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Festival “A Praia Para Todos” tem êxito impressionante

Evento foi o maior já realizado, com condução de Petras Vinícius (Fotomontagem do BCS)
Evento foi o maior já realizado, com condução de Petras Vinícius (Fotomontagem do BCS)

O município de Tibau viveu neste domingo (25), um momento histórico com a realização da maior edição do Festival “A Praia Para Todos”, que movimentou a área da Pedra do Chapéu, na Praia do Ceará. Estima-se um público em torno de 15 mil pessoas ao longo do dia, em um grande encontro de inclusão, cultura, lazer e cidadania.

O evento teve uma proporção impressionante.

Idealizado pelo Fórum de Mulheres com Deficiência de Mossoró e Região, o festival acontece em parceria com o vereador de Mossoró Petras Vinícius (UB) e apresentou uma programação diversificada e totalmente adaptada, recebendo caravanas de Mossoró e de diversas cidades da região.

“O Festival ‘A Praia Para Todos’ se consolida como o maior festival inclusivo, de cidadania e cultural das praias do Brasil. É um evento que cresce a cada edição e, neste ano, estamos vivenciando um público histórico, com caravanas lindas de Mossoró e de toda a região”, destaca Petras Vinícius.

Com uma estrutura montada especialmente para o evento — incluindo tenda, palco, sonorização e área decorada e adaptada —, o festival ofereceu atrações musicais como Renata Falcão, Nataly Vox e Júnior Farra, garantindo um dia de celebração, lazer e integração para pessoas de todas as idades.

Entre os destaques da programação houve o Espaço Zen, com serviços de relaxamento e massagens; atividades recreativas adaptadas com a AMARTI – Associação Mossoroense de Arte Inclusiva, FQ Recreações e o SESC; além de futebol de sabão, brinquedos inclusivos e modalidades esportivas como vôlei sentado e futebol para cegos.

Um dos momentos mais aguardados do festival é o banho de mar assistido, que possibilita acesso seguro e inclusivo ao mar por meio de cadeiras anfíbias, caiaques e outros equipamentos adaptados. Não faltou ainda uso dos triciclos do projeto “Inclusão Sobre Rodas”, ampliando a mobilidade e a autonomia das pessoas com deficiência.

As cadeiras anfíbias utilizadas foram adquiridas por meio de emenda parlamentar no valor de R$ 50 mil, destinada pelo deputado estadual Kleber Rodrigues.

Sustentabilidade e parcerias

O Festival “A Praia Para Todos” também reforça ações de sustentabilidade e solidariedade, com pontos do projeto “Tampinha da Inclusão” e a instalação de lixeiras, contribuindo para a limpeza da praia e a preservação ambiental.

A realização teve o apoio da Lei Câmara Cascudo, do Governo do Estado, da Prefeitura de Tibau, da Prefeitura de Mossoró, além do Banco do Nordeste Cultural, Câmara Municipal de Mossoró, FunciteRN, Atacadão Queiroz, WSC, Pipoca Bokus, Indaiá, Tempero Regina, Mais Leve, Marilux, Cinsal, TCM, UniCatólica, UERN, BYD Carmais, Cimento Mizu, Pé Direito, AEC e diversas empresas, instituições e projetos parceiros.

Multidão vinda de várias partes participou da festa (Foto: Divulgação)
Multidão vinda de várias partes participou da festa (Foto: Divulgação)

O evento contou com a presença de importantes lideranças políticas, entre elas a senadora Zenaide Maia; o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e o vice-prefeito Marcos Medeiros; a prefeita de Tibau, Lidiane Marques, e o vice-prefeito Haroldo Souza; os deputados estaduais Kleber Rodrigues, Neilton Diógenes e Ivanilson Oliveira; o presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Genilson Alves, além de vereadores da cidade; a vereadora Rafaela de Nilda, do município de Parnamirim; prefeitos de Governador Dix-Sept Rosado, Felipe Guerra, Riacho da Cruz e Apodi; bem como presidentes de câmaras municipais e vereadores de toda a região, reforçando o apoio institucional às pautas da inclusão, acessibilidade e cidadania.

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Tibau (uma imensa saudade)

Por Paulo Menezes

Estou hoje, início de 2020, na varanda do meu “cantinho” na Praia do Meio em Natal, com uma vista privilegiada da ponte Newton Navarro, estuário do rio Potengi, dunas de Genipabu e das águas verde-azuladas do mar.

Curto uma boa leitura e sinto suave brisa numa rede branca com lençol bastante usado, bem macio, cheirando a guardado. A visão panorâmica de uma beleza sem par do majestoso oceano sempre me leva à Tibau dos meus sonhos. Esteja eu onde estiver.

Pois Tibau foi e sempre será a primeira sem segunda, musa dos meus encantos, razão maior dos meus devaneios.

De repente, incontinenti, surgem algumas interrogações motivadas pela grande desolação que senti. Por onde andam as falésias que na minha juventude eram conhecidas por “morros dos urubus” ?

E os pingas d’água doce?

Cadê as areias coloridas ?

E as redes três maio arrastando milhares de peixes e camarões para a praia nas primeiras chuvas de janeiro?

Qual terá sido a causa de não mais serem vistos os papagaios de papel que ao sabor dos ventos coloriam o céu e faziam a festa da criançada?

Para onde foram as velas brancas da mais frágil das embarcações?

Por onde andarão os vendedores de grude e de gelé?

Ainda há o galanteio das serenatas?

E as tertúlias no início das noites?

Os forrós no final delas?

É verdade que foram substituídos pelo barulho ensurdecedor e infernal dos “paredões de som?”

As reuniões no morrinho? Será que ele ainda existe?

As inúmeras mesas com panos verdes onde rolavam disputadas partidas de pif-paf ainda estão sendo formadas?

E as “peladas” antes do banho de mar?

Por que sumiram da areia branca da praia os caranguejos grauçás com seus deslocamentos laterais à procura de suas moradas?

A misteriosa “Furna da Onça” foi aterrada?

E os coqueirais, porque diminuíram tanto?

Será que foi o motivo do desaparecimento das graúnas com seus maviosos cantos nas frias madrugadas?

A luta para acabar com tanta coisa boa de um passado ditoso e feliz na linda praia tem sido grande. Vão terminar conseguindo. E para quem viveu como eu os anos dourados da antiga e encantadora vila, verdade seja dita: sente falta e saudade de tudo isso.

Sei que faz parte do progresso, mas até a areia fina e fria em que pisávamos nas caminhadas noturnas, trajeto de nossas inenarráveis serestas, foi substituída pela tarja negra e quente do asfalto.

Resistindo, mesmo assim um pouco desgastada pelas altas cíclicas das marés e intempéries inexoráveis, restou apenas a “Pedra do Chapéu”, símbolo maior e cartão postal da orla esplendorosa.

Apesar disso, Tibau continua sendo minha querida e preferida praia. As lembranças aqui relatadas vêm acompanhadas de uma imensa saudade. Muita. Incomensurável. Prazerosa.

Paulo Menezes é apicultor

A pedra do chapéu

Por Odemirton Filho

A chamada “Questão de Grossos” foi uma disputa judicial entre os estados-membros do Rio Grande do Norte e do Ceará pelos limites territoriais, que hoje, contemplam os municípios de Tibau e Grossos.

Sobre o tema, ensina-nos o historiador Geraldo Maia:

(…) “No século XVIII, a economia do Rio Grande do Norte tinha por base apenas a agricultura e a indústria pastoril. O Oeste potiguar, principalmente Mossoró, era grande fornecedor de gado para a Província de Pernambuco, tanto gado de corte como de tração para os engenhos. A boiada era tangida com grande dificuldade, chegando sempre ao seu destino menor e mais magra, o que causava prejuízos para os fazendeiros. Para evitar essas perdas, resolveram que ao invés de fornecer gado vivo, passariam a charquear a carne, como já era feito no Ceará, pois dessa forma a carne podia ser enviada para grandes distâncias sem prejuízo da qualidade. Assim foram instaladas oficinas de charqueamento em Mossoró e Açu”.E continua:

“A medida causou, no entanto, descontentamento tanto da parte do Ceará quanto de Pernambuco. Os cearenses não gostaram da concorrência das charqueadas mossoroenses e os pernambucanos reclamavam da falta de boi para tração dos engenhos.  Medidas foram tomadas para acabar com as charqueadas do Rio Grande do Norte, inclusive fechando os portos de Açu e de Mossoró. As carnes secas só poderiam ser fabricadas no Ceará, conforme determinações reais. Mas para charquear a carne, o Ceará precisava do sal que era produzido no Rio Grande do Norte. A Câmara de Aracati sugeriu então estender seus limites, penetrando em território potiguar” (…).

Da disputa judicial, que teve Rui Barbosa em defesa do RN, esse saiu vencedor, ficando a área que, atualmente, são as cidades de Tibau e Grossos sob os seus domínios territoriais.

Em Tibau a pedra do chapéu delimita o território entre os dois estados. Em um lado está a praia que pertence ao Ceará e, do outro, a praia sob o domínio potiguar.

A praia de Tibau, sem dúvida, é sinônimo de beleza. A pedra do chapéu adorna, ainda mais, a singular paisagem que a caracteriza.

Caminhar na areia da praia é sentir a natureza. Vislumbrar a imensidão do oceano é descortinar um horizonte que resgatam lembranças e vicejam sonhos. Mergulhar em suas águas é a certeza de emergir com a alma renovada.

Em Tibau o passado e o presente se encontram. A infância encontrava na pedra do chapéu e nos morros de areias coloridas os seus momentos mais doces.

Era comum, quando a maré estava alta, atravessar de um lado ao outro, arriscando-se, já que a pedra do chapéu é banhada por fortes ondas, que nela quebram. Não havia preocupação em escorregar e cair. A infância, como sabemos, não conhece o medo.

Na juventude, percorrer os vários quilômetros da praia em um buggy ou motocicleta era a “ostentação” à época. As paquera e namoro tinham o cenário perfeito.

À tarde caminhar na praia, sem compromisso. Esperava-se à noite, na qual a adolescência, por vezes, não encontrava limites.

O tempo passa. As lembranças insistem em assaltar a alma.

A divisão territorial é típica de uma Federação. Porém, não importa a quem pertença o lugar, a pedra do chapéu continua a embelezar a praia, imponente, em uma escultura que somente a natureza sabe talhar.

Por fim, como sabemos, o passado sempre visita o presente na vã tentativa de reviver.

Esqueçamos o pretérito imperfeito. Resgatemos do passado, somente, os melhores momentos.

Que 2019, caro leitor, seja um ano que nos traga, no futuro, saudosas lembranças.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

O mar, os amigos e a saudade em Tibau

Por Paulo Menezes

Antes de mais nada, devo confessar que sou um saudosista incorrigível. Quando estou em frente ao mar, como ocorre no momento, ouvindo o barulho das ondas quebrando na praia, fecho os olhos por um segundo e de repente me vem à lembrança dos tempos áureos de minha juventude vividos com muita intensidade.

Tibau (a 42 quilômetros de Mossoró) foi palco desses anos dourados e que por isso mesmo se torna sempre presente nos meus constantes devaneios.

O “misto” de Isidoro era o transporte que nos levava à bela praia. A estrada era carroçável, com trechos muito arenosos, onde o caminhão necessitava muitas das vezes de nossa intervenção empurrando a condução afim  de que a mesma transpusesse a areia e prosseguisse viagem.

Após mais ou menos uma hora de percurso enxergávamos o coqueiral de Gangorra, aumentando nossa ansiedade em avistarmos as falésias vermelhas da encantadora vila. Era grande a emoção sentida quando o veículo subia o morro de Tibau ao fim do qual, maravilhados vislumbrávamos a beleza verde azulada do mar.

Ali, passávamos dois meses inesquecíveis de veraneio como se fora uma só família.

Manhãzinha cedo, íamos a pé, até à granja de Pergentino, distante mais ou menos um quilômetro, tomar leite de vaca, quentinho, tirado na hora. Antes do banho de mar, tinha a turma da “pelada”, onde com times definidos travávamos disputadas partidas de futebol.

No início da tarde seguíamos fagueiros esperar a chegada das jangadas onde ajudávamos a rolar com toras de carnaúba, a levar a embarcação até à praia, maneira artesanal de conduzir o paquete até o porto seguro. Assistíamos com admiração a partilha do pescado entre o mestre e demais pescadores.

Em dias chuvosos, participávamos como parte integrante dos arrastões, onde aos gritos de Tidó e Ananias, víamos milhares de peixes e camarões serem trazidos pela rede para a beira da praia.

Antes do entardecer ainda tinha as rodadas de pif-paf que entravam pela noite. Não faltavam ao carteado, eu, dona Odete Mendes, Nonato de Ananias, Funela, Pançudo, Dois de Ouro e Josefina.

Depois dos lampiões “Coleman” serem acesos para alumiar a noite, era chegada a hora da boemia. O ponto de encontro era o “morrinho” onde havia a reunião de jovens debutando seus primeiros namoros.

Quando as meninas recolhiam-se às suas casas, os mancebos então partiam para, noite adentro, oferecer-lhes a serenata que com muito romantismo quebrava o silêncio da fria madrugada.

Visitávamos os alpendres de casas da praia do Ceará, e de Tibau, da “Pedra do Chapéu” até a “Furna da Onça”, indo até as cercanias da distante casa de Joaquim Borges.

Finalizando a noite, reuníamos no bar de Manoel Marreira, onde tomando “umas e outras” tirando o gosto com sardinha e mortadela, comentávamos o sucesso da noite criança.

Terminava assim mais um dia de imensa felicidade para no dia seguinte começar tudo de novo.

Aqueles dois meses passavam num minuto. Duraram no entanto uma eternidade.

Não é à toa que Mário Quintana afirma: “A saudade é o que faz as coisas pararem no Tempo”.

Daquele tempo feliz, inesquecível, distante e de mudanças tão profundas, só restaram o mar, amigos e muita saudade.

Paulo Menezes é apicultor e ex-bancário