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Paixão pela profissão; amor pelo mar

Por Odemirton Filho 

Tibau, jangada, (Foto de Ricardo Lopes)
Tibau, jangada, (Foto de Ricardo Lopes)

“A jangada se perde de mar afora. E à boca da noite vai chegando. É um ponto branco no horizonte. Doze horas de alto-mar, de paciência, de espera, de linhas soltas, na espreita das ciobas, das cavalas. Vai chegando. Veranistas se juntam para a compra do pescado. Seu João já encostou a jangada na praia” (…).

O texto acima é um fragmento de uma crônica de José Lins do Rêgo sobre a vida de um pescador. Mostra, com clareza, a labuta diária de quem se aventura no mar, ainda nas madrugadas frias.

Quando vou à cidade de Porto do Mangue pra exercer o meu ofício vislumbro na belíssima praia da Ponta do Mel, na Pedra Grande e na calmaria da praia do Rosado algumas jangadas na areia. E faz um bem danado a minha alma. Na maioria das vezes, não há um pé de pessoa. Só a imensidão do mar e um mundão de areia; a beleza da obra talhada pelas mãos de Deus.

Há algo na vida desses pescadores que me fascina. Talvez, seja a lembrança dos dias da minha infância, quando em férias, brincando na areia da praia, via as jangadas chegaram à beira-mar e os pescadores vendendo os peixes, ainda frescos, debatendo-se num carcomido cesto de palhas.

Vez ou outra, converso com um deles pra ouvir as suas aventuras. Decerto, deve existir um ou outro exagero nas “estórias”. Não me importo. Gosto de prosear. Falam-me da lida, do dinheiro pouco. Mas falam, principalmente, da paixão pela profissão, do amor pelo mar. Deixo claro, porém, que não quero romantizar as dificuldades enfrentadas por eles, de sol a sol. São muitas.

Certa vez, caminhei bastante sobre as dunas da praia do Cristóvão para fazer uma intimação. A casa ficava distante, num ponto alto. Sob um sol escaldante, com os pés atolando nas dunas “pegando fogo” consegui chegar à residência. Uma casa simples, de taipa. O velho pescador me ofereceu água e café. Sentei-me por um bocado de tempo apreciando a linda paisagem.

Ao ler o texto de Lins do Rêgo, lembrei-me dessa diligência e fiquei a imaginar aquele pescador como um personagem da crônica do autor de Menino de Engenho.

“Agora, espichado na porta da casa de palha, olha para o céu. Sopra o vento nos cajueiros floridos e há o barulho dos coqueiros agitados. Seu João vê a lua, vê manchas na lua. Levanta-se e vai dizendo para a mulher”:

“Amanhã é dia de cavala. A lua está dando o sinal”.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Afim mantém calendário para venda de peixes

O Abatedouro Frigorífico Industrial de Mossoró (AFIM) já tem definido o calendário da venda do peixe para o período da Semana Santa. Serão vendidas 27 toneladas distribuídas em oito pontos de venda já estabelecidos pelo Abatedouro.

Diferentemente dos outros anos o pescado não vai ser subsidiado pela Prefeitura, mas será vendido a preço de custo pelo Afim.

Mesmo com as limitações o Afim facilitará a venda do pescado com preço acessível ao invés de suspender a comercialização. De acordo com Jaqueline Amaral, diretora do Afim, o período de venda é de 14 a 18 de abril. Os pontos que foram definidos são: Mercado Central, Cobal (área externa), Bom jardim, Abolição II, Mercado do Alto da Conceição, Aeroporto e Alto de São Manoel.

Nota oficial

A Procuradora Geral do Município, Vânia Furtado, afirma que será emitida nota oficial da procuradoria municipal explicando os motivos da mudança nesse ano, inclusive elucidando outras questões de interesse da população referente à atividade da municipalidade.

Com informações da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Mossoró.

Nota do Blog – Excelente notícia. Por pura fobia, espécie de Síndrome do Pânico Judicial (veja AQUI), a que este Blog já fez referência, a Prefeitura estava para suspender a comercialização, temendo penalidades que afetassem o prefeito provisório Francisco José Júnior (PSD).

A medida é correta e não tem qualquer relação com o período de excepcionalidade eleitoral.

Desde a segunda gestão do prefeito Dix-huit Rosado, meados dos anos 80, portanto há cerca de 30 anos, que esse tipo de programa é encetado por todos os governantes, via Afim, com campanha eleitoral ou não.

Peixe para o povo. E ponto final.