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Desembargador escapa da morte em ‘julgamento’ do PCC

Em relato enviado para amigos, via Internet, o desembargador aposentado Osvaldo Cruz conta como foram as horas de terror que viveu, nas mãos de assaltantes, à noite da última sexta-feira (22).

Ele estava em sua fazenda no município de Taipu e limites com Ceará-Mirim. Quatro bandidos fortemente armados invadiram a propriedade, roubaram bens diversos e levaram-no como refém.

Osvaldo Cruz afirma que chegou a ser filmado por bandidos no interior do carro usado na fuga (Foto Novo Jornal)

Em poder da quadrilha, ele foi supostamente ‘julgado’ por um “Conselho” (‘Tribunal) do Primeiro Comando da Capital (PCC), ganhando liberdade pela madrugada.

Leia abaixo:

Amigos, hoje só tenho motivos para agradecer a Deus pela minha vida, da minha mulher e pela vida de todos que estiveram comigo ameaçados durante horas de terror. Quatro assaltantes encapuzados e fortemente armados vieram em busca do dinheiro que o juiz tinha recebido, joias, armas, celulares e objetos de valor. E ameaçaram me executar caso eu tivesse condenado algum membro da sua organização.

Levaram-me refém ordenando que Izalva não acionasse a policia durante 1 hora, caso contrário me apagariam. Partiram comigo dentro do meu carro em alta velocidade, com armas na minha cabeça, até caírem numa vala, estourando 2 pneus laterais e por pouco não capotamos.

Abandonaram meu carro e passaram a usar carros roubados chegando a trocar 5 vezes de carro. Nesse ínterim fui rebocado de olhos vedados pelo mato, na chuva. Sugeriam pedir um resgate de 2 milhões de reais.

Tiraram minha foto e fizeram um vídeo com minha voz enviando para o Conselho deles para que decidissem meu destino.

Pela graça divina o comando deles que diziam ser do PCC determinou que eu não fosse executado.

Fui abandonado em Rego Muleiro, São Gonçalo do Amarante.

Sem noção de onde estava bati na madrugada em várias casas mas todos temiam abrir suas portas. Por fim uma Senhora resolveu ligar pra polícia e foi informada que me acolhesse, pois já estavam à minha procura.

Parece um filme mas infelizmente é a nossa realidade nua e crua.

Agradeço o carinho e a solidariedade de toda a família e amigos.

Que Deus abençoe a todos com muita Paz e dias melhores!

Feliz 2018! Forte abraço!

Leia também: Desembargador aposentado é roubado e sequestrado.

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“RN é um dos lugares mais mortíferos do mundo”, diz jornal

“Natal, a capital do estado do Rio Grande do Norte, no Nordeste do Brasil, já atingiu níveis astronômicos bem antes de uma rebelião de prisão no penitenciário estadual de Alcaçuz, que matou 26 presos. O número de homicídios no estado aumentou 232% entre 2005 e 2015, de acordo com o Atlas de Violência de 2017, compilado pelo Institute of Applied Economic Research. Nos primeiros oito meses de 2017, 1.558 pessoas foram assassinadas, um aumento de 25,5% em relação ao mesmo período do ano passado. No fim de semana, de 18 a 20 de agosto, 23 pessoas foram vítimas de homicídio.

Esse parágrafo acima é o “lead” (abertura) de reportagem especial do jornal norte-americano Los Angeles Times. Veja a seguir, mais detalhes da matéria desse importante órgão de imprensa mundial. Segundo o título da cobertura assinada pelo jornalista Jill Langlois, “O Rio Grande do Norte é um dos lugares mais mortíferos do mundo”:

Reportagem mostra rotina de homicídios no RN, que virou referência em violência no mundo (Foto: Victor Moriyama)

Marcos Brandão, diretor da unidade de investigação criminal do Rio Grande do Norte (Itep) desde outubro do ano passado, diz que viu o número de mortes violentas na região aumentar de forma constante desde seus dias como investigador da cena do crime.

Houve um aumento particular em 2014, quando o Primeiro Comando da Capital (PCC) começou a dar a conhecer sua presença, e muitas pessoas que acabam em seu necrotério parecem ter morrido por causa da violência relacionada a gangues.

Por causa do aumento dos homicídios no estado, os nove legistas da instituição lutam para manter o número de órgãos que recebem em qualquer dia. Brandão diz que está no processo de contratação de mais médicos para trabalhar na Itep, que é uma divisão da polícia civil, e está atualmente renovando parte de seu espaço de trabalho para abrir espaço para mais unidades de refrigeração.

Ele ainda, no entanto, tem que enviar amostras para testes de DNA fora do estado, porque o Rio Grande do Norte ainda não implementou seu próprio laboratório.

Veja matéria completa AQUI.

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PCC sofre cerco gigante em 18 municípios do estado

Após quase dois anos de investigação, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) realiza operação contra integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação em quase todo sistema penitenciário do RN. Desse ambiente, eles planejavam ações relacionadas a tráfico de drogas, roubo de veículos, estouros de caixas eletrônicos, homicídios, estruturação da facção, entre outros.

Denominada “juízo final”, a operação  a cargo do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio das Polícias Militar busca o cumprimento de 129 mandados de busca e apreensão, 21 mandados de prisão e 24 conduções coercitiva. As medidas estão sendo cumpridas em 18 cidades do estado, 13 estabelecimentos prisionais estaduais e um presídio federal.

A investigação mostrou que os alvos comandam o tráfico de drogas de dentro dos presídios apresentando uma área de atuação em praticamente todo o sistema carcerário potiguar e mantendo articulações com integrantes da investigada facção em outros estados do Brasil.

Cadernos apreendidos apontam a relação os integrantes da facção criminosa, data de batismo, função e número de telefones. Além disso, documentos com dados bancários foram apreendidos, o que colaborou para demonstrar a movimentação financeira do grupo.

A investigação conseguiu a fixação de multa a empresa proprietária do aplicativo whatsapp no valor de condenação de R$ 15 milhões pelo descumprimento reiterado de ordem judicial.

Os alvos da operação vão responder pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, entre outros. O material apreendido no cumprimento de outros mandados será analisado junto com o que já estava em posse dos promotores que atuaram na operação.

Facção Criminosa PCC

O Primeiro Comando da Capital tem agido em quase todo o Brasil e também na América do Sul há mais de duas décadas comandando crimes dos mais variados. A facção se notabilizou por grandes ações criminosas como assaltos a bancos e carros-fortes além de rebeliões em presídios espalhados pelo Brasil, bem como por ataques a agentes de segurança pública. Em muitos casos, ações orquestradas dentro e fora da cadeia. Além do nome e da sigla, a facção é identificada pelo número 1533.

Nos últimos anos, com o surgimento de outras facções nos estados e a disputa pelo domínio territorial do tráfico, o PCC começou a travar uma verdadeira guerra com os demais integrantes de facções inimigas nos mais variados presídios do Brasil.  Após quase dois anos de investigação, foram apreendidos cadernos e papéis com nomes, apelidos, datas, identificações de “padrinhos” (pessoas da facção que apadrinham o novo integrante), a “quebrada de origem” (de onde vem aquele que busca entrar no PCC), “quebrada atual” (onde está atuando recentemente) e as “faculdades” (forma como identificam as unidades do sistema penitenciário).

Foram interceptadas conferências dos líderes da facção PCC nas quais os membros eram relacionados com nomes, alcunhas, matrícula e batismos. Nessas conferências, presos de praticamente todos os estados da federação se comunicavam.

Telefonia era “arma” da facção

Durante a análise dos áudios da operação, é mostrado que os principais investigados integram uma organização criminosa com divisões de tarefas bem definidas visando a prática de crimes, além de acirrarem a rixa contra a facção local – Sindicato do RN.

Resgate de presos, assaltos, roubo de veículos, tráfico e plano para matar rivais são alguns dos assuntos discutidos entre os investigados durante o período que tiveram suas ligações telefônicas monitoradas.

Em alguns dos áudios, é possível notar que alguns dos investigados estão comandando o tráfico de drogas de dentro dos presídios assim como na grande Natal e com atuação em Mossoró.

Cadernos do crime

Durante o período de investigação, foram apreendidos cadernos e papéis com informações dentro de algumas unidades prisionais do RN.
As anotações contêm nomes, apelidos, datas e números de telefones. Além disso, há identificação dos “padrinhos” (pessoas da facção que anuem á entrada do novo integrante), a “quebrada de origem” (de onde vem aquele que busca entrar no PCC), “quebrada atual” (onde está atuando recentemente) e as “faculdades” (forma como identificam as unidades do sistema penitenciário). Os dados contidos nas anotações registram toda a atividade criminosa e o quantitativo de integrantes da organização a qual conta hoje com mais de 600 integrantes do Estado.

“Cunhadas” movimentam finanças

A operação também revelou um esquema “familiar” usado pelos investigados que estão reclusos. Mulheres conhecidas como “cunhadas” fornecem seus dados bancários para transações financeiras dos presos.   Houve o afastamento do sigilo bancário de 184 contas relacionadas com a  facção, as quais movimentaram, num período de dois anos, aproximadamente 6 milhões de reais.

Participam da operação 200 policiais militares, promotores de justiça, servidores do Gaeco e agentes penitenciários estaduais e federais.

Locais de cumprimento das medidas de prisão, buscas e apreensões e conduções coercitivas:

Natal, Parnamirim, Ceará Mirim, Macaíba, Baía Formosa, Mossoró, Itajá, Felipe Guerra, Baraúna, Caraúbas, Martins, Pau dos Ferros, São Francisco do Oeste, Tenente Laurentino Cruz.

Unidades Prisionais para cumprimento de prisões e buscas e apreensões:

Penitenciária Rogério Coutinho Madruga (Pav. 5), Alcacuz, Cadeia Pública de Natal, CDP Zona Norte, Complexo penal João Chaves, CDP Pirangi, PEP Parnamirim, CDP Parnamirim, Cadeia Pública de Mossoro, CPEAMN Mário Negócio, Cadeia Pública de Caraúbas, Presídio de Pau dos Ferros, CDP Patu, CDP Parelhas, CDP Jucurutu.

Presídio Federal de Porto Velho

Já estão sendo encaminhadas ao Poder Judiciário 26 denúncias contra os alvos da operação pelos crimes de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Outras denúncias ainda serão oferecidas.

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Polícia apresenta responsáveis por chacina em baile funk

Do blog Fim da Linha

Cerca de cinco membros da facção criminosa Sindicato do RN foram responsáveis pela chacina ocorrida na noite do dia 11 deste mês, durante um baile funk em um buffet no bairro Boa Vista em Mossoró, onde cinco pessoas foram assassinadas e outras cinco ficaram feridas (veja AQUI).

A Conclusão é da Divisão de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) de Mossoró, que num prazo de 13 dias do ocorrido, elucidou o caso. Dois membros da facção criminosa RN foram presos e confessaram o crime.

Felipe e Josenilson fizeram parte da chacina que matou cinco jovens em Mossoró

O delegado da Divisão de Homicídios, Rafael Arraes,convocou a imprensa nesta tarde de sexta feira (24), para divulgar o resultado da investigação e apresentar os dois criminosos que foram presos em operações da Polícia Civil nos últimos dias.

Segundo Arraes, Francisco Josenilson Silva e Felipe Martins dos Santos, natural de Parnamirim RN, confessaram participação na chacina e disseram que foram ao baile de favela para matar o rival Eduardo Nunes Farias, membro da facção PCC e que as demais pessoas que morreram teriam sido vítimas de balas perdidas.

Francisco Josenilson foi preso durante uma operação da DHPP, Divisão de Polícia do Oeste (DIVPOE) e Delegacia de Furtos e Roubos (DEFUR), na tarde de quarta feira passada (22) em uma residência, na Rua Francisco Ferreira Lopes no bairro Santo Antônio.

Arma de fogo

Já Felipe Martins foi preso pela DHPP na manhã desta sexta feira, em uma casa alugada por ele para guardar equipamentos ilícitos, na Rua Pedro Velho, bairro Santo Antônio. Na residência os policiais encontraram uma arma de fogo, coletes balísticos e farda da Polícia Civil.

O delegado Arraes, informou ainda que um terceiro participante da chacina já foi identificado e que é questão de tempo prendê-lo.

Arraes ressaltou que o empenho dos policiais da DHPP e de agentes de outras delegacias, como Divpoe e Defur e a colaboração da população através de denuncias, foram Imprescindíveis na elucidação do crime.

Ele destacou também a agilidade da justiça que de imediato atendeu à solicitação da DHPP, expedindo mandados de prisão para os envolvidos na chacina.

Após serem apresentados à Imprensa, Francisco Josenilson e Felipe Martins foram encaminhados à Unidade prisionais da cidade. Josenilson foi para a Penitenciária Mário Negócio, uma vez que o mesmo era preso de justiça e Felipe Martins foi conduzido à Cadeia Pública.

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Odebrecht confirma Caixa 2 à Dilma e Temer na disputa 2014

O empresário Marcelo Odebrecht confirmou, em depoimento ao TSE nesta quarta-feira (1º), a doação de R$ 150 milhões à chapa Dilma-Temer na eleição de 2014 como caixa dois. Parte desse valor foi contrapartida pela aprovação da medida provisória do Refis, que beneficiou o grupo.

O ex-presidente da Odebrecht não precisou, porém, quanto do total repassado à campanha era propina.

Veja os principais pontos do depoimento:

– Empresário diz ter pago R$ 150 milhões em caixa 2 à chapa Dilma-Temer em 2014
– Parte do valor foi pago no exterior ao marqueteiro do PT, João Santana, com conhecimento de Dilma
– R$ 50 milhões foram contrapartida por uma medida provisória de 2009 que beneficiou o grupo
– Empresário confirma que se reuniu com Temer para tratar de doações ao PMDB em 2014, mas nega ter tratado de valores com o então vice-presidente.

A audiência de Marcelo Odebrecht ocorreu na tarde de quarta-feira (1º) na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), em Curitiba-PR, e terminou por volta das 18h30.

O conteúdo do depoimento será mantido sob sigilo.

O empresário, que está preso na carceram da PF em Curitiba, foi ouvido como testemunha nas ações que tramitam no tribunal pedindo a cassação da chapa Dilma-Michel Temer.

Saiba mais AQUI.

Nota do Blog – Num país sério, as quadrilhas do PT e do PMDB já teriam sido desfeitas legalmente. Os dois partidos mais bandidos do sistema partidário brasileiro deveriam ser proscritos.

São bem mais perigosos do que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e do que o Comando Vermelho (CV).

As pessoas de bem dessas duas siglas deveriam agir em defesa da Lava-Jato, à plena elucidação dos crimes e à punição não apenas de adversários, mas de correligionários também, que não passam de bandidos.

Quem verdadeiramente quer esse país melhor, combatendo corrupção, não pode atacar um para defender o outro e vice-versa. Mas infelizmente, boa parte dos que “lutam” contra esse câncer, na verdade é conivente com seus bandidos de estimação.

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Líderes de rebelião e chacina são levados para Presídio Federal

Do Portal Noar

Cinco presos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), e que são apontados como líderes da rebelião que aconteceu na Penitenciária de Alcaçuz ocorrida no dia 14 de janeiro, foram transferidos da Central de Flagrantes da Polícia Civil para uma Penitenciária Federal (não divulgada), na manhã desta terça-feira (31).

Presos são escoltados: Foto: Portalnoar)

 

O trabalho de transferência foi realizado por agentes penitenciários, policiais militares e policiais civis. Participaram da ação integrantes do Grupo de Escolta Penal (GEP), Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), Batalhão de Polícia de Choque, Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (ROCAM) e Comando de Polícia Rodoviária Estadual (CPRE).

Os presos transferidos são Cláudio Candido do Prado, 37 anos; Tiago de Souza Soares, 30 anos; Paulo da Silva Santos, 42 anos; José Francisco dos Santos, 30 anos e Paulo Márcio Rodrigues de Araújo, 31 anos. Os cinco detentos foram indiciados pela Polícia Civil por todos os 26 homicídios cometidos dentro do presídio, pelos crimes de dano público, lesão corporal, vilipêndio de cadáver e associação criminosa.

Quem são os detentos transferidos:

1) José Cláudio Candido do Prado: Ele foi condenado a 75 anos de prisão pela prática dos crimes de homicídio, roubo e tráfico de drogas. José Cláudio é do Estado de Mato Grosso.

2) Tiago de Souza Soares: Condenado a 38 anos e seis meses pela prática dos crimes de homicídio e tráfico de drogas.

3) Paulo da Silva Santos: condenado a 32 anos pelos crimes de extorsão e tráfico de drogas.

4) João Francisco dos Santos: condenado a 39 anos por ter matado o jornalista F Gomes.

5) Paulo Márcio Rodrigues de Araújo: é preso provisório, ainda não foi condenado. Ele é da cidade de Ipanguaçu.

13h32 – Atualização – Os presos foram levados para o Presídio Federal de Rondônia.

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União dos Vereadores do Brasil fará evento em Natal

União dos vereadores do Brasil (UVA) fará encontro nacional no Rio Grande do Norte.

Organização trabalha para realizá-lo em Natal.

Programação sendo aprontada para ser encetada em março próximo.

Se o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Sindicato do RN deixarem, claro.

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PCC garante paz nas ruas do RN e anuncia exigências

“Somos criminosos e não moleques.” Com essa frase, um dos chefes do PCC (Primeiro Comando da Capital) no Rio Grande do Norte grava vídeo e pulveriza na Web, dando garantia de paz à população, atestando que a facção tem disciplina e fazendo cobranças (ameaças) ao Governo do RN.

– Queremos deixar a sociedade tranquila (…). O PCC não admite baderna – avisa o porta-voz ao lado de vários outros companheiros, todos fortemente armados e com rostos encobertos por camisas, formando uma máscara.

O representante do PCC, lendo mensagem “oficial” no display de um smartphone, lembra que já apresentou pauta de negociação ao Governo do Estado, exigindo a retirada dos integrantes da facção Sindicato do Crime do RN da penitenciária de Alcaçuz, em Nisia Floresta (Grande Natal).

Guerra

Se não forem atendidos, prometem “estender” essa “guerra” às ruas, alvejando “policiais de todas as categorias” e “órgãos públicos”.

Leia também: Cabo da PM grava vídeo com líderes de facção e é afastado (veja AQUI).

Leia também (com vídeo): Programa Fantástico entra em Alcaçuz e mostra outras facetas dessa crise sem controle (veja AQUI).

Nota do Blog – No final de semana, o governo colocou uma série de containeres enfileirados no pátio do Presídio de Alcaçuz, para separar as duas facções.

Também já foram encontrados novos restos de corpos no presídio, o que compromete a totalização de mortos. Governo não sabe quantos presos existiam no local, quantos fugiram (apesar de negar qualquer fuga), quantos estão vivos e quantos morreram. Também admite que não tem controle do local.

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Trapalhada do governo culmina em sete dias de rebelião

Da revista Época

Já fazia mais de 100 horas que, com escudos improvisados e rostos encobertos por camisetas, presos dominavam a penitenciária de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. Na manhã da quarta-feira (18), o pátio da cadeia lembrava um campo de batalha medieval prestes a explodir. Criminosos da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) ocupavam o lado esquerdo da arena.

Separados por uma barricada de chapas de madeira, membros da organização potiguar Sindicato do Crime (SDC) estavam a postos à direita. Àquela altura, com o peso de 26 assassinatos desde o início da rebelião, o governo estadual se viu emparedado. Em desvantagem, decidiu negociar.

Facções rivais se enfrentam na quinta-feira (19). Governo quer construir um muro (Foto: Andressa Anholete/AFP)

A missão foi encabeçada pela delegada Sheila Freitas, diretora da Polícia Civil na Grande Natal. Sheila é descrita em uma homenagem de parlamentares como “sinônimo de força e de muita determinação”, predicados úteis nas tratativas com a bandidagem.

Segundo um integrante do alto escalão do governo, a negociação aconteceu na sede da polícia, no bairro Cidade Esperança, com José Claudio Cândido do Prado, o Doni Gil, um dos chefões da facção paulista no Rio Grande do Norte. O acordo foi registrado em ata.

Na segunda-feira (16), ele havia sido retirado do presídio com outros quatro do PCC para presídios federais. Foi Doni quem determinou os termos da rendição. Em troca de devolver a calmaria à cadeia, exigiu que o governo transferisse dali somente membros do SDC – no mundo do crime, mudar de “casa” é como ter a prisão decretada pela segunda vez. Sheila consentiu, e o pacto foi selado.

Ao determinar a remoção de 220 detentos de Alcaçuz, nenhum deles do PCC, o governador Robinson Faria (PSD) ignorou a recomendação do setor de inteligência prisional: a de retirar integrantes da facção paulista em vez dos membros da potiguar, por serem minoria – 500 diante de 1.000.

Secretário lamenta orientação ser ignorada por governador

“O que dissemos não foi levado em consideração”, afirmou Wallber Virgolino, secretário de Justiça e Cidadania, em entrevista a ÉPOCA. Num roteiro recorrente para autoridades da segurança pública, Faria negou com veemência qualquer tipo de acordo com o crime, assim como minimizou a divergência com Virgolino. Sheila negou-se a atender à reportagem por impossibilidade de agenda.

Desavenças em momentos de crise são sinais inequívocos de que a situação está fugindo do controle. A confusão entre as autoridades logo foi sentida fora do gabinete. Na mesma tarde do aval para a remoção dos presos, chefes do Sindicato do Crime emitiram um “salve”, como são chamadas as ordens, determinando que os ataques chegassem às ruas.

Pela primeira vez desde o começo da crise na segurança pública – deflagrada em outubro passado, em decorrência de uma guerra entre PCC e a carioca Comando Vermelho (CV) –, a barbárie saiu das prisões.

A Grande Natal foi tomada por cenas de horror. A Polícia Militar registrou pelo menos 38 incêndios e ataques a ônibus, carros oficiais e prédios públicos. Amedrontada, boa parte dos turistas não saiu dos hotéis. Na manhã da quinta-feira (19), a batalha campal se concretizou em Alcaçuz – e pôs fim ao frágil armistício costurado com o governo.

Os presos se enfrentaram com barras de ferro, pedras e pedaços de pau e armas de fogo. A Polícia Militar afirmou que os detentos “estavam armados e se matando”. Sobrou até para o diretor do presídio, Ivo Freire, ferido por estilhaços. Houve mais mortes, mas o número não foi confirmado.

Trapalhadas

O governador Robinson Faria veio a público na quinta-feira para dar uma resposta às trapalhadas ao longo da semana. No ponto mais agudo da crise, anunciou a entrada do Batalhão de Choque em Alcaçuz como medida imediata para conter a batalha medieval. Prometeu mais.

Na entrevista ao canal de TV Globonews (veja AQUI), disse ao vivo para o Brasil que, na manhã seguinte, daria início à construção de um muro para isolar grupos rivais. Parecia ter esquecido que a derrubada de um, dias antes, permitiu o massacre em Alcaçuz.

Saiba mais detalhes AQUI.

Nota do Blog – A revista Época é mais um órgão de imprensa da chamada Grande Imprensa a confirmar, ratificar e detalhar, o acordo feito entre o Governo do RN e o crime organizado (veja AQUI também).

Apesar de negar (veja AQUI), o governador na prática não prova o contrário nem exonerou qualquer auxiliar que atestou a existência dessa negociação de esgoto.

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Ex-governador fala para Robinson Faria assumir comando

O ex-governador Geraldo Melo (PMDB) pronuncia-se em seu endereço, no Facebook (rede social na Internet), em relação à crise no sistema prisional do Rio Grande do Norte.

Manifestou hoje, especial preocupação com a notícia na imprensa local e nacional, de que o governador fez acordo com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), para tentar pacificar o Presídio de Alcaçuz – em Nísia Floresta (veja AQUI).

Postagem de Geraldo Melo aconteceu após farta divulgação na imprensa local e nacional do 'acordo' com PCC (Foto: reprodução)

Para Geraldo Melo, Robinson Faria precisa agir ou reagir com rigor a essa situação, pois sinaliza claramente que perdeu comando da situação e divide decisões com a marginália.

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Ataques criminosos em Caicó atingem vários veículos

A cidade de Caicó vivenciou a noite de quarta-feira (18) com vários atos de vandalismo, rebelião na Penitenciária Estadual do Seridó, o Pereirão, e veículos incendiados, inclusive três pertencentes à frota da secretaria municipal de Saúde.

Veículos da Prefeitura foram incendiados na própria garagem à noite passada (Foto: cedida)

O prefeito Robson Araújo (PSDB), o “Batata”, se pronunciou sobre o fato através das redes sociais.

“Nossa equipe, de forma incansável, fez de tudo para evitar que toda a frota de veículos do Município fosse dizimada por atos de vandalismo”, disse.

“Conseguimos evitar que mais de 50 máquinas e automóveis fossem destruídos. Vamos trabalhar forte para conseguir novos veículos para a Saúde. Digo ao povo de Caicó que a gestão está ao lado de cada um de vocês”, afirmou Batata.

No Pereirão, um presidiário foi morto e pelo menos dez estariam feridos. Um ônibus da empresa Jardinense também foi atacado.

Presidiário, usando celular, ligou para emissora de rádio reforçando clima de terror e avisando que a maioria dos internos não desejava presença de nenhum membro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Eles seriam do Sindicato do RN, outra facção criminosa.

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Governo negocia paz em presídio em acordo com PCC

Do jornal O Globo

Capa de O Globo de hoje mostra foto impactante e manchete comprometedora (Foto: reprodução)

O governo do Rio Grande do Norte decidiu negociar com o PCC para tentar retomar — ainda esta semana — o controle da penitenciária estadual de Alcaçuz, na Grande Natal. O presídio, o maior do estado, foi palco da matança de pelo menos 26 detentos no fim de semana.

Segundo informações obtidas pelo Globo, uma delegada da Polícia Civil e um oficial da Polícia Militar foram designados para conversar com criminosos. O objetivo da negociação é evitar novo confronto com o Sindicato do RN, bando local rival da facção paulista.

Os policiais negociadores receberam a missão de descobrir as exigências dos presos e identificar quais delas poderiam ser atendidas. Uma das reivindicações foi atendida nesta quarta-feira: um grupo de 220 detentos, ligados à facção local, foi transferido do presídio de Alcaçuz, na Região Metropolitana de Natal, para a Penitenciária Estadual de Parnamirim (PEP).

“Conversar”

De acordo com a assessoria de imprensa do governo, o estado designou duas pessoas como representantes, mas não para negociar e, sim, para “conversar e manter um contato” com os detentos porque, segundo a assessoria, é preciso existir comunicação.

“É o que a polícia chama de verbalização”. A assessoria não comentou sobre o atendimento às exigências dos presos.

O secretário da Justiça do Estado, Wallber Virgolino, reconheceu que alguns estados “fazem um acordo tácito com os presos” para “não bagunçar, não matar ninguém, não fazer rebelião” e afirmou que, no Rio Grande do Norte, criminosos não tem regalias. “O estado recua, fica com medo do preso, e começa a aceitar de forma involuntária tudo do preso”.

Veja matéria completa AQUI.

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PCC ataca Guarda Municipal e faz ameaça a governo do RN

Cartaz foi deixado em Fortaleza-CE após ataque (Foto: Tribuna do Ceará)

Do Tribuna do Ceará

O prédio onde abriga a sede da Guarda Municipal de Fortaleza, localizado na Rua Francisca Clotilde, no Bairro Rodolfo Teófilo, foi alvo de atentado na noite desta segunda-feira (16). De acordo com a Polícia Militar, quatro homens armados chegaram ao local em duas motocicletas e efetuaram vários disparos contra a fachada do prédio.

Conforme apurado pelo programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT, no momento do tiroteio haviam três guardas realizando a segurança do prédio, mas ninguém ficou ferido. Equipes da Polícia Militar e da Guarda Municipal realizaram buscas nas proximidades da sede e pelo menos três suspeitos, que não tiveram a identidade revelada, foram presos.

Cartaz

Apesar do atentado, outra ação também chamou atenção dos policiais e guardas municipais. Durante o tiroteio, os criminosos deixaram em frente ao prédio um cartaz em nome a maior facção criminosa do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A mensagem afirmava que caso o governo do Estado do Rio Grande do Norte mexesse com integrantes da facção, novos atentados iriam surgir. “Se o governo do Estado do Rio Grande do Norte mexer com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no presídio de Alcaçuz, o Brasil todo vai estralar. Assinado: PCC – 1533”, relata o cartaz.

Saiba mais clicando AQUI.

Nota do Blog – Hoje pela manhã e à tarde existiram novas escaramuças envolvendo presos ligados ao PCC e rivais no Presídio de Alcaçuz. Pressão é para que todos do PCC sejam removidos. Tensão pode gerar mais conflitos e mortes.

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Guerra de facções vai chegar às ruas do RN

Do blog O Antagonista

Representantes do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Rio Grande do Norte disseram que os presos ligados ao Sindicato do Crime do RN (SDC) avisaram que a resposta ao PCC não ficará somente dentro dos presídios.

Na carnificina desse fim de semana, em Natal, o PCC matou 26 presos ligados à SDC, de acordo com a contagem preliminar.

Nota do  Blog – Está mais do que claro.

Pena que muitos homens e mulheres de bem, que vibram com a chacina em Alcaçuz, não consigam dimensionar o tamanho dessa tragédia.

Acreditam que a “justiça” feita pela barbárie, não vai lhe atingir adiante. Atingir a todos nós.

Quanta inocência.

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Execução em Manaus assusta governo potiguar

Depois da execução de 56 presos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), durante rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus-AM, à semana passada, o Governo do RN tem motivos de sobra para repensar um de seus planos para o setor.

O pensamento corrente era de privatização pontual de algumas unidades prionais do estado.

O Compaj é uma dessas experiências vendidas como a panaceia, até eclodir sua realidade.

Por lá, o Estado do Amazonas pagava R$ 5 mil por presidiário e até agora o próprio governo amazonense não sabe informar, com segurança, quais os líderes do massacre.

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Os donos do crime

Da Istoé

Eles espalham terror, impõem sua lei nos presídios e têm poder semelhante aos grandes grupos de mafiosos. Ao longo dos últimos trinta anos, se tornaram conhecidos e temidos pela população brasileira. As facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) cresceram em importância não só nos estados onde surgiram, mas em todo o País.

As atividades dos grupos, inicialmente concentradas nos complexos prisionais, venceram as muralhas das penitenciárias e ganharam as ruas em ações cinematográficas.

Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, à frente do CV, e Marcos Willians Hermes Camacho, o Marcola, à frente do PCC, se tornaram homens procurados internacionalmente e ganharam notoriedade continental. Nem o mais pessimista especialista em segurança pública poderia prever tamanha expansão desse tipo de organização criminosa. Expansão esta que só tende a crescer, ancorada na omissão do Estado.

Na semana passada, o Brasil foi apresentado, de forma traumática, a mais uma representante desta seara podre da sociedade brasileira . A “Família do Norte”, conhecida pela sigla FDN, dominou o noticiário nacional e internacional depois de comandar a execução de 56 presos ligados ao PCC durante rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, no Amazonas (leia reportagem na página 56).

Foi o maior massacre dentro de uma prisão desde 1992, quando a Casa de Detenção de São Paulo, conhecida como Carandiru, foi invadida durante uma briga e 111 detentos foram mortos.

Em vídeo feito por um detento na parte interna do Compaj, entre corpos decapitados e muito sangue, vê-se uma bandeira da organização criminosa. “É FDN que comanda, porra!”, desafia o preso que empunha a flâmula, sem se preocupar em esconder o rosto.

Quem é quem

Marcola – Marcos Willians Herbas Camacho
Líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcola, 48 anos, nasceu na Vila Yolanda, em Osasco (SP). Órfão de mãe, não conheceu o pai e já roubava aos 9 anos, no Centro de São Paulo. Sua primeira condenação foi em 1987 por assalto à mão armada. Só foi preso em 1999 por participar de dois roubos a banco e cumpre pena em presídio de segurança máxima em Presidente Venceslau

Fernandinho Beira-Mar – Luiz Fernando da Costa
Nascido em Duque de Caxias (RJ), Fernandinho Beira-Mar, 49, foi criado na favela Beira-Mar e é líder do Comando Vermelho (CV). Aos 20 anos, foi preso por furtar armas do Exército. Cumpriu pena, voltou à favela e tornou-se líder do tráfico. Para fugir da polícia, já se refugiou no Paraguai e se aliou às FARC. Foi preso em 2001 e cumpre pena de 200 anos em Porto Velho (RO) e

Zé Roberto da Compensa – José Roberto Fernandes Barbosa
Compensa, 44 anos, fundou a facção Família do Norte (FDN), de Manaus. Aos 12 anos iniciou a vida no crime e já foi preso quatro vezes. Compensa é o elo dos traficantes do Peru e da Colômbia com o Brasil. Já esteve preso em Porto Velho (RO) e Catanduvas (PR). Durante uma fuga, em 2013, matou dois comparsas que se aliaram ao PCC. Cumpre pena em Catanduvas (SC).

A FDN surgiu em 2006 da aliança entre dois ex-rivais do mundo do tráfico de Manaus. José Roberto Fernandes Barbosa, conhecido como “Compensa”, controlava a venda de drogas na região Oeste da cidade, enquanto Gelson Carnaúba, o “G”, dominava a região Sul. Presos, ambos cumpriram pena em presídios federais, onde tiveram contato com membros do CV e do PCC, e de lá voltaram determinados (ou orientados), segundo a Polícia Federal, a estruturarem uma operação nos moldes das facções do eixo Rio-São Paulo.

Não demorou para o negócio decolar.

Em pouco tempo, a dupla dominou quase toda a rota “Solimões”, na região da fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, e passou a escoar grandes quantidades de cocaína para vender em Manaus, distribuir pelo Brasil e exportar para a Europa. Já em 2006, Barbosa aparece em vídeo durante sua própria festa de aniversário, organizada para mais de duzentos convidados, em um luxuoso buffet de Manaus.

Durante os parabéns, é visto rodeado por amigos em cerimônia que lembra o beija-mão dos mafiosos italianos. Cada convidado que o abraça entrega uma joia de ouro – seja anel, pulseira, relógio ou colar. Sorridente, o criminoso bate palma e posa para foto. Também em 2006, Barbosa funda o “Compensão”, time de futebol que viria a se tornar uma das mais populares equipes amazonenses na categoria “amador”.

Membros passam por seleção

Pesadamente financiado, o time foi campeão duas vezes em sua categoria e até hoje amedronta adversários, que dizem temer as ameaças que frequentemente vêm das arquibancadas.

Mesmo com a detenção de Barbosa, em setembro de 2009, a arrecadação da FDN continuou a crescer. Os negócios nessa época iam tão bem que os cerca de R$ 1 milhão em receita mensal passou a bancar não só a operação do grupo, mas também os honorários de um time de nove advogados dedicados exclusivamente ao bando.

À época, Barbosa e seus comparsas já respondiam por crimes como evasão de divisas, tortura, sequestro, lavagem de dinheiro, homicídio, corrupção de autoridades, e tráfico internacional de drogas e armas. Mas foi a partir do momento em que Barbosa foi preso que a FDN deslanchou. Na cadeia, mas com mordomias, sem muito o que fazer e protegido por seus aliados, o traficante pôde se dedicar aos negócios.

Foi com Barbosa detido que a facção colocou no ar seu sistema digital de compra e venda de drogas e de monitoramento das ruas do tráfico. Foi também nesse período que reformulou o processo de seleção de novos membros. Agora, os integrantes devem passar por uma rigorosa peneira com participação de filiados de vários escalões.

Atualmente, a FDN é a terceira maior facção criminosa do País. O grupo nunca escondeu que, nesse esforço organizacional, suas inspirações foram o Comando Vermelho (CV) e, fundamentalmente, o Primeiro Comando da Capital (PCC), hoje seu maior rival. No Brasil, não há exemplo maior de estruturação e planejamento do crime do que o PCC.

Criado em 1993 no Anexo da Casa de Custódia de Taubaté, a 130km de São Paulo, o grupo surgiu com estatuto próprio e missão clara: “combater a opressão dentro do sistema prisional paulista”. Os anos se passaram e a missão parece se resumir a ganhar dinheiro.

A facção tem hoje mais de 22 mil membros espalhados por praticamente todos os estados do País (leia quadro). À frente da potência que virou o PCC está Marcos Willians Hermes Camacho, o Marcola. Preso por roubo a bancos desde 1999, ele comanda com mão de ferro a estrutura fortemente hierarquizada que é a facção.

Formação de advogados

Com Marcola, o PCC expandiu e diversificou seus negócios, tidos como muito dependentes do tráfico de drogas até o final dos anos 1990. Hoje, sabe-se que possui times de futebol na Zona Leste de São Paulo. Também é proprietário de companhias de ônibus, forma advogados e teria feito um prefeito na Grande São Paulo.

É dono de uma refinaria clandestina em Boituva, no interior de São Paulo, que, durante anos, desviou óleo da Petrobras, o refinou e o revendeu em uma rede de postos de gasolina, também de sua propriedade. E ajuda a operacionalizar a ocupação de terras na região metropolitana de São Paulo para depois exigir 25% das habitações construídas nos terrenos invadidos. Os imóveis são mais tarde entregues às famílias de detentos que estão desamparados.

Hoje, estima-se que o PCC tenha uma receita anual bruta de cerca de R$ 300 milhões – o equivalente à operação de uma indústria como a Caloi, que fabrica bicicletas desde 1948. Muito do dinheiro foi reinvestido na facção. Parte, porém, ficou para o conforto de Marcola e família.

A mulher do traficante, por exemplo, costuma ser levada para visitá-lo por um motorista particular a bordo de uma Toyota SW4, carro que não custa menos de R$ 150 mil. Já Marcola, vaidoso, esbanja com cremes e procedimentos de beleza. Recentemente, pediu à Justiça autorização para fazer um tratamento de botox dentro da cadeia. O pedido foi negado.

Ausência do Estado

Embora hoje menos poderoso do que foi nas décadas de 1980 e 1990, o Comando Vermelho (CV) ainda impõe respeito. Fundado no Rio de Janeiro, o grupo surgiu em 1973 e foi pioneiro entre as facções criminosas brasileiras. Sob a liderança de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, o CV dominou mais de 80% do tráfico da cidade e espalhou terror com roubos a banco e violência.

Rebelião pedindo justiça é coisa do passado (Foto: reprodução)

Beira-Mar ganhou fama no Exterior graças à visibilidade do Rio de Janeiro e tentou dar início a um processo de diversificação dos negócios do grupo já na década de 1990 – antes, portanto, do PCC. A iniciativa, porém, foi interrompida por sua prisão, em 2001, na Colômbia. Desorganizada, a facção perdeu relevância. Hoje, porém, tenta crescer no País com alianças como a feita com a FDN.

Entre especialistas de segurança pública, é sabido que organizações criminosas surgem e crescem onde o Estado não se faz presente. Hoje, as facções cresceram de tal forma que há quem argumente que já não faz mais sentido falar em “poder paralelo” quando se está referindo a elas, mas sim em “poder de fato”.

Comando de torcidas

Em São Paulo, sabe-se que coube ao PCC mediar o acordo que promete acabar com as brigas entre as torcidas organizadas. Com isso, o grupo espera aumentar o público nos jogos, lançar um time e faturar com a nova atividade. Ainda na capital paulista, sabe-se que o PCC também trabalha para acabar com as cracolândias. Para o grupo, a droga não é comercialmente viável.

O espaço ocupado por esses bandidos profissionalmente organizados só foi possível porque há um vácuo na política penitenciária do Estado. E ele permanecerá, e se estenderá, se não forem tomadas providências pelo poder público. A guerra que se anuncia a partir do ataque da semana passada não será curta.

“A reação do PCC já começou”, diz o padre Valdir Silveira, coordenador nacional da Pastoral Carcerária da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). “Recebi ligações de familiares de presos que alertaram para o que está por vir”, afirma. Enquanto nada for feito, Beira-Mar, Marcola e Compensão continuarão apavorando o Brasil.

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O papel do advogado no ambiente criminal

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) precisa abrir discussão sobre a linha tênue que separa o papel do operador do direito do “jagunço de gravata”, no ambiente criminal brasileiro. A sociedade espera da entidade e do advogado muito mais do que o glamour, próprio da atividade forense.

Luiz Carlos, do Direitos Humanos, em xeque (Foto: UOL)

O Ministério Público Estadual de SP (MPSP) e da Polícia Civil cumpriram, nessa terça-feira (22), 41 mandados de prisão e 65 mandados de busca e apreensão contra advogados e outros investigados suspeitos de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Desses presos, 40 são advogados e um deles é vice-presidente Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE), Luiz Carlos dos Santos.

Ele é acusado de receber R$ 130 mil do PCC, transformando-se num reles empregado da organização criminosa, em tarefas que iriam bem além da das prerrogativas da profissão e dos direitos dos réus do submundo.

Claro que qualquer indivíduo tem o direito à plena defesa e, sem o advogado, ninguém pode pensar na plenitude do direito e na possibilidade mínima de efetivação da justiça.

Entretanto a cada dia é mais frequente a eclosão de casos dessa natureza, como ocorrido em São Paulo. Questiona-se, por exemplo, a dimensão do anteparo dado pelo colegiado dos Direitos Humanos ao bandido, ignorando as vítimas dessa malta: policiais, cidadãos de bem, famílias de assassinados etc.

São Paulo tem mais de 350 mil bacharéis em direito. Uma multidão maior do que muitos municípios do país. Julgá-los por esses acusados de agora, é precipitarmos num dos piores erros do ser humano: o da generalização.

Haverá um juízo de valor que se formará na própria demanda judicial, em contraposição ao juízo de fato. Um, é julgamento; o outro, fria observação episódica.

Nem todos são bandidos, contudo será difícil não se atestar que parte deles, sim. Transformaram-se em pessoas tão ou mais perigosas que seus clientes.

A fruta podre, existente nessa ‘caixa’, precisa ser rapidamente extirpada.

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“Sindicato do Crime” desafia Governo do RN e o PCC

Do jornal O Estado de São Paulo

A facção que levou insegurança ao Rio Grande do Norte e fez com que homens do Exército e da Marinha ocupassem a capital, Natal, nasceu há três anos. O Sindicato RN faz parte de um novo fenômeno que autoridades do Norte e Nordeste vêm enfrentando: criminosos que se uniram como uma resistência ao crescimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo em seus Estados.

Em pouco mais de uma semana, o grupo fez 108 ataques, em 38 cidades, contra a instalação de bloqueadores de celular em penitenciárias do Estado. Ônibus deixaram de circular e o turismo foi afetado, em uma região conhecida por suas praias, dunas e outras belezas naturais.

Detentos fizeram motim em penitenciária de Parnamirim contra bloqueadores (Foto: reprodução)

As autoridades estimam em pelo menos mil os integrantes da facção. Ela surgiu na Penitenciária Alcaçuz, a maior do Estado, localizada em Nísia Floresta, e no Presídio Estadual de Parnamirim, na Grande Natal. “Começamos a ter notícia do Sindicato ao mesmo tempo nos dois presídios”, diz o juiz de execuções penais Henrique Baltazar.

PCC no RN

O magistrado conta que o PCC já tinha operações nos presídios do Estado desde 2010. Por meio de escutas telefônicas o Ministério Público Estadual estimava que a facção paulista tinha entre 200 e 300 integrantes nos presídios — para uma população carcerária de cerca de 8 mil detentos.

“Havia criminosos daqui que não gostavam do PCC, das normas rígidas de seu estatuto, e decidiram se organizar para fazer frente a eles. Mas não era nada levado muito a sério. Era, como se diz, um bando de ‘nóias’, drogados”, continua o juiz.

A coisa mudou em 2015, a medida em que traficantes e ladrões de banco mais organizados foram se juntando ao grupo. Em março, os integrantes do Sindicato organizaram uma rebelião nos dois presídios.

Mossoró

O motim se espalhou por outras cadeias do Estado e só se encerrou após uma negociação que incluiu mais respeito aos familiares dos presos nas visitas. Atrás das grades — que, aliás, já não existem no interior das cadeias, segundo o juiz –, o grupo passou a ser visto como vitorioso, e cresceu.

Na mesma rebelião, os potiguares do PCC se amotinaram no presídio de Mossoró, onde estavam concentrados. “Aconteceu que Mossoró foi o único em que o governo entrou na cadeia e acabou com a rebelião. Rapidamente. Eles ficaram desmoralizados”, diz o juiz.

Henrique vê avanço do "Sindicato" (Foto Ana Amaral)

O crescimento do Sindicato está relacionado, também, com suas associações. A facção precisou buscar outros fornecedores de drogas para alimentar seus negócios. E se associou, em uma espécie de cooperativa do crime, com outras facções regionais que surgiam como resposta ao domínio dos paulistas.

“Eles antes faziam negócios com o PCC no Paraná. Chegamos a interceptar teleconferências, feitas entre presos de três cadeias diferentes”, continua Baltazar. “Aí eles se associaram a outros grupos muito parecidos com eles, de outros Estados. Com os Amigos da Amazônia, com a Al-Qaeda, de Alagoas, e com o Comando Vermelho do Ceará. É assim que eles têm comprado drogas para abastecer o Estado”, afirma.

Mortes

O juiz faz as contas: diz que em 2014 havia 300 integrantes do PCC nas cadeias e 200 do Sindicato. Após a rebelião de 2015, o PCC terminou com 200 membros e o Sindicato, 1 mil. “Nesse crescimento, teve muito ‘suicídio’. Houve uns 30 casos de suicídio nas cadeias, que acompanhamos. Na verdade, o cara ‘era suicidado’ pelos companheiros.”

O secretário da Segurança Pública do Estado, general do Exército Ronaldo Cavalcanti Lundgreen, também afirma que a situação nos presídios foi uma das agravantes para a crise. Ele diz que somente com a abertura de mais vagas nos presídios é que as facções perderão forças. “A instalação dos bloqueadores foi só o fósforo riscado.”