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O caráter coletivo

Por François Silvestre

O brasileiro, em matéria política, tem caráter pastoso. Ora, amolece e toma a forma do recipiente. Ora, enrije e fica gelatinoso.

Nesse momento, toma partido, se descabela, briga e faz intrigados.

Daqui a um ano, ou até menos, estará “desiludido”, falando mal de todos os políticos. Dizendo que ninguém presta, tudo é ladrão e incompetente. Esquece até em quem votou. Até que chegue outra eleição e tudo se reverta.

Talvez por isso os políticos não levem a sério essa “irritação”.

Sabem que o caráter coletivo do brasileiro tem a mesma solidez e merece a mesma credibilidade das promessas e princípios dos políticos.

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Eles sabem o “povo” que têm

Por François Silvestre

Passadas as eleições, todo mundo detesta políticos e política. Ninguém quer saber de política. Tudo que acontece de ruim é culpa dos políticos. E os políticos nem aí.

Nem precisam mudar de atitude ou comportamento. Por quê?

Porque eles sabem o “povo” que têm.

Nas primeiras pesquisas ninguém vota em ninguém. Aí começa a campanha, com os mesmo candidatos antes detestados. Com o mesmo comportamento de sempre, as mesmas caras e mesmas atitudes. Aí os números vão mudando.

Quando chega perto das eleições, o mesmo “povo” que detestava a política começa a se descabelar, brigar e esfolar em favor dos seus.

Ninguém mais acha ninguém ruim, ou melhor, são ruins só os adversários. Cada lado com seus santos a combaterem os diabos do lado oposto. Até que passe um ano, e aí os políticos voltarão ao estágio de satanás.

Para serem canonizados no próximo pleito.

Ah!…vão catar piolho em cu de macaco.

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Quem tece esse tear?

Por François Silvestre

Há, hoje, nos grotões da vida em sociedade, uma espécie de tristeza mórbida, que só não alcança fanáticos ou alienados absolutos. No campo do fanatismo, vamos encontrar a direita renascida do esterco e a esquerda trombando nas próprias frustrações.

Os alienados, aparentemente felizes, são os mesmos dos antigos tempos da direita conservadora e da esquerda reformista. No mesmo quadro de ilusão lírica ou interesse reprimido.

Ambas a buscarem justificativas ou inventarem convencimentos. A direita conservadora, não fascista, diluiu-se e faz falta. A esquerda lírica, não idiotizada, recolheu-se e deixou o vácuo.

O pragmatismo serve de pretexto à mistura no charco, onde o limite da ética inventada permite nadar na lama.

Em política, ser honesto ou falso é só uma questão de oportunidade. Tudo metodologicamente explicável ou justificável. Como a loucura nos personagens de Shakespeare. O método que espanta remorsos e modela biografias caricatas.

Mas os políticos não estão solitários nesse embuste. Longe disso, eles têm a companhia dos que exibem falsamente o combate ao desmando. Até conseguem algumas reparações, mas não convencem, posto que a ética cantada em verso e prosa não resiste à ganância dos paladinos, recheando os bolsos com o zinabre que carrega o cheiro da miséria do povo.

Porém, o aparato da exibição, que fantasia a alienação dos novos tempos não consegue retirar a maquiagem do palhaço, após sair do picadeiro e mergulhar na solidão do camarim.

Fossem eficientes os discursos das castas, espertamente abastecidas, tudo seria mais facilmente alcançável. Seria, mas não é.

Quem cobra austeridade nem sempre é austero. Quem cobra honestidade pública muitas vezes esconde a desonestidade nos escaninhos da legalidade duvidosa. E o que é duvidoso na moral, agasalha a lei no legalismo; porém, a desmente na legitimidade.

Isso produz tristeza? Sim. Mas ser triste é suficiente? Não. Nem indignar-se é suficiente.

A denúncia exposta acalanta a ira, botando-a para dormir, mas não produz efeito reparador. Apenas faz a catarse de quem se sente mal nesse pântano de hipocrisia.

Não é redundante lembrar que desonestidade não é apenas enfiar a mão no bolso ou no patrimônio público ou privado. Não. Usar e abusar de enviesados teóricos e brechas legais para saquear o contribuinte também é desonestidade funcional. E com rebuscados argumentos vira desonestidade intelectual.

E quando um desonesto intelectual pune o desonesto material, perde-se o fio do fuso e quebra-se a roca do tear. Quem tecerá o Brasil amanhã? Porque hoje a pátria de estopa resta esgarçada. Lembrando o poeta, “um galo sozinho não tece uma manhã”.

Não há pompa ou pose, nem liturgia falsificada que remende esse tecido rasgado. Té mais.

François Silvestre é escritor

Cara e focinho de um país sem-vergonha

Uma joalheria foi roubada quatro vezes, numa única madrugada, em São Paulo.

O Jornal Hoje da Rede Globo de Televisão mostrou hoje à tarde o entra-e-sai de bandidos e espertalhões, incluindo duas mulheres que entraram duas vezes na loja já arrombada. Bandidos e populares se revezaram na rapinagem até um pouco antes do sol dar as caras.

E ainda falamos dos políticos, como se fossem aberrações morais num suposto país sério.

São exatamente o espelho da sociedade cá embaixo.

Cara de um, focinho do outro.

Nem mais nem menos.

Primavera de pragas

Período de campanha eleitoral é como a primavera: parece que as pessoas ficam mais simpáticas, joviais, comunicativas, saltitantes, abertas. Alegres.

Estão sempre com a mão à frente do próprio corpo, à cata de um cumprimento.

Principalmente os políticos.

Estamos vivendo uma espécie de “primavera de pragas” na política. É uma época em que todo mundo é simpático, desabrochando à cordialidade.