Por François Silvestre
(Texto dedicado aos amigos irmãos Alex Medeiros e Honório de Medeiros)
O que me assusta é ler opinião de amigos de bom caráter, de boa instrução, convalidar essa estultice bolsonariana.
O quartel eu conheço. Servi no Exército, sou reservista de primeira categoria. Recruta e preso político no mesmo quartel onde servi. No Regimento de Obuses, ali nas proximidades de Santos Reis. E ali fiz amizade com oficiais que me prenderam, com sargentos, com recrutas.
Alguns ainda encontro vez ou outra, muito raramente. Também fui preso no 16/RI, ali na Hermes da Fonseca.
Esse Exército ao qual servi não era um. Eram dois. Um, vindo dos anos Vinte, à esquerda, liderado por Estilac Leal. Outro, à direita, sob a orientação de Canrobert Pereira da Costa.
O de Estilac, mesmo após sua morte, apoiou os governos democráticos da redemocratização. O outro, de Canrobert, à direita, aliou-se ao lacerdismo para golpear a decisão das urnas. E viveu de golpes. E quando chegou ao poder, sem golpe, com Jânio Quadros, frustrou-se com a renúncia do maluco que apoiara. Pois é.
De quartel entendo.
E o Exército de hoje não é um clube militar com vocação política. Nem politizado como os liderados de Estilac e Canrobert. Tenentes dos anos Vinte, coronéis dos anos Quarenta e generais dos anos Cinquenta.
Há uma lição militar fundamental. O que diz?
Não tema do seu inimigo o que ele quer contra você, tema o que ele pode. E os militares nada podem contra a Democracia. Ponto.
Os de pijama tossem. Os dos quarteis não se metem nessa aventura.
As Forças Armadas merecem respeito. E o respeito merecido decorre do respeito à Democracia.
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