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Iniciativa privada começará a construir base militar estratégica

A empresa Casa Nova Construções, sediada em Mossoró e que tem como dirigente o empresário Marcelo Conrado, vai destinar à estrutura de segurança pública do Governo do RN em Mossoró e região, um equipamento estratégico e moderno. Começará a construir base física do 2º Distrito da Polícia Rodoviária Estadual (DPRE) no leito da RN-117, via que liga Mossoró a Governador Dix-sept Rosado e outros municípios do Oeste.

Pistas de rolamento contornarão a base e policiamento terá estrutura segura e confortável (Reprodução BCS)
Pistas de rolamento contornarão a base e policiamento terá estrutura segura e confortável (Reprodução: Canal BCS)

O prédio será entregue todo climatizado, mobiliado e com câmeras de monitoramento interno e externo. O prazo para conclusão é Abril/2022.

Sua formatação arquitetônica projeta duas salas de observação (uma para Governador Dix Sept-Rosado e outra para Mossoró), copa/cozinha para refeições, sala de administração, e banheiro acessível no térreo. Já no primeiro andar, ele contará com dois dormitórios com suíte, com capacidade para pernoite de 8 homens e/ou mulheres, além de varanda que serve também como guarita/observatório.

Há anos, a Polícia Militar do RN tem uma base à margem da RN-117, a cerca de 350 metros do Complexo Viário da Abolição, mas em precárias condições de ocupação e uso pelo 2º DPRE. A nova base ficará situada próxima ao Conjunto Cidade Oeste (à saída para Governador Dix-sept Rosado), no leito da RN, com pistas asfálticas que a contornarão (veja imagens simuladas em computação gráfica nessa postagem), distante uns 4 km do Complexo Viário da Abolição.

“A segurança pública é um problema que assola toda a população, sem distinção de classes, e é um problema que avança rapidamente. Em conversas com o Governo do Estado, com as forças policiais, apresentamos nosso interesse e ideia em contribuirmos dessa forma,”, comenta Conrado ao Canal BCS (Blog Carlos Santos).

Base ficará numa posição estratégica na RN-117 (Reprodução BCS)
Base ficará numa posição estratégica na RN-117 (Reprodução: Canal BCS)

“Com intermediação da deputada estadual Isolda Dantas (PT) avançamos nas tratativas. Vieram aprovação e estudos do setor de engenharia da PM. Chegamos a essa ponto numa grande reta, com visão privilegiada”, comenta Conrado ao Canal BCS (Blog Carlos Santos).

Segurança complexa

Mossoró conta com mais de 7 acessos pavimentados a interligando com outros municípios, além de mais de 50 saídas vicinais e cerca de 300 quilômetros de estradas carroçáveis cortando 137 comunidades rurais e outras micropovoações. É o maior território entre os 167 municípios do RN, a ponto de representar quase 18 vezes a área total de Natal, capital do estado.

Com uma contingente humano residente que passa de 300 mil pessoas e uma população flutuante expressiva (números que podem chegar a 40 mil indivíduos ou mais por dia (não existem estudos científicos abalizados), Mossoró transformou-se num polo acadêmico, comercial/serviços e de saúde. É o epicentro  para uma vasta região com população cumulativa da ordem de 1 milhão de habitantes.

Policiais terão câmeras internas e externas suplementando trabalho no térreo, pista e posto de observação no primeiro andar (Reprodução: Canal BCS)
Policiais terão câmeras internas e externas suplementando trabalho no térreo, pista e posto de observação no primeiro andar (Reprodução: Canal BCS)

Cobrir esse universo territorial com policiamento é tarefa hercúlea. A obra que Marcelo Conrado destinará ao Governo do RN  e, por conseguinte, à sociedade, pode parecer um pingo de água no oceano, mas com certeza é importante e pode gerar efeito catalisador no universo empresarial. Mais e mais empresários podem acordar para o significado social de feitos dessa natureza.

A base que ficará como bem estadual, não se trata em essência de uma Parceria Público-Privada (PPP), como regulada pela Lei nº 11.079/2004, em que o capital explora algo da alçada estatal. É doação, em que os interesses das partes se somam, resultando num bem comum.

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Além dos limites de Mossoró

Com uma população de quase 250 mil habitantes, Mossoró não deve ser analisada a partir desse volume demogrático. Seus números são mais grandiloquentes.

Até aqui, praticamente nenhum prefeito tem pensado e agido no trato de questões públicas, da organização de trânsito à urbanização e economia, vendo o município sob esse prisma. Mossoró não é ela em si. É multifacetada. Muitas numa só.

Esse perfil começou a se formar a partir da avassaladora seca de 1877, num triênio que praticamente quadruplicou a população local, de pouco mais de 6 mil pessoas para mais de 24 mil.

Temos uma cidade miscigenada, gregária e que vai bem além de seus limites territoriais tecnicamente postos pela cartografia oficial.

Sem entender isso, os governantes de hoje e de um passado não muito remoto, comprometem o próprio futuro dos mossoroenses. Também dificultam a vida dos que afluem para esse espaço, em passagens episódicas ou à fixação.

Um exemplo até bizarro de tamanho amadorismo, é o relacionamento da Prefeitura de Mossoró com mais de 2,5 mil veículos alternativos e congêneres, que despejam milhares de pessoas diariamente na cidade. Eles vêm do Vale do Jaguaribe (CE), Vale do Açu, Alto e Médio Oeste, além da região Salineira.

Há alguns meses, essa gente trabalhadora e de forte importância econômica, simplesmente foi banida do centro urbano, sem garantia de infraestrutura mínima nas áreas em que foi jogada.

É provável que Mossoró tenha população flutuante acima dos 20 ou 30 mil indivíduos/dia. Uma superpopulação desprezada, tratada com desdém ou mesmo imperceptível aos gestores públicos, que até aqui trabalham no improviso, no “achismo” ou sob a batuta de velhos modelos gerenciais.

Muitos de nós não entendemos o crescimento de Mossoró, sobretudo quando circulamos por sua periferia. Muitos não compreendemos o boom imobiliário e a migração de grandes grupos econômicos para essa terra.

Conjuntura

Os mais inocentes ou passionais, creditam tudo aos inquilinos da prefeitura. Outros, tão-somente à conjuntura nacional-internacional etc. A maioria não percebe que independentemente de fatores exógenos e algumas políticas públicas acertadas, pesam a extraordinária localização e potencial natural do lugar.

O West Shopping não foi instalado em Mossoró em nome do belo sorriso da prefeita Fátima Rosado (DEM). Algumas indústrias não estão se espraiando por mero incentivo do governo estadual. Híper Bom Preço, Lojas Americanas, Marisa, Renner e a indústria do petróleo não jogam âncora na cidade por nossa temperatura suíça.

Se na antiguidade todos os caminhos levavam à capital do mundo, Roma, na região de influência de Mossoró (cerca de 800 a 1 milhão de habitantes) todas as estradas/veredas – em especial do meio circulante – acorrem para esse lugar. Qualquer estudo canhestro – ou de reconhecida qualidade científica – mostrará isso.

Cada fábrica instalada em Grossos, Tibau, Governador Dix-sept Rosado etc. termina “despejando” dinheiro em Mossoró. De um simples Carnaval (Areia Branca) à indústria de cimento (Baraúna), temos moeda engordando a economia local, numa migração óbvia.

Deve ser observado, ainda, que Mossoró está se robustecendo como polo acadêmico. Milhares de jovens e adultos estão desembarcam diariamente na cidade em busca de conhecimento, a grande chave para o progresso pessoal e coletivo de qualquer povo.

Apesar de todas essas evidências, o poder público é convencional e atrasado, míope e primário em termos de gestão. Mossoró teima em ser provinciana, incapaz de avançar além dos arrabaldes de sua mentalidade política oligárquica, reducionista, patrimonialista e iníqua.

O futuro, dizem os mais fervorosos na fé, “a Deus pertence”. Em nome dessa fé, é bom lembrarmos: “Façamos nossa parte”.