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Negros e brancos, traficantes e usuários, nos boletins de ocorrência

Prisões ocorrem desde a semana passada (Foto ilustrativa)
Prisões têm brancos e negros em enorme desproporção (Foto ilustrativa)

Um estudo feito em São Paulo pelo Núcleo de Estudos Raciais do Instituto de Ensino e Pesquisa (INSPER) mostrou que 31 mil pessoas negras foram enquadradas como traficantes de drogas enquanto pessoas brancas foram consideradas usuárias em situação semelhante.

O número é suficiente para lotar 40 dos 43 Centros de Detenção Provisória (CDPs) masculinos do Estado, sendo que 40 destes já estão superlotados.

Os autores da pesquisa analisaram 3,5 milhões de boletins de ocorrência entre 2010 e 2020.

Reportagem está hoje no Folha de São Paulo.

O caso Vini Jr. e o princípio da extraterritorialidade

Por Odemirton Filho Justiça no Brasil,

Nos últimos tempos o jogador brasileiro do Real Madrid, Vinícius Júnior, tem sido alvo de racismo por parte de algumas pessoas. Não digo torcedores, pois acredito que essa nomenclatura somente deve ser utilizada para aqueles que realmente entendem o verdadeiro espírito de uma atividade esportiva.

O jogador, apesar de todo seu talento, tem sofrido ataques inconcebíveis por parte de alguns fanáticos. É repugnante o comportamento de alguns cidadãos em pleno Século XXI, com atos racistas.

Há, parece-me, um retrocesso em termos civilizatórios em todo o mundo, com culto ao nazismo, atitudes xenofóbicas, intolerância, ódio, atos racistas e radicalismo político-partidário.

Destaque-se, que o episódio ganhou repercussão mundial em consequência da fama do atleta. Todavia, como sabemos, atos racistas são praticados contra várias pessoas, aqui e ali.

O fato é que após vários atos racistas contra o jogador, finalmente as autoridades espanholas e entidades internacionais do mundo do Futebol estão imbuídas no combater ao racismo, uma chaga que, há tempos, deveria estar banida da sociedade.

Na última quinta-feira, conforme noticiado pela imprensa, o Ministério Público da Espanha denunciou algumas pessoas envolvidas nos atos criminosos.

Entretanto, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou que o Brasil poderia aplicar o princípio da extraterritorialidade no caso do jogador, em razão de uma eventual inércia de apuração dos fatos pelas autoridades espanholas.

Sobre o tema, entendamos o que vem a ser esse princípio, de forma geral.

De acordo com o professor Cleber Masson, extraterritorialidade é a aplicação da legislação penal brasileira aos crimes cometidos no exterior. Justifica-se pelo fato de o Brasil ter adotado, relativamente à lei penal no espaço, o princípio da territorialidade temperada ou mitigada o que autoriza, excepcionalmente, a incidência da lei penal brasileira a crimes praticados fora do território nacional.

O Art. 7º do Código Penal brasileiro diz que ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro, a prática de alguns crimes. Estes crimes podem ser divididos em condicionados e incondicionados.

No caso concreto, seria um crime incondicionado. Saliente-se que o nosso país é signatário da Convenção Sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação racial da ONU, bem como da Convenção Interamericana contra o Racismo.

A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas, ou seja, o crime ser cometido contra brasileiro e ser punível no país onde ocorreu, além disso o acusado precisa entrar no território brasileiro, entre outras condições.

Assim, percebe-se que a adoção de referido princípio da extraterritorialidade não é simples, exigindo-se algumas condições para a sua aplicação.

Esperemos que as autoridades do futebol e os agentes públicos da Espanha adotem providências para punir os infratores, em respeito àqueles que, como Vini Jr. sofrem atos racistas.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Vini Jr e o racismo como desumanização

Por Cefas Carvalho

Segunda-feira (22), Prefeitura do RJ desligou iluminação do Cristo Redentor em solidariedade a Vini Jr. (Reprodução)
Segunda-feira (22), Prefeitura do RJ desligou iluminação do Cristo Redentor em solidariedade a Vini Jr. (Reprodução)

Causaram indignação as cenas registradas durante o jogo Valencia x Real Madrid, no domingo, pelo Campeonato Espanhol, chamado de La Liga. Durante a partida, no Mestalla, em Valencia, torcedores gritaram ofensas racistas ao atacante brasileiro Vinícius Júnior que também sofreu agressões verbais e físicas por parte do goleiro e de um zagueiro adversário. Apesar de ser a vítima, acabou expulso pelo árbitro.

As cenas da selvageria e da reação de Vini indignaram o Brasil e correram o Mundo, gerando reações rápidas, como posicionamento de clubes e jogadores e também ação do Ministério da Justiça e do Governo do Brasil em acionar os canais diplomáticos com a Espanha. O combate ao racismo no futebol, um problema registrado com frequência em terras espanholas, pode ser impulsionado com o caso.

Mas se o racismo se manifesta de múltiplas maneiras, das mais sutis e estruturais (segurar a bolsa ou guardar o celular ao ver um rapaz negro se aproximando, achar que o negro de terno no evento é garçom e não palestrante etc) às mais violentas (ação das PMs em periferias) quero me deter em um aspecto objetivo das ofensas contra Vini Junior. Os torcedores valencianos, desde antes do começo da partida, como se viu depois em vídeos, gritavam e cantavam sobre e para o brasileiro a palavra “mono”, que significa “macaco” em espanhol.

Claro que toda ofensa (negro, preto, fedido, sujo, etc) é dolorosa mas classificar um ser humano como um animal denota um evidente – e perigoso – processo de desumanização.

A desumanização como uma prática política já foi estudada. A filósofa alemã Hannah Arendt, que era judia, estudou o tema no pós-Segunda Guerra, criando o conceito da “banalidade do mal”. Obras dos negros estadunidenses Toni Morrison (ela primeira mulher negra a vencer o Nobel de Literatura) e James Baldwin refletem sobre a transformação dos ‘outros’ dos brancos em categoria subalterna.

O filósofo antilhano Frantz Fanon escreveu sobre a existência de teorias que colocavam o negro como o elo entre o homem e o macaco, demonstrando assim o estabelecimento da desumanização dos negros, que, a propósito, ganhou várias facetas com o racismo científico no início do século 20.

Os resultados dessa desumanização, sabemos, são devastadores. Geraram a escravização de pessoas negras, os massacres e mutilações na África, os genocídios armênio e curdo, o holocausto nazista. Ações “justificadas” pelos algozes, afinal, as pessoas envolvidas “não eram exatamente humanas”, portanto não mereciam um tratamento humano. É isso que sociologicamente a torcida do Valencia (e de outros times espanhóis e de parcela da população mesmo fora dos estádios) tenta dizer: que Vinícius Júnior é um macaco, logo, não é um ser humano, portanto, pode receber o tratamento dado a um “não humano”. Um perigo.

Em tempo: para quem associa a desumanização  ao nazismo e a neofascistas europeus, lembremos que em 2018 um candidato a presidência da República disse em evento da comunidade judaica (que ironia) que negros quilombolas “não serviam nem para procriar, deveriam ser pesados em arrobas”. Ora, se sabemos que arroba é medida de peso para gado, logo, os quilombolas não são humanos, ou pelo menos não merecem ser tratados como tal.

Esse candidato também havia garantido que não daria um centímetro de terra a mais para os povos indígenas (não apenas cumpriu a promessa como deu condições para o genocídio desse povos) e anteriormente havia dito a uma mulher que ela era tão feia que não merecia ser estuprada (ou seja, se ela fosse bonita, na ótica dele, “merecia” que ele a estuprasse).

Esse cidadão foi eleito presidente da República em 2018, como sabemos. No Brasil, de maioria negra/parda, e não num estádio de Valencia ou em terras europeias de gente branca e loira. Só para registrar.

Que Vinícius Júnior mantenha sua luta contra os racistas. E que nós aqui não limitemos nossa indignação aos europeus de passo colonizador, mas aos que aqui mesmo em terras tupiniquins realizam o processo de desumanização. Que precede o de extermínio. População negra periférica, LGBQIA+ e povos originários que o digam.

Cefas Carvalho é jornalista e escritor

*Texto originalmente publicado no portal Saiba Mais

Prefeita jovem e negra sofre ataques após vencer eleição

Rosim: vitória e ataques (Foto: Web)

Do UOL

Prefeita eleita (veja AQUI) nesse domingo em Bauru (a 330 km de São Paulo), Suéllen Rosim (Patriota) sofreu ataques racistas em redes sociais e em um grupo de WhatsApp do qual ela não faz parte na véspera de sua vitória na cidade. Em uma das mensagens enviadas, o agressor diz que “essa gente de pele escura, com cara de marginal administrando essa cidade, será o fim”.

E prossegue exaltando o candidato que disputou o segundo turno com Rosim, Dr. Raul (DEM), dizendo que “esse sim tem berço”.

Nas redes sociais, a mensagem diz que “Bauru não merecia essa prefeita de cor com cara de favelada comandando nossa cidade”. “A senzala estará no poder nos próximos quatros anos.” Rosim afirmou em entrevista ao UOL que registrou boletim de ocorrência, mas que o responsável pela agressão ainda não foi identificado, apesar do nome da pessoa aparecer na troca de mensagens.

Em outro texto, a mesma pessoa sugere que frequenta a prefeitura da cidade. “Eu não quero nem imaginar ter que ir no Palácio das Cerejeiras e saber que tem essa ‘gente’ como prefeita dando ordens.”

A prefeita eleita foi informada de que o grupo era de funcionários públicos da cidade, mas não conseguiu confirmar se era um grupo oficial. Alguns participantes criticaram as mensagens racistas e apontaram a discriminação racial contida nas agressões. “Temos que procurar a Justiça sempre, não podemos passar pano para isso”, disse Rosim.

Perfil

Suéllen Rosim, 32, é a primeira mulher eleita da cidade de Bauru. Ela é formada há dez anos na área de comunicação e trabalhou na TV Tem, afiliada da Rede Globo na região, onde foi apresentadora, repórter e editora por oito anos.

Conta que foi seu trabalho como jornalista, em contato com a população, que a inspirou a entrar na carreira política. “Quis ir além da profissão. A rua, a reportagem, ver os serviços públicos sempre precisando de ajustes, foi isso que me aproximou da política, que vejo como uma grande ferramenta de transformação”, relata.

Suéllen é atualmente suplente entre os deputados estaduais do Patriota na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP). Foi vitoriosa em Bauru com quase 90 mil votos, representando 55,98% dos votos válidos, contra 44,02% de seu adversário.

Rosim também reconhece uma maior dificuldade das mulheres no ambiente político e vê as cotas raciais e de gênero para candidaturas como um avanço na representatividade política. “Entendo que a gente precisa cada vez mais de oportunidades para ocupar esses espaços. Futuramente, espero que não precisemos mais disso”, afirma.

“Enquanto prefeita, quero ser exemplo e espero que, daqui a quatro anos, a população olhe para trás e tenha muito orgulho da escolha que fez”, manifesta.

Ataques em redes sociais revelam faceta de uma sociedade machista, racista e excludente (Reprodução BCS)

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Filhos dos outros…

Por Marcos Araújo

Não costumo escrever na primeira pessoa. Acredito que seja por incompetência ou por discrição. Apenas escritores brilhantes como Faulkner, F. Scott Fitzgerald e Goethe souberam genialmente escrever dessa forma.

Pela minha insignificância, sempre achei presunçoso falar de si próprio. Contudo, fujo da discrição para falar um pouco da minha infância, apenas para contextualizar o artigo de hoje.

Nascido em uma família de nove irmãos, numa casinha de pau a pique situada num bairro periférico que é um limbo geográfico entre as cidades de Pau dos Ferros e Encanto/RN, tive uma infância de maternidade comunitária. Logicamente, uma mãe de nove filhos não tinha tempo – nem meios! – para cuidar zelosamente de cada um, dar conta dos trabalhos domésticos e dos afazeres da profissão de costureira.No dia a dia, as vizinhas terminavam em auxiliar nossa mãe nessa tarefa de cuidar de tantos filhos. Uma  delas, Dona Lindalva, nos nutria de alimentos tanto para o corpo como para a alma. Dividia ela a pequena produção agrícola de subsistência do esposo com a vizinhança, e ainda promovia encontros na sua casa para orações.

Foi a minha primeira educadora religiosa e exemplo de caridade concreta.  Na minha infância, os filhos dos outros eram tratados com zelo. Os pais se sentiam corresponsáveis. Geralmente, quando uma criança ia brincar na casa de outra, a responsabilidade era transferida. Não remanescia preocupação, porque os pais sabiam que seus filhos seriam bem cuidados. Havia um desejo coletivo de aperfeiçoamento moral e de aprendizagem para o bem.

O rigor era imposto também na Escola. Minha professora do primário, dona Bibita, por exemplo, estimulou minha calvície precoce dando alguns “cocorotes” na minha cabeça, colocando a aliança bem na curvatura do dedo anelar para o ponto do impacto, no que causava uma dor indizível.

Fiz esta reflexão recente ao assistir pela televisão, com lágrimas nos olhos, essa tragédia com Miguel, a criança de 05 anos que caiu de um prédio em Recife. Como se viu das filmagens, a criança foi deixada sozinha dentro de um elevador, sob o olhar leniente de uma jovem senhora, apressada e impaciente porque havia deixado a sua manicure esperando.

Por ser a vítima uma criança negra, filha de uma empregada doméstica, e a patroa uma jovem branca, os sociólogos logo identificaram um componente racista. Avocaram Gilberto Freyre e sua obra “Casa Grande e Senzala” para justificar o fato como fruto das relações coloniais do trabalho doméstico. Os historiadores, por seu turno, resgataram a nossa herança escravista. Os movimentos classistas trouxeram o clássico confronto entre capital e trabalho, isto é, entre empregado e patrão, expedindo nota sob a ótica de que “para essa patroa branca, uma criança negra não vale mais que seus cachorros.” A Federação dos Trabalhadores Domésticos classificou a tragédia como “desprezo e coisificação da vida negra”.

Por aqui, estávamos ainda vivendo a ressaca da notícia da morte do ex-segurança George Floyd, em Minneapolis, nos Estados Unidos, asfixiado por um policial branco, gerando protestos e um movimento internacional chamado “black lives matter”.  Nem mesmo a onda de revolta modelada pelos americanos acresceu indignação à morte de Miguel. O máximo que teve foi uma passeata de poucos “gatos pingados” pelas ruas de Recife. E as notas dos conhecidos bravateiros das redes sociais. Ficou só nisso…

O menosprezo nacional ao evento tem tudo a ver com três fatores rapidamente identificados: i) no Brasil, o número elevado de trabalhadores domésticos fez com que muitas patroas e patrões se vissem na possibilidade de acontecer infortunística igual; ii) temos raízes preconceituosas e escravagistas, de tal modo que fomos um dos últimos países do mundo a reconhecer a importância do trabalho doméstico; e, iii) a causa pode ser a intolerância, a impaciência e o desequilíbrio emocional que afloraram com maior intensidade com a pandemia.

Embora a nossa Constituição seja de 1988, somente 25 anos depois, isto é, em 2013, corrigindo uma injustiça histórica e com vergonhoso atraso é que o Congresso Nacional aprovou a Emenda Constitucional nº 72, que equiparou os direitos trabalhistas dos empregados domésticos aos demais trabalhadores. Sem querer trazer qualquer viés político, o Presidente da República atual, na qualidade de Deputado Federal à época, votou contra a PEC.

Muitos defendiam na época da tramitação da PEC que o reconhecimento de direitos trabalhistas integrais aos trabalhadores domésticos iria gerar desemprego e, portanto, lhes seria prejudicial. Coincidentemente, o mesmo argumento dos senhores de escravos no século XIX, que diziam que a Lei Áurea era prejudicial aos negros, pois eles ficariam sem trabalho…

O viajante inglês John Luccock, em Notas sobre o Rio de Janeiro e partes meridionais do Brasil, que escreveu sobre sua estada por aqui entre 1808 e 1818, revela todo o seu estranhamento ao constatar que os moradores brancos do Rio se recusavam a fazer os mais simplórios esforços em público – como carregar malas ou ferramentas – uma vez que aquele tipo de “trabalho” era destinado aos escravos e, portanto, deveria ser considerado indigno de um homem livre.

A história registra que após o advento da Lei Áurea, muitos ex-escravos permaneceram trabalhando para seus antigos senhores, em especial os que lidavam nos afazeres domésticos, como mucamas, cozinheiras e babás, sem receber um salário, pois permaneciam junto a seus antigos donos em troca de abrigo e comida.

Não se pode divorciar a escravidão da nossa vida presente, nem a discriminação racial nas relações de trabalho contemporâneas quando vemos o elevado percentual de negros e negras como domésticos.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostram que o trabalho doméstico no Brasil tem gênero, cor e idade bem definidos: mulheres negras ou pardas, entre 30 e 50 anos. E, para elas são dispensadas “dependências de empregadas” em luxuosos apartamentos; “elevadores de serviço” dos condomínios de alto padrão; a subcategorização profissional sob achaques absurdos como as declarações dadas pelo ministro Paulo Guedes sobre o que seria a absurda “festa” de domésticas viajando para a Disney.

Por fim, essa pandemia tem acentuado as nossas intolerâncias, impaciências e a falta de inteligência emocional. Ao invés de aperfeiçoar a humanidade e elevar o espírito, um dos efeitos inversos  sentidos no presente é o declínio da fé, a preservação da individualidade, o aumento do ceticismo, a desesperança e o afloramento das doenças mentais.

Proporcionalmente, há mais gente afetada por doenças mentais do que infectados do coronavírus.

Se vivemos em “sociedade”, devemos recordar que o radical etimológico traz a significação de “sócio na metade”. Somos sócios na metade do outro. Seres interdependentes e correlacionais, criam os filhos uns dos outros. Os filhos dos outros são também meus filhos. Deveria ser assim.

A Miguel, nossa prece, e a certeza de que está em bom lugar, no colo de Deus, acalentado por Nossa Senhora. Como nos conta o evangelista Mateus, de certa feita, estando entre os seus discípulos, disse Jesus: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas”. (Mt 19,14).

Marcos Araújo é professor e advogado

Justiça exclui Grêmio de competição por atitudes racistas

Do portal UOL Esporte

O Grêmio está fora da Copa do Brasil. O time gaúcho foi excluído do torneio nesta quarta-feira (03), em sessão da 3ª Comissão Disciplinar do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), por causa de ofensas racistas proferidas por torcedores contra o goleiro Aranha, titular do Santos, em partida válida pelas oitavas de final da competição nacional.

O clube ainda recebeu uma multa de R$ 50 mil, e as pessoas que foram identificadas xingando o jogador foram proibidas de entrar em estádios por 720 dias.

O árbitro Wilton Pereira Sampaio (Fifa-GO) foi multado em R$ 800 e suspenso por 45 dias por não relatar o incidente na súmula, e os auxiliares também foram punidos por esse motivo (multa de R$ 500 e suspensão de um mês).

A diretoria do Grêmio já decidiu recorrer da decisão, que agora será levada ao pleno do STJD.

Ao UOL Esporte, um representante do clube gaúcho disse que não acredita que a punição seja mantida na instância superior.

Veja matéria completa clicando AQUI.

 

Torcedora que manifestou atitude racista tem casa apedrejada

Do jornal O Globo

Patrícia Moreira, a moça que foi flagrada chamando o goleiro Aranha de ‘macaco’ na partida entre Grêmio e Santos, pela Copa do Brasil, na última quinta-feira, deixou a casa onde mora, em Porto Alegre. Com a casa vazia, um vizinho apedrejou uma janela, o que indignou os outros moradores.

Patrícia, a plenos pulmões, cometeu injúria racial durante jogo (Foto: reprodução)

Proprietário de um mercado ao lado da casa da jovem, Márcio Traslatti, de 49 anos, relata que a conhece desde que ela era bebê. Ex-árbitro de futebol, ele presenciou a pedrada e acredita que Patrícia errou e deve se justificar. Porém, entende que a gremista foi no embalo do estádio e pediu calma:

– Ela entrou no clima de todo mundo e gritou, no embalo. Tenho certeza absoluta que ela não é racista, mas errou, sim.

Amigo de infância de Patrícia, Misael Chaves, que é negro, garantiu ao portal ‘Zero Hora’ que ela nunca teve atitudes racistas com ele.

– Nos criamos juntos e nunca sofri um ato de racismo da parte dela, bem como nenhum familiar meu. Hoje existe uma onda com relação ao racismo. Eu, enquanto pessoa negra, não me ofendi pela situação – afirmou.

Afilhado dos pais da jovem, José Luís Assunção se manifestou em nome da família. Ele lamentou as reações violentas contra ela, principalmente nas redes sociais.

– Foi uma cena lamentável. Ela é educada com as pessoas e nunca teve problemas aqui, acho que foi empolgação. Em nome da família, quero que ela peça perdão e seja perdoada. Vejo os comentários, muita gente fala em bater, apedrejar. Uma atitude não justifica a outra – disse.

Delegacia

Investigadores da 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre foram até a residência da jovem, mas não a encontraram. Os policiais ainda farão uma nova investida e esperam que ela se apresente para depor na próxima semana.

– Ela deve ter se recolhido com familiares e provavelmente vai aparecer com advogado. Ela não está foragida, nada disso. Apenas envolvida numa suspeita de praticar um crime de injúria racial. Não acreditamos que possa fugir. Ela vai aparecer – diz o responsável pela investigação, Lindomar Souza.

Segundo ele, o Grêmio está colaborando muito com a investigação da Polícia Civil, que já tem as imagens e busca identificar outros suspeitos. Além de Patrícia, outros gremistas também foram mostrados imitando gestos e sons de macaco. Cinco deles foram identificados pelo Grêmio, e dois suspensos do Quadro Social, incluindo Patrícia, que também foi afastada do emprego. Ela era auxiliar de um centro odontológico da Brigada Militar, em Porto Alegre.

Resposta à altura contra o racismo

O lateral direito Daniel Alves (Barcelona) ridicularizou quem jogou banana no campo de jogo entre seu time e o Villareal (Campeonato Espanhol), comparando-o a macaco, comendo a fruta.

O primata racista ficou se coçando todo na arquibancada.

Daniel participou de dois dos três gols da virada do “Barça” sobre o adversário.

Nota do Blog – A melhor forma de diminuir certos contendores, é os ridicularizando, dando-lhes a dimensão exata do que são.

Não podem ser levados muito a sério.

Saiba mais sobre esse episódio triste clicando AQUI.