos, inclusive no próprio Plano de Governo para Mossoró, a otimização da gestão das escolas municipais. Por esse motivo, e por defender uma construção coletiva, estamos abertos e disponíveis para formular critérios específicos que melhor norteiem a gestão escolar juntamente com a categoria por meio da formação de uma comissão própria específica para deliberar sobre este ponto de pauta.

Ponto 2. Reajuste do Piso Salarial integral de acordo com a Lei Federal 11.738/2008;

Sobre este tema as Secretarias de Educação, Administração, Finanças, Planejamento, Orçamento e Gestão, Controladoria-Geral, Procuradoria-Geral e Consultoria-Geral, conjuntamente, emitiram Nota Técnica específica, subscrita pelos titulares da Secretarias idôneas para tratar da pauta, Nota esta que segue anexa a este Ofício.

Ponto 3. Concurso Público;

Foi instituída a Comissão Especial para discussão e proposta de alteração da legislação idônea a comportar os novos cargos com lotação na Secretaria Municipal de Educação a serem providos por meio de Concurso Público na Prefeitura Municipal de Mossoró.

A Comissão deve concluir seus trabalhos ainda no primeiro semestre do corrente ano e
dará sequência aos trâmites administrativos e burocráticos para a realização do concurso público em
2023.

Ponto 4. Concessão de licenças-prêmios de acordo com a Lei 029/2008;

As licenças de que tratam estes pontos de pauta estão sendo concedidas seguindo
critérios comuns aos atos administrativos. Deve-se destacar que se tratava de uma demanda reprimida de muitos anos, e que fora retomada a partir da atual Gestão.

Ponto 5. Reajuste do Auxílio Deslocamento para servidores que trabalham na zona
rural;

O Auxílio Deslocamento é uma pauta de grande importância e necessária. Seguindo esta visão nos colocamos à disposição para formar discussões específicas para viabilizar, com responsabilidade financeira e orçamentária, o devido reajuste do referido auxílio, estando esta pauta amparada pelas discussões que serão protagonizadas pela comissão cuja comissão está sendo proposta neste Ofício.

Ponto 6. Cumprimento da Lei de Responsabilidade Educacional com aplicação de 30% dos recursos próprios e pagamento do 14° salário para escola premiadas, inclusive os atrasados;

No contexto geral da valorização da educação identificamos a importância desta pauta e, neste momento pós-pandêmico, com a retomada total do funcionamento das escolas municipais nos colocamos à disposição para a construção coletiva em prol do atendimento a este ponto.

Ponto 7. Cumprimento do 1/3 da jornada extraclasse de acordo com a Lei Federal
11.738/2008;

O presente ponto de pauta já vem sendo devidamente cumprido em benefício de todos os docentes que apresentaram requerimento neste sentido.

Ponto 8. Iniciar as aulas com auxiliares na sala;

No corrente ano, 2023, iniciamos as aulas com 604 (seiscentos e quatro) estagiários para apoio às turmas que têm alunos com deficiência e continuaremos contratando caso se faça necessário em novas turmas a fim de atender da melhor forma possível todos os alunos que usufruem da rede municipal de ensino.

Ponto 9. Retorno das mensalidades dos sócios consignados;

Disponibilizamo-nos a empreender esforços no sentido de formular estudos no âmbito técnico-jurídico, orçamentário e financeiro, consequentemente iremos inserir este ponto nas discussões que serão levantadas no âmbito da comissão proposta neste documento.

Ponto 10. Pagamento da rescisão dos aposentados;

É importante destacar que esta é uma demanda que está reprimida há anos. Mas, esta gestão, por entender a sua relevância informa que estamos encaminhando este ponto de pauta para análise do nosso corpo técnico, em especial da Secretaria Municipal de Administração e a Secretaria Municipal de Finanças para que possamos ter dados concretos e assim propor encaminhamentos viáveis.

Ponto 11. Cumprimento da Lei de n° 070/2012 e correção da tabela salarial para as professoras que não chegaram à classe de 10 aos 25 anos de serviço;

Nesta gestão conseguimos retomar as progressões que estavam atrasadas desde 2018, totalizando mais de mil progressões concedidas entre 2021 e 2022. Mesmo com tal retomada, continuamos abertos ao diálogo para propor as melhorias que se tornarem viáveis. Feitas estas considerações, propomos que seja estabelecida comissão envolvendo servidores da gestão pública e representantes do Sindicato para que possamos, coletivamente, construir propostas viáveis para o eficaz atendimento das demandas apresentadas e consequentemente contribuir para a continuidade das melhorias da nossa educação.

Por fim, e conclusivamente, informamos que permanecemos abertos ao diálogo e à construção coletiva com o objetivo de melhorar cada vez mais a educação pública municipal e, oportunamente, reiteramos o apelo pelo imediato retorno das aulas que ainda se encontram paralisadas em decorrência da greve para que as nossas crianças possam usufruir de tudo que a educação pode-lhes ofertar.

Sem mais para o momento, renovo os votos de elevada estima e distinta consideração.

ALLYSON LEANDRO BEZERRA SILVA
Prefeito de Mossoró

O outro lado

Segundo a presidente do Sindiserpum, Eliete Vieira, a reunião teve “zero proposta e muita conversa”. Ela não vê razão para o fim da greve: “Com essa postura, o prefeito faz com que o movimento se fortaleça,” disse ao Blog Carol Ribeiro.

Os servidores vão definir próximos passos do movimento grevista em assembleia nesta quarta-feira (8), às 7h30, na sede do Sindiserpum.

Participantes

Participaram ainda da reunião, os vereadores Lawrence Amorim (Solidariedade) e Genilson Alves (Pros), respectivamente presidente do legislativo local e líder governista, bem como os secretários Thiago Marques (Governo), Kadson Eduardo (Planejamento), Hubeônia Alencar (Educação), Tatiane Leite (Finanças) e Rodrigo Forte (Consultoria-Geral).

Pelo lado do sindicato, a presidente Eliete Vieira comandou grupo de diretores e técnicos.

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Prefeitura mostra que paga acima do piso; Sindicato se irrita

A Prefeitura de Mossoró e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (SINDISERPUM) se reuniram novamente, nesta quarta-feira (1º), para dialogar sobre pautas relativas à educação. Apesar da greve deflagrada no último dia 23 pela entidade, essa foi a segunda reunião para discutir questões do professorado, em especial quanto ao Piso Nacional do Magistério.

Reunião ocorreu à tarde de hoje entre as duas partes (Foto: Allan Phablo)
Reunião ocorreu à tarde de hoje entre as duas partes (Foto: Allan Phablo)

A PMM assinalou que já paga acima do piso e o reajuste não têm como ser coberto, sem causar profundo desequilíbrio nas contas públicas, comprometendo atendimento a outras categorias, realização de concurso público, bem como manutenção da política de pagamento de remuneração em dia dos servidores em geral.

A equipe econômica e financeira da Prefeitura mostrou que em março de 2023 o piso dos professores para 40h em Mossoró chega a R$ R$ 4.916,65, enquanto o piso nacional é R$ 4.420,55. Em novembro deste ano, o valor do piso na rede municipal de ensino chegará a R$ 5.338,87.

O reajuste do valor está garantido por meio do reajuste salarial de 33,67%, o maior da história do município, concedido pela Prefeitura no ano em acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais.

O documento aponta ainda que está garantido aos professores o salário em início de carreira de R$ 6.406,65 com especialização; R$ 8.008,31 com mestrado e R$ 10.410,80 com doutorado.

Dessa forma, a equipe destaca o cumprimento, até acima do que o fixado por lei, por parte do Município do piso dos professores, preconizado na Portaria MEC nº. 17, de 16 janeiro de 2023, pelo atual Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração do magistério do Município de Mossoró, disposto na Lei Complementar nº. 70, de 26 de abril de 2012.

No documento, a equipe técnica também demonstra avaliação quanto aos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB.

Frustração de receita

“Importa destacar a frustração de receita que ocorrerá ante ao previsto pela Portaria Interministerial nº 07 de 29/12/2022. Para o exercício 2023, o Projeto de Lei Orçamentária enviado pelo executivo à Câmara Municipal de Mossoró, em agosto de 2022, estimava receita, via FUNDEB, no montante de R$ 133.300.500,00 . No entanto, a Portaria Interministerial nº 7, de 29 de dezembro de 2022, estimou a arrecadação do FUNDEB 2023 para o município de Mossoró no valor de R$ 114.724.012,60. Dessa forma, o orçado pelo município frente ao estimado pelo Ministério da Educação aponta um déficit de R$ 18.576.487,40”, informou a nota.

Destaque-se, ainda, o fato de, no ano de 2022, quando da discussão sobre o reajuste salarial dos professores, restou acordado, entre o executivo e a categoria, a garantia de reajustes salarias a serem concedidos tanto no ano de 2022 (20% implementado e pago), quanto no ano de 2023 (13,67% de reajuste garantido para 2023).

O valor da folha da educação previsto inicialmente para 2023 é de R$ 147.152.983,50. Considerando a garantia pelo executivo municipal desses reajustes salariais dos professores (acordados com a categoria para 2022 e 2023), cujo cumprimento vem ocorrendo rigorosamente, ao aplicar os 13,67% mais as progressões funcionais a que têm direito, a folha alcançará o montante de R$ 155.808.285,36 ainda este ano.

“Com isso, além de comprometer integralmente a receita do FUNDEB com a remuneração do funcionalismo da educação, o município ainda terá que complementar com o valor de R$ 41.084.272,76 dos seus recursos próprios, montante que causa um alerta preocupante, tendo em vista a frustração de receitas do FUNDEB para 2023”, aponta.

O outro lado

Logo após a reunião, o Sindiserpum lançou matéria oficial esbravejando contra a gestão municipal. “Como já era previsto, o rosário de lamentações abriu a reunião, bem diferente dos discursos faraônicos, para o reajuste do Piso dos educadores mossoroenses, após uma discrição tecnicista e burocrática, foi anunciado de que não é possível cumprir a Lei. É zero de reajuste!”.

A entidade também resmungou porque a administração divulgou ainda à tarde material de divulgação e nota técnica sobre o assunto, explicando o porquê de sua posição. Segundo o sindicato, “a diretoria do Sindiserpum foi surpreendida pela notícia nos principais sites da cidade com o anúncio ‘oficial’ da Prefeitura da negativa do Piso Nacional aos Magistério, uma verdadeira falta de respeito aos que se fizeram presentes à reunião.”

A reunião contou com a presença dos secretários Thiago Marques (Governo), Hubeônia Alencar (Educação), Carolyne Souza (Administração), Tatiane Paula Leite (Finanças), Kadson Eduardo (Planejamento, Orçamento e Gestão) e ainda do consultor-geral do Município, Rodrigo Forte, e do controlador-geral Washington Filho. Pelo Sindiserpum, participaram a presidente Eliete Vieira, o vice-presidente Luiz Costa, a diretora financeira Vencerlina Celina, e a vereadora e dirigente sindical Marleide Cunha (PT).

Veja íntegra da Nota Técnica da PMM clicando AQUI.

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