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Fala de ministro e pressões podem mudar destino de refinaria do RN

Clara Camarão faz parte do negócio bilionário no setor petrolífero (Foto: Petrobras)
Clara Camarão fez parte do negócio bilionário no setor petrolífero (Foto: Petrobras)

Nesse domingo (3), o ministro das Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, falou sobre uma possível recompra da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, privatizada pela Petrobrás para o fundo estatal árabe Mubadala:

“O povo baiano e sergipano tem pago preços de combustíveis mais caros do que em regiões de influência das refinarias cujo controle é da Petrobras. Entendemos do ponto de vista da segurança energética e da nova geopolítica do setor de petróleo e gás, respeitadas as regras de governança da companhia, que a Petrobras deve avaliar recomprar a Rlam”, declarou Silveira, segundo nota divulgada pelo MME.

Em informativo seu dirigido a associados e à imprensa, a Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET) defende que é preciso “reverter as privatizações, com reestatização das refinarias (RLAM, REMAN, RPCC), transportadoras (NTS, TAG) e da distribuidora de combustíveis (BR).”

A Reman é a Refinaria Refinaria Issac Sabá, em Manaus. Já a RPCC é a Refinaria Potiguar Clara Camarão, negociada com o Governo Jair Bolsonaro com o grupo 3R Potiguar S.A., subsidiária integral da 3R Petroleum Óleo e Gás S.A.

A Clara Camarão está no centro de polêmica em torno de constantes aumentos nos preços dos combustíveis no RN, gerando revolta do consumidor. As declarações do ministro e pressões da Aepet, Federação Única dos Petroleiros (FUP) e outros segmentos abrem janela para alterar essa configuração legal da RPCC.

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Isolda convida representante da 3R Petroleum para esclarecer aumentos

Isolda mostrou que ocorreram nove aumentos em sequência (Foto: João Gilberto)
Isolda mostrou que ocorreram nove aumentos em sequência (Foto: João Gilberto)

Com o novo aumento dos combustíveis no RN, no preço final ao consumidor, a deputada estadual Isolda Dantas (PT) propôs nesta quinta-feira (03), durante sessão ordinária na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), que a Casa Legislativa convidasse um representante da 3R Petroleum, administradora da Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC), para explicar as majorações. Por quais motivos a refinaria localizada em Guamaré, na região da Costa Branca do estado, privatizada em 7 de junho, vende gasolina a R$ 3,20, valor 27% mais caro do que o da Petrobras.

A parlamentar ressaltou que os potiguares não merecem tantas consequências vindas da privatização, dos desmontes e entregas dos patrimônios que deveriam servir ao povo. Apenas nos últimos dois meses, os potiguares tiveram que lidar com nove aumentos da 3R Petroleum.

Recordista

“Temos aqui no RN a recordista dos preços mais altos do país. A conta chega cara demais. A 3R Petroleum vai na contramão do que a Petrobras está conseguindo promover em todo o Brasil: baixar o preço da gasolina. Queremos explicações desses aumentos abusivos”, disse.

Além disso, destacou a preocupação com potiguares comprando gasolina em Cabedelo-PB, que é vendida pela Petrobras no terminal, a R$ 2,404, o litro, que em comparação com o preço cobrado às distribuidoras no RN, possui diferença de R$ 0,89 a menos. Ainda o mesmo óleo Diesel no terminal paraibano está a R$ 2,846, o que é R$ 0,74 mais barato que o praticado na refinaria Clara Camarão.

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Ex-secretário aponta prejuízos em mudança sobre refinaria

O ex-secretário de Energia do Governo Wilma de Faria (PSB) Jean-Paul Prates alerta para decisão tomada pela Petrobras, quanto à Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC), que se localiza no município de Guamaré. Segundo ele, “foi oficializada internamente a devolução da RPCC  para a Diretoria de Exploração & Produção, que passará a se chamar “Ativo Industrial de Guamaré”.

Prates: temores (Foto: Rodrigo Sena, Tribuna do Norte)

Acrescenta, que “a medida vinha sendo internamente planejada e discutida, com alto grau de discordâncias, e foi objeto de nossa nota do dia 16 de junho de 2016, alertando para as consequências disso para o RN e para o Nordeste. O que pode parecer apenas uma decisão interna sem maiores consequências, não é.”

Na ótica de Prates, um dos nomes mais conceituados do país e referência mundial em energia, “a Clara Camarão, do alto de suas sucessivas conquistas de aumento de capacidade, aprimoramentos técnicos, investimentos em expansão e gestão técnica e comercial especializada, deixará de ser considerada uma refinaria. Portanto, ficará totalmente excluída do Plano Estratégico e das discussões da Diretoria de Refino e Gás Natural (anteriormente denominada Refino e Abastecimento).”

Morte

No entendimento de Prates, presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Estado do Rio Grande do Norte (SEERN), “isso é decretar a morte da nossa refinaria, assim como se decretou recentemente a suspensão das atividades de perfuração terrestre em todo o País e o fechamento da planta de biodiesel de Guamaré – sem que houvesse qualquer entendimento ou conversa com os líderes políticos e empresariais do nosso Estado, que, durante décadas, promoveu, com prioridade, incentivos fiscais, licenças e parcerias sócio-ambientais com a empresa para ajudar a viabilização de seus projetos.”

Para ele, “poderão nos tirar a refinaria simplesmente para alegar uma redução de custos que, na verdade, significará mais um retrocesso do investimento da Petrobras no Estado – o maior de todos.”

Jean-Paul Prates aponta, que “ao contrário do que se está planejando internamente, o que deveria ser feito é justamente o contrário: a incorporação de todo o Pólo Guamaré à nova Diretoria de Refino e Gás Natural, incluindo as UPGNs e os terminais de despacho e recebimento de produtos. Isso sim, seria medida de eficientização das estruturas logísticas e da gestão dos ativos da empresa no RN. E também indicaria, claramente, um caminho de avanço – e não de retrocesso – dos investimentos e da presença da Petrobras na nossa região.”

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